O manual de boas práticas do jornalismo cultural recomenda
que não se usem frases superlativas na abertura de uma crítica, mas manuais
como esse precisam ser ignorados certas vezes. Foi o que aconteceu na noite da
última quarta-feira, dia 18 de setembro, quando um veterano músico americano e
sua banda subiram ao palco do Espaço das Américas para o menor público de sua
turnê mundial. Se você nunca foi a um show de rock, só existe um show ao qual
você precisa assistir: Bruce Springsteen e a E Street Band.
"I had seventeen dollars in my wallet. Seventeen dollars and the fear of writing. I sat erect before the typewriter and blew on my fingers. I started to write and I wrote." (John Fante)
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22 de set. de 2013
25 de out. de 2012
Robert Plant em São Paulo
À medida que as décadas passam, é comum ver artistas pop de renome dividirem suas apresentações em dois tipos de experiência. Há o grupo de músicos que fazem tudo o que o público quer – algo que pode gerar tanto um espetáculo alucinante, como um show de Paul McCartney, quanto um exercício sobre o tédio, no caso de uma banda como o Deep Purple. E existem aqueles rockstars que parecem se negar a fazer tudo exatamente dentro do combinado, uma escolha que pode tanto levar uma platéia ao êxtase quando decepcioná-la profundamente – como Bob Dylan. Quando Robert Plant, o ex-vocalista do Led Zeppelin, subiu ao palco do Espaço das Américas, em São Paulo, nessa segunda-feira (22), foi fácil perceber que ele é um exemplar – cada vez mais raro – do segundo grupo.
Acompanhado de sua nova banda, a Sensational Space Shifters, Plant fez um show que é coerente com sua idade e seu espaço na música pop atual. Há 33 anos, ele era parte de uma das maiores bandas de todos os tempos, uma rara combinação de energia contagiante que estava sempre prestes a explodir – e de fato explodia –, um amálgama de quatro músicos que poucas vezes será visto de novo no mundo. Mas as coisas mudaram: a voz de Plant não é mais a mesma, nem ele tem mais a mesma vitalidade de quando era a cara da Wanderléa – e, a se julgar pela apresentação em São Paulo, o homem das madeixas loiras sabe muito bem disso.
Na última segunda-feira, vi um dos shows mais bonitos que passaram pelo Brasil em 2012 - e acabei escrevendo sobre ele (e também sobre envelhecer com dignidade na música pop) para o Scream & Yell. O resto do texto você confere lá.
7 de jun. de 2012
Tributo à Legião Urbana
Uma semana depois do show, você pode conferir no Scream & Yell o meu relato-reflexão sobre o tributo à Legião Urbana orquestrado pela MTV, com Wagner Moura nos vocais. Tá grande, mas juro que vale a pena ler, viu?
“Quem irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”, cantou Renato Russo em 1986, na música “Eduardo e Mônica”, um dos maiores sucessos de sua banda, a Legião Urbana. Vinte e seis anos depois, essa frase, que serve como moldura para uma das histórias de amor mais conhecidas do Brasil, funciona como uma luva para explicar o que foi o tributo à banda de Brasília feito pelo ator Wagner Moura e pelos dois legionários remanescentes, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá. Em ideia orquestrada mercadologicamente pela MTV, os três, com a ajuda de convidados especiais, realizaram dois shows no Espaço das Américas, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de maio de 2012. E o que se viu no espaço de eventos da Barra Funda, que conta com um dos piores sistemas de som da cidade, foi uma disputa entre a razão e o coração... (continua lá)
12 de mar. de 2012
How Soon Is Now?
O show do Morrissey ontem, em seis pedaços:
1) O lugar: foi bem tranquilo chegar ao Espaço das Américas. Tudo bem, eu fui de carro, e isso não conta muito, mas dava pra perceber que foi sossegado parar na rua e também chegar ao lugar de metrô. Entre o lugar que paramos o carro e o Espaço das Américas, os cambistas agiam livremente, pedindo até R$700 (!) por um ingresso normal. (Isso pra não falar nas camisetas e nas bandeiras totalmente made in Bom Retiro). Bizarro foi perceber que ali tinha sido minha formatura no Ensino Médio, dois anos antes - e quase inconcebível como Morrissey e, sei lá, o diretor do meu colégio coubessem no "mesmo palco". Fiquei meio preocupado também com o som - até onde eu me lembrava, a orquestrinha que massacrava "Viva La Vida" enquanto eu usava uma beca também era atrapalhada pelo sistema de som do lugar.
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