3 de set. de 2013

No S&Y: Entrevistão com a Apanhador Só

Na semana que antecedeu o show de lançamento de “Antes Que Tu Conte Outra” na capital paulista, o Scream & Yell recebeu Alexandre, Felipe, o baixista Fernão Agra e o baterista André ‘Foca’ Zinelli para um papo regado a cerveja, tubaína e amendoim. Além de falar do novo álbum, o grupo fez sérias críticas à publicidade, mostrou-se decepcionado com Tom Zé após a polêmica da Coca-Cola, discorreu sobre o Fora do Eixo e apontou a expansão do jabá como “culpado” da realidade musical brasileira dos dias de hoje, ecoando a entrevista de Wado ao site no mês de agosto, além de escolher discos que representam a cara da banda (você confere as respostas nas fotos que ilustram a conversa). 

 Entretanto, mais que isso, a entrevista a seguir revela uma banda inquieta, criativa, e, acima de tudo, com vontade de arriscar para fazer as coisas acontecerem, levando à risca o significado da palavra independência. “Preferimos colocar o facão no mato a pegar a rodovia pavimentada e pagar um pedágio filho da puta”, diz Felipe. “Somos quatro pessoas dispostas a chafurdar para conseguir fazer com que música dê certo nas nossas vidas”, completa Alexandre. 

Na entrevista mais longa da minha carreira jornalística até aqui, participei de uma conversa foda com os rapazes da Apanhador Só e o Marcelo Costa. A transcrição dessa brincadeira foi um suadouro, mas o resultado, pelo menos para mim, valeu muito a pena. Respira fundo, não se precipite com o tamanho do papo e siga em frente - ou melhor, no link para o Scream & Yell. As fotos, mais uma vez deslumbrantes, são da primeira dama do site, Liliane Callegari. 

Leia mais: 
- Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP

31 de ago. de 2013

"Eu Não Tô Nem Aí Pra Morte"


Existem determinados shows que não podem ser assistidos e analisados de uma maneira comum. Um deles é o de Arnaldo Baptista - um sobrevivente da música. Na última quinta-feira, assisti-o pela segunda vez com seu espetáculo "Sarau o Benedito?", no SESC Vila Mariana. Em pouco mais de uma hora, o irmão do meio da família Dias Baptista trafegou pelo repertório dos Mutantes, de sua carreira solo e de clássicos do rock (Beatles, Elton John, Rolling Stones) e da música erudita com uma alegria comovente, feliz por estar no palco após ter passado o que passou. 

Filmei alguns trechos do show do Vila Mariana, e, aproveitando a ocasião, (re)publico na íntegra o texto que escrevi sobre a primeira vez que o vi em palco, no SESC Belenzinho, na estreia de "Sarau o Benedito?", originalmente escrito para o Scream & Yell. 

No palco do teatro do SESC Belenzinho, um homem idoso (ou de melhor idade, como dizem os politicamente corretos) usando uma bata dourada e uma calça cinza toca um piano de cauda. À sua volta, pétalas de flores estão jogadas pelo chão, e atrás de si um telão exibe sua imagem ao vivo, contraposta a pinturas de cores fortes e formas simples, de grande intensidade. Esse homem chama-se Arnaldo Dias Baptista, e é quase um milagre que ele esteja vivo, em cima de um palco, sendo capaz de executar suas canções. Quando se considera que esta apresentação é a primeira que o cantor faz em pelo menos cinco anos é natural entender porque a noite de 8 de outubro de 2011 ganha ares de celebração quase única.


28 de ago. de 2013

Conta Outra: seis vídeos da Apanhador Só em SP



O teatro do SESC Belenzinho recebeu, na noite do último domingo (25), um dos shows mais aguardados do ano: o lançamento do disco Antes Que Tu Conte Outra, da banda gaúcha Apanhador Só. Celebrado por este blog como o álbum nacional do ano até aqui, Antes Que Tu Conte Outra mostra uma renovação na atmosfera da banda gaúcha, que deixou o universo amoroso-sentimental-pós hermânico para embarcar em uma viagem sonora cheia de ruído, textura, desconforto e preocupação social - basta ouvir "Despirocar"  (acima) ou "Reinação", duas das melhores faixas do trabalho, para perceber isso. 

O Pergunte ao Pop esteve presente no show e traz para você seis vídeos (e um álbum de fotos) do que rolou por lá. Se você ficou curioso, pode esperar que em breve haverá mais: semana que vem, o Scream & Yell publicará uma longa entrevista que este que vos escreve e Marcelo Costa fizemos com a banda na semana que antecedeu a apresentação. Como diria a sua tia: "tá da pontinha da orelha!".


26 de ago. de 2013

Criaturas da Noite: O Terço ao vivo em SP

A noite do último sábado, 24 de agosto, era mais que propícia para um retorno honroso aos tempos em roqueiro brasileiro tinha cara de bandido - e (quase) não tocava na rádio. Pelo menos na zona leste de São Paulo, onde o grupo mineiro-carioca O Terço se reuniu no palco do teatro do SESC Belenzinho para mostrar a seus fãs um novo espetáculo, pronto para celebrar as quatro décadas de carreira do grupo: "O Terço em 3D".

23 de ago. de 2013

A nem-tão-nova onda do Bloc Party

Em tempos de "retiro espiritual" deste blog, que anda bissexto graças à readaptação deste autor em terras brasileiras, acolhemos uma colaboração do grande Victor Francisco Ferreira, que já escreveu para este espaço falando do Red Hot Chili Peppers e do show dos Pontos Negros em Lisboa. A bola da vez agora é o Bloc Party e seu novo EP, The Nextwave Sessions. Simbora! 

O que dizer sobre este EP que mal conheço e já considero pacas? Primeiramente, que ele não é para qualquer um. Como assim? Simples. Ele não é inovador, não é sensacional, não é magnífico. Não traz a sonoridade da moda, seja ela o “indie folk” dos Mumford and Sons ou o “dancefloor indie” dos Two Door Cinema Club. É simplesmente um EP do Bloc Party.

Então, se quiser saber se lhe é recomendável ouvir The Nextwave Sessions, assinale a alternativa que mais se assemelha a você: 

a) ‘AMO BLOC PARTY, O KELE É LINDO!!1! s2’; 
b) ‘Curti quase todos os discos deles’; 
c) ‘Só curto o Silent Alarm’; 
d) ‘Bloc Party? Aquela do playback no VMB?’.

Respostas: a), b) e c): Ouça. d) Pare de ler aqui e volte ao Facebook.

15 de ago. de 2013

Laranja Mecânica: Refrigerantes Bizarros, o Retorno


Começamos hoje a fase "relembrando a Europa" deste blog, com três refrigerantes que fizeram a minha passagem pela Holanda um pouco mais... esquecível (lembre o porquê aqui). As três bebidas pertencem à Fernandes, uma subsidiária da Coca-Cola nos Países Baixos. 

8 de ago. de 2013

No S&Y: Wado e o "Vazio Tropical"


Ao lançar seu sétimo disco, o melancólico Vazio Tropical, o cantor Wado vive uma situação curiosa: não se pode negar que ele seja um veterano, com mais de uma década de serviços bem prestados à música brasileira, mas, com a ajuda de Marcelo Camelo e Cícero, vê seu público se renovar. "Já sou grisalho, sabe? (risos). Mesmo assim, há lugares aonde vou nos quais sou tratado como promessa. Isso me dá uma longevidade, é legal", brinca o músico, em entrevista ao Scream & Yell.

No papo, além de contar mais sobre a produção do disco e as parcerias com MoMo e os já citados Marcelo Camelo e Cícero, Wado fala sobre a opção de gravar discos com o apoio de editais e sobre a situação dos compositores anos-00 em relação à exposição midiática: ""Eu posso ser só músico, mas eu só quero ser só músico se eu puder viver bem. Faço parte de uma geração que está muda. Eu me posiciono, faço músicas políticas, mas não tenho reverberação. Somos uma geração de compositores massacrada pelas circunstâncias de melhora do Brasil. Há prosperidade, mas há um desajuste: temos uma qualidade fantástica, e em número maior que as anteriores, mas isso não se reverte em número, não chega ao rádio". 

A íntegra do papo você confere no Scream & Yell, mais uma vez, com fotos da Liliane Callegari, do show de lançamento do disco no SESC Pompeia, no último dia 18. 

27 de jul. de 2013

De Volta Pra Casa

Já faz quase um mês que eu voltei pro Brasil, pro aconchego do lar e pra correria de São Paulo. Olhando para trás, parece que foi há muito mais tempo - alguém disse outro dia que cada mês que a gente vive parece que contém os acontecimentos de uns três anos. Filosofia de boteco, eu sei, mas faz o maior sentido do mundo se eu pensar como foram esses últimos cinco meses longe de casa. Demorei um bocado para tentar escrever sobre "a volta" porque queria esperar as coisas se acalmarem na cabeça, rever os amigos, entregar os presentes de viagem e começar a tocar o barco. Ledo engano - afinal, o mundo não espera a gente chegar e tentar entender o que tá acontecendo. Mãos à obra, então. 

Fazer intercâmbio nunca foi exatamente uma das minhas principais metas durante a faculdade. Tudo foi mais uma coincidência de fatores: a criação de um programa de bolsas de estudo na USP voltado só para o assunto, um amigo empolgado, a vontade de parar por seis meses e ver o mundo antes de mergulhar de vez na vida adulta. Olhando com os olhos do hoje, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.


3 de jul. de 2013

Mo Ghile Mear: Casamento de Viúva em Dublin

Duas coisinhas rápidas: sim, eu já cheguei no Brasil, mas este texto foi escrito no avião de Roma pra Lisboa. Quero ainda pousar com calma nessa cidade problemática pra poder respirar e escrever sobre a volta, de maneira que vou ficar devendo pra vocês falar de Paris, Berlim, Roma e Florença. Prometo que volto a elas fazendo roteirinhos de viagem legais, mas cheios de pessoalidade. Por agora, fiquemos com Dublin.

Sabedoria de boteco, vamos lá: toda viagem tem altos, baixos, e pontos médios- dos quais você até se lembra com carinho, mas precisa esfregar um pouco os olhos para trazer à memória. Depois do amor pela Inglaterra - ou melhor, pela garota de vestido de verão que foi Londres - e pela decepção com a Holanda, eu andava precisando de uns dias para dar uma descansada no ritmo da viagem, com menos correria e mais contemplação. Encontrei isso em Dublin, uma cidade que a princípio entrou no roteiro só por ter um show do Neil Young (e outro do Chelsea Light Moving, a banda nova do Thurston Moore) em datas que pareciam caber direitinho, e um pouco mais. Mas não muito... 

1 de jul. de 2013

Ó, Pá: Entrevista com O Martim

“Pop de rua, com um cheiro a roque e vodka de limão”. Parece uma mistura convidativa, não? Pois essa é a receita que a banda portuguesa O Martim fornece para os curiosos e intrigados com suas canções em seu site. Criação do músico Martim Torres, um baixista que tocou jazz na adolescência, acompanhou B. Fachada em alguns de seus discos e resolveu agora ocupar um lugar à frente do palco, o projeto chegou ao formato álbum no começo de 2013 com “Em Banho Maria”, um retrato da vida jovem lisboeta. Estão lá, de modo bastante descontraído, as noites de bebedeira (“Cais do Sodré”) e os dias de ressaca (“Domingo de Manhã”), sempre narradas por personagens boêmios, apaixonados e um tanto quanto azarados.

Já estou de volta à pátria-mãe (calma, ainda estou chegando, então textos sobre "como é bom voltar" ou "ai, que saudade do pastel de nata" vão aparecer daqui a algum tempo só), mas antes disso, divulgo aqui pra vocês o papo divertido regado a limonada e café que eu tive com o músico português Martim Torres, ou... O Martim, dono de "Em Banho Maria", um dos discos mais bacanas do lado de lá do Atlântico desse 2013 que já chega à metade. Além da divertida faixa-título, o trabalho também tem "Cais do Sodré", um hino a um dos meus lugares favoritos na capital portuguesa. O papo, pra variar, tá lá no Scream & Yell!