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22 de abr. de 2013

Horário Eleitoral Obrigatório

Escrevi esse texto para o Artilharia Cultural no começo do ano, mas resolvi republicá-lo por aqui agora, uma vez que acontece nesse próximo final de semana a estreia de No (ou como está sendo chamado aqui, Não) em Lisboa. 

Em franca ascensão nos últimos 15 anos, o cinema sul-americano tem dedicado boa parte de sua melhor produção a analisar os fantasmas de seu passado recente, marcado por governos ditatoriais liderados por militares e elites locais, iniciados em repressão a movimentos de caráter socialista e/ou populista e sempre lembrados por sua censura à liberdade de expressão e aos direitos individuais. É o caso, por exemplo, de filmes como o chileno Machuca (Andrés Wood, 2004), os sensíveis argentinos O Segredo de Seus Olhos (Juan Pablo Campanella, 2011) e Kamkatcha (Marcelo Piñeyro, 2002) e os brasileiros O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburguer, 2006) e Ação Entre Amigos (Beto Brant, 1998). Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e vencedor do prêmio principal da semana dos realizadores no Festival de Cannes, o chileno No, dirigido por Pablo Larraín, se insere nessa seara de maneira instigante ao encerrar uma trilogia sobre o Chile das últimas décadas, retratando um episódio bastante particular da história do país andino: o plebiscito de 1988 que retirou Pinochet do poder, após 15 anos de um regime autoritário.