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14 de fev. de 2015

Desenha-me um Carneiro?

O Pequeno Príncipe, personagem favorito das misses, foi dar um passeio num boteco da Zona Norte de São Paulo. Um rapaz carente vivia sem crédito no celular para ligar para sua amada. A queixa de um cara conhecido como fracote em seu bairro ao ator Bruce Willis, dizendo que ele era “facinho de matar”. A fauna (humana) existente abaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo. Esses e muitos outros personagens fazem parte das crônicas presentes em “Tem Muito Disso que Cê Tá Falando”, disco mais recente da banda paulistana (paulistaníssima, diriam alguns) Meia Dúzia de 3 ou 4.

Criada em 2003 por Thiago Melo (violão e voz) e Marcos Mesquita (baixo), dois músicos da banda de apoio do Teatro Mágico que queriam explorar novas canções, o Meia Dúzia de 3 ou 4 canta São Paulo com muita graça. Dá para considera-los como herdeiros de uma linhagem que inclui Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Germano Mathias e a turma da Vanguarda Paulistana, movimento paulista dos anos 1980 que tinha nomes como Grupo Rumo, o Premeditando o Breque, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e o compositor Maurício Pereira, na época em dupla com André Abujamra nos Mulheres Negras.

“A cidade acabou sendo nossa musa natural. É um lugar que engole as pessoas, mas que também rumina, e é preciso saber aproveitar”, diz Thiago Melo. Para ele, a geração que se formou em torno do teatro Lira Paulistana vive um resgate com a internet. “As coisas finalmente estão se encontrando: os roqueiros dos anos 80 estão indo para a TV ou para o Congresso falar merda e quem presta continua aqui fazendo música boa”, explica.

Dona de uma das melhores músicas de 2014, "Maquiavel para Crianças", os paulistanos do Meia Dúzia por 3 ou 4 responderam um monte de perguntas minhas no final do ano passado. O resultado apareceu no Scream & Yell. :)

25 de set. de 2014

Meu Pé, Meu Querido Pé



Ele é o homem por trás do ratinho que toma banho e ensaboa seu pé, seu querido pé, do passarinho que pergunta que som é esse, e da bicharada fazendo o vocal para um rock rural no “Cocoricó”. Você pode nem saber como é a cara dele, mas já ouviu sua voz em aberturas de programas infantis e propagandas de shampoo — e provavelmente já até cantou alguma de suas músicas no chuveiro, caso tenha algo entre os 10 e os 30 anos hoje em dia.

Seu nome é Hélio Ziskind, um senhor paulistano com 59 anos de idade e mais de 40 anos de bons serviços prestados à música popular brasileira – a maior parte deles fazendo canções para crianças, dentro e fora da TV Cultura, participando de produções como Glub Glub, Cocoricó, X-Tudo e Castelo Rá Tim Bum ou cantando em seus discos solo. Sua carreira musical, no entanto, começa em 1974, junto aos ex-colegas de colégio Paulo e Luiz Tatit. Com eles, Ziskind formaria o Rumo, um dos principais pilares da Vanguarda Paulistana. 


Na entrevista a seguir, Ziskind fala para o Scream & Yell sobre como criou as aberturas de programas que marcaram gerações de crianças na TV Cultura, conta mais sobre os anos de Rumo e de ECA-USP (ele é formado em Composição pela universidade, apesar de se dizer filiado à música popular) e comenta a situação atual da emissora que o catapultou para o sucesso, além de discutir rótulos, publicidade, a diferença entre música erudita e música popular e seus próprios planos para o futuro – no momento, ele trabalha em uma versão musicada d’O Patinho Feio de Hans Christian Andersen, mas com uma pegada “meio Pink Floyd”. Desculpe o gracejo, caro leitor, mas vamos lá: patinho feio, “que som será esse?”.

Em agosto, bati um papo com um dos meus heróis de infância para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade - em breve, falo mais dele por aqui. Aproveitei a íntegra da entrevista - que foi bem bacana - para o Scream & Yell, que continua sendo (como o Rio de Janeiro) um espaço lindo para falar de música e cultura brasileira. Quer saber como essa história continua? Chega mais