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9 de mar. de 2015

Discografia Comentada: Cássia Eller

Qual é a primeira imagem que vem à sua cabeça quando se fala em Cássia Eller? A mulher que mostra os peitos para 100 mil espectadores cantando “Smells Like Teen Spirit” no Rock in Rio? A garotinha esperando o ônibus da escola de “Malandragem”? A artista de apliques em um quarto de hotel chique no clipe de “O Segundo Sol”? Ou a crooner de voz suave e interpretação romântica de “Non Je Ne Regrette Rien” em seu Acústico MTV?

Dona de voz e personalidade ímpares, Cássia Eller é comumente incluída por muita gente no grupo das principais cantoras da música brasileira das últimas décadas. Sua morte, por um infarto do miocárdio, em dezembro de 2001, frustrou o que poderia ter sido a coroação de uma carreira interessante, cheia de sucessos, mas marcada por discos irregulares, grande sucessos radiofônicos e muitas pérolas escondidas.

É possível dividir a carreira de Cássia Eller em quatro duplas de discos: a fase Vanguarda Paulista (“Cassia Eller” e “O Marginal”), a primeira guinada pop (“Cássia Eller” e “Violões”), o tributo a Cazuza (os dois “Veneno”) e o sucesso sob a batuta de Nando Reis. Em todas elas é possível notar o ecletismo da cantora, sua fixação por algumas figuras tradicionais do rock (Beatles, Cazuza e Legião Urbana, especialmente). Outra questão interessante é a repetição de faixas: muitas de suas músicas aparecem três vezes na discografia (caso de “Malandragem”, “E.C.T.”, “Por Enquanto”, “Nós” ou “1º de Julho”), em versões que costumam não diferir muito – um desperdício, talvez?

Tô lá no Scream & Yell fazendo a minha primeira discografia comentada da vida, embalado pelo clima do documentário Cássia Eller, do diretor Paulo Henrique Fontenelle. "Fera, bicho, anjo, mulher, mãe, filha, irmã, menina, Deus, deusa, meu amor", Cássia Eller tem uma carreira a ser descoberta. Vamos lá? 

6 de fev. de 2015

Entrevista S&Y: Paulo Henrique Fontenelle e "Cássia Eller"

"Muita gente só conhecia a Cássia Eller pelo que via na TV e nos shows, com a imagem da mulher que cospe e mostra os peitos em um show. Quem for ver o filme vai conhecer outra Cássia: amiga, irmã e mãe de família", explica o cineasta Paulo Henrique Fontenelle, que começou a conceber o filme em 2010. 

Segundo ele, a faísca para a realização do documentário foi a ausência de trabalhos sobre a artista. "Estava em casa ouvindo um disco dela e queria saber mais sobre sua história. Tirando uma biografia fora de catálogo, não havia nada: nenhum filme, nenhum documentário", diz Fontenelle, que demorou quatro anos para realizar o projeto, baseado em cerca de 40 entrevistas e com mais de 400 horas de imagens de arquivo. "Cada fita que a gente conseguia encontrar parecia um Santo Graal", brinca.

Não é a primeira vez, porém, que Fontenelle se depara com um biografado de trajetória polêmica e sensível: sua estreia em longas-metragem foi com “Loki”, de 2008, que contava a história do mutante Arnaldo Baptista de forma delicada. Feito em parceria com o Canal Brasil, o filme acabou promovendo uma revitalização da obra de Arnaldo, com novas edições de seus discos e a volta do artista aos palcos. É graças a “Loki” que o cineasta conseguiu a autorização da família de Cássia Eller para fazer seu filme.

“A Eugênia [companheira de Cássia durante 15 anos] tinha uma resistência ao projeto, mas como ela e o Chicão [filho da cantora] tinham gostado do ‘Loki’, eles aceitaram conversar comigo”, conta o diretor. “Ela só me pediu para que mostrasse tudo da Cássia: as drogas, os casos amorosos, mas também o lado família e companheiro”, completa o diretor, que também realizou “Dossiê Jango” em 2013 – uma espécie de filme denúncia sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente João Goulart.

Bati um papo com o Paulo Henrique Fontenelle um pouco antes da estreia do "Cássia Eller". A íntegra da conversa está no Scream & Yell, e contém não só perguntas sobre a cantora de "Malandragem", mas também detalhes da carreira do documentarista e de "Loki", seu primeiro longa-metragem, além de um top 5 documentários musicais.