19 de ago. de 2014

Pais Solteiros - O Resto é Ruído #49

Bela edição do O Resto é Ruído Podcast com a participação da banda paulistana Single Parents, que, além de fazer um som calcado nos 90, ainda tem trazido nomes bacanas ao País para turnês — como é o caso do pessoal do Sebadoh, do mestre Lou Barlow. Nessa edição, além da conversa com a banda, também descemos o cacete no festival da Converse Rubber Tracks (que trouxe o Dinosaur <3 Jr. ao país) e eu toquei B. Fachada, com seu novo disco de verão... B Fachada. A canção é "Dá mais música à bófia". 



18 de ago. de 2014

Um Museu de Videogames

No lugar de quadros e esculturas, um acervo com mais de 200 consoles e 6 mil jogos, com possibilidade dos visitantes não só contemplarem como também botarem a mão no controle para experienciar diferentes games. É essa a ideia por trás do Museu do Videogame Itinerante, a primeira instituição dedicada aos jogos eletrônicos cadastrada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), criada pelo jornalista Cleidson Lima, de Campo Grande (MS).

Cleidson, que tem 42 anos, começou a jogar games na época do Atari, e se tornou um colecionador há oito anos. “Comecei como uma brincadeira, ganhava consoles antigos que iam para o lixo, e quando percebi, tinha mais de 70 videogames. O sonho da minha esposa era jogar tudo fora”, brinca ele, que criou o Museu do Videogame Itinerante em 2009. Desde 2011, mais de 450 mil pessoas já viram o acervo do museu, em exposições abertas ao público em shoppings de Campo Grande.

Agora, com o status reconhecido pelo Ibram, Cleidson quer rodar o Brasil, com passagens programadas já para Brasília , Recife, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte, e negocia com três shoppings de São Paulo para 2015. “Preferi ter um museu que rode o País do que ficar preso a turistas ocasionais em Campo Grande. Quero que as pessoas entendam a caminhada de quatro décadas da história dos videogames”, explica o jornalista, que guarda em sua casa o acervo do Museu, que conta com peças como o primeiro videogame do mundo, o Magnavox Odyssey, de 1972.

Uma das iniciativas mais bacanas do mundo dos games brasileiro nos últimos anos, o Museu do Videogame Itinerante deve vir a SP em 2015 e foi motivo de uma matéria minha no Que Mario, o blog de games do Link. Dá uma olhada lá - e aproveite para começar a contagem regressiva. Quem topa me desafiar no Pong? 

9 de ago. de 2014

Valiant Hearts: Uma Aula de História e Humanidade



O ano é 1914. O cenário é a Europa da Primeira Guerra Mundial. Só essas duas informações já parecem o bastante para enfileirar qualquer game na prateleira de “jogos de guerra”, com tiros, batalhas e muito sangue, naquele espírito clássico de “arma na mão e bora sair matando gente por aí”. Felizmente, entretanto, esse não é o caso de Valiant Hearts: The Great War, um dos principais (e mais tocantes) lançamentos da produtora francesa Ubisoft neste 2014, que chegou ao Brasil no final de junho para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e PCs.

No lugar de muitos tiros, Valiant Hearts oferece ao jogador a oportunidade de uma ótima aula de história , através da trajetória de cinco personagens (quatro humanos e um cachorrinho simpático). Para eles, a grande vitória não é superar o batalhão inimigo, mas se manter vivo ao longo dos quatro anos de uma guerra que matou 16 milhões de pessoas (e deixou outras 20 milhões feridas), opondo irmãos, primos e familiares. É o caso do jovem alemão Karl e do velho fazendeiro francês Emile, seu sogro, dois dos principais personagens da trama, colocados como rivais nas trincheiras.

Gastei alguns caraminguás escrevendo esse texto sobre Valiant Hearts, uma produção da Ubisoft que, apesar de pequena, conquista pelo charme e pela força com que mostra a estupidez de todas as guerras. É um dos meus jogos favoritos do ano até aqui - e tem tudo para te conquistar também. Falo mais sobre ele lá no Que Mario?, o blog de games do Link, e um dos projetos que têm tomado meu tempo (mas me empolgado cada vez mais). Bora lá? 

4 de ago. de 2014

A Vida de Um Atleta dos Mouses e Teclados

Para os milhões de jogadores e fãs que League of Legends (LoL) tem no Brasil, o jogo pode ser apenas mais uma diversão. Para Pedro Luís Marcari, Daniel Drummond, Thiago Sartori, Daniel Silva e Gustavo Alves, a brincadeira é coisa séria. Com idades entre 17 e 24 anos, os garotos ganham a vida como atletas profissionais. Juntos, sob os “nicknames” (apelidos que os identificam dentro do mundo de LoL) Lep, Danagorn, TinOwns, Dans e Minerva, eles formam o time do KaBuM e-Sports, atual campeão brasileiro do jogo criado pela Riot Games.

No último dia 26, diante de um público pagante de 6 mil pessoas (e outros 116 mil espectadores via internet), eles venceram a final do Circuito Brasileiro de League of Legends, disputada no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Além da vitória e do prêmio de R$ 55 mil, os rapazes da equipe ainda conquistaram o direito de disputar uma vaga na elite mundial do esporte eletrônico. No fim do mês, vão a Seattle (EUA) competir por uma das 16 vagas no campeonato mundial, cuja final será disputada em outubro, no Sangam Stadium, estádio de Seul que foi sede da abertura da Copa do Mundo de 2002.

Na semana passada, fiz uma verdadeira imersão no mundo dos eSports para produzir um especial de duas páginas para a edição de papel do Link, tentando entender o crescimento dos esportes eletrônicos e mostrar isso para o nosso-querido-leitor. Entre os destaques da edição (que conta com uma matéria falando com gente do mercado sobre patrocínios e explicando que essa é uma história que nasceu no final dos anos 1990), passei um dia inteiro em Limeira entrevistando os campeões brasileiros de League of Legends, fazendo um perfil desses guris que ganham a vida jogando e moram numa versão gamer da Granja Comary (risos). O resultado você confere lá no Estadão. 

29 de jul. de 2014

Nos Sapatos dos Outros



O que você faria se fosse gay ou bissexual e tivesse de contar aos seus pais sobre a sua orientação sexual? Eventualmente essa pergunta pode não ter nunca passado pela sua cabeça (como nunca passou pela minha). Entretanto, ela é presente na vida de muitos adolescentes, e é o mote por trás de um dos jogos mais simples e desafiantes do ano. Coming Out Simulator (em tradução literal: “simulador de sair do armário”, ou “simulador de se assumir”), um game para navegadores criado pelo canadense Nicky Case, fala sobre exatamente isso: como contar para os seus pais que você, ao contrário do que parece ser imposto pela sociedade, não é heterossexual?

O game é baseado na própria história de Nicky: em 2010, o rapaz de família de descendência asiática era um estudante do ensino médio e tinha um caso com um cara chamado Jack. Os dois estudavam na mesma escola e, para ficarem juntos, Nicky tinha de mentir para os pais que estava apenas estudando química (quando estava no cinema vendo A Origem). Entretanto, a rede de mentiras de Nicky vai ficando cada vez mais estreita, sua mãe começa a desconfiar de Jack e, influenciado pelo namorado, o rapaz acaba resolvendo que precisa sair do armário, para ver se tudo fica mais fácil. Coming Out Simulator é, especificamente, a recriação da noite em que Nicky conta tudo para seus pais, no meio de um jantar.

Escrevi meus caraminguás sobre Coming Out Simulator 2014, um game que, apesar de ridiculamente simples de ser construído, me ensinou muito mais do que horas e horas jogando FIFA, me pondo na pele de outra pessoa. Se eu fosse você, ia lá no Que Mario? (meu blog de games no Estadão com os parceiros Luiz Toledo e Murilo Roncolato) ler o resto do texto e jogava o Coming Out Simulator logo depois. 

25 de jul. de 2014

Plutão & Outros Planetas

Um espectador um pouco mais atento sobre a produção do cinema brasileiro recente conseguirá perceber que — para além das comédias tolas da Globo Filmes, das películas de cunho religioso ou de thrillers de ação retirados da realidade policial dos morros, presídios e favelas tupiniquins — uma pequena, mas significativa safra de filmes adolescentes vêm aos poucos se estabelecendo no País. Trata-se de um grupo que, após a chamada Retomada do cinema nacional, começou a dar suas caras com os primeiros longas-metragem do diretor gaúcho Jorge Furtado (os inocentes e já clássicos Houve Uma Vez Dois Verões, de 2002, e Meu Tio Matou Um Cara, de 2004) e teve em Laís Bodansky um bom momento (As Melhores Coisas do Mundo, de 2010). Às vezes, esse grupo derrapa, por exemplo, ao se aproximar da linguagem de Malhação (os ‘globais’ Desenrola, um American Pie às avessas e sem escracho lançado em 2012, e Confissões de Adolescente, verdadeiro caleidoscópio bubblegum que deixou nostálgicos telespectadores na mão no começo desse ano), mas encontra seu caminho ao apostar em um jeito simples de contar histórias (o singelo Antes Que o Mundo Acabe, também de 2010). Agora, a “seleção de novos” acaba de ganhar um representante de primeira linha: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, do diretor paulista Daniel Ribeiro.

20 de jul. de 2014

MIS prepara mostra Legião Urbana para 2016

Na abertura da exposição do Castelo Rá-Tim-Bum no MIS, bati um papo com o curador André Sturm sobre os planos futuros do museu. Acabou gerando esse 'furo' de reportagem, publicado em julho no Scream & Yell. 

O MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo está preparando uma exposição sobre o cantor Renato Russo e a Legião Urbana para 2016. É o que disse na última terça-feira, 15/07, André Sturm, diretor executivo da instituição, durante entrevista exclusiva na abertura da exposição sobre o programa infantil Castelo Rá-Tim Bum.

“Temos uma conversa caminhando bem para fazer uma exposição sobre o Renato Russo em 2016″, disse Sturm. Segundo o diretor executivo do MIS, o filho do cantor, Giuliano Manfredini, abriu as portas do apartamento de Renato para os técnicos do museu.

“É impressionante: o Renato é um cara que guardava tudo. Vamos fazer uma parceria para restaurar materiais, fotos, diários, e a partir disso vamos construir uma exposição sobre o Renato, e lógico, sobre a Legião Urbana para daqui a dois anos”, completou o diretor executivo, que, à frente do MIS, tem sido o responsável por uma guinada mais pop na programação do museu: nos últimos dois anos, a instituição paulista recebeu mostras de nomes como os cineastas Georges Meliés e Stanley Kubrick e o cantor David Bowie.


14 de jul. de 2014

Yes, Nós Temos Bananas & Games

Fã dos jogos da Nintendo, o carioca Rodrigo Coelho cresceu com o sonho de muitos jovens de sua geração: ganhar a vida fazendo games. Mas, após se formar na faculdade de design e se dedicar nas horas vagas a criar seus jogos, o rapaz de 25 anos percebeu a dificuldade que desenvolvedores no Brasil têm para fazer seus projetos chegarem ao público.

Em vez de aceitar o game over, Coelho se juntou a dois amigos de faculdade, o engenheiro Henrique Bejgel e o designer Eric Salama, para tentar resolver esse problema. Após R$ 10 mil de investimento de cada sócio e um ano dedicado à concepção do projeto, o trio criou a Splitplay, a primeira loja digital de games dedicada a jogos tupiniquins.

Lançada comercialmente há cerca de dois meses, a Splitplay oferece aos jogadores 20 títulos diferentes, todos desenvolvidos no Brasil. A loja é inspirada no modelo da norte-americana Steam, a maior distribuidora digital de games do mundo (veja box). “Queremos incentivar o mercado nacional e criar uma central onde as pessoas possam encontrar jogos brasileiros, algo que às vezes até a mídia especializada tem dificuldade em fazer”, explica Coelho, que adianta que há mais vinte jogos para serem lançados até o fim do ano.

No começo de julho assinei essa matéria sobre a Splitplay, espécie de Steam brasileira que tem uma meia dúzia de jogos bem bacanas. "Cangaço", por exemplo, é um dos meus favoritos do ano até aqui. Lá no Link, falo mais sobre essa história, explico como a Splitplay funciona e ainda troco uma ideia com três desenvolvedores de games brasileiros. Chega mais. 

9 de jul. de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Let's Burger

Yo, Adrian!
Já falei em colunas anteriores que, apesar da onda gourmet, o crescimento do número de hamburguerias por aí tem provocado coisas interessantes em lugares pouco afeitos a comer algo além do "dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles, tudo num pão com gergelim". É o caso de uma cidade como São Caetano, que nunca teve grandes lanchonetes tradicionais pra chamar de suas, e agora recebe casas com propostas interessantes - como a TriBeCa, já citada aqui, e a Let's Burger, totalmente inspirada nos anos 80. Estive lá no último sábado pra comemorar o aniversário de casamento dos meus pais, junto com os dois e a pentelha da minha nem-tão-pequena irmã. 


8 de jul. de 2014

O Mundo da Bola Visto aos Quadradinhos

Em tempos de Copa do Mundo, é fácil perceber a graça que o futebol traz à vida das pessoas, com batalhas, jogadas incríveis e vitórias dentro das quatro linhas do gramado. E é também com conjuntos de quatro linhas – um de cada vez, é claro – que o mineiro Matheus Toscano faz a sua graça: ele é o criador do 8bit Football, projeto que recria cenas do esporte bretão em pixel art – aquele jeito de retratar qualquer cena em quadradinhos coloridos, em um visual retrô que lembra os games dos anos 80. 

Criado em outubro de 2012 nas horas vagas de Toscano, que é auditor de tecnologia da informação e mora na Holanda, o 8bit Football faz considerável sucesso nas redes sociais. São 45 mil seguidores no Twitter e 25 mil fãs no Facebook, que somados aos visitantes do site do projeto, acompanham as imagens bem-humoradas do mineiro de 31 anos, inspirado por duas paixões de criança. “Sempre fui fã de jogos de computador antigos, como o Sensible Soccer, em que o gráfico era pixelizado por limitação técnica, e fui apaixonado por futebol desde criança”, conta ele, em entrevista ao Link por telefone.

Bati um papo bacana com o criador de uma das páginas mais legais da internet nesses tempos de Copa do Mundo: a 8bit Football. Matheus Toscano, além de ser um cara boa praça, ainda está criando um jogo todo em pixel art, com a experiência de quem já gastou muito dedo em clássicos como International Superstar Soccer e Pele's Soccer. O game, que se chama Pixel Soccer, tem uma campanha própria no Kickstarter. Chega mais.