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12 de mai. de 2015

O Chatô dos Games



Acabou a espera: após quatro anos de desenvolvimento e muitos percalços, Toren está sendo lançado nessa terça-feira (12). Com orçamento de R$ 400 mil, o game da produtora Swordtales, de Porto Alegre, foi a primeira produção nacional a captar recursos através da Lei Rouanet, criada pelo Ministério da Cultura para incentivar a arte brasileira. Com versões para PC e PS4, Toren chega às lojas virtuais por R$ 19,99 e R$ 29,99 na PSN, e espera elevar o nível de qualidade dos games nacionais.

“Queremos ser um exemplo de qualidade e de superação. Ainda dá para contar nos dedos os jogos brasileiros que fazem isso”, diz Alessandro Martinello, diretor criativo da Swordtales, em entrevista ao IGN Brasil. Questionado a respeito da demora do lançamento do game, que já havia sido anunciado em temporadas anteriores, o executivo gaúcho diz que “o tempo que o jogo demorou foi o tempo comum que os jogos indies demoram quando são melhor produzidos”.

Com dinheiro público e quatro anos de desenvolvimento, houve quem chamasse Toren de 'o Chatô dos games'. Mas o game da produtora gaúcha Swordtales finalmente chegou às lojas -- e eu bati um papo bacana com o Alessandro Martinello para o IGN Brasil. Tem ainda também o review do game - que me lembrou a grande canção de Xuxa, "Lua de Cristal". 

30 de abr. de 2015

Mighty Morphin Brazilian Rangers

Ser dublê talvez seja uma das profissões mais chatas do mundo: afinal, você faz todo o trabalho sujo, e quem ganha o crédito é alguém com um rostinho bonito. Não é de se impressionar, porém, o que acontece com os cinco protagonistas de Chroma Squad, novo jogo da produtora brasiliense Behold: depois de um dia difícil nos trabalho, essa turma de cinco dublês joga tudo para o alto e resolve começar seu próprio seriado de super sentais -- séries de tevê japonesa com heróis coloridos e robôs gigantes.

Filmar as cenas desse novo programa de TV, criar fantasias com massinha de modelar e fita crepe, combater monstros e tentar ganhar algum dinheiro (e fãs) é a tarefa do jogador em Chroma Squad. Após dois anos de desenvolvimento e uma bem-sucedida campanha de crowdfunding no Kickstarter, arrecadando US$ 97 mil, Chroma chega às lojas virtuais (Steam, Humble Store, GOG, Splitplay e Nuuvem) para PC, Mac e Linux nessa quinta-feira (30), compondo uma interessante safra de games brasileiros neste ano de 2015.

Meu jogo brasileiro favorito desse ano até aqui, Chroma Squad é um exemplo a ser seguido pela indústria brasileira de videogames. Para quem quiser saber porque, deixo aqui a entrevista com o pessoal da Behold Studios, e também o meu review do jogo para o IGN. 

28 de abr. de 2015

Não Olhe Pra Trás

"Atenção, chegô Chatuba, hein! Atenção, chegô Chatuba, hein! Vamo esculachá!".

Na cidade que pode se gabar de ter algumas das mesquitas mais famosas do mundo, o time brasileiro da INTZ eSports se inspirava no vigor do funk da cidade fluminense de Mesquita para sentir confiança em seu jogo. Naquela quarta-feira, 22 de abril, os campeões brasileiros de League of Legends tinham três partidas pela frente no International Wild Card Invitational, e precisavam vencer a maioria delas para se manter vivos na competição. A decepção foi geral -- especialmente para quem achava que os brazucas eram favoritos no International Wild Card Invitational (IWCI). Não precisa estranhar a sigla: trata-se de um campeonato de League of Legends em Istambul realizado entre 21 (terça-feira) e 25 de abril (sábado). 

No ritmo do funk, no entanto, a incerteza do time da INTZ não aparecia -- o que se via no ônibus era um grupo de jovens empolgados, digno de qualquer turma de estudantes recém-chegados à universidade. Todos ali estavam fazendo sua primeira viagem para fora do país na vida, e a derrota não passava por suas cabeças, mais ocupadas em trocar mensagens em seus smartphones, fazer piadas de teor levemente sexual ou explicar para os jornalistas presentes como é que a brincadeira de conversar com a imprensa funcionava. "Tem três coisas que a gente não fala publicamente: comer, c* e mulher", explica Gabriel 'tockers' Claumann, um dos principais jogadores do time na competição, enquanto fazia caretas a cada vez que um repórter mostrava uma câmera. Líder por autoafirmação do time, o jungler Gabriel 'Revolta' Henud sintetiza a filosofia do grupo: "Se ligar uma câmera, eu vou de mozão a filho da p*** em apenas um minuto".

Passei uma semana em Istambul em abril acompanhando o time da INTZ eSports, campeões nacionais de League of Legends, durante a disputa do International Wild Card Invitational (IWCI). Além da cobertura do campeonato, que rolou no IGN Brasil, fiz esse texto, um retrato dessa turma de garotos em sua primeira viagem internacional, curtindo vitórias e derrotas. Chega mais -- e não esquece de colocar o Oasis pra tocar. 

7 de abr. de 2015

É o Come-Come

Já dá até para ouvir o Galvão Bueno dizendo: “É do Bra-sil-sil-sil!”. Krinkle Krusher, criado pela produtora mineira Ilusis, chega à PS Store nesta terça-feira (7) fazendo história nos games brasileiros, sendo o primeiro jogo nacional lançado para o PlayStation 4 -- e também para PlayStation 3 e para PS Vita. Disponível por US$ 9,99, o game será primeiro disponibilizado nas Américas, e fez parte do programa de incubação da Sony na América Latina.

“Queríamos fazer um game com o tamanho e a expertise da nossa equipe”, diz o CEO da Ilusis, Rodrigo Mamão, que chefia um time de dez pessoas em Belo Horizonte. O IGN Brasil bateu um papo por telefone com Mamão na última semana para falar sobre o lançamento, que levou um ano para ser concluído. “Tentamos trabalhar com personagens interessantes. Foi daí que surgiram os Krinkles, criaturas que comem e destroem tudo que veem pela frente”, explica o executivo.

É uma honra e uma grólia fazer a cobertura de games brasileira em um momento importante como esse -- afinal, não é todo dia que o cenário verde-amarelo conseguiu lançar um jogo para o videogame da geração atual. Pessoal da Ilusis é bacana demais, e foi divertido conversar com eles sobre o bacanudo Krinkle Krusher. 

6 de set. de 2014

Games Made in Braziu




Morcego, ratazana, baratinha e companhia: a série de TV Castelo Rá-Tim-Bum, exibida pela TV Cultura, está completando 20 anos em 2014 e é motivo de uma exposição no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, que deve rodar o País nos próximos meses.

Disso, provavelmente você sabe – na capital paulista, a mostra tem atraído milhares de pessoas todos os dias. O que você provavelmente não sabia é que o programa do aprendiz de feiticeiro Nino e das crianças Zeca, Pedro e Biba já foi motivo de um jogo de videogame produzido no Brasil nos anos 1990.

Castelo Rá-Tim-Bum – O Jogo foi feito pela Tec Toy, que na época era a representante oficial da SEGA no Brasil, e foi lançado para o Master System em 1997, três anos após o início do programa de TV. “Nós apresentamos a ideia para a Cultura, e ela foi aprovada logo de cara”, lembra Stefano Arnhold, presidente da Tec Toy na época.

A história do jogo é bastante simples: Zequinha tomou uma poção que o fez voltar a ser bebê, e o jogador, no papel de Biba ou Pedro, deve ir atrás dos ingredientes para fazer outra poção, capaz de fazer o menino que perguntava “Por quê?” voltar a ser uma criança. Para isso, o jogador deve visitar ambientes clássicos do Castelo Rá-Tim-Bum, como a cozinha cheia de gavetas e o laboratório dos irmãos gêmeos Tíbio e Perônio, em uma aventura curta, que pode ser superada facilmente em um par de horas.

Para os olhos de hoje, e até mesmo se comparado aos jogos produzidos na época, o aspecto visual e a jogabilidade de Castelo Rá-Tim-Bum é até meio tosco, mas é capaz de reforçar a identificação com o programa (tem até o Porteiro, dizendo “klift, kloft, still, a porta se abriu”) e mostra o caráter pioneiro da Tec Toy no País. “Era tudo bastante artesanal”, lembra Maurício Guerta, um dos programadores responsáveis pelo jogo, que foi produzido do zero pela empresa nacional.

Em uma parceria de conteúdo de mim (pelo TCC) comigo mesmo (no Estadão), fiz essa matéria que revisita o passado de produção de games brasileiros pela Tec Toy (aquela mesma que fazia o MegaDrive e o Master System que você tanto jogou quando era pequeno). Além do Castelo, Turma da Mônica, Sítio do Picapau Amarelo e até o Chapolin Colorado tiveram direito aos seus próprios jogos. Chega mais para ler. :)