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4 de jan. de 2015

Vale Nada

"Mais grave!
Mais agudo!
Mais eco!
Mais retorno!
Mais tudo!"
(Tim Maia)

Se Tim Maia: Vale o Que Vier era para ser um documentário fiel a Sebastião Rodrigues Maia, uma das maiores vozes da música brasileira, a Globo falhou miseravelmente. Desculpa começar logo pela conclusão, caro leitor, mas o especial dividido em dois capítulos (e exibido nos dois primeiros dias de 2015) pode ser qualquer coisa, mas não consegue fazer jus à epígrafe deste texto, frase registrada do repertório de grandes citações de Tim Maia. 

A ideia até que não era ruim: aproveitar Tim Maia, o filme produzido pela Globo Filmes a partir de Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia, biografia episódica lançada pelo produtor musical Nelson Motta em 2007, para fazer um programa especial para começar bem o ano em que a emissora carioca completa seus 50 anos. Pesa contra, claro, o fato de que o longa-metragem dirigido por Mauro Lima ainda encontra-se em cartaz em um número razoável de cinemas brasileiros. Transformá-lo em minissérie, aproveitando imagens de acervo e colocando depoimentos de amigos e pessoas próximas a Tim Maia, a partir daí, parecia uma solução óbvia.

30 de jun. de 2014

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

A ideia central dessa mixtape nasceu de uma bobagem: a de perceber como, às vezes, as músicas tem os mesmos nomes mas em línguas diferentes (como acontece nas duas primeiras canções dessa mixtape). A partir da junção delas, nasceu a vontade de fazer uma lista cheia de faixas suingadas, de sabor negro (ou quase negro, porque Roberto e Gotye são branquelíssimos). No fim, ela quase ganhou cores politizadas com dois clássicos do rap nacional, "Política" (Athalyba & a Firma) e "1 por Amor, 2 por Dinheiro" (Racionais MCs e Rosana Bronks), mas soava pouco redonda. O alívio chegou aos 45 do segundo tempo, com o chamado de ordem de Science ("Uma cerveja, antes do almoço, é muito bom pra ficar pensando melhor!") e o apelo de Nina Simone. Chega mais: afinal, uma mixtape antes do almoço também pode ser boa pra ficar pensando melhor. 

Pop, Girls, Etc #09 - Prezadíssimos Ouvintes

Thinkin Bout You - Frank Ocean
Pensando em Você - Pearls Negras
Let's Stay Together - Al Green
As Curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos
I Feel Better - Gotye
Tell Me a Tale - Michael Kiwanuka
May This Be Love - Jimi Hendrix
Prezadíssimos Ouvintes - Itamar Assumpção
A Praieira - Chico Science & A Nação Zumbi
Don't Let Me Be Misunderstood - Nina Simone

Para ouvir:
No Mixcloud

Para baixar: 
No Mediafire

Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê
#07 - Menina
#08 - Lenço Enxuto

4 de set. de 2012

À Imagem e Semelhança de Roberto Carlos

Desde o final dos anos 1980, o cineasta americano Cameron Crowe conquistou fãs no mundo inteiro com seus filmes, que têm como força maior a capacidade de emocionar contando uma boa história. Seus roteiros, apesar de um terem finais previsíveis, contém sacadas interessantes em seu miolo, exibindo personagens que carregam consigo algum trauma do passado e que conquistam uma redenção pessoal, bem à moda americana. 

Capaz de retirar grandes atuações de atores nem sempre tão inspirados (como o Tom Cruise de “Jerry Maguire” e o Orlando Bloom de “Elizabethtown”), Crowe também é adorado (e às vezes citado apenas) por saber utilizar como poucos a trilha sonora. Ex-repórter da revista “Rolling Stone”, o diretor é um garimpeiro de canções pop, sendo responsável por algumas das cenas musicadas mais legais do cinema. O coral de “Tiny Dancer” em “Quase Famosos” ou a serenata moderna de John Cusack ao som de “In Your Eyes” em “Digam o Que Quiserem” são dois exemplos disso. 

Em “À Beira do Caminho”, que vem sendo descrito por aí como “aquele filme que tem as músicas do Roberto Carlos”, o diretor Breno Silveira (“2 Filhos de Francisco”) realiza o longa-metragem que Crowe faria se tivesse nascido no Brasil, tivesse rodado um país inteiro na boleia de um caminhão que acompanhava o Rei (e não no ônibus de turnê do Led Zeppelin).

19 de abr. de 2012

As Canções Que Você Não Cantou Pra Mim

Parabéns para o Rei que ele merece! Hoje, 19 de abril, comemora-se o aniversário de 71 anos do cantor Roberto Carlos. Em homenagem a ele (ou não), o Pergunte ao Pop selecionou dez canções que o amigo de fé, irmão camarada de Erasmo Carlos deveria adotar em seu setlist. 

Nove delas são levadas a sério - já a canção que encerra a lista, "Wave", é uma piada: Roberto deveria cantá-la na Bienal do Samba de 1969, mas desistiu de defendê-la no festival organizado pela TV Record para viajar em lua de mel com sua esposa da época, Nice. A história está em "A Era dos Festivais", livro que é obrigatório para todo amante de música brasileiro, escrito por Zuza Homem de Mello. 

"Desolado com as versões dos americanos para as letras de suas músicas, o próprio Tom decidiu escrever uma letra em inglês para 'Onda', intitulando-a 'Wave', e também pediu a seu novo parceiro, Chico Buarque, que já tinha transformado 'Zingaro' em 'Retrato em Branco e Preto', uma letra em português. Chico quebrou a cabeça, tentou várias vezes, mas não conseguia ultrapassar o primeiro verso, "Vou te contar". Após inúmeras cobranças, Tom, desanimado, resolveu escrever ele mesmo os versos de "Onda",que depois enviou para a Bienal. Roberto Carlos era o escalado para defendê-la, mas no dia da primeira eliminatória, 12 de maio, ele desembarcava em Nova York com Nice, sua primeira esposa, em viagem de lua-de-mel, de onde seguiu para Las Vegas, sem tempo de se preparar para defender a música. Não entrou na primeira eliminatória, em que estava escalado, nem na terceira, para a qual foi transferido, e assim ficou fora da Bienal (...)".

Com vocês, a lista (que graças à falta de acervo do Grooveshark, teve de não contar com "Agridoce", do Pato Fu, substituída por "Me Adora", da Pitty". É uma brasa, mora?

PS: "Wave" foi gravada por Roberto junto com Caetano Veloso na homenagem a Tom Jobim, como bem lembrou o amigo André Machado (valeu, Dé!). Mas mesmo assim, permanece aqui pela falta de "espírito oportuno" do rei.

As Canções Que Você Não Cantou Pra Mim by Bruno Cordeiro Capelas on Grooveshark

14 de abr. de 2012

Do Outro Lado da Cidade

À primeira vista, a ideia parecia excelente (e foi): comemorando o aniversário de Roberto Carlos, no próximo dia 19 (aguardem, vai ter coisa por aí), o SESC Belenzinho organizou uma série de shows com cantores da nova geração interpretando as canções do Rei - hoje tem Lafayette e os Tremendões, e no final do mês, Teresa Cristina. Quem abriu a série, porém, foi o último romântico Marcelo Jeneci, em filiação mais que comprovada. Em pouco mais de uma hora, Jeneci emocionou os presentes, e comprovou: pode existir amor em SP, desde que seja dentro de uma canção de Roberto Carlos. 

10 de mar. de 2011

Uma Carta ao Rei

Caro Roberto Carlos,

Escrevo essas mal traçadas linhas como forma de afeição, pois sou admirador da sua música desde criança. E esta carta existe apenas por um simples e único motivo: Roberto, o senhor precisa se modernizar. Há anos seus arranjos são os mesmos, pastiches da genialidade que já se exibiu um dia. São poucos os que te dão o merecido valor. Quem é rei nunca perde a majestade, mas muitas vezes é possível chegar ao ridículo - como o imperador nu da história de Andersen. E o caminho pode ser muito mais fácil que você imagina: um bom começo é ouvir este As 15 Super Quentes que o seu antigo parceiro Lafayette gravou com uma meninada carioca que é uma brasa, mora?