16 de ago. de 2012

O Deus da Carnificina, de Roman Polanski

Em sua Poética, o filósofo Aristóteles procura definir, de alguma maneira, os modos de histórias que poderiam ser contadas pelo teatro. Se, por um lado, a tragédia é definida como uma história que mostra o homem de maneira idealizada; pelo outro, a comédia é uma narrativa que exibe os seres humanos de maneira caricaturizada, no que eles têm (normalmente) de pior.

Ainda que Hollywood tenha contribuído muito para alterar essa definição (comédia é para rir!), alguns filmes podem ser classificados da maneira aristotélica sem precisar de muitas concessões. É o caso, por exemplo, do mais recente trabalho do diretor Roman Polanski, O Deus da Carnificina, capaz de oferecer a seus espectadores dores no estômago e lágrimas nos olhos sem deixar os neurônios de lado.

Ácido até a última gota, O Deus da Carnificina parte de uma premissa simples. Em um parque do Brooklyn, dois garotos de 11 anos, Zachary Cowan e Ethan Longstreet, discutem entre si, para tentar resolver um problema que não é mostrado pela tela. O problema entre os dois não se resolve, e Zachary acaba atingindo o rosto de Ethan com um bastão de madeira. Na cena seguinte, veem-se os pais dos dois pré-adolescentes juntos em um apartamento para conversar e tentar chegar a um acordo que seus filhos não foram capazes de fazer. 

14 de ago. de 2012

Entrevista S&Y: Mauro Motoki, do Ludov


No fim de junho, em meio a entregas de trabalhos finais e preparativos para as férias, entrevistei o Mauro Motoki, guitarrista do Ludov, durante duas horas em um café bacana nos Jardins, em São Paulo. Conversamos sobre os dez anos da banda, onde Mauro toca junto com o Habacuque Lima, o Paulo Chapolin e a Vanessa Krongold, seu trabalho como produtor no estúdio 12 Dólares e o disco solo que ele lançou no ano passado - e passou batido por muita gente, inclusive por este que vos escreve -, "Bom Retiro". 

Fiquei bastante feliz com o resultado - deu para falar do Maybees, da influência dos Los Hermanos sobre a geração do Ludov, do "não-sucesso" que o Ludov teve lá para 2005, 2006 e de outras coisas bem legais. Está a fim de ler? Respira fundo (juro, vale a pena) e confere lá no Scream & Yell.  

foto por Michelle Sanches

12 de ago. de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Rock & Burger (Galeria do Rock)

A Galeria do Rock sempre foi um dos meus locais preferidos de São Paulo - para comprar CDs e camisetas, ou simplesmente passar uma tarde conversando com os amigos e falando bobagem. Mas me parecia bastante improvável que eu pudesse ir até à Rua 24 de Maio só para comer um bom hambúrguer. Isso até ontem, quando, acompanhando o Marcelo Costa no seu roteiro pelo centro de São Paulo, demos uma parada na lanchonete da Galeria para provar o - segundo o Mac - recomendado lanche de lá.

Chamado de Rock & Burger (em um dos nomes mais originais da história desde, sei lá, chamar o primeiro disco de uma banda com o nome dessa banda), o local é um box pequeno e apertado. Comemos de pé no balcão, esperando enquanto a selemano tinha seu dia de México, "perdendo como sempre". O Mac foi de X-Bacon Salada, enquanto ataquei um X-Bacon Maionese (R$12,00), acompanhado de uma Coca.

 Existem dois tipos de hambúruger: os punks (que resolvem tudo o que precisam com três ou quatro ingredientes e duração curta, mas podem pecar pela tosquice exagerada) e os progressivos (megalomaníacos, cheios de coisa e de tamanho exagerado, mas que de vez em nunca funcionam). Indo por esse tipo de classificação bisonha, o lanche da Galeria não faria nada feio ao lado de Joe Strummer ou Johnny Rotten.

O pão e a carne são bastante regulares (o que é uma pena), mas o mesmo não se pode dizer da maionese. Bem temperada, e com bastante salsinha, lembrou bastante a maionese de uma dos melhores lugares de SP, o Hamburguinho, no Itaim, que deve pintar por aqui em breve.

Mas o London Calling do X-Bacon Maionese da Galeria é o bacon: no ponto certo entre o frito e o tostado, cortado em fatias, como num café da manhã americano, ele é quem se sobressai no resultado final, sendo o ponto alto do sanduíche. Pelo custo benefício, e pela improbabilidade da ideia, o Rock & Burger assume o topo das paradas de sucesso do Melhor Hambúrguer da Cidade.

Nota: 3,5 fatias de bacon

Ranking MHC Pergunte ao Pop (work in progress):

1 - X-Bacon Maionese, Rock & Burger - Galeria do Rock (3,5)

9 de ago. de 2012

channel ORANGE

Colaboração da querida Andressa Monteiro para o Pergunte ao Pop sobre um dos melhores discos do ano. 

O cantor e compositor Frank Ocean, de 24 anos, faz parte de um time de artistas que estão caracterizando e moldando a nova cara do hip-hop. O alvoroço é tanto que alguns já classificam o gênero musical como o “novo rock”.  Porém, o pouco tempo de estrada não os impedem de viver grandes experiências transformadas em melodias e letras de produção sagaz, inteligente e original. 

Essa nova turma que conta com nomes como The Weeknd, A$AP Rocky ou Azealia Banks – citando ainda alguns de seus “irmãos mais velhos” ou “padrinhos”, como Drake, Kanye West e Jay-Z -, utilizam elementos novos e refrescantes, sem perderem a influência e similaridade de músicos consagrados durantes décadas, ou se preferir mestres; entre eles estão Stevie Wonder, Prince, Marvin Gaye e Sam Cooke. 

7 de ago. de 2012

70 anos de Caetano: Transa

Exilado em Londres em 1972, Caetano Veloso fez um disco ímpar na sua discografia e na música brasileira: Transa. Marcado pelo tema da saudade e do estranhamento em terras distantes, o cantor faz diversas pontes entre o lá e o cá, entre o clássico e o popular, entre as duas línguas em que se dividia sua vida naquele momento. Além disso, trata-se de uma obra onde as pesquisas musicais do tropicalismo atingiram talvez seu melhor resultado.

No disco anterior, Caetano Veloso, do ano anterior, alguns desses temas já apareciam, especialmente na pungente versão de "Asa Branca" e na clássica "London London" (depois regravada com sucesso, entretanto destacada de seu contexto original, pelo RPM em seu multiplatinado "Rádio Pirata ao Vivo"). Entretanto, o que era apenas implícito no disco antecedente, aqui fica totalmente à mostra.

3 de ago. de 2012

Golaço do Pato Fu em SP


Escrevi sobre a série de shows que o Pato Fu está fazendo no SESC Belenzinho, tocando o repertório do disco Gol de Quem?. Saiu lá no Scream&Yell - para quem quiser, os shows ainda rolam hoje e amanhã, e vale a pena ir até a zona leste para tentar arranjar um ingresso de última hora. Para quem não reparou, esta apresentação ocupa o primeiro lugar nos shows nacionais de 2012. O negócio é sério. 

"Comemorando 20 anos de idade, o Pato Fu tocou numa noite de sábado de julho (28) no SESC Belenzinho um repertório especial. No lugar dos sucessos e trabalhos recentes, os mineiros recuperaram o álbum “Gol de Quem?” (e outros deliciosos lados-B), dentro do projeto ‘Álbum’ da casa paulistana. (Em outras ocasiões, a iniciativa do SESC fez os Titãs lembrarem “Cabeça Dinossauro”; e os Paralamas do Sucesso, “Selvagem?”). Se a princípio a escolha pode parecer estranha – o disco, lançado em 1995, não é lá exatamente fácil para ouvintes incautos e gente que conhece o Pato Fu pelas músicas que tocaram nas novelas – ela fez todo o sentido assim que o grupo subiu ao palco para tocar, na sequência original, as catorze faixas do álbum que, graças a um grande single, tornou a banda conhecida em todo o país..."

Continua lá no S&Y!

31 de jul. de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: The Fifties


Mais uma vez na companhia do  amigo (vegetariano) Marco Tomazzoni, nos despedindo da região do Itaim, de onde nossa redação saiu na semana passada rumo à terra distante e gélida da Berrini, fomos à filial do The Fifties na rua Tabapuã. Eu já tinha comido outras vezes no Fifties, antes de criar a coluna, e nunca tinha me deixado impressionar muito pela casa, para a falar a verdade. Apesar da ambientação bacana, e do bom serviço, meu gosto provinciano sulsancaetanense achou tudo muito caro. Mas as coisas mudaram um pouco. 

De saída, pedimos batatas fritas, acompanhada apenas por uma boa maionese, mas que poderia ser mais bem temperada. Agrada nas batatas perceber sua irregularidade - o que mostra que elas não foram simplesmente tiradas de um pacote congelado e arremessadas em óleo quente. Outro ponto alto da casa: a Coca-Cola é de garrafa de vidro, como convém à uma casa que 

No que diz respeito aos lanches, um aviso importante: eles tem alguns lanches “prontos”, mas na maior parte das vezes, acaba valendo mais a pena montar o seu sanduíche com os ingredientes que você mais gosta. Para manter o padrão da coluna, fui de X-Bacon Maionese (R$21). Não podia dar errado, assim como aquela garota que curtiu todos os seus filmes e livros favoritos no Facebook, né?

Mas a bem da verdade, o resultado poderia ser melhor - sei lá, a voz da garota não combina com a personalidade dela, ou ela tem um tique estranho... Digo: os ingredientes todos são bons, (dá para perceber a carne de primeira no hamburguer de 120g, e bacon é sempre bacon), mas falta integração entre os componentes do sanduíche. Além disso, boas doses de sal tiveram de ser acrescentadas ao lanche, o que sempre conta negativamente para este glutão.  

No saldo geral, o Fifties é um lugar legal, mas não passa muito disso, como um bom primeiro encontro que acaba não dando em nada. Mas, para quem anda em tempos de seca, o The Fifties faz o suficiente para garantir o primeiro lugar do Melhor Hambúrguer da Cidade. Só por enquanto... 

Nota: 3 fatias de bacon

Ranking MHC Pergunte ao Pop (work in progress):

1 - X-Bacon Maionese, The Fifties (3)
2 - Barbecue Burger, America(2,5)
2 - Maracanã Burguer, Cervejaria Nacional (2,5)
4 - Gran Burger BBQ, General Prime Burger (2)

29 de jul. de 2012

(Per)Versão: Neil Young

A sessão (Per)Versão de hoje conta com um dos artistas favoritos da casa: Neil Percival Young.



A primeira é um dos melhores covers já feitos: "Winterlong", com os Pixies.

25 de jul. de 2012

Catadão de Entrevistas

Falei pouco do meu trabalho por aqui até hoje. Depois de um tempo falando de ciência e pesquisas acadêmicas na Agência USP de Notícias, comecei a trabalhar no iG Jovem em março - e tô lá desde então, dividindo minha atenção entre esportes radicais, Justin Bieber e pautas de comportamento como "como é o beijo ideal para eles e para elas".

De vez em quando, rolam umas entrevistas de música bem legais - aproveito o buraco de textos novos (várias ideias saindo do forno) para fazer um selecionado de algumas das minhas entrevistas favoritas com cantores e bandas brasileiros nos últimos tempos. (Se alguém tiver alguma sugestão bacana de entrevista, sinta-se à vontade) Espero que vocês gostem.







22 de jul. de 2012

Melhor Hambúrguer da Cidade: Cervejaria Nacional


Depois de chamados insistentes da querida Victória Girino, finalmente cedi e fui à Cervejaria Nacional, que fica na Av. Pedroso de Moraes, perto do cruzamento com a rua Teodoro Sampaio. À primeira vista, a casa impressiona pelo charme - e para os amantes do malte e do lúpulo, por fazer suas próprias cervejas. Apesar de ser um cocólatra praticante, não deixei a chance passar e pedi, junto com o hambúrguer da vez (calma, já falo dele), uma Domina Weiss. Não entendo nada de cerveja, então simplesmente me abstenho de falar mais sobre a cerveja de trigo da casa - deixo uma tarefa dessas para o Marcelo Costa. 

Com uma fome monstra (tinha acabado de sair do trabalho, e estava há umas boas seis horas sem comer), resolvi pedir o Maracanã Burguer (a R$ 26) - cujo nome faz imaginar em um lanche com o tamanho que você está pensando. Notícia boa nº1: ao pedir o lanche, vem junto com ele uma boa porção de batatas fritas, grandonas (que precisavam de muito sal, mas tudo bem). Notícia boa nº2: de segunda a sexta-feira, até às 20 horas, a casa faz uma promoção estilo Casas Bahia: pague uma bebida, leve duas. 

Entretanto, o Maracanã Burguer deixa a desejar - parecendo mais como uma Arena Barueri (tudum-tss). Chega até a ser decepcionante, com seus ingredientes bons (hamburguer de 200g, queijo, bacon, alface, picles, tomate, cebola roxa e maionese), que o lanche não cumpra sua missão. Falta ao lanche uma boa montagem: um glutão habilitado teria dificuldade de segurá-lo direito e comer todas camadas de uma vez só. O bacon e a maionese, por sua vez, sumiram do lanche tal qual dois atacantes em um time sem meio de campo criativo. Entretanto, com boa carne, e um queijo bacana protegendo a defesa, o time do Maracanã Burguer até que consegue um empate mixuruca dentro de casa. Uma pena. Um bom técnico (leia-se chapeiro) e um pouco menos de megalomania poderiam transformar o Maracanã Burguer um sanduíche campeão de maneira fácil. 

Nota: 2,5 fatias de bacon


Ranking MHC Pergunte ao Pop (work in progress): 

1 - Maracanã Burguer, Cervejaria Nacional (2,5)