A vida dá umas voltas engraçadas na gente: em 2011, amarguei a dor de não assistir ao show de John Fogerty -- o vocalista e principal compositor do Creedence Clearwater Revival -- em São Paulo, porque o show do Teenage Fanclub na The Week caía no mesmo dia. Cinco anos depois, enviado especial do Estadão a Las Vegas, pude fazer um pequeno acerto de contas com o passado e conferir a estreia da turnê Fortunate Son, baseada no último livro de memórias lançado pelo músico americano. O que eu vi no Venetian Theater -- teatro de um dos principais cassinos da cidade do pecado -- foi uma aula de rock'n'roll, com uma pitada de breguice que não comprometeu o resultado final.
"I had seventeen dollars in my wallet. Seventeen dollars and the fear of writing. I sat erect before the typewriter and blew on my fingers. I started to write and I wrote." (John Fante)
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13 de jan. de 2016
Fortunate Son: quatro vídeos de John Fogerty em Las Vegas
A vida dá umas voltas engraçadas na gente: em 2011, amarguei a dor de não assistir ao show de John Fogerty -- o vocalista e principal compositor do Creedence Clearwater Revival -- em São Paulo, porque o show do Teenage Fanclub na The Week caía no mesmo dia. Cinco anos depois, enviado especial do Estadão a Las Vegas, pude fazer um pequeno acerto de contas com o passado e conferir a estreia da turnê Fortunate Son, baseada no último livro de memórias lançado pelo músico americano. O que eu vi no Venetian Theater -- teatro de um dos principais cassinos da cidade do pecado -- foi uma aula de rock'n'roll, com uma pitada de breguice que não comprometeu o resultado final.
27 de mai. de 2014
Just Like Rain
Perdoe o trocadilho, caro leitor, mas a bem da verdade, o domingo foi de muita chuva aqui em São Paulo. Não que isso tenha afastado 12 mil pessoas de ver uma das grandes bandas dos anos 80 em ação em um dos eventos mais charmosos do ano musical da capital paulista, o Cultura Inglesa Festival. Em sua quarta edição aberta ao público geral (não se deixe enganar pelo numeral ordinal 18 colocado antes do nome do evento), o CIF trouxe ao Memorial da América Latina os galeses dos Los Campesinos! e o Jesus and Mary Chain. (escolha aqui sua piada: a) Jesus voltou pra transformar vinho em água. b) marcha para Jesus).
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21 de mai. de 2014
Virada Cultural 2014
Seria humanamente impossível para um repórter só cobrir toda a Virada Cultural. Talvez, uma equipe de cinquenta jornalistas, de diferentes áreas, de música e cinema até cidades e esportes, conseguissem dar conta de um dos eventos mais importantes da capital paulista, que completou 10 anos em 2014.
Mas, mesmo assim, eu e o mestre Marcelo Costa dividimos a tarefa de tentar assistir alguns shows e contar para vocês como foi, em um recorte especial, que envolveu planejamento, atrasos e um bocado de sorte em alguns aspectos. Lá no Scream & Yell, você pode ler sobre 10 shows da Virada (ou 9, né Arnesto?). Eu falei da volta do IRA!, Riachão, Autoramas (com Lafayette & B Negão), Demônios da Garoa, Pepeu Gomes e Falcão, enquanto o Mac cobriu Otto, Juçara Marçal, Rômulo Fróes e Rosanah. Chega mais. :)
Além disso, juntei algumas fotos (e vou incluir outras depois) que tirei dos shows em um álbum no Facebook. E você pode lembrar como foram as Viradas de 2013, 2012 e 2011 aqui no pergunte ao Pop.
2013: Cinema Erótico Japonês + Vanguart, Apanhador Só, Mombojó e Lirinha (por Victor Francisco Ferreira)
2012: Que Não é O Que Não Pode Ser - Titãs Toca Cabeça Dinossauro
2011: De volta a 1986, a bordo do DeLorean: Blitz, RPM, Frejat e Plebe Rude
2012: Que Não é O Que Não Pode Ser - Titãs Toca Cabeça Dinossauro
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7 de mai. de 2014
Estado de Prata
Se você é ligado em música boa e mora em São Paulo (ou cercanias), você precisa prestar atenção no Prata da Casa, projeto do SESC Pompeia que já dura 15 anos e teve nova fase iniciada nessa primeira terça-feira de maio. Em 2014, o programa terá curadoria do parceiro Marcelo Costa, editor do Scream & Yell, e a largada foi dada com uma bela apresentação do cantor Bruno Souto, com participação do guitarrista Nevilton (da... Nevilton, olha só).
Souto é vocalista da Volver há mais de uma década, mas se destacou no ano passado com seu disco solo, "Estado de Nuvem". Particularmente, eu não havia gostado do trabalho, muito decalcado das canções setentistas de Roberto Carlos (especialmente em seus momentos mais despudorados) e outros cantautores com gostinho de rádio AM. Entretanto, ao vivo tudo funcionou de maneira diferente.
Souto é vocalista da Volver há mais de uma década, mas se destacou no ano passado com seu disco solo, "Estado de Nuvem". Particularmente, eu não havia gostado do trabalho, muito decalcado das canções setentistas de Roberto Carlos (especialmente em seus momentos mais despudorados) e outros cantautores com gostinho de rádio AM. Entretanto, ao vivo tudo funcionou de maneira diferente.
13 de abr. de 2014
Lollapalooza 2014 ou Geraldo Vandré Estava Errado
Foram dois dias de festival, mas pareceu muito mais: no ano em que o País promete entrar em situação de caos com Copa e eleições, o Lollapalooza ofereceu a seus 140 mil espectadores alguns momentos de paz. É preciso dizer, mais uma vez: os R$ 540 pagos por quem quis ir aos dois dias de festival, sem contar as taxas de inconveniência, podem ser considerados abusivos em um País cujo salário mínimo é de R$ 724 — um dado que precisa ser levado em conta na discussão sobre a efetividade do Brasil ter entrado de fato na rota de shows internacionais. (em tempo: a versão americana do Lollapalooza, em agosto, tem três dias e custará R$ 500; admirado pela crítica, o espanhol Primavera Sound, em maio, tem três dias de festival e programação extra que se estende por uma semana por R$ 594).
Entretanto, é preciso se ressaltar que, em 2014, este Lollapalooza se pôs alguns degraus acima de seus concorrentes nacionais, tanto pela qualidade do evento (pouquíssimas filas, boa comida, localização e organização inteligente - a volta para casa no domingo, mesmo com grande parte do público saindo junto, não foi caótica) quanto pela escalação competente, que mesclou veteranos com nomes populares e novidades com alguns dos melhores shows em atividade hoje em dia no mundo, criando um modelo que tem tudo para se sustentar com sucesso pelos próximos anos. Como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”. Mas bem que poderia.
Meu relato sobre o Lollapalooza 2014 acaba desse jeito - mas a aventura dos dois dias em Interlagos, com shows que vão ficar pra sempre no coração (e outros para serem eternamente citados na lista de "o que caralhos eu estava fazendo ali mesmo?) saiu no Scream & Yell na semana passada (e eu só tive tempo de parar para divulgá-lo por aqui agora). Além do meu texto, o post tem as lindas fotos da Liliane Callegari, como essa daí de cima, e uma votação com mais 14 jornalistas escolhendo os melhores shows do festival. Que venha 2015.
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31 de mar. de 2014
7 Shows Para Ver no Lolla '14
Não há como negar, mesmo com todas as atrações ruins que tem pela frente: o Lollapalooza, que rola nesse fim de semana, é um dos momentos que eu mais tô esperando nesse primeiro semestre. Primeiro, pela tradicional reunião de amigos de todas as partes do Brasil, em botecagens pré e pós-festival, mas também dividindo filas, chuvas e refrões durante os shows. Segundo, porque, apesar do que Vandré disse ("a vida não se resume a festivais"), sempre é muito bacana juntar um monte de gente fina, elegante e sincera (e outros nem tanto) pra ver uma meia dúzia de shows bons e falar mal dos shows ruins.
Terceiro, e não menos importante... os shows. E é deles que eu falo aqui neste texto: batuquei com a cabeça e achei que valia a pena escrever sobre os shows que eu mais tô esperando pra ver no Autódromo de Interlagos. Escolhi sete, tanto pelo número cabalístico quanto pelo conforto ideal de não ficar se atropelando. Vamos a eles.
13 de mar. de 2014
Ainda Queima a Esperança
O mundo da música (da indústria do entretenimento em geral, e isso inclui até mesmo os esportes) adora um grande 'comeback': o retorno de um artista que passou tempos no ostracismo, a despeito de seus primeiros sucessos, ou que nunca foi valorizado comercialmente mas deixou sua marca na história. Há até quem tenha ficado mais poderoso depois do "comeback" - vale citar o caso de Johnny Cash, descoberto por uma nova geração a partir da série American Recordings promovida pelo produtor Rick Rubin.
No Brasil, a história não é diferente: um caso de sucesso foi a série de homenagens prestadas aos artistas considerados 'bregas' após a publicação do livro Eu Não Sou Cachorro Não, do historiador Paulo César de Araújo, que resgatou nomes como Waldick Soriano e Odair José. Na noite do último dia 19, um novo capítulo pode ter começado a ser escrito para a ex-mulher de Odair, Diana, que foi convidada pela cantora Bárbara Eugênia para revisitar no palco do SESC Pinheiros seu disco de 1972, Diana, produzido por ninguém menos que Raul Seixas.
No Brasil, a história não é diferente: um caso de sucesso foi a série de homenagens prestadas aos artistas considerados 'bregas' após a publicação do livro Eu Não Sou Cachorro Não, do historiador Paulo César de Araújo, que resgatou nomes como Waldick Soriano e Odair José. Na noite do último dia 19, um novo capítulo pode ter começado a ser escrito para a ex-mulher de Odair, Diana, que foi convidada pela cantora Bárbara Eugênia para revisitar no palco do SESC Pinheiros seu disco de 1972, Diana, produzido por ninguém menos que Raul Seixas.
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5 de mar. de 2014
Folia do Rock: Audac, Supercordas & Holger
Carnaval para quem não é de carnaval: talvez essa tenha sido a proposta nada inovadora, mas ainda assim interessante que percorreu a cabeça dos curadores do SESC Pinheiros para organizar a série de shows Folia do Rock, que reuniu doze bandas independentes de rock em quatro dias diferentes para trocar pandeiro e cavaquinho por guitarras e teclados. O Pergunte ao Pop esteve no bairro mais alemão de São Paulo para conferir o primeiro dia de programação, com a novata Audac, os lisérgicos Supercordas e a porra-louquice vilamadalênica do Holger, com direito à participação do mestre João Parahyba na percussão.
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20 de dez. de 2013
Na Minha Opinião
Desde o lançamento do livro Eu Não Sou Cachorro
Não, um belo trabalho historiográfico e jornalístico do pesquisador Paulo
César de Araújo, em 2002, a música dita brega tem passado por uma revalorização
crescente na última década, com resgates, tributos e relançamentos buscando
conceder prestígio (às vezes em demasia) a nomes subestimados como Waldick
Soriano, Agnaldo Timóteo e Odair José. No caso desse último, esse movimento
alcançou um ponto importante na noite da última quinta-feira, quando o cantor goiano,
"o terror das empregadas", subiu ao palco do teatro do SESC Pompeia
para apresentar o show Odair José - Quatro Tons, baseado no
relançamento de seus quatro primeiros trabalhos em CD, com organização do
jornalista e produtor musical Marcus Preto.
20 de nov. de 2013
Em Busca de Outro Mundo: Cat Stevens em SP
Já houve um tempo na Terra em que homens queriam o mudar o mundo apenas pela força de suas palavras. Munidos de violões e guitarras, eles não queriam matar fascistas, mas fazer as pessoas pensarem que um mundo mais justo e igual poderia existir. Quarenta anos depois, os tempos mudaram, e as mensagens daquela época não soam mais como outrora - mas isso não significa que reescutá-las seja um exercício em vão. É essa a ideia por trás da segunda apresentação em São Paulo de Yusuf - o nome que Cat Stevens escolheu para sua carreira depois de se converter ao islamismo, no final dos anos 70 - no último domingo, dia 18, no Credicard Hall.
Com ingressos entre R$ 180 e R$ 950 (inteira) – e somando o estacionamento de R$ 40, pago pela maior parte dos espectadores naquela noite uma vez que ir de transporte público ao Credicard Hall é uma tarefa hercúlea num domingo à noite -, a apresentação fazia parte da Peace Train Tour, primeira excursão do cantor em dois anos. Na chegada, uma surpresa: como parte dos ingressos mais caros não foram vendidos, houve realocação de lugares, resultando no fechamento de toda a plateia superior do recinto. A maior parte do público, como seria de se esperar, estava localizada entre os 40 e os 65 anos de idade, e se entusiasmou com um começo de show acústico e delicado, no qual um envelhecido e barbudo Yusuf mostrou dois clássicos antigos: “The Wind” e “Where do The Children Play?”.
12 de nov. de 2013
No S&Y: Planeta Terra 2013
A semana que antecedeu o Planeta Terra de 2013 foi chuvosa, fria e cheia de nuvens em São Paulo, como se um mau presságio caísse sobre o evento. Entretanto, o sol que brilhou forte na capital paulista durante o sábado do festival afastou as dúvidas de quem temia problemas com a mudança de local (que, depois de sair do Playcenter em 2011, passou pelo Jockey Clube no ano passado) e de produção (com o comando dividido entre Terra e Time for Fun), dando o tom certo para que o dia começasse bem no Campo de Marte, na zona norte da cidade.
Mais uma vez, tenho o orgulho de estar no Scream & Yell dividindo a cobertura do Planeta Terra 2013 com os amigos Marcelo Costa e Leonardo Vinhas, com um texto meu ilustrado pelas lindas fotos da Liliane Callegari - como essa fã da Lana del Rey que tá me fazendo suspirar há uns dois dias. Na programação do festival, tem espaço pra tudo: do sessentismo d'O Terno ao "punk pra negócios" do Palma Violets, a farofa de Lana, a esquisitice de Beck, o amor Super Bonder do Travis e o arrasador Blur deixando o resultado de lado pra jogar bonito. No saldo geral, o melhor Terra que este escritor viu desde que começou a acompanhar o festival, em 2011, com estrutura suficiente para que o público consiga focar sua atenção no que realmente importa: ouvir boa música ao lado dos amigos e voltar pra casa cantando como se não houvesse amanhã.
Leia mais:
Optimus Primavera Sound 2013, por Bruno Capelas
10 impressões sobre o Planeta Terra 2012, por Bruno Capelas
Balanção S&Y do Planeta Terra 2011, por Bruno Capelas, Marcelo Costa, Rodrigo Levino e Murilo Basso
Cultura Inglesa Festival 2012 - Burn This City, por Bruno Capelas
Lollapalooza 2012 - Dia 1 (Sábado) e Dia 2 (Domingo), por Bruno Capelas
Summer Soul Festival 2012, por Bruno Capelas e Renata Arruda
Cultura Inglesa Festival 2011, por Bruno Capelas
Queima das Fitas de Coimbra 2013, por Bruno Capelas
SWU 2010, por Bruno Capelas, João Carlos Saran, Guilherme Bruniera e Tiago Oliveira
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5 de nov. de 2013
ESPECIAL: As 20 melhores músicas do Blur
Sim, amigos, é isso mesmo o que vocês estão lendo: este é mais um especial eleitoral do Pergunte ao Pop, que nesta edição aproveita a segunda passagem do Blur pelo Brasil (a primeira foi em 1999, no Credicard Hall), na próxima edição do Planeta Terra Festival, que rola neste sábado, 9, em São Paulo, para escolher suas melhores canções. A gente não quer saber se você acha o Oasis melhor, se era fã dos desenhinhos animados do Gorillaz ou se o The Good, the Bad and the Queen (aham) é que merecia esse lugar. O que importa é desvendar a alma da banda de Damon Albarn & Graham Coxon.
Mais uma vez, este autor não enfrentou a tarefa sozinho, reunindo 39 votantes para escolher os grandes momentos da banda que, pelo menos nas vendas, venceu a batalha do britpop. Engraçado que muitos votantes relembraram a força da ironia, da zoeira e do jeito moleque de ser do Blur, mas, no fim das contas, as grandes campeãs deste especial foram canções singelas, cheias de amor para dar ou com o coração totalmente partido. É neste equilíbrio, entretanto, que se sustenta a obra (e também o repertório que será escutado neste sábado no Campo de Marte) da banda, que segundo Carlos Eduardo Lima, um dos votantes, "tem o cheiro da Inglaterra".
Não foram poucos os votantes que lembraram como conheceram a banda, seja através do clipe da caixinha de leite, do jogo de videogame FIFA 98 ou, caso de alguns mais jovens, pelo DVD Parklive, que mostrava o show da banda no dia do encerramento das Olimpíadas de Londres em 2012, em pleno Hyde Park. Eu, particularmente, tive uma relação bastante distanciada do Blur durante muito tempo: amava cantar "Song 2" no Rock Band dos amigos, mas nunca tinha ido além disso - até ir para Portugal e ver que eles seriam os principais headliners do Primavera Sound, um dos festivais que eu havia prometido pra mim mesmo que deveria ver. Passei o primeiro semestre de 2013 escutando a banda compulsivamente, e o que eu vi no Parque da Cidade, no Porto, foi um dos shows pop mais bonitos da vida - daqueles no qual você se pega abraçando um desconhecido, que berra no teu ouvido: "Agora é 'The Universal', meu puto, e eu vou chorar!". Escrevi pro Scream & Yell contando como foi o show - caso vocês queiram ler, tá aqui.
Mais uma vez, não foi uma tarefa fácil: perdi a conta de quanta gente chorou as pitangas falando que não conseguia colocar só cinco canções numa lista, se lamentando por não conseguir colocar AQUELE hit ou um lado-B esperto. Aliás, uma surpresa; foram poucos os lados-B que entraram nesta lista, sendo o resultado final um verdadeiro caminhão de hits, coisa que poucas bandas hoje em dia podem se orgulhar de exibir ao vivo.
35 foram as canções do Blur citadas pelo Colégio Eleitoral Pergunte ao Pop (que você conhece no fim desta postagem), em votos que continham, como de hábito, cinco músicas em ordem de preferência e uma singela justificativa sobre a primeira colocada. A pontuação foi dada em ordem decrescente, com 5 pontos para o primeiro lugar, 4 para o segundo e assim por diante. (As justificativas, você pode ler aqui (clique para baixar), e quem quiser auditar esta lista, pode conferir a planilha a seguir).
Das 35, 21 tiveram mais de um voto, sendo que as duas últimas dividem o 20º lugar, e são elas que você conhece a partir de agora. Para quem quiser escutar as canções enquanto lê a lista (ou se prepara para o Planeta Terra), o Pergunte ao Pop preparou uma playlist especial no Grooveshark, que está linkada no final deste post. Morning glory, but that's a different story: não importa se a sua vista está meio embaçada, o que importa é conhecer (ou reconhecer) as melhores canções do Blur. Woo-hoo.
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29 de out. de 2013
O Cantor Mudo e a Sonora Vaia Ao Vivo
No Brasil dos anos 2000, existiu uma banda que juntou a raiva e os riffs do Pavement ao lirismo do Clube da Esquina e a dor e a beleza de se saber paulistano na melhor tradição do Ira!. Em quatro discos e dois EPs, cantando em inglês (no belíssimo Riding Lessons, um dos maiores discos feitos em língua inglesa no Brasil) ou em português (no derradeiro Tudo que eu sempre sonhei, escolhido por este autor como o grande disco da última década), o Pullovers nunca chegou a ser um sucesso de audiência entre os independentes, mas marcou seu lugar entre os grandes de uma cena anônima, encerrando suas atividades em 2010.
Três anos depois, no mesmo dia em que Lou Reed morreu, Luiz Venâncio, o homem por trás das grandes letras do Pullovers, voltou aos palcos com seu novo projeto, O Cantor Mudo e a Sonora Vaia, em uma apresentação no Beco 203, na rua Augusta, em São Paulo. O grupo, que já havia lançado um EP no primeiro semestre de 2013, conta com alguns dos ex-integrantes da última formação do Pullovers, como Rodrigo Lorenzetti (teclado) e Habacuque Lima (guitarra, este também integrante do Ludov, banda que também contribuiu com a Sonora Vaia com a presença de Paulo Chapolim).
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23 de out. de 2013
No S&Y: Selton & Bárbara Eugênia
"No momento em que cavalos, camelos e outros bichos tomam conta dos holofotes da nova música brasileira, a noite do último sábado no Beco 203 revelou que é possível arejar o pop nacional sem seguir a cartilha pós-hermânica. Selton e Bárbara Eugênia nasceram no meio de um monte de gente, mas são parte do melhor que temos hoje em dia. A gente agradece".
Tô mais uma vez lá no Scream & Yell falando de dois grandes shows que rolaram nesse dia 19 no Beco 203, na rua Augusta, aqui em São Paulo: o dos ítalo-gaúchos da Selton e o da cantora carioca Bárbara Eugênia. Para tentar entender porque eles mereceram esse último parágrafo de maneira digna, o melhor a fazer é ir lá no site do Marcelo Costa, que tá passando por uma de suas fases mais bacanas, juntando as cenas portuguesa, latina e brasileira com exclusivas sobre a Sub Pop, os sensacionais quadrinhos de Guss de Lucca e o seu "Bernard Bertrand, o Crítico Musical" e as cervejas favoritas do Marcelo.
8 de out. de 2013
Açúcar, Suor e Cerveja
O último sábado, 5, não teve uma noite comum para a Choperia do SESC Pompeia. No lugar das usuais plateias comportadas que o local costumar receber ao hospedar rodas de samba, novatas bandas independentes ou até mesmo grupos de rap, um dos mais prestigiados palcos de São Paulo foi sede de comoventes rodas de pogo, stage dives e muito, mas muita adrenalina liberada. A razão? A segunda apresentação em solo brasileiro de um dos maiores ícones do rock nas últimas três décadas, o norte-americano Bob Mould.
3 de out. de 2013
Cavalo Sem Rumo
São Paulo, 28 de setembro de
2013. No palco da Choperia do SESC Pompeia, um homem ruivo e barbudo mostra
suas canções em luz parcial, quase penumbra, deixando na escuridão as 800
pessoas que esgotaram a lotação do lugar e gritam animadas ao final de cada música,
mas ouvem com silêncio as palavras e os acordes. Algumas dessas pessoas esboçam
gritos de "lindo!" e "gostoso!", ao que o músico responde
que "fica mais bonito no escuro". Mas afinal, quem é este homem e do
que ele se esconde?
Algumas coisas se esclarecem ao
se dizer que o homem é Rodrigo Amarante, uma das duas cabeças pensantes da
banda brasileira mais influente da última década, os Los Hermanos. A
apresentação no SESC Pompeia é apenas a terceira após o lançamento, na semana anterior,
de seu primeiro disco solo, Cavalo, seis anos após a separação da
banda.
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22 de set. de 2013
Olê, Olê, Olê, Olê, Brucê, Brucê
O manual de boas práticas do jornalismo cultural recomenda
que não se usem frases superlativas na abertura de uma crítica, mas manuais
como esse precisam ser ignorados certas vezes. Foi o que aconteceu na noite da
última quarta-feira, dia 18 de setembro, quando um veterano músico americano e
sua banda subiram ao palco do Espaço das Américas para o menor público de sua
turnê mundial. Se você nunca foi a um show de rock, só existe um show ao qual
você precisa assistir: Bruce Springsteen e a E Street Band.
10 de set. de 2013
ESPECIAL: As 20 melhores músicas de Bruce Springsteen
Começo esse especial do Pergunte ao Pop com uma confissão: durante muito tempo, eu achei que Bruce Springsteen tinha cara de frentista. Acho que era culpa da capa do Born in the USA, aquela clássica na qual ele está de costas com um boné nas mãos, em uma foto tirada por Annie Leibovitz, e dos inúmeros videoclipes que passaram pela minha frente quando eu era pequeno, no qual o Chefe exibia músculos, jaquetas jeans e camisetas agarradas. Foi preciso um bom tempo e a insistência de muitos amigos (dois deles, André Bina e Vinicius Olmos, me ajudaram mais uma vez a pensar e formatar esse texto) para que eu prestasse a devida atenção à obra de Bruce - um cara muito subestimado no Brasil, por sinal, mas que é um herói não só em seu país, mas também em boa parte da Europa.
Foi com a vontade de conhecer mais sobre Springsteen que essa lista foi elaborada - me ajudar a descobrir mais sobre ele, mas também ajudar o ouvinte iniciante que não sabe por onde começar a desbravar uma discografia que tem quase vinte discos de estúdio, e inúmeros petardos ao vivo.
Aproveitando a segunda passagem do Chefe pelo Brasil (a primeira, em 1988, teve apenas um show curto em São Paulo, em uma turnê coletiva com Peter Gabriel e Sting), tomei a liberdade de convidar amigos, jornalistas e palpiteiros para tentar escolhermos, juntos, as melhores músicas de sua vasta carreira. Para quem não sabe, o líder da E Street Band faz dois shows no país em setembro: no dia 18, no Espaço das Américas, em SP, e três dias depois, encerra a penúltima noite de Rock in Rio, após shows de John Mayer e Skank.
Não foi uma tarefa fácil. Mais uma vez, pedi aos votantes que escolhessem suas cinco canções favoritas do autor, em ordem de preferência, acompanhadas de um textinho que justificasse a escolha do primeiro lugar. A pontuação foi dada em ordem decrescente, com 5 pontos para o primeiro lugar, 4 para o segundo e assim por diante.
Muitos reclamaram do pecado de não conseguir colocar 5 canções em uma lista - teve até gente que disse não conseguir fazer um top 5 dentro de um disco. Houve aqueles que definiram critérios: "uma nova, uma antigona, um lado-B, um sucesso e a primeira música que eu ouvi do cara". Outros foram totalmente pessoais, e, curiosamente, teve até um votante que fez uma lista bastante instigante. Por não gostar de Bruce como cantor, ele elencou cinco releituras da obra do cara por outros artistas. Para você descobrir quem é, além de conferir todos os votos e textos que tornam este especial ainda mais saboroso, basta clicar aqui.
Ao todo, 53 canções foram citadas pelo Colégio Eleitoral Pergunte ao Pop (que você conhece no fim desta postagem). Dessas, 23 tiveram mais de um voto - e as 20 primeiras colocadas compõe a lista a seguir - se você quiser ir escutando as canções enquanto lê o texto, o amigo Fabio Carbone editou uma playlist no Spotify (e inclui uma favorita pessoal, "Glory Days", que não fez o top20). Para quem não mergulhou na obra do Chefe, repito o convite de começar agora. Para quem já é fã há muito tempo, faça o que o protagonista de "Thunder Road" sugere a Mary, entre neste carro, pulling out here to win.
| Foto por Marcelo Costa, ao vivo em Trieste |
Aproveitando a segunda passagem do Chefe pelo Brasil (a primeira, em 1988, teve apenas um show curto em São Paulo, em uma turnê coletiva com Peter Gabriel e Sting), tomei a liberdade de convidar amigos, jornalistas e palpiteiros para tentar escolhermos, juntos, as melhores músicas de sua vasta carreira. Para quem não sabe, o líder da E Street Band faz dois shows no país em setembro: no dia 18, no Espaço das Américas, em SP, e três dias depois, encerra a penúltima noite de Rock in Rio, após shows de John Mayer e Skank.
Muitos reclamaram do pecado de não conseguir colocar 5 canções em uma lista - teve até gente que disse não conseguir fazer um top 5 dentro de um disco. Houve aqueles que definiram critérios: "uma nova, uma antigona, um lado-B, um sucesso e a primeira música que eu ouvi do cara". Outros foram totalmente pessoais, e, curiosamente, teve até um votante que fez uma lista bastante instigante. Por não gostar de Bruce como cantor, ele elencou cinco releituras da obra do cara por outros artistas. Para você descobrir quem é, além de conferir todos os votos e textos que tornam este especial ainda mais saboroso, basta clicar aqui.
Ao todo, 53 canções foram citadas pelo Colégio Eleitoral Pergunte ao Pop (que você conhece no fim desta postagem). Dessas, 23 tiveram mais de um voto - e as 20 primeiras colocadas compõe a lista a seguir - se você quiser ir escutando as canções enquanto lê o texto, o amigo Fabio Carbone editou uma playlist no Spotify (e inclui uma favorita pessoal, "Glory Days", que não fez o top20). Para quem não mergulhou na obra do Chefe, repito o convite de começar agora. Para quem já é fã há muito tempo, faça o que o protagonista de "Thunder Road" sugere a Mary, entre neste carro, pulling out here to win.
31 de ago. de 2013
"Eu Não Tô Nem Aí Pra Morte"
Existem determinados shows que não podem ser assistidos e analisados de uma maneira comum. Um deles é o de Arnaldo Baptista - um sobrevivente da música. Na última quinta-feira, assisti-o pela segunda vez com seu espetáculo "Sarau o Benedito?", no SESC Vila Mariana. Em pouco mais de uma hora, o irmão do meio da família Dias Baptista trafegou pelo repertório dos Mutantes, de sua carreira solo e de clássicos do rock (Beatles, Elton John, Rolling Stones) e da música erudita com uma alegria comovente, feliz por estar no palco após ter passado o que passou.
Filmei alguns trechos do show do Vila Mariana, e, aproveitando a ocasião, (re)publico na íntegra o texto que escrevi sobre a primeira vez que o vi em palco, no SESC Belenzinho, na estreia de "Sarau o Benedito?", originalmente escrito para o Scream & Yell.
No palco do teatro do SESC Belenzinho, um homem idoso (ou de melhor idade, como dizem os politicamente corretos) usando uma bata dourada e uma calça cinza toca um piano de cauda. À sua volta, pétalas de flores estão jogadas pelo chão, e atrás de si um telão exibe sua imagem ao vivo, contraposta a pinturas de cores fortes e formas simples, de grande intensidade. Esse homem chama-se Arnaldo Dias Baptista, e é quase um milagre que ele esteja vivo, em cima de um palco, sendo capaz de executar suas canções. Quando se considera que esta apresentação é a primeira que o cantor faz em pelo menos cinco anos é natural entender porque a noite de 8 de outubro de 2011 ganha ares de celebração quase única.
28 de ago. de 2013
Conta Outra: seis vídeos da Apanhador Só em SP
O teatro do SESC Belenzinho recebeu, na noite do último domingo (25), um dos shows mais aguardados do ano: o lançamento do disco Antes Que Tu Conte Outra, da banda gaúcha Apanhador Só. Celebrado por este blog como o álbum nacional do ano até aqui, Antes Que Tu Conte Outra mostra uma renovação na atmosfera da banda gaúcha, que deixou o universo amoroso-sentimental-pós hermânico para embarcar em uma viagem sonora cheia de ruído, textura, desconforto e preocupação social - basta ouvir "Despirocar" (acima) ou "Reinação", duas das melhores faixas do trabalho, para perceber isso.
O Pergunte ao Pop esteve presente no show e traz para você seis vídeos (e um álbum de fotos) do que rolou por lá. Se você ficou curioso, pode esperar que em breve haverá mais: semana que vem, o Scream & Yell publicará uma longa entrevista que este que vos escreve e Marcelo Costa fizemos com a banda na semana que antecedeu a apresentação. Como diria a sua tia: "tá da pontinha da orelha!".
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