A tarde ensolarada e fria que faz hoje em Lisboa me fez lembrar das músicas e desse texto que escrevi em 2010 sobre a estreia homônima da Apanhador Só, para o antigo Pop to the People. Uma das mais instigantes de sua geração, a banda gaúcha promete disco novo para abril/maio, em uma sequência muito aguardada pelo dono deste espaço. Enquanto seu lobo não vem, é tempo de reescutar Apanhador Só.
Um jeito interessante de pensar no auto-intitulado e recém-lançado disco da Apanhador Só é imaginar contrastes: em plena rua Augusta, indies de calças xadrezes e óculos de borda grossa (sem lentes de grau, obviamente, só pra manter o hype) dançam frevos e sambinhas regados a guitarras e teclados. Ou ainda: o encontro de Stephen Malkmus e Rivers Cuomo com Paulinho da Viola e Luiz Gonzaga em pleno domingo à tarde de sol para uma jam session. Porém, essas duas descrições soam incompletas: a elas falta o lirismo peculiar de quem é “marinheiro de primeira viagem”, que se encontra em todas as faixas de Apanhador Só.
