5 de ago. de 2011

Colin Meloy & Seus Covers

Não, o título do post não é o nome de uma nova banda à moda da Jovem Guarda. Colin Meloy, pra quem não sabe, é o vocalista dos The Decemberists, banda responsável por um dos discos mais bonitos - e surpreendentes do ano até agora. Não escrevi ainda sobre ele aqui, e acho que depois desse artigo enorme - mas que vale muito a pena ler - do Marcelo Costa, no Scream & Yell, não tenho muito mais a acrescentar.

Entretanto, qual não é a minha surpresa em descobrir que além de ter um baita trabalho autoral, o cara - seja com os Decemberists, seja solo - ainda tem um bom gosto e uma capacidade muito bacana de fazer covers geniais. No começo do ano, já tinha aparecido uma versão da banda americana para "Cuyahoga", petardo de 1986 do R.E.M.


Além deste, dá pra prestar atenção em uma boa coleção, que vai desde Sam Cooke ("Cupid") e The Band ("The Weight", ao vivo no Festival de Newport) até Morrissey ("Everyday is Like Sunday") e Leonard Cohen ("Hey, That's No Way to Say Goodbye"). Enjoy ;P

2 de ago. de 2011

Ditado

Fazendo um balanço rápido do que houve de bom em 2011 até agora para a música brasileira, é impossível deixar passar batidos dois nomes: Criolo e Rômulo Fróes. Algumas características os unem: ambos são de São Paulo, refletem bastante sobre a cena que os cerca, passaram um tempo razoável como quase anônimos até chamar a atenção da mídia e, por fim, mas não menos importante, utilizam o samba como um dos veículos principais para suas composições. Entretanto, o fazem de maneira diferente: enquanto Criolo - de quem já falei neste espaço antes - se apropria de uma linguagem que é de sua origem, e a soma com outros modos de cantar (como o rap), Rômulo Fróes canta sambas como quem até invadisse essa linguagem. Colocando-se como um estudioso - "Não sou sambista, mas lido com o samba porque afinal sou um compositor de música brasileira e tenho esse direito", disse ele ao Alto-Falante -, o cantor não pode deixar de lado o ritmo dos tambores. Mesmo que deixe o samba mais concreto e mais torto, Fróes o faz de maneira exemplar ao longo das 14 canções que compõe seu mais recente trabalho, Um Labirinto em Cada Pé.

29 de jul. de 2011

Erasmo, Vanguart, CSS

Após um longo inverno - que incluiu o lançamento de um CD/DVD ao vivo pela Universal - finalmente aparecem as primeiras pistas do que será o esperado segundo disco da Vanguart. A banda de Hélio Flanders, que em 2007 trouxe à tona o aclamado auto-intitulado álbum, lançado pela revista OutraCoisa (de Lobão), divulgou nos últimos dias "Depressa". A princípio, ao contrário do que foi anunciado por Flanders por aí em muitas entrevistas, a canção segue bem a linha do trabalho de 2007, com um pouco mais de energia e punch. Esperar pra ver.

Enquanto o Rei entrou num estado de completa letargia musical, seu amigo de fé irmão camarada Erasmo Carlos vem, nos últimos anos, fazendo um trabalho muito bacana - seu último álbum, "Rock'n Roll", de 2009, é um baita disco. Com charme - e o vigor sexual que lhe deu o título de Tremendão - aparece agora "Kamasutra", parceria dele com Arnaldo Antunes que é o primeiro single de seu próximo disco, "Sexo". Entre guitarras e cítaras, Erasmo se diverte dissertando sobre posições, com toda a classe que lhe é possuída.

Já o CSS soltou também essa semana a música de trabalho de seu vindouro álbum. "La Liberación", que é a faixa-título, traz à tona de volta o non-sense que gerou o hype todo em cima do grupo paulistano, ainda no começo da década passada. Em um espanhol digno de Miami - e não de Ciudad del Este - Lovefoxxx berra um hino ao "se joga", feito na medida pra baladas rock. Depois de umas duas ou três escutadas, a música fica na cabeça - e isso é uma melhora em relação a "Donkey" - mas ainda é pouco pra quem fez pedradas como "Off the Hook", "Music is My Hot Hot Sex" e "Superafim".

25 de jul. de 2011

Dois é Pouco


Não é surpresa para ninguém, mas ninguém mesmo - a menos que esse alguém tenha passado os últimos vinte anos em Marte – que a Pixar é um dos grupos mais interessantes do cinema feito hoje em dia. Desde o começo da parceria com a Disney em Toy Story, já se vão mais de quinze anos dedicados à produção de animações que atingem em cheio não só crianças, mas sim o público de todas as idades. Em 2011, a empresa entrega a seus espectadores mais um produto de sua fornada: Carros 2. A sequência da película de 2006 protagonizada pelo bólido Relâmpago McQueen pode não ser o melhor filme do gênero da temporada, mas passa longe de decepcionar.

20 de jul. de 2011

"Maturidade é Só Uma Fase"

Pare um momento e pense, caro leitor: o que você fazia seis anos atrás? Como eram seus pensamentos, com que pessoas você andava, como você se expressava para o mundo? Que tipo de músicas você ouvia? Pensou? Então tá ok. Provavelmente algumas coisas continuam iguais, mas muito em você mudou - especialmente se você era um adolescente em 2006 e hoje já é tido como um adulto. Tendo em vista essa "perspectiva histórica", dá para se entender melhor a cabeça de Alex Turner e seus companheiros do Arctic Monkeys, que acabam de lançar seu quarto petardo, Suck It And See.

14 de jul. de 2011

Bidê ou Balde, Cícero

Bidê ou Balde - Adeus, Segunda-Feira Triste

Senhores, a Bidê ou Balde está de volta. Em Adeus, Segunda-Feira Triste - título inspirado na obra de Kurt Vonnegut -, a banda gaúcha traz à tona com força total a ternura e a cafajestagem que permearam os dois primeiros discos da banda. É o que dá pra sentir na sacana "Madonna", que lista em seu refrão os célebres amantes da cantora americana, ou na fofa "(Não Existe Lugar) Mais Longe Que o Japão". "Me Deixa Desafinar", por sua vez, é mais uma das canções irresistíveis e metalinguísticas que a Bidê faz. Ao final, ainda sobra espaço para a mensagem de "Tudo é Preza": nela, apaixonadamente, Carlinhos Carneiro canta que quer "que as canções modernas sejam sempre cheias das palavras certas". Em tempo: além de tudo isso, a banda ainda tem feitos shows históricos por onde tem passado, levando quem os assiste de volta para 2002, 2003. Imperdível.

Cícero - Canções de Apartamento

Primeiro disco solo de Cícero, vocalista da finada banda carioca Alice, Canções de Apartamento passeia por um universo lírico e delicado, que ficou perdido em algum lugar da vida contemporânea. É um convite a adentrar o mundo solitário de um apartamento de 25m², com direito a certas imperfeições que só um som ambiente pode dar, como ele explica no release que acompanha o álbum. Musicalmente, Cícero trafega entre o folk, o rock e a MPB, lembrando ao msmo tempo Caetano Veloso - citado na idílica "Vagalumes Cegos" ("vamos ver um filme/ter dois filhos/Ir ao parque/discutir Caetano/planejar bobagens") - Wilco, Beirut e o Los Hermanos dos últimos discos. As letras do disco acompanham a tônica das melodias, versando sobre relacionamentos ("Açúcar ou Adoçante?"), solidão ("João e o Pé de Feijão") e planos para o futuro. Vale a pena ainda prestar atenção nas referências a Tom Jobim ("Pelo Interfone") e Braguinha ("Laiá laiá").

9 de jul. de 2011

O Clube dos Corações Surdos

Entre os diversos jeitos de se classificar uma banda, um dos mais peculiares é o da vergonha. É o que diferencia grupos que tem e que não tem vergonha de fazer canções com apelo pop - como se, em algum momento perdido da história da música pop, alguém tivesse decretado que fazer bonitos e fáceis refrões fosse um pecado capital. A Harmada, nova empreitada de Manoel Magalhães, um dos melhores letristas da geração anos 00, pertence claramente ao time das desavergonhadas. Música Vulgar para Corações Surdos, trabalho de estreia da banda - que além de Manoel nos vocais e guitarras, conta com Brynner Mota na guitarra solo, Juliana Goulart na bateria e Filipi Cavalcanti no baixo - está repleto de belas músicas sobre amor, situadas em algum lugar entre a distorção do rock dos anos 90 e o charme de bandas como Travis e Coldplay.

3 de jul. de 2011

Não Fosse o Bom Humor

Escrevi esse texto para o Muzplay, do parceiro Adriano Moralis, e o publico aqui agora por uma triste notícia: sim, a Superguidis acabou. Pra quem é fã da banda, resta um alento: eles divulgaram hoje um canto do cisne, o EP EPílogo, com versões demo e ao vivo de músicas que poderiam compor o quarto disco dos gaúchos. A quem interessar possa, aqui:

Depois de cerca de seis meses longe dos palcos paulistanos, a Superguidis voltou à cidade em uma única apresentação no Itaú Cultural, no último sábado, dia 18. Ao divulgar seu mais recente álbum, Superguidis, de 2010 – ou, como é mais conhecido pelos fãs, "Triângulos" -, os gaúchos deixaram claro para os ali presentes que são capazes de fazer um dos shows mais intensos do cenário independente nacional. Se, em estúdio a banda aponta para um caminho mais maduro, mas sem perder a inocência e o frescor de outrora, ao vivo essa sensação é ampliada.

14 de jun. de 2011

Lady Gaga, Fleet Foxes

Antes de tudo: poucos textos por aqui, eu sei - é final de semestre e tudo fica mais difícil, e ainda tem as colaborações com o Scream & Yell. Se você não sabe do que eu estou falando, veja aqui meu texto sobre o Cultura Inglesa Festival, que teve shows de Cachorro Grande, Miles Kane e Gang of Four. É isso. Procuraremos voltar com a carga normal de textos em breve.


Lady Gaga - Born This Way

Em um disco marcado pelo hedonismo e pela ausência de novidades musicais, Lady Gaga prova que, em sua persona artística, o que cada vez menos importa é a música. Em sua maioria, as canções exibem aquilo que todo mundo já previa que pudesse acontecer: letras fáceis e fúteis, sem o mesmo apelo do disco anterior, mas apelativas até à medula. A sonoridade muito eletrônica e artificial que permeia Born This Way - o álbum - chega até a irritar. Como consolo, resta a faixa título, um bom single, que guarda em sua essência as características de uma boa canção pra pista - mas que, ao contrário do que pensou Elton John, não chega nem aos pés de virar um hino como "I Will Survive" ou outros petardos do gênero. Cabe só esperar o que é que Gaga aprontará em seus clipes e shows - e reduzir o volume a zero.

Fleet Foxes - Helplessness Blues

Helplessness Blues, segundo trabalho dos americanos do Fleet Foxes, vai um pouco além do auto-intitulado primeiro trabalho do grupo. Se em Fleet Foxes o modelo era quase que estritamente "folk medieval", aqui eles se aproximam da música urbana de Simon & Garfunkel - especialmente no que diz respeito a arranjos vocais - , da aura de Elliott Smith e do tom mais místico de Nick Drake, mas sem deixar o passado de lado. Vale a pena prestar atenção na faixa-título, em "Sim Sala Bim", e na grande viagem de "The Shrine/An Argument".

5 de jun. de 2011

Cara ou Coroa?

No último mês que passou, a Apanhador Só, banda de Porto Alegre que lançou um dos álbuns mais interessantes do ano passado, fez uma série de apresentações na cidade de São Paulo. Divulgando seu mais recente trabalho, o disco Acústico-Sucateiro, de 2011, o conjunto gaúcho se alternou entre exibições desplugadas - com direito a utilização percussiva de instrumentos como roda de bicicleta, molho de chaves e ralador de queijo - e shows elétricos, com sua formação "convencional" - ou seja, baixo, bateria e guitarras, pilotados respectivamente por Fernão Agra, Martin Esteves, Felipe Zancanaro e Alexandre Kumpinski (que também canta). Tal dinâmica permite ao grupo mostrar duas facetas de seu trabalho, como se, ao definir qual é o formato deles, seus shows se transformassem em uma partida de cara-ou-coroa.