21 de dez. de 2011

As Canções Que Você Fez Pra Mim

Uma poltrona, uma cortina e uma câmera. Pessoas cantando e contando suas histórias. As Canções, o novo filme de Eduardo Coutinho, talvez leve ao extremo mínimo o estilo do documentarista. Consagrado por filmes como Edifício Master e Jogo de Cena, Coutinho extrai de conversas com pessoas comuns a força motriz de seus filmes, trazendo à tona histórias que por vezes beiram o inacreditável - como a do senhor que conheceu Frank Sinatra narrada em Edifício. As Canções não foge a essa regra, investigando a relação que a música pode ter na vida das pessoas, e que histórias essas músicas lembram.

28 de out. de 2011

Além do Que Se Pode Ver


Começar uma carreira de novo já é um desafio para muitos artistas. Fazer isso duas vezes, por extensão, é algo que apenas poucos conseguem fazer com total controle da situação. Pode-se dizer que, atualmente, é justamente esse controle da "terceira vinda" que está sendo testado na carreira do hermano Marcelo Camelo. Depois de ser "fenômeno das paradas de sucesso" e, ao lado de seu parceiro Rodrigo Amarante, "herói do rock brasileiro da última década", Camelo agora tenta emplacar vôo solo - mas seu passado parece continuar a querer lhe assombrar. Foi o que ficou claro em sua apresentação nesta última quinta-feira (27), no ginásio de esportes do SESC Ipiranga, em São Paulo.

16 de out. de 2011

Shows e Textos

Salve!

Não, este blog não morreu. Para variar, o tempo anda escasso para dar conta de tudo que eu preciso fazer ultimamente - e como quase sempre, quando a coisa aperta quem fica desfalcado é este espaço. Mas isso não significa que eu estou parado não. Nos últimos dias, três textos meus - que particularmente adorei escrever - andaram saindo por aí. :)

Para o Scream&Yell, foram sobre dois shows que vi recentemente: um é sobre a primeira passagem do Tears for Fears por São Paulo na turnê recente que eles fizeram pela América do Sul. Já o outro foi sobre a especial apresentação de Arnaldo Baptista no SESC Belenzinho, no sábado passado. No trabalho, mais conhecido como a Agência USP de Notícias, fiz uma matéria bacana sobre uma dissertação de mestrado que fala das velhas guardas da Portela e da Império Serrano.

E para essa semana, prometo ainda trazer alguma coisa de novo pra esse espaço. Se nada der errado, uma cobertura especial vem vindo aí.

Um abraço!

6 de out. de 2011

Descoberta, Ruptura

Dividir a música em gêneros é uma coisa curiosa. O que deveria servir para guiar e dar uma melhor referência sobre um determinado artista ou estilo acaba, pelo lado oposto, limitando as canções que ouvimos. Como uma espécie que não gosta de mudanças, privilegiamos o conforto, nos centrando em alguns nichos – e por vezes, deixando passar trabalhos artísticos maravilhosos, mas que passariam batido se seguíssemos à risca um rótulo preestabelecido. “A breakthrough”, diriam os ingleses em uma palavra, que em bom português significa tanto "descoberta" quanto "ruptura". É o que acontece, por exemplo, com uma das grandes revelações desse 2011 que começa a se encerrar: o cantor inglês James Blake. Filho da cena dubstep londrina, que se caracteriza por produções muito bem amarradas, com linhas de baixo fortes e baterias reverberantes, Blake chama a atenção com sua voz límpida e potente. Mas seu disco de estreia, James Blake, e o recém-lançado EP Enough Thunder mostram que ele é mais que uma vozinha bonita.

30 de set. de 2011

Surpresa Numa Noite de Quinta

Assim como a maioria das pessoas, costumo ir a shows quando conheço bem e admiro a obra do artista que se apresentará - o que costuma ser uma garantia de que não vou "perder meu tempo" e deixar de fazer outras coisas importantes vendo aquele espetáculo. Entretanto, uma experiência muito bacana de ser feita é justamente a oposta: embarcar numa apresentação sabendo nada ou muito pouco a respeito do que vai acontecer ali na frente. Foi exatamente o que fiz ontem, no Centro Cultural São Paulo, palco da primeira apresentação da turnê que a banda alemã Tusq fará pelo Brasil nos próximos dias, em parceria com o grupo Eletrofan.

27 de set. de 2011

They're (Still) Red Hot

Em post especial, o Pergunte ao Pop comenta as recentes atividades do grupo californiano Red Hot Chili Peppers: o último disco deles, I'm With You, em texto de Bruno Capelas, e a apresentação no Rock in Rio, com cobertura especial do colaborador Victor Francisco Ferreira. É preciso fôlego, mas garantimos a vocês que vale a pena ir até o final.

21 de set. de 2011

O Son(h)o Acabou



Existem dias comuns. E existem dias que, de alguma maneira, inexplicável, parecem ser comuns, mas acabam se tornando inesquecíveis. Um dos modos disso acontecer é quando a sua banda favorita decide que não vai mais existir.

11 de set. de 2011

Rapidinhas: Pélico

Que Isso Fique Entre Nós, do cantor paulistano Pélico, é um disco curioso ao unir a sofisticação e a dor elegante da música brasileira pré-bossa nova - vale ver a versão feita pelo músico para "No Rancho Fundo" - com o brega de rádio AM dos anos 70, resultando em um dos trabalhos mais admiráveis de 2011.

A maioria de suas dezesseis faixas são canções de (des)amor, com pessoas em busca de redenção ("Vamo Tentá", com um refrão poderosíssimo), lidando com segredos ("Que Isso Fique Entre Nós") e imperfeições ("Não Éramos Tão Assim"), sentindo saudades ("Levarei") e se perdendo entre pecados e perdões ("Recado"), resultando num painel sentimental tocante.

O único porém, entretanto, é a extensão do álbum, de maneira que uma pérola passa desapercebida no final do disco: a bonita balada "O Menino", com a cara dos souls que Antonio Marcos compunha para Roberto Carlos lá no início dos anos 70, e ao menos um verso pra ficar guardado: "A inocência é um barco que nunca volta ao cais".

PS: Pra quem quiser conferir o som do artista, ele faz no dia 30, às 21 horas, no SESC Ipiranga, uma apresentação do disco, com a participação de Filipe Catto.

2 de set. de 2011

Para Fazer Sucesso

Um misto de decepção e satisfação. É assim que pode se descrever o primeiro dos dois shows que o cantor Wado fez em São Paulo nesta semana. A convite do projeto CCBB Universitário, uma parceria entre a USP e o Centro Cultural Banco do Brasil, o músico de Alagoas fez uma apresentação com cerca de uma hora de duração, gratuito, em plena Rua Maria Antonia, no coração do centro velho da capital paulista.

22 de ago. de 2011

Driving Music, Gui Amabis

Driving Music - Comic Sans

Toda vez que eu ouço falar de uma banda nova brasileira que canta em inglês, eu sempre torço o nariz - algo que eu já abordei um pouco aqui. Mas quando se tratou do trabalho de Fábio Andrade, sob o nome da Driving Music, algo diferente aconteceu. Comic Sans (disponível para download no link acima), lançado pelo selo carioca midsummer madness em 2011, é um bonito álbum, filho bastardo de discos como Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, e Either Or, do finado Elliott Smith. Pelo menos é o que dá pra sentir em músicas como "Orange Fruit Comes" e "Aphasic Singalong", enquanto "Settle" tem uma condução típica do Manic Street Preachers. O destaque do disco, porém, fica para a facilmente cantarolável "Watching the Wind".

Gui Amabis - Memórias Luso Africanas

O título de Memórias Luso-Africanas pode trazer ao ouvinte alguma ideia de álbum conceitual viajante por motivos particulares e emocionais de Gui Amabis. Não deixa de ser verdade, mas é muito mais uma boa coleção de canções que o produtor fez sozinho, contando com a participação de três nomes em alta rotação na cena indie paulistana: CéU, Criolo e Tulipa Ruiz. Tulipa se apega ao seu padrão romântico-idealista nas fofas "Sal e Amor" e "Ao Mar", enquanto CéU põe à prova todo seu charme em "Swell", uma faixa com cheiro e gosto de maresia. Já Criolo faz bonito na canção "Para Mulatu", que traz consigo algo do passado negro, "toda a beleza dos tambores", como diria o próprio cantor. Vale a pena conferir.