Em qualquer discussão sobre hambúrgueres paulistanos que se preze, é difícil passar incólume pela Lanchonete da Cidade. Criada em 2004 (e hoje transformada em franquia com diversas filiais pela capital paulista), a hamburgueria da Cia. Tradicional de Comércio (dona de bares como o Astor e o Pirajá) pode ser considerada uma das precursoras da onda que transformou a junção de pão, carne e queijo em algo além de uma comida rápida para o paulistano. O que é, ao mesmo tempo, algo bom e ruim -- o respeito ao passado e a escolha por bons ingredientes contam a favor da casa, mas tudo tem seu preço.
"I had seventeen dollars in my wallet. Seventeen dollars and the fear of writing. I sat erect before the typewriter and blew on my fingers. I started to write and I wrote." (John Fante)
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26 de jun. de 2015
9 de jun. de 2015
Melhor Hambúrguer da Cidade: Brewdog Bar
"We found love in a hopless place" pode ser apenas um refrão bacana da Rihanna cantado por muita gente em baladas por aí de forma errada, mas também foi a primeira coisa que eu pensei ao experimentar o hambúrguer do bar da Brewdog, em São Paulo, na última semana. É aquela coisa: depois de muitas experiências erradas no que diz respeito a hambúrgueres em bares transados, achei que não ia dar certo dessa vez - mas deu. E muito. Mas vamos com calma.
Aberto no começo de 2014 em São Paulo, o bar da Brewdog (também chamado de... Brewdog Bar) traz para a capital paulista o ideal de "cerveja artesanal para pessoas comuns" tão celebrado pela cervejaria escocesa, dona de alguns dos mais provocantes rótulos de cerveja lançados nos últimos anos. É o caso da Punk IPA e da Hardcore IPA, duas das cervejas que experimentei em versão "de barril" quando estive lá no último domingo (7), para comemorar meu aniversário de namoro (óun) de 1 ano e 2 meses. E confesso que fui mais atraído pelas boas cervejas do que pelos eventuais petiscos que o bar - localizado em Pinheiros, do lado Instituto Tomie Othake - demonstrava ter.
14 de fev. de 2015
Desenha-me um Carneiro?
O Pequeno Príncipe, personagem favorito das misses, foi dar um passeio num boteco da Zona Norte de São Paulo. Um rapaz carente vivia sem crédito no celular para ligar para sua amada. A queixa de um cara conhecido como fracote em seu bairro ao ator Bruce Willis, dizendo que ele era “facinho de matar”. A fauna (humana) existente abaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo. Esses e muitos outros personagens fazem parte das crônicas presentes em “Tem Muito Disso que Cê Tá Falando”, disco mais recente da banda paulistana (paulistaníssima, diriam alguns) Meia Dúzia de 3 ou 4.
Criada em 2003 por Thiago Melo (violão e voz) e Marcos Mesquita (baixo), dois músicos da banda de apoio do Teatro Mágico que queriam explorar novas canções, o Meia Dúzia de 3 ou 4 canta São Paulo com muita graça. Dá para considera-los como herdeiros de uma linhagem que inclui Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Germano Mathias e a turma da Vanguarda Paulistana, movimento paulista dos anos 1980 que tinha nomes como Grupo Rumo, o Premeditando o Breque, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e o compositor Maurício Pereira, na época em dupla com André Abujamra nos Mulheres Negras.
“A cidade acabou sendo nossa musa natural. É um lugar que engole as pessoas, mas que também rumina, e é preciso saber aproveitar”, diz Thiago Melo. Para ele, a geração que se formou em torno do teatro Lira Paulistana vive um resgate com a internet. “As coisas finalmente estão se encontrando: os roqueiros dos anos 80 estão indo para a TV ou para o Congresso falar merda e quem presta continua aqui fazendo música boa”, explica.
Dona de uma das melhores músicas de 2014, "Maquiavel para Crianças", os paulistanos do Meia Dúzia por 3 ou 4 responderam um monte de perguntas minhas no final do ano passado. O resultado apareceu no Scream & Yell. :)
12 de fev. de 2015
Melhor Hambúrguer da Cidade: McDonald's
Nós estamos mesmo discutindo o McDonald's.
Primeiro, porque foi com a rede do sêo Ronald que muitos brasileiros aprenderam a comer hambúrguer - apesar de já termos falado de casas que fazem bons lanches desde os anos 1950, foi só com a popularização do fast food (impulsionada pelo Mc) que o hambúrguer virou uma comida mainstream no Brasil. Segundo, porque mesmo sendo uma não-referência (alguém lembra da história da carne de minhoca?), muita gente pensa no McDonald's quando hambúrguer vem à mente (especialmente quando a faixa etária aumenta). Terceiro, porque, a recente onda de lanches gourmet tenta, além de incrementar novos ingredientes à receita básica de pão, carne moída e queijo, transformar o hambúrguer em estado-de-arte, se opondo fortemente à linha fordista do Mc. Enfim: chega de blá-blá-blá teórico e bora pro lanche.
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25 de jan. de 2015
Muito Além do Trem das Onze
Na segunda matéria especial sobre São Paulo pro SaraivaConteúdo, falei sobre bandas que cantam e contam a cidade em suas canções - para ninguém ter que lembrar só de "Sampa" e do "Trem das Onze" nessa data tão festiva. Chega mais pra ver :)
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24 de jan. de 2015
Luz, Câmera, São Paulo!
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| SP é uma Festa, previsto para o segundo semestre de 2015 |
Tida como uma cidade feia e cinza, São Paulo aparece pouco no cinema (ou menos do que deveria, na minha humilde opinião). Mas, aos poucos, isso está mudando. Nessa matéria para o SaraivaConteúdo, falei sobre "SP é uma Festa" e "Que Horas Ela Volta?", dois filmes que têm a cidade como cenário e devem chegar aos cinemas em 2015.
Também tem um toque de "Não Por Acaso", de "São Paulo S/A" e dos filmes de Fernando Meirelles. (Inclui uma boa conversa com a Vera Egito, que pretendo reproduzir aqui posteriormente, e frases bacanas de Anna Muylaert e Philippe Barcinski). E aí: luz, câmera, São Paulo?
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20 de jan. de 2015
Melhor Hambúrguer da Cidade: Holy Burger
Galhofas e citações ao grande Nelson Gonçalves à parte, devo dizer que estava com saudade de escrever sobre os melhores hambúrgueres da cidade. Confesso ainda que foi difícil encontrar um lanche que merecesse não só pertencer a essa lista, mas também fosse digno de reiniciar as atividades da coluna. Batalhei, mastiguei, suei para pagar alguns lanches ruins por aí, mas finalmente encontrei um que valesse a pena. Ei-lo: o Holy Burger, recém-inaugurado na rua Doutor Cesário Mota, ali naquela região capciosa que alguns chamam de Baixo Consolação, outros chamam de Santa Cecília, Vila Buarque e há até quem se refira como Baixíssimo Higienópolis. Para começar, um aviso: a casa ainda está começando suas operações, e vivendo um intenso período de hype - isso é, aquele diz-que-me-diz que acontece depois que o Estadão, o Guia da Folha e a Vejinha prestam atenção no lanche. Antonio Prata e os meios intelectuais, meio de esquerda entendem isso muito bem.
3 de jun. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Rock'n Roll Burger
27 de mai. de 2014
Just Like Rain
Perdoe o trocadilho, caro leitor, mas a bem da verdade, o domingo foi de muita chuva aqui em São Paulo. Não que isso tenha afastado 12 mil pessoas de ver uma das grandes bandas dos anos 80 em ação em um dos eventos mais charmosos do ano musical da capital paulista, o Cultura Inglesa Festival. Em sua quarta edição aberta ao público geral (não se deixe enganar pelo numeral ordinal 18 colocado antes do nome do evento), o CIF trouxe ao Memorial da América Latina os galeses dos Los Campesinos! e o Jesus and Mary Chain. (escolha aqui sua piada: a) Jesus voltou pra transformar vinho em água. b) marcha para Jesus).
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21 de mai. de 2014
Virada Cultural 2014
Seria humanamente impossível para um repórter só cobrir toda a Virada Cultural. Talvez, uma equipe de cinquenta jornalistas, de diferentes áreas, de música e cinema até cidades e esportes, conseguissem dar conta de um dos eventos mais importantes da capital paulista, que completou 10 anos em 2014.
Mas, mesmo assim, eu e o mestre Marcelo Costa dividimos a tarefa de tentar assistir alguns shows e contar para vocês como foi, em um recorte especial, que envolveu planejamento, atrasos e um bocado de sorte em alguns aspectos. Lá no Scream & Yell, você pode ler sobre 10 shows da Virada (ou 9, né Arnesto?). Eu falei da volta do IRA!, Riachão, Autoramas (com Lafayette & B Negão), Demônios da Garoa, Pepeu Gomes e Falcão, enquanto o Mac cobriu Otto, Juçara Marçal, Rômulo Fróes e Rosanah. Chega mais. :)
Além disso, juntei algumas fotos (e vou incluir outras depois) que tirei dos shows em um álbum no Facebook. E você pode lembrar como foram as Viradas de 2013, 2012 e 2011 aqui no pergunte ao Pop.
2013: Cinema Erótico Japonês + Vanguart, Apanhador Só, Mombojó e Lirinha (por Victor Francisco Ferreira)
2012: Que Não é O Que Não Pode Ser - Titãs Toca Cabeça Dinossauro
2011: De volta a 1986, a bordo do DeLorean: Blitz, RPM, Frejat e Plebe Rude
2012: Que Não é O Que Não Pode Ser - Titãs Toca Cabeça Dinossauro
2011: De volta a 1986, a bordo do DeLorean: Blitz, RPM, Frejat e Plebe Rude
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8 de mai. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Z-Deli Sanduíches
Uma coisa que muita gente sempre me pergunta quando eu falo sobre hambúrgueres por aí é: "mas e os hambúrgueres gourmet?". Como lidar quando querem enfiar cogumelos, queijos especiais, shitake, foie gras e outros mil quetais no meio de uma coisa tão simples quanto a combinação entre carne moída e amassada, pão e queijo? A princípio — e para um amante da chapa suja como eu —, o conceito gourmet é totalmente descabido em uma comida que nasceu na rua e para sempre vai carregar consigo esse sabor (assim como o "samba é negro demais no coração", já dizia o mestre Vinicius de Moraes). Entretanto, não vale a pena radicalizar. Não antes da primeira mordida, pelo menos. Ainda mais quando se fala de uma grande (o adjetivo vem antes da análise, mas será justificado) casa como o Z-Deli Sanduíches, filial de uma casa de comida judaica que roubou os holofotes de sua matriz.
13 de abr. de 2014
Lollapalooza 2014 ou Geraldo Vandré Estava Errado
Foram dois dias de festival, mas pareceu muito mais: no ano em que o País promete entrar em situação de caos com Copa e eleições, o Lollapalooza ofereceu a seus 140 mil espectadores alguns momentos de paz. É preciso dizer, mais uma vez: os R$ 540 pagos por quem quis ir aos dois dias de festival, sem contar as taxas de inconveniência, podem ser considerados abusivos em um País cujo salário mínimo é de R$ 724 — um dado que precisa ser levado em conta na discussão sobre a efetividade do Brasil ter entrado de fato na rota de shows internacionais. (em tempo: a versão americana do Lollapalooza, em agosto, tem três dias e custará R$ 500; admirado pela crítica, o espanhol Primavera Sound, em maio, tem três dias de festival e programação extra que se estende por uma semana por R$ 594).
Entretanto, é preciso se ressaltar que, em 2014, este Lollapalooza se pôs alguns degraus acima de seus concorrentes nacionais, tanto pela qualidade do evento (pouquíssimas filas, boa comida, localização e organização inteligente - a volta para casa no domingo, mesmo com grande parte do público saindo junto, não foi caótica) quanto pela escalação competente, que mesclou veteranos com nomes populares e novidades com alguns dos melhores shows em atividade hoje em dia no mundo, criando um modelo que tem tudo para se sustentar com sucesso pelos próximos anos. Como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”. Mas bem que poderia.
Meu relato sobre o Lollapalooza 2014 acaba desse jeito - mas a aventura dos dois dias em Interlagos, com shows que vão ficar pra sempre no coração (e outros para serem eternamente citados na lista de "o que caralhos eu estava fazendo ali mesmo?) saiu no Scream & Yell na semana passada (e eu só tive tempo de parar para divulgá-lo por aqui agora). Além do meu texto, o post tem as lindas fotos da Liliane Callegari, como essa daí de cima, e uma votação com mais 14 jornalistas escolhendo os melhores shows do festival. Que venha 2015.
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3 de abr. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Outback
Se você conhece a rede Outback, deve estar muito bem estranhando o que raios ela está fazendo nessa coluna; afinal, o forte da franquia de restaurantes australianos/americanos (metade dos pratos é à moda da Louisiana, não dá pra ficar só na terra dos Cangurus) é o trio calafrio "costela com molho barbecue" + "fritas com queijo e bacon" + "cebola frita". Certo? Pois bem: mas o Outback também tem hambúrgueres, por incrível que pareça, e durante muito tempo eu os desprezei no cardápio. Mas sabia que uma hora eles deveriam ser experimentados - se um lugar manda bem fazendo costela e batata, deve saber fazer bons hambúrgueres. Fui tirar a prova dos nove essa semana com a Giovanna Favarati (que além de ser uma mina muito daora recém-integrada ao rolê, também é garçonete do Outback Anália Franco, na Zona Leste), no Outback do Shopping Bourbon Pompéia. 26 de mar. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: TriBeCa
Acho que uma das coisas mais legais desde que eu comecei a escrever essa coluna é acompanhar o surgimento de casas bacanas por aí, especialmente em lugares que não tem "lanchonetes de bairro" clássicas para chamar de suas e, até pouco tempo atrás, sempre que queria um hambúrguer tinham de aceitar "alface, queijo, molho especial, cebola picles e um pão com gergelim".
É o caso de São Caetano - onde eu moro, hehe - que, além de X-Saladas de padaria e o McDonald's local, poucos lanches tinha a oferecer. A chegada de um shopping à cidade ajudou nesse sentido - já resenhamos aqui o America's da cidade, e também fomos ao Fifties local, sem escrever sobre ele. Mas é mais interessante ainda quando uma lanchonete de rua aparece e se mostra como uma boa opção para a cidade, capaz de fazer os caetanenses pensarem duas vezes em cruzar a Delamare ou a Via Anchieta para saborear um bom lanche. É o caso da Hamburgueria TriBeCa.
É o caso de São Caetano - onde eu moro, hehe - que, além de X-Saladas de padaria e o McDonald's local, poucos lanches tinha a oferecer. A chegada de um shopping à cidade ajudou nesse sentido - já resenhamos aqui o America's da cidade, e também fomos ao Fifties local, sem escrever sobre ele. Mas é mais interessante ainda quando uma lanchonete de rua aparece e se mostra como uma boa opção para a cidade, capaz de fazer os caetanenses pensarem duas vezes em cruzar a Delamare ou a Via Anchieta para saborear um bom lanche. É o caso da Hamburgueria TriBeCa.
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18 de mar. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Nico Hamburgueria
Às vezes, entrar em uma hamburgueria é fazer uma viagem cósmica: no The Rockets (péssimo hambúrguer, ótimo ambiente), a passagem é só de ida para os anos 50; no grande Seu Oswaldo, parece que alguma coisa se perdeu no meio dos anos 70 como um boteco com balcões e banquinhos. Ali mesmo, no Ipiranga, existe outra boa hamburgueria que também propõe um passeio aos seus clientes: a Nico Hamburgueria (na Rua Cisplatina, 31), do mesmo dono da pizzaria Sala Vip, do Bar do Nico e da cantina Nico Pasta & Basta. Toda decorada com brinquedos, relíquias de antiquário e miniaturas, a casa conquista o visitante à primeira vista por seu caráter todo charmoso. Mas charme não é suficiente para encher a barriga, então mãos (haha) à obra.
12 de mar. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Hambúrgueria 162
A coluna dessa semana é um daqueles casos de texto que deveriam ter sido escritos há muito tempo, mas, sabe se lá porque, ficaram perdidos no espaço. Falamos aqui da Hamburgueria 162, dona de uma das vistas mais charmosas de São Paulo, localizada no segundo andar da esquina da Augusta com a Luís Coelho, um quarteirão para baixo da Paulista (e do metrô, o que é sempre uma coisa boa pra este escritor durango) - além desta, a casa tem uma filial na Augusta por volta do número 500, um ponto estratégico para a larica antes ou depois das baladas ali por perto (como Beco, Da Leoni, Lab Club e Astronete, por exemplo).
6 de mar. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Vinil Burger
"Nos outros lugares, você monta o seu lanche. Aqui, você desmonta", me explicou a garçonete assim que eu cheguei. Ou melhor: balconista, porque você pede o lanche no balcão, espera pela sua senha e come no mesmo balcão. Pois bem: por R$ 19,00, o Vinil Burger original é um verdadeiro monstro de recheios: além dos convencionais carne e queijo (dá pra escolher entre prato, cheddar, mussarela ou provolone), o lanche ainda tem salada (alface e tomate), bacon, picles, cebola desidratada e cebola caramelizada.
24 de fev. de 2014
Melhor Hambúrguer da Cidade: Na Garagem
- A gente não tem cardápio. É simples: um lanche com carne, um sem, batata frita e algumas opções de bebida.
- Ah, tá bom. Então um hambúrguer, uma batata e uma Coca.
A cena acima é o meu diálogo inicial com a garçonete do Na Garagem, uma charmosíssima hamburgueria que abriu há coisa de uns cinco meses numa travessinha da Pedroso de Moraes (perto do Metrô Faria Lima, em Pinheiros, o que é uma mão na roda para hamburgófilos famintos e sem carro). Poderia ser apenas mais um diálogo qualquer, mas ele mostra uma filosofia interessante que começa a surgir em São Paulo (e que deve ser conferida em breve mais de perto por essa coluna): oferecer menos opções e apostar em uma infraestrutura pequena (na última foto deste post, é possível ver que cabem umas 10 pessoas no local) pode ser uma boa resposta para os preços cada vez mais altos de uma grande cidade sem deixar bons sabores de lado.
16 de fev. de 2014
Bastões de Beisebol, Samba e Rock'n Roll
"Meus ouvidos estão apitando. É uma sensação desagradável,
mas não há nada como um bom show "de rock, barulhento e suado, para lavar a alma.
João, Bel e eu estamos bebendo cerveja em um trailer de x-burger.
Ainda estou meio abobado com aquele beijo, de modo que fico meio no ar enquanto os dois conversam sobre a banda, a última da Courtney Love e o novo filme com o Harvey Keitel".
(André Takeda, Clube dos Corações Solitários)
A vida é um bocado engraçada, devo dizer. As duas últimas semanas foram um bocado didáticas nesse respeito: depois da maratona que foi a Campus Party, meu corpo falou: "aí não, campeão", e resolveu pedir uma folga. Resultado: amigdalite, ida ao hospital, uns muitos dias sem ir trabalhar, virose (é sério) e uma pequena síndrome de "oh meu Deus o que eu estou fazendo com a minha vida vendo Olimpíada de Inverno deitado nesse sofá?" Parecia que as coisas não iriam melhorar muito nos próximos meses, e que tudo o que eu andava fazendo nos últimos tempos era... simplesmente OK. Tanto desânimo quase me fez desistir de uma das coisas com a qual eu andava mais empolgado nos últimos tempos: o Concentra Mas Não Sai, bloco cervejeiro (que discute Mogwai, bebe todas e abstrai) que os amigos Marcelo Costa e Fernando Augusto Lopes idealizaram em tantas mesas de bar e finalmente saiu do papel.
Por bem, acabei indo. E mesmo com toda a chuva, foi incrível: deve existir alguma coisa não explicada pela ciência que gera muita serotonina quando você junta samba, amigos, comida e bebida boa em torno de uma mesa. Porque foi isso que foi a minha tarde de ontem, deixando as pernas doendo de tanto mexer o pé pra lá e pra cá (ou o que deveria ser sambar, risos). Da mesma maneira que juntar rock barulhento, cerveja e risadas também gera muita serotonina - no show do Nevilton na Casa do Mancha logo depois, ou na epígrafe desse textinho bobo. (Eu deveria gastar algumas linhas dizendo como o Nevilton é a melhor banda de rrrrock! brasileiro hoje, mesmo tendo perdido um integrante e se virando nos 30 para levar sua música por aí, no melhor estilo independente de ser, sem perder a ternura jamais, mas isso é algo que eu prefiro deixar para que vocês descubram ao ver um show deles). Talvez essa seja a resposta da vida: enganar em um dia ou em um fim de semana aquilo que alguns meses podem te botar pra baixo. Ou, como diria o mestre Tony Parsons: "fique perto das coisas que você ama, e leve um bastão de beisebol para o resto". É.
(A foto, mais uma vez, é das lentes incríveis da Liliane Callegari. Dá uma olhada nas fotos do bloco aqui)
Por bem, acabei indo. E mesmo com toda a chuva, foi incrível: deve existir alguma coisa não explicada pela ciência que gera muita serotonina quando você junta samba, amigos, comida e bebida boa em torno de uma mesa. Porque foi isso que foi a minha tarde de ontem, deixando as pernas doendo de tanto mexer o pé pra lá e pra cá (ou o que deveria ser sambar, risos). Da mesma maneira que juntar rock barulhento, cerveja e risadas também gera muita serotonina - no show do Nevilton na Casa do Mancha logo depois, ou na epígrafe desse textinho bobo. (Eu deveria gastar algumas linhas dizendo como o Nevilton é a melhor banda de rrrrock! brasileiro hoje, mesmo tendo perdido um integrante e se virando nos 30 para levar sua música por aí, no melhor estilo independente de ser, sem perder a ternura jamais, mas isso é algo que eu prefiro deixar para que vocês descubram ao ver um show deles). Talvez essa seja a resposta da vida: enganar em um dia ou em um fim de semana aquilo que alguns meses podem te botar pra baixo. Ou, como diria o mestre Tony Parsons: "fique perto das coisas que você ama, e leve um bastão de beisebol para o resto". É.
(A foto, mais uma vez, é das lentes incríveis da Liliane Callegari. Dá uma olhada nas fotos do bloco aqui)
4 de fev. de 2014
Livros no Metrô
Não sei vocês, mas devo dizer que comecei a perder bons minutos dos meus dias nas últimas semanas tentando trocar notas de mais de R$ 10 em trocados - pra comprar café na máquina do trabalho (onde persiste a dúvida, espresso ou longo?), mas também para gastar toda vez que me aparece uma máquina de venda automática de livros no metrô. A ideia é bem simples: cada máquina tem entre 10 e 20 opções de livros (às vezes repetidos, e às vezes inclui revistas e até cartões de crédito pré-pagos) e você pode pagar quanto quiser pelos livros a partir de R$ 2.
O leitor pode dizer: ah, mas as edições são horríveis e metade das opções não vale nem a pena ser lida. Tudo bem, concordo contigo - tenho calafrios toda vez que eu vejo as edições bizarras do Manifesto Comunista e do Príncipe que aparecem por ali e ainda mais quando penso como traduções ruins podem afetar a maneira como as pessoas entendem essas obras. Mas confesso que ultimamente tem dado pra garimpar coisas bem bacanas. Quem deu a dica foi o Marcelo Costa, que me deu de presente o Bill Graham Apresenta (que tá na listinha de livros que eu vou devorar nos próximos dias).
Logo na sequência, topei com outros dois volumes bem bacanas: uma biografia meio chapa-branca da Amy Winehouse e o grande Disparos do Front da Cultura Pop, do Tony Parsons. Toda vez que vejo um troco uma nota de R$ 10 comprando um Halls e pego dois de uma vez para distribuir pros amigos - como se eu fosse Mel Gibson no Teoria da Conspiração. Além disso, essa semana apareceu O Menino, um romance do Edward Bunker que faz parte do catálogo da finada editora Barracuda. Tudo isso só no metrô Barra Funda. Portanto, fique esperto! (E se você souber de outros lugares que não as estações Luz, Paulista e Ana Rosa que tem essas máquinas, me avise!).
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