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24 de jan. de 2015

Luz, Câmera, São Paulo!

SP é uma Festa, previsto para o segundo semestre de 2015
Tida como uma cidade feia e cinza, São Paulo aparece pouco no cinema (ou menos do que deveria, na minha humilde opinião). Mas, aos poucos, isso está mudando. Nessa matéria para o SaraivaConteúdo, falei sobre "SP é uma Festa" e "Que Horas Ela Volta?", dois filmes que têm a cidade como cenário e devem chegar aos cinemas em 2015. 

Também tem um toque de "Não Por Acaso", de "São Paulo S/A" e dos filmes de Fernando Meirelles. (Inclui uma boa conversa com a Vera Egito, que pretendo reproduzir aqui posteriormente, e frases bacanas de Anna Muylaert e Philippe Barcinski). E aí: luz, câmera, São Paulo? 

25 de jul. de 2014

Plutão & Outros Planetas

Um espectador um pouco mais atento sobre a produção do cinema brasileiro recente conseguirá perceber que — para além das comédias tolas da Globo Filmes, das películas de cunho religioso ou de thrillers de ação retirados da realidade policial dos morros, presídios e favelas tupiniquins — uma pequena, mas significativa safra de filmes adolescentes vêm aos poucos se estabelecendo no País. Trata-se de um grupo que, após a chamada Retomada do cinema nacional, começou a dar suas caras com os primeiros longas-metragem do diretor gaúcho Jorge Furtado (os inocentes e já clássicos Houve Uma Vez Dois Verões, de 2002, e Meu Tio Matou Um Cara, de 2004) e teve em Laís Bodansky um bom momento (As Melhores Coisas do Mundo, de 2010). Às vezes, esse grupo derrapa, por exemplo, ao se aproximar da linguagem de Malhação (os ‘globais’ Desenrola, um American Pie às avessas e sem escracho lançado em 2012, e Confissões de Adolescente, verdadeiro caleidoscópio bubblegum que deixou nostálgicos telespectadores na mão no começo desse ano), mas encontra seu caminho ao apostar em um jeito simples de contar histórias (o singelo Antes Que o Mundo Acabe, também de 2010). Agora, a “seleção de novos” acaba de ganhar um representante de primeira linha: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, do diretor paulista Daniel Ribeiro.

13 de jan. de 2014

Confissões & Assassinos

Fazemos uma pequena pausa nas listas de Melhores de 2013 (a de discos nacionais chega logo menos, preste atenção) para divulgar dois textos bacaninhas que este escritor publicou em outras páginas nos últimos dias. Vamos lá: 

Exibida originalmente em 1994 pela TV Cultura, a série Confissões de Adolescente marcou época nos anos 1990 ao contar, em formato de crônica, a história de uma família da zona sul carioca formada por um pai viúvo e quatro irmãs na terrível idade da adolescência, além de ter marcado as primeiras aparições televisivas de Deborah Secco e Leandra Leal. Baseada em uma peça original da atriz Maria Mariana (filha do diretor Domingos de Oliveira), que na TV fazia a mais velha das garotas, a série ganha adaptação cinematográfica no começo deste 2014 pelas mãos da GloboFilmes, do diretor Daniel Filho (que participou da série há vinte anos) e do roteirista Matheus Souza (Apenas O Fim). 




Um game que vira livro que vira história em quadrinhos e vai virar filme. Poderia ser um verso de Drummond sobre a indústria do entretenimento, mas é apenas o caminho do sucesso de uma das maiores franquias do mundo dos videogames nos dias de hoje: Assassin’s Creed. Criada em 2007, a saga é um fenômeno de vendas: são 60 milhões de jogos divididos em dez episódios, 200 mil exemplares de histórias em quadrinhos e 2,7 milhões de livros – com 1,4 milhões de exemplares vendidos apenas no Brasil, onde o livro é publicado pela editora Record. 

24 de nov. de 2012

Pais e Filhos

Nos últimos dez anos, as telas dos cinemas alternativos do Brasil (aqueles lugares onde a pipoca quase nunca é comprada e todo mundo fala em filmes de arte) têm sido ocupadas por uma enxurrada de documentários musicais. São longas-metragens que abordam carreiras esquecidas (Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei, Loki), surgimentos de cenas musicais (Botinada) e examinam trajetórias longevas (Meu Tempo É Hoje, Coração Vagabundo), dando água na boca em fãs famintos por saber mais sobre a carreira de seus ídolos, as condições em que eles chegaram à produção de hits certeiros ou como suas carreiras foram destruídas pelas drogas e pelo álcool. 

Rock Brasília - Era de Ouro, lançado em 2011 pelo cineasta Vladimir Carvalho, bem que poderia se encaixar facilmente nessa definição das últimas linhas. Afinal, o filme examina com precisão o surgimento, o sucesso e o declínio das três grandes bandas de rock da capital federal na década de 1980: a Legião Urbana, a Plebe Rude e o Capital Inicial. Mas Rock Brasília é mais do que isso: trata-se de um filme sobre a capital federal, e, mais especificamente, sobre seus primeiros filhos. 

4 de set. de 2012

À Imagem e Semelhança de Roberto Carlos

Desde o final dos anos 1980, o cineasta americano Cameron Crowe conquistou fãs no mundo inteiro com seus filmes, que têm como força maior a capacidade de emocionar contando uma boa história. Seus roteiros, apesar de um terem finais previsíveis, contém sacadas interessantes em seu miolo, exibindo personagens que carregam consigo algum trauma do passado e que conquistam uma redenção pessoal, bem à moda americana. 

Capaz de retirar grandes atuações de atores nem sempre tão inspirados (como o Tom Cruise de “Jerry Maguire” e o Orlando Bloom de “Elizabethtown”), Crowe também é adorado (e às vezes citado apenas) por saber utilizar como poucos a trilha sonora. Ex-repórter da revista “Rolling Stone”, o diretor é um garimpeiro de canções pop, sendo responsável por algumas das cenas musicadas mais legais do cinema. O coral de “Tiny Dancer” em “Quase Famosos” ou a serenata moderna de John Cusack ao som de “In Your Eyes” em “Digam o Que Quiserem” são dois exemplos disso. 

Em “À Beira do Caminho”, que vem sendo descrito por aí como “aquele filme que tem as músicas do Roberto Carlos”, o diretor Breno Silveira (“2 Filhos de Francisco”) realiza o longa-metragem que Crowe faria se tivesse nascido no Brasil, tivesse rodado um país inteiro na boleia de um caminhão que acompanhava o Rei (e não no ônibus de turnê do Led Zeppelin).