28 de abr de 2015

Não Olhe Pra Trás

"Atenção, chegô Chatuba, hein! Atenção, chegô Chatuba, hein! Vamo esculachá!".

Na cidade que pode se gabar de ter algumas das mesquitas mais famosas do mundo, o time brasileiro da INTZ eSports se inspirava no vigor do funk da cidade fluminense de Mesquita para sentir confiança em seu jogo. Naquela quarta-feira, 22 de abril, os campeões brasileiros de League of Legends tinham três partidas pela frente no International Wild Card Invitational, e precisavam vencer a maioria delas para se manter vivos na competição. A decepção foi geral -- especialmente para quem achava que os brazucas eram favoritos no International Wild Card Invitational (IWCI). Não precisa estranhar a sigla: trata-se de um campeonato de League of Legends em Istambul realizado entre 21 (terça-feira) e 25 de abril (sábado). 

No ritmo do funk, no entanto, a incerteza do time da INTZ não aparecia -- o que se via no ônibus era um grupo de jovens empolgados, digno de qualquer turma de estudantes recém-chegados à universidade. Todos ali estavam fazendo sua primeira viagem para fora do país na vida, e a derrota não passava por suas cabeças, mais ocupadas em trocar mensagens em seus smartphones, fazer piadas de teor levemente sexual ou explicar para os jornalistas presentes como é que a brincadeira de conversar com a imprensa funcionava. "Tem três coisas que a gente não fala publicamente: comer, c* e mulher", explica Gabriel 'tockers' Claumann, um dos principais jogadores do time na competição, enquanto fazia caretas a cada vez que um repórter mostrava uma câmera. Líder por autoafirmação do time, o jungler Gabriel 'Revolta' Henud sintetiza a filosofia do grupo: "Se ligar uma câmera, eu vou de mozão a filho da p*** em apenas um minuto".

Passei uma semana em Istambul em abril acompanhando o time da INTZ eSports, campeões nacionais de League of Legends, durante a disputa do International Wild Card Invitational (IWCI). Além da cobertura do campeonato, que rolou no IGN Brasil, fiz esse texto, um retrato dessa turma de garotos em sua primeira viagem internacional, curtindo vitórias e derrotas. Chega mais -- e não esquece de colocar o Oasis pra tocar. 

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