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30 de jun. de 2014

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

A ideia central dessa mixtape nasceu de uma bobagem: a de perceber como, às vezes, as músicas tem os mesmos nomes mas em línguas diferentes (como acontece nas duas primeiras canções dessa mixtape). A partir da junção delas, nasceu a vontade de fazer uma lista cheia de faixas suingadas, de sabor negro (ou quase negro, porque Roberto e Gotye são branquelíssimos). No fim, ela quase ganhou cores politizadas com dois clássicos do rap nacional, "Política" (Athalyba & a Firma) e "1 por Amor, 2 por Dinheiro" (Racionais MCs e Rosana Bronks), mas soava pouco redonda. O alívio chegou aos 45 do segundo tempo, com o chamado de ordem de Science ("Uma cerveja, antes do almoço, é muito bom pra ficar pensando melhor!") e o apelo de Nina Simone. Chega mais: afinal, uma mixtape antes do almoço também pode ser boa pra ficar pensando melhor. 

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

Thinkin Bout You - Frank Ocean
Pensando em Você - Pearls Negras
Let's Stay Together - Al Green
As Curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos
I Feel Better - Gotye
Tell Me a Tale - Michael Kiwanuka
May This Be Love - Jimi Hendrix
Prezadíssimos Ouvintes - Itamar Assumpção
A Praieira - Chico Science & A Nação Zumbi
Don't Let Me Be Misunderstood - Nina Simone

Para ouvir:
No Mixcloud

Para baixar: 
No Mediafire

Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê
#07 - Menina
#08 - Lenço Enxuto

20 de jan. de 2013

Melhores 2012: Músicas Internacionais

2012 foi um ano aleatório em termos de músicas que pudessem suscitar grandes paixões, para além de apenas comporem repertório em álbuns. A lista do Pergunte ao Pop é um reflexo disso, certa maneira, juntando rock português (Os Pontos Negros) com hits vindos do YouTube (Carly Rae Jepsen e PSY), grandes veteranos (Rolling Stones, Neil Young, Beach Boys) com novos trabalhos instigantes (a dupla Michael Kiwanuka e Frank Ocean fez bonito). Prepare-se para uma verdadeira salada - aos interessados, mais uma vez, há ao final do post uma playlist com todas as canções da lista em sequência, prontinhas para serem escutadas. 

1º: "Call Me Maybe", Carly Rae Jepsen

Descoberta por Justin Bieber em uma viagem de férias do cantor à sua terra natal, "Call Me Maybe" tornou-se um sucesso mundial da noite para o dia graças a um vídeo no qual Justin cantava e dançava a música com amigos. Foi só o primeiro de milhares de filmes desse tipo, realizados por gente como Jimmy Fallon, Vila Sésamo, o time olímpico de natação dos EUA, Neymar e James Franco. Grudento até a medula, sustentado por um arranjo de cordas marcante (como desde “Bittersweet Symphony” ou “A Thousand Miles” não se ouvia), “Call Me Maybe” é o carro-chefe e a melhor faixa de Kiss, segundo disco da cantora, todo regravado após o estouro da canção. Além do reforço da internet, o sucesso de “Call Me Maybe” é explicável por seu refrão forte, que retrata uma mudança na dinâmica dos xavecos, pouco retratada até então na música pop: ainda que timidamente (e de maneira conservadora), é a garota quem toma a iniciativa de oferecer seu telefone ao rapaz. Se eu tivesse o telefone dela...

Leia: Resenha de Kiss para o S&Y; perfil de Carly Rae Jepsen para o iG

17 de jan. de 2013

Melhores 2012: Discos Internacionais

Prosseguimos hoje com mais uma parte do Melhores 2012 do Pergunte ao Pop. Depois da etapa nacional, apresentamos agora os melhores discos internacionais de um ano que contou com retornos interessantes (Dexys, The Beach Boys, Ben Folds Five), segundos discos instigantes (Bruno Mars, Frank Ocean) e uma estreia de muito peso (Michael Kiwanuka). Entretanto, assim como em 2011 (lembre aqui), os trabalhos de maior destaque dos últimos 12 meses são de veteranos como Neil Young, Ian McCulloch e o vencedor deste ano, o Chefe. Entenda por quê (e descubra quais são os 15 melhores álbuns no link abaixo). 

1º: Wrecking Ball, Bruce Springsteen

"This Land is Your Land", do cantor folk Woody Guthrie (um dos maiores artistas da Grande Depressão), já foi considerada informalmente como um hino não oficial dos Estados Unidos, por sua mensagem de união do país aliada a um ideal de igualdade (entenda pela estrofe: "As I went walking I saw a sign there/And on the sign it said "No Trespassing."/But on the other side it didn't say nothing/That side was made for you and me"). 

Em 2009, durante a posse de Barack Obama (em um momento bastante complicado para os EUA), Bruce Springsteen cantou "This Land is Your Land" ao lado de Pete Seeger. Três anos depois (e sem a presença do companheiro saxofonista Clarence Clemons, morto em junho de 2011), o homem de Nova Jersey é um dos poucos que se arrisca a analisar sem pudores o panorama geral de seu país, denunciando os corruptos e os culpados pela crise, sem deixar de lado o amor por seu lugar ("We Take Care of Our Own", com jeitão de rock arena, refrão arrepiante e letra inspirada em "This Land is Your Land"). 

Ciente do poder de fogo de uma guitarra (outra lição de Guthrie), Bruce não economiza palavras de força: em "Death to My Hometown", ele diz que "foram os ladrões gananciosos que trouxeram morte à sua terra natal", enquanto em "Easy Money" aparece o personagem que tenta se aproveitar da crise para faturar um dinheiro fácil. Na faíxa-título, Springsteen conclama os homens que tiverem culhões a trazerem para perto suas ferramentas de demolição, e avisa: "tempos ruins vêm e tempos ruins se vão, só para voltar de novo". Entretanto, nem tudo está perdido: nas duas últimas músicas de Wrecking Ball, o artista conta os feridos e os mortos, descobrindo que muitos sobreviveram ("We Are Alive") e, ao citar "People Get Ready" no meio da esperançosa "Land of Hope and Dreams", mostra que há uma luz no fim do túnel, mas para encontrá-la será necessário fé e muito trabalho pela frente. Mãos à obra, Bruce. 

Ouça: "Easy Money"
Leia: Resenha de Wrecking Ball por Marcelo Costa para o S&Y

5 de dez. de 2012

Catadão de Entrevistas 3

Em mais uma entressafra de textos (nada como o fim do semestre da faculdade, não é mesmo?), aproveito a chance para mostrar quatro entrevistas bem legais que fiz pro iG Jovem nos últimos tempos. Provavelmente, este deve ser o último catadão de matérias com músicos que divulgo por aqui - novidades boas e que mexerão com a estrutura desse blog devem pintar em breve, mas por agora não priemos cânico. Um passo de cada vez, por favor, seu doutor. Com vocês, Transmissor, Pollo, Fresno e Simple Plan.

Simple Plan: "Só no Brasil é que nos chamam de emos"

Além disso, três dicas: a primeira é o meu textinho curto sobre Claridão, o disco que o SILVA lançou em outubro, no Scream & Yell; a segunda é uma resenha caprichadíssima de As Vantagens de Ser Invisível feita pelo Marcelo Costa; e a terceira, um texto profissa (gírias de coxinha, um beijo) do Bruno Federowski, meu parceiro no finado Pop to the People, sobre o burburinho em cima do Frank Ocean.

9 de ago. de 2012

channel ORANGE

Colaboração da querida Andressa Monteiro para o Pergunte ao Pop sobre um dos melhores discos do ano. 

O cantor e compositor Frank Ocean, de 24 anos, faz parte de um time de artistas que estão caracterizando e moldando a nova cara do hip-hop. O alvoroço é tanto que alguns já classificam o gênero musical como o “novo rock”.  Porém, o pouco tempo de estrada não os impedem de viver grandes experiências transformadas em melodias e letras de produção sagaz, inteligente e original. 

Essa nova turma que conta com nomes como The Weeknd, A$AP Rocky ou Azealia Banks – citando ainda alguns de seus “irmãos mais velhos” ou “padrinhos”, como Drake, Kanye West e Jay-Z -, utilizam elementos novos e refrescantes, sem perderem a influência e similaridade de músicos consagrados durantes décadas, ou se preferir mestres; entre eles estão Stevie Wonder, Prince, Marvin Gaye e Sam Cooke.