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25 de set. de 2014

Meu Pé, Meu Querido Pé



Ele é o homem por trás do ratinho que toma banho e ensaboa seu pé, seu querido pé, do passarinho que pergunta que som é esse, e da bicharada fazendo o vocal para um rock rural no “Cocoricó”. Você pode nem saber como é a cara dele, mas já ouviu sua voz em aberturas de programas infantis e propagandas de shampoo — e provavelmente já até cantou alguma de suas músicas no chuveiro, caso tenha algo entre os 10 e os 30 anos hoje em dia.

Seu nome é Hélio Ziskind, um senhor paulistano com 59 anos de idade e mais de 40 anos de bons serviços prestados à música popular brasileira – a maior parte deles fazendo canções para crianças, dentro e fora da TV Cultura, participando de produções como Glub Glub, Cocoricó, X-Tudo e Castelo Rá Tim Bum ou cantando em seus discos solo. Sua carreira musical, no entanto, começa em 1974, junto aos ex-colegas de colégio Paulo e Luiz Tatit. Com eles, Ziskind formaria o Rumo, um dos principais pilares da Vanguarda Paulistana. 


Na entrevista a seguir, Ziskind fala para o Scream & Yell sobre como criou as aberturas de programas que marcaram gerações de crianças na TV Cultura, conta mais sobre os anos de Rumo e de ECA-USP (ele é formado em Composição pela universidade, apesar de se dizer filiado à música popular) e comenta a situação atual da emissora que o catapultou para o sucesso, além de discutir rótulos, publicidade, a diferença entre música erudita e música popular e seus próprios planos para o futuro – no momento, ele trabalha em uma versão musicada d’O Patinho Feio de Hans Christian Andersen, mas com uma pegada “meio Pink Floyd”. Desculpe o gracejo, caro leitor, mas vamos lá: patinho feio, “que som será esse?”.

Em agosto, bati um papo com um dos meus heróis de infância para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade - em breve, falo mais dele por aqui. Aproveitei a íntegra da entrevista - que foi bem bacana - para o Scream & Yell, que continua sendo (como o Rio de Janeiro) um espaço lindo para falar de música e cultura brasileira. Quer saber como essa história continua? Chega mais

21 de fev. de 2014

Pancadão das Marchinhas

Verdadeiro tesouro nacional - ao lado da feijoada, das fitinhas do Senhor do Bonfim e dos socos no ar de Pelé - as marchinhas de carnaval há muitas décadas embalam bailes nostálgicos das folias de momo pelo País, em não poucas ocasiões sendo executadas em versões um bocado desgastadas pelo tempo (ou será que alguém ainda aguenta ouvir "Chiquita Bacana" com o mesmo arranjo de 1949, na gravação de Emilinha Borba?) e frequentemente ignoradas pela ampla maioria do público jovem. 

Com um olho no peixe (no público que consome música de maneira fiel a seus artistas preferidos) e outro no gato (a dupla oportunidade de mercado no calendário brasileiro, pelo carnaval e pela pouca agitação em lançamentos no início de temporada), a Som Livre comandou a gravação de um especial com releituras de alguns dos maiores sucessos dos carnavais de antigamente em roupagem funk, convidando nomes de sucesso do ritmo de hoje (Anitta, Naldo Benny, MC Marcelly) e de ontem (Buchecha, MC Leozinho, MC Marcinho) para adaptar as canções ao seu universo, num disco produzido a toque de caixa convenientemente chamado de Pancadão das Marchinhas