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24 de fev. de 2015

Um Papo com Jair Naves n'O Resto é Ruído



Um papo com o grande Jair Naves sobre o disco novo dele, crowdfunding, jornalismo musical, o texto do Marco Barbosa sobre a Lupe de Lupe do Vitor Brauer e muita música. Um dos meus podcasts favoritos desde que entrei no Resto é Ruído. Na trilha sonora, tem Sleater Kinney de BG e eu fui com a faixa de abertura do novo do The Decemberists, "The Singer Addresses His Audience".

(Acima, o pôster para o show de lançamento de "Trovões a Me Atingir", disco novo do cara que é uma das melhores coisas da música nesse ano de 2015. O show rola na sexta-feira, 27, no Auditório Ibirapuera. Mais detalhes, aqui)


11 de mar. de 2014

3 Perguntas: Jair Naves, Will Prestes, Boogarins


Muita coisa rolando ao mesmo tempo, e nessas eu nem tive tempo de comentar sobre três entrevistinhas curtas (mas bem legais) que eu fiz nos últimos tempos para o Scream & Yell. A ideia sobre as três é bastante simples: um entrevistado, um fato maior e três perguntas básicas para ele, jogo rápido para o leitor ter informação e o jornalista não se sentir mal por não conseguir dedicar tempo a coisas bacanudas. Nessa vez, falei com Jair Naves, Will Prestes e Boogarins, cada um por motivos diferentes. 

A entrevista com o Jair reflete a turnê do primeiro disco solo dele e a campanha de crowdfunding para financiar o segundo trabalho do rapaz, que é um dos melhores compositores da sua geração. Já o papo com o Will, conhecido por suas letras divertidas e riffs chicletudos com a Wonkavision, fala sobre seu novo projeto, o WAHGEE, que bebe do folk e do country com canções para cantar com a mão no coração. Os Boogarins já são uma conversa antiga, de dezembro do ano passado, refletindo sobre o hype e a influência sessentista dos goianos. Lê aí. :)

8 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Uma temporada bastante plural, na qual cabe funk, rock, rap (embora o rap brasileiro há muito já tenha expandido suas fronteiras), MPB, retornos de heróis do mainstream (Guilherme Arantes) e do independente e um punhado de segundos discos (Apanhador Só, Nevilton, Selton, Marcelo Jeneci, Bárbara Eugênia) que mostra que a canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 25 melhores músicas nacionais de 2013, um retrato sonoro de um ano que, espera-se, o Brasil não esquecerá. 

1º - "Despirocar", Apanhador Só

Primeiro single do disco mais importante de 2013 no Brasil, "Despirocar" é a música do ano não só por representar iconicamente a evolução lírica e musical de uma das bandas mais interessantes de sua geração - isso já seria o bastante para um grupo que teve uma estreia empolgante ao misturar Pavement, Tom Zé, Los Hermanos e sucata para falar de relacionamentos com olhar de iniciante. Mas, lançada no final de maio, "Despirocar" representa o Brasil de 2013. Espécie de "Construção" adaptada ao País do século XXI, no qual a mão de obra da construção civil agora tem sua força de trabalho (sub)empregada em um setor terciário inflado. No lugar de "amar daquela vez como se fosse a última", o eu-lírico da canção vive correndo, acotovelando-se no transporte público deficitário, alimenta-se mal (seja na "fila do buffet" ou "engolindo um biscoito") e trabalha até às últimas, chegando em casa cansado para ouvir "o William Bonner que me afaga me contando uma fábula sobre algo que ocorreu". Entretanto, se na obra de Chico Buarque o fim último de seu personagem era a morte, aqui a saída é a loucura, o 'não se submeter ao sistema', ou o 'que se foda tudo isso'. Comparações à parte (são trabalhos de grandeza poética e urgências diferentes), "Despirocar" traz em seu cerne, identificada e transformada em versos, a energia do descontentamento que, na visão externa deste escritor, pode ter auxiliado a levar milhões de brasileiros às ruas no mês de junho, no movimento popular mais importante do país em anos. É por representações como essa que a Música se tornou uma peça tão vital para entender a sociedade contemporânea - pelo menos, é nisso que o Pergunte ao Pop acredita. Se não for assim, talvez seja melhor despirocar, de vez. 

Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

18 de jan. de 2013

Melhores 2012: Músicas Nacionais

Se 2011 foi o ano do rap e do sambinha-indie, com faixas de Wado, Criolo e Cícero entre os principais destaques daquela temporada, 2012 é bastante eclético, na visão do Pergunte ao Pop. Verdadeira salada musical, a lista de melhores músicas nacionais dos últimos 365 dias reúne nomes díspares como Caetano Veloso, Rafael Castro (os dois últimos com duas citações cada), MC Bola, Roberto Carlos, Jair Naves, B Negão & Os Seletores de Frequência e o grupo capixaba Merda. Sim. Merda. Entretanto, assim como na lista de discos, a vitória ficou nas mãos de Tulipa Ruiz. (Ao final, todas as músicas citadas nesse post para quem quiser ouvir de uma vez só em uma playlist do Grooveshark). 

1º:"Dois Cafés", Tulipa Ruiz e Lulu Santos

Arquitetado após uma troca rápida de e-mails, o dueto entre Tulipa Ruiz e Lulu Santos é um ponto alto do segundo disco da cantora, Tudo Tanto. De charme irresistivelmente pop tramado pelas voz grave de Lulu e a doçura de Tulipa, "Dois Cafés" é uma crônica/crítica perfeita dos dias que correm, falando sobre os problemas de quem chega agora ou já encara há algum tempo a vida adulta: "Ter ou não ter/O tempo todo livre pra você/O banco, o asfalto, a moto, a britadeira/Fumaça de carro invade a casa inteira/Algum jeito leve você vai ter que dar". Além disso, é uma letra sobre as escolhas que se faz nessa fase da vida: será que é preciso mesmo "priorizar/se comportar/ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar" para ficar "bem melhor/menos mal/mais normal"?. A própria música responde:" é o tempo que vai dizer", mas uma certeza fica: ao menos em 2012, não houve uma canção tão certeira quanto essa.

14 de jan. de 2013

Melhores 2012: Discos Nacionais

O Pergunte ao Pop tem o prazer de apresentar a vocês sua lista de melhores discos nacionais de 2012 - um ano de produção medíocre (especialmente se comparado a seus dois antecessores), mas com trabalhos bastante interessantes, como os de Jair Naves e Rafael Castro, e boas estreias, como as de O Terno e Medialunas, além do retorno de duas bandas veteranas que mostram que podem dar caldo: Cascadura e Bidê ou Balde. Mas o troféu de disco do ano vai para... (clique no link para saber quem são os outros 14 escolhidos)

1º: Tudo Tanto, Tulipa Ruiz

Contemporâneo sem perder a classe, Tudo Tanto leva para casa o troféu de disco do ano por mostrar uma evolução clara no trabalho de Tulipa Ruiz, dona de uma estreia empolgante em 2010. É interessante perceber o tratamento pop que Tulipa dá a músicas que são ao mesmo tempo crônicas e críticas de nossos dias, seja falando sobre normalidade ("Quando Eu Achar", com direito a um coro final irresistível), conformismo ("OK"), o "tudo ao mesmo tempo agora" ("Dois Cafés", belo dueto com Lulu Santos, que andava sumido) e amor livre ("É", apoiada por um arranjo de cordas que lembra os Beatles da fase Sgt. Pepper's). Entretanto, o momento mais instigante do disco (e também do show que corre o Brasil com patrocínio via edital da Natura) é "Víbora", na qual Tulipa crava uma das maiores performances vocais feitas no Brasil nos últimos dez (vinte?) anos, embalada pela guitarra bluesy poderosa de seu pai, Luiz Chagas, e pela participação sutil de Criolo. Em apenas seu segundo disco, Tulipa mostra que já é tudo esse tanto (e pode ser muito mais). 

Ouça: "Dois Cafés"