3 de jul de 2011

Não Fosse o Bom Humor

Escrevi esse texto para o Muzplay, do parceiro Adriano Moralis, e o publico aqui agora por uma triste notícia: sim, a Superguidis acabou. Pra quem é fã da banda, resta um alento: eles divulgaram hoje um canto do cisne, o EP EPílogo, com versões demo e ao vivo de músicas que poderiam compor o quarto disco dos gaúchos. A quem interessar possa, aqui:

Depois de cerca de seis meses longe dos palcos paulistanos, a Superguidis voltou à cidade em uma única apresentação no Itaú Cultural, no último sábado, dia 18. Ao divulgar seu mais recente álbum, Superguidis, de 2010 – ou, como é mais conhecido pelos fãs, "Triângulos" -, os gaúchos deixaram claro para os ali presentes que são capazes de fazer um dos shows mais intensos do cenário independente nacional. Se, em estúdio a banda aponta para um caminho mais maduro, mas sem perder a inocência e o frescor de outrora, ao vivo essa sensação é ampliada.

Ao iniciar o show com "Aos Meus Amigos", tal contraste ficava claro. De um lado, havia o arranjo bem elaborado, as distorcidas guitarras à la anos 90 do grupo e a letra madura da canção – ainda que esta fale em elementos mais caros ao universo adolescente, como um passeio de bicicleta. Do outro, a postura do quarteto de clara descontração no palco, que pode ser sentida durante o show de diversas maneiras.

Era algo que acontecia no gestual da banda: por vezes a dupla de guitarristas, Andrio Maquenzi e Lucas Pocamacha, soltavam seus instintos de indie guitar heroes e pulavam junto com suas próprias músicas. Ou ainda nas conversas com o público entre as canções, com espaços para zoações entre os músicos e do público para com o conjunto - que além de Maquenzi e Pocamacha, ainda conta com Diogo Macueidi no baixo e Marco Pecker na bateria. Por exemplo: Pocamacha era frequentemente saudado pela plateia por gritos de "Jesus", que culminaram com uma versão particular dos Guidis para um hino católico de domínio público, e, antes de introduzir a já clássica "O Banana", houve uma sátira por parte da banda em relação à cantora Adriana Calcanhotto.

Em cerca de uma hora e meia, a Superguidis soube distribuir bem durante o show o repertório de seus três discos até agora. Não faltou espaço para velhas conhecidas do público, como "Discos Arranhados", "Apenas Leia", "A Exclamação" e "Malevolosidade", que foram cantadas a plenos pulmões. Recentes canções também não ficaram de fora, como a clara homenagem “Fã-Clube Adolescente” ou a bonita “Casablanca”. E ainda sobrou tempo para a exibição de duas – boas, por sinal -inéditas, que "podem ou não estar no próximo álbum", como disse Pocamacha, antes de apresentá-las. "Primeira Série" segue a linha crescida traçada por "Aos Meus Amigos" e "Não Fosse o Bom Humor", enquanto "Dor de Barriga" se assemelha mais às primeiras músicas do conjunto, ainda recém-saído das carteiras colegiais.

Talvez ainda seja cedo para tentar prever como será um próximo trabalho em estúdio dos gaúchos – como será dosada, daqui para frente, esse diálogo entre o mundo adulto e as características juvenis dos Guidis? Mas, a julgar pelo que foi visto no Itaú Cultural, é possível ter bons presságios a respeito do que os ventos minuanos podem trazer em breve.

(originalmente publicado no Muzplay, em 22 de junho de 2011)

Nenhum comentário:

Postar um comentário