19 de jul. de 2012

Marina Wisnik, Transmissor


Marina Wisnik - Na Rua Agora - 2012

Álbum de estreia de Marina Wisnik, Na Rua Agora aparece já cercado de dois nomes importantes. O primeiro é o do pai de Marina, José Miguel Wisnik, escritor, músico e pesquisador da canção brasileira. O outro é o de Marcelo Jeneci, que assina a produção junto a Yuri Kalil, do Cidadão Instigado. Em sua extensão, Na Rua Agora funciona bem como uma colcha de retalhos, sendo construída a partir de pequenos relatos que poderiam estar num diário (ou em uma timeline discreta no Facebook). A faixa título, “Deitada em Si”, e “Primeiro Céu” contam pedaços do cotidiano de um eu-lírico urbano-sentimental. Falando dessa maneira, parece algo supersofisticado, mas não é nada que não tenha sido visto antes. Nos últimos anos, Tiê, Tulipa e Thiago Pethit fizeram trabalhos parecidos com este – por sinal, Pethit dueta com Marina em “Dezesseis”. Na Rua Agora não é um disco incrível, mas suas canções podem aquecer vários corações nesse inverno que se anuncia.

Download em A Musicoteca 
Nota: 6,5

Transmissor - Nacional - 2011

Em seu primeiro álbum, Sociedade do Crivo Mútuo, os mineiros da Transmissor já mostravam boa mão para canções pop (faça o teste com “1º de Agosto” e perceba que ela ficará na sua cabeça por vários dias), mas soavam um pouco cansativos ao longo do disco. Felizmente, Nacional, mais recente trabalho da banda, não sofre do mesmo problema, recuperando o Clube da Esquina pela estrada do rock. Mais próximo de Lô do que de Milton, Nacional soa como a continuação de uma veia que o Skank poderia ter seguido com “Dois Rios”, mas deixou de lado não se sabe bem por que. Vale prestar atenção em versos apaixonados como “fiquei molhado pela chuva do teu não” (“Dessa Vez”, belo encontro entre McCartney e Flávio Venturini) e na beleza do refrão de “Bonina”. Aproveite ainda para assobiar e trazer o sol para o seu lado da rua com a bonita “Só Se For Domingo”, a candura de “Dois Dias” e a versão esperta feita para “Nada Será Como Antes”, de Milton e Ronaldo Bastos. Você não vai se arrepender.

Nota: 8,5





(publicado originalmente no Scream & Yell)

17 de jul. de 2012

Vidinha de Merda


Rita Lee está de volta. E talvez isso não seja uma coisa exatamente boa. Reza, seu 21º álbum de estúdio, chega nove anos após seu antecessor, Balacobaco, que emplacou nas rádios a chatíssima "Amor e Sexo", parceria da cantora com Arnaldo Jabor. Mais uma vez acompanhada pelo maridão coxinha Roberto de Carvalho, Rita comete um disco tétrico, longe da lucidez que exibiu em janeiro, num palco de Aracaju, ao ser detida pela polícia local por desacato à autoridade. 

12 de jul. de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: General Prime Burguer

Na boa companhia de Marcelo Costa, Tiago Agostini e Marco Tomazzoni, este que vos escreve foi ao General Prime Burger, na zona sul de São Paulo, para mais um capítulo da saga do Melhor Hambúrguer da Cidade. 

Localizado na rua Joaquim Floriano, 541, no Itaim Bibi (leia-se: perto do trabalho), o General Prime Burger sempre me intrigou pelo nome pomposo. De saída, eu e o vegetariano Tomazzoni pedimos uma porção de batatas fritas simples, que não merecem grande destaque mas também não fazem feio. Com a chegada do Mac e do Agostini, mais uma porção de batatas, dessa vez em formato waffle. Crocantes e sequinhas, o shape diferenciado do salgado deu a ele todo um sabor especial, sendo o ponto alto do dia, com a boa maionese da casa e catchup Heinz. Junto com as batatas, tomei uma Soda - sim, o GPB não trabalha com Coca Cola. 

Na sequência, ainda com bastante fome, mandei ver num Gran Burguer BBQ, de R$ 28,00. Bastante recheado, o lanche vem com finas fatias de bacon (YES!), cheddar, picles, rodelas de cebola roxa e molho barbecue. Não é um lanche ruim, mas dois problemas saltam logo de cara. Um é a sobreposição de sabores, com cada ingrediente sobressaindo-se mais ao outro, sem um bom balanço da coisa. O outro é o fato do lanche estar bem molhado (graças aos molhos e a carne deliciosamente sangrenta), o que tornava bem difícil a tarefa de segurá-lo devidamente com as mãos sem se sujar. No fim das contas, ficou a vontade de voltar à rede, mas escolhendo outro lanche. Fica pruma próxima vez.

Nota (de 0 a 5): 2 fatias de bacon

Ranking MHC Pergunte ao Pop (work in progress): 
1 - Barbecue Burger, America (2,5)
2 - Gran Burger BBQ, General Prime Burger (2)

11 de jul. de 2012

(Per)Versão: Milton Nascimento

A segunda edição da coluna (Per)Versão aponta sua bússola para Minas Gerais, conferindo as versões feitas por e para canções de Milton Nascimento. Primeiro, a versão equivocada dos Selvagens à Procura de Lei para "Travessia".


26 de jun. de 2012

Gilberto Passos Gil Moreira

Um dos maiores nomes da canção brasileira - e talvez pouco compreendido em boa parte de sua jornada musico-político-social-espiritual, Gilberto Gil faz aniversário neste dia 26 de junho. Em homenagem a ele, o Pergunte ao Pop selecionou dez favoritas da casa - algumas bastante conhecidas, outras nem tanto - em uma mixtape para não sobrar pedra sobre pedra. E, pela primeira vez, por uma questão de ordem, além do player tosco do Grooveshark, disponibilizamos aqui o download da seleção, a pedidos dos amigos :)

Gilberto Passos Gil Moreira by Bruno Capelas on Grooveshark

Gilberto Passos Gil Moreira (via Mediafire)

Domingo no Parque (c/Os Mutantes) - 1968
Aquele Abraço - 1969
A Luta Contra a Lata (ou a Falência do Café) (c/Os Mutantes) - 1968
Chuckberry Fields Forever (c/Doces Bárbaros) - 1974/1976
Questão de Ordem (c/Os Beat Boys) - 1968
Geléia Geral - 1968
Expresso 2222 - 1972
Oriente - 1972
Essa é Pra Tocar no Rádio (c/Jorge Ben) - 1975
Luzia Luluza - 1968

15 de jun. de 2012

Rapidinha: Os Pontos Negros


Os Pontos Negros - Soba Lobi - 2012

Em seu terceiro disco, os portugueses dos Pontos Negros voltam com mais peso nas guitarras e um pouco mais de raiva nas letras, depois de “Pequeno Almoço Continental”, de 2010, por cujos refrões Julian Casablancas daria um braço. Com uma formação que conta com duas guitarras, bateria e teclados, a banda tem nome inspirado nos White Stripes, mas nega a inspiração em uma das melhores músicas de 2012, “Senna”, cuja letra proclama: “Esse mundo quer ser Schumacher/Eu prefiro ser Ayrton Senna”. Ao longo do álbum, eles ainda cutucam a louvação da melancolia (“Eu + Eu = Ninguém”), chamam Dom Sebastião de “mandrião”, espelhando o momento político de Portugal (“Prolongamos o Sonho”) e contam a trágica história de uma garota que vestia uma t-shirt dos Ramones (“Gabriela”). No final, porém, eles avisam que “depois da queda vem a ascensão”. Para além do sotaque, “Soba Lobi” mostra que devíamos prestar mais atenção ao rock feito do outro lado do Atlântico.



12 de jun. de 2012

Rob Fleming no Dia dos Namorados

Como bom leitor de Alta Fidelidade que sou, não é segredo para ninguém que gasto boa parte do meu tempo pensando em listas aleatórias de combinações de canções favoritas - uma mania que creio compartilhar com muitos dos que leem este endereço. 

Sabendo desse meu peculiar interesse, o grande Vinícius Battistini me desafiou quando nós dois saíamos do bonito show do Ian McCulloch em maio, no que eu considerei a tarefa última de um Rob Fleming: escolher dez canções que você cantaria para demonstrar o seu amor a uma pessoa amada. A tarefa parecia fácil, mas ele me deu três condições importantes: as músicas dessa seleção não poderiam falar de saudade, nem de um sentimento de abandono ("de corno"), e só uma delas poderia ser brega. Além disso, uma condição limita a lista: apenas três canções dos Beatles (e de seus membros em carreira solo) poderiam ser usadas ao longo da jornada. 

Na hora, pensei em uma lista qualquer, para não negar fogo, mas aquilo foi me deixando intrigado, e não consegui chegar a uma solução definitiva. O que mostro para vocês agora, como minha comemoração particular do Dia dos Namorados, é a lista que eu cantaria hoje, se por acaso eu tivesse alguém para cantar essas canções. (Vale dizer: fica muito mais difícil elaborar uma lista dessas sem ter um rosto definido. Qualquer música com nome de mulher cairia fora, por exemplo. Ou não, como diria Walter Franco). Espero que vocês gostem, e deixo o desafio para saber a lista de vocês.

Rob Fleming no Dia dos Namorados by Bruno Capelas on Grooveshark

PS: Uma única ressalva. Por culpa da (falta de) acervo do Grooveshark, a versão referida de "Don't Let Me Down" é a dos Stereophonics. Por favor, pensem na voz do Lennon quando canta aquele refrão, ok? 

10 de jun. de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: America

Começo aqui outra sessão do Pergunte ao Pop: Melhor Hambúrguer da Cidade é a incessante busca deste que vos escreve em poucas linhas pelo lanche mais saboroso, apetitoso (e barato) da cidade de São Paulo (e arredores. São Caetano é um bairro não reconhecido de SP). O primeiro lanche avaliado é o Barbecue Burger, do America. Bom apetite!

Pra começar bem a sessão, resolvi ir com meus pais ao novo America do Park Shopping São Caetano. Nunca tinha ido a um restaurante da rede em São Paulo, e financiado pelos pais a coisa fica um pouco mais fácil. Depois de uns bons minutos observando o cardápio (que não cabe no bolso, vale dizer), escolhi o lanche que vocês veem aqui ao lado, o Barbecue Burger: 150g de hambúrguer (ao ponto), mais queijo prato derretido, cebola grelhada, molho barbecue e bacon, por R$ 20,70. 

Depois de alguns (longos) minutos de espera, os primeiros bocados valem bem a pena: o gosto vindo da grelha pega bem na carne, o queijo é derretido na medida certa e o bacon (bem tostadinho) e a cebola trazem uma boa crocância pro lanche como um todo. A pesar contra, a falta de sal no sanduba (ainda que bem resolvida com catchup Heinz) e uma sensação de "estou pagando mais que deveria" me incomodaram durante a refeição toda, que foi arrematada com a Coca-Cola que se vê ali ao lado. No saldo geral, vale mais pela experiência (leia-se: ok, comi um lanche do America) do que exatamente pelo lanche em si - um x-bacon de uma boa padaria faz boa competição com esse aqui, viu? 

Nota (de 0 a 5): 2,5 fatias de bacon

Ranking MHC Pergunte ao Pop (a ser atualizado): 
1 - Barbecue Burger, America

8 de jun. de 2012

Dia dos Namorados (ou dos Solteiros)

Três tabelinhas rápidas antecipando o dia dos namorados (porque o Pergunte ao Pop, apesar de solteiro, gosta de datas comemorativas, como vocês bem sabem). As duas primeiras são para quem, na verdade, está solteiro e não quer passar o dia dos namorados vendo comédias românticas e tomando sorvete debaixo das cobertas com as amigas. 


Falo pouco do que eu faço no trabalho aqui (em breve, vou linkar algumas entrevistas bem bacanas que eu fiz por lá), mas começo falando desse texto. Na semana passada, entrevistei um dating coach para coletar algumas dicas de como conseguir alguém até a véspera do dia de Santo Antonio. Dating coach? Sabe "Hitch", aquele filme que passa toda hora na Globo com o Will Smith? Então... um conselheiro amoroso. Confira comigo (no replay) doze dicas que podem salvar o seu coraçãozinho até terça-feira. 



Pelo visto, não fui só eu que inventei essa de "dar dicas". Em seu último vídeo, com direito a citação de David Bowie, o boneco Marcelinho gasta alguns bons minutos explicando para seus espectadores como se dar bem até semana que vem. Arrumar o cabelinho, é claro, é uma das sugestões do boneco mais amado da cidade. 






Já a terceira sugestão dessa sexta-feira modorrenta é o novo blog do Jorge Wagner, amigo paracambiense (chamar de carioca é sacanagem), fã de HEALTH e colaborador do Scream & Yell. Dessa vez, ele investe no universo da análise pop do amor, ao melhor estilo hornby-hollywood-bottoniano de ser. Perdoem o trocadilho infame do título (um beijo pra você, Clarice) e sigam em frente, porque vale a pena - não é todo dia que se vê um blog misturando Wilco e Raça Negra logo em suas primeiras linhas. We hope you enjoy the show. 

7 de jun. de 2012

Tributo à Legião Urbana


Uma semana depois do show, você pode conferir no Scream & Yell o meu relato-reflexão sobre o tributo à Legião Urbana orquestrado pela MTV, com Wagner Moura nos vocais. Tá grande, mas juro que vale a pena ler, viu?

“Quem irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”, cantou Renato Russo em 1986, na música “Eduardo e Mônica”, um dos maiores sucessos de sua banda, a Legião Urbana. Vinte e seis anos depois, essa frase, que serve como moldura para uma das histórias de amor mais conhecidas do Brasil, funciona como uma luva para explicar o que foi o tributo à banda de Brasília feito pelo ator Wagner Moura e pelos dois legionários remanescentes, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá. Em ideia orquestrada mercadologicamente pela MTV, os três, com a ajuda de convidados especiais, realizaram dois shows no Espaço das Américas, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de maio de 2012. E o que se viu no espaço de eventos da Barra Funda, que conta com um dos piores sistemas de som da cidade, foi uma disputa entre a razão e o coração...  (continua lá)