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21 de mai. de 2015

B.B. King e Castanhas do Pará - Confraria S&Y #22

A Polícia Federal permanece incapaz de prender eu, Tiago Trigo, Tiago Agostini, Marco Tomazzoni, Renato Moikano e Marcelo Costa por operação de quadrilha, então a gente continua fazendo podcasts. E eu gosto muito de castanha do pará -- de maneira que é assim que é movido o Podcast Confraria S&Y #22, ao som do finado B.B. King e discutindo os hábitos de consumo de música nos dias de hoje. De quebra, dei duas dicas bacaninhas pra você leitor que é um cara esperto e com tempo: o jogo Chroma Squad e o livro Funny Girl, do grande Nick Hornby.

23 de mar. de 2015

Cidade das Águas

Uma expedição para conhecer os rios subterrâneos de São Paulo parte da Catedral da Sé rumo a Santo Amaro. Pode ser um roteiro turístico para mochileiros alternativos, mas trata-se de “Cidade das Águas”, HQ escrita por Olavo Rocha (também vocalista e letrista dos Lestics) e desenhada por Guilherme Caldas. Lançada em janeiro de 2015, pela editora HQ Pólen, a graphic novel baseada numa peça de teatro (“Origem-Destino”, da Companhia Auto-Retrato) discute um dos temas mais presentes nas manchetes dos jornais neste ano que corre: água.

“O que a gente quis colocar em discussão no ‘Cidade das Águas’ foi a escolha de um modelo de desenvolvimento de São Paulo e a forma desastrosa como a cidade lida com seus recursos hídricos”, diz Rocha, em entrevista por e-mail ao Scream & Yell.

Parceiro e um dos melhores letristas do país em atividade, Olavo Rocha também faz bonito nos quadrinhos. Bati um papo com ele no começo do ano sobre o Cidade das Águas, HQ que ele lançou em parceria com o Guilherme Caldas. O resultado tá, claro, no Scream & Yell

9 de mar. de 2015

Discografia Comentada: Cássia Eller

Qual é a primeira imagem que vem à sua cabeça quando se fala em Cássia Eller? A mulher que mostra os peitos para 100 mil espectadores cantando “Smells Like Teen Spirit” no Rock in Rio? A garotinha esperando o ônibus da escola de “Malandragem”? A artista de apliques em um quarto de hotel chique no clipe de “O Segundo Sol”? Ou a crooner de voz suave e interpretação romântica de “Non Je Ne Regrette Rien” em seu Acústico MTV?

Dona de voz e personalidade ímpares, Cássia Eller é comumente incluída por muita gente no grupo das principais cantoras da música brasileira das últimas décadas. Sua morte, por um infarto do miocárdio, em dezembro de 2001, frustrou o que poderia ter sido a coroação de uma carreira interessante, cheia de sucessos, mas marcada por discos irregulares, grande sucessos radiofônicos e muitas pérolas escondidas.

É possível dividir a carreira de Cássia Eller em quatro duplas de discos: a fase Vanguarda Paulista (“Cassia Eller” e “O Marginal”), a primeira guinada pop (“Cássia Eller” e “Violões”), o tributo a Cazuza (os dois “Veneno”) e o sucesso sob a batuta de Nando Reis. Em todas elas é possível notar o ecletismo da cantora, sua fixação por algumas figuras tradicionais do rock (Beatles, Cazuza e Legião Urbana, especialmente). Outra questão interessante é a repetição de faixas: muitas de suas músicas aparecem três vezes na discografia (caso de “Malandragem”, “E.C.T.”, “Por Enquanto”, “Nós” ou “1º de Julho”), em versões que costumam não diferir muito – um desperdício, talvez?

Tô lá no Scream & Yell fazendo a minha primeira discografia comentada da vida, embalado pelo clima do documentário Cássia Eller, do diretor Paulo Henrique Fontenelle. "Fera, bicho, anjo, mulher, mãe, filha, irmã, menina, Deus, deusa, meu amor", Cássia Eller tem uma carreira a ser descoberta. Vamos lá? 

5 de mar. de 2015

Confraria S&Y #20 - Oscar e Festivais



Acabo de me sentir como o moleque da base que vira titular no time dos craques: a partir da edição #20, eu (e o grande Renato Moikano) viramos membros oficiais da Confraria Scream & Yell, essa formação de quadrilha em forma de podcast que tem Marcelo Costa, Tiago Agostini, Marco Tomazzoni e Tiago Trigo como fundadores e patronos. 

Na edição de fevereiro (mas gravada em março), falamos sobre Oscar e demos dicas de festivais gringos para o ouvinte, além de receber o grande Cleitinho e falar mal de American Sniper. Vem ouvir, vem?

14 de fev. de 2015

Desenha-me um Carneiro?

O Pequeno Príncipe, personagem favorito das misses, foi dar um passeio num boteco da Zona Norte de São Paulo. Um rapaz carente vivia sem crédito no celular para ligar para sua amada. A queixa de um cara conhecido como fracote em seu bairro ao ator Bruce Willis, dizendo que ele era “facinho de matar”. A fauna (humana) existente abaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo. Esses e muitos outros personagens fazem parte das crônicas presentes em “Tem Muito Disso que Cê Tá Falando”, disco mais recente da banda paulistana (paulistaníssima, diriam alguns) Meia Dúzia de 3 ou 4.

Criada em 2003 por Thiago Melo (violão e voz) e Marcos Mesquita (baixo), dois músicos da banda de apoio do Teatro Mágico que queriam explorar novas canções, o Meia Dúzia de 3 ou 4 canta São Paulo com muita graça. Dá para considera-los como herdeiros de uma linhagem que inclui Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Germano Mathias e a turma da Vanguarda Paulistana, movimento paulista dos anos 1980 que tinha nomes como Grupo Rumo, o Premeditando o Breque, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e o compositor Maurício Pereira, na época em dupla com André Abujamra nos Mulheres Negras.

“A cidade acabou sendo nossa musa natural. É um lugar que engole as pessoas, mas que também rumina, e é preciso saber aproveitar”, diz Thiago Melo. Para ele, a geração que se formou em torno do teatro Lira Paulistana vive um resgate com a internet. “As coisas finalmente estão se encontrando: os roqueiros dos anos 80 estão indo para a TV ou para o Congresso falar merda e quem presta continua aqui fazendo música boa”, explica.

Dona de uma das melhores músicas de 2014, "Maquiavel para Crianças", os paulistanos do Meia Dúzia por 3 ou 4 responderam um monte de perguntas minhas no final do ano passado. O resultado apareceu no Scream & Yell. :)

8 de fev. de 2015

Thiago Pethit & Lou Reed

Eis aqui um texto bem antigo: foi um dos primeiros que escrevi para o Scream & Yell do Marcelo Costa - e que ainda não estava no arquivo do Pergunte ao Pop. Uma crítica a um show específico de Thiago Pethit cantando a obra de Lou Reed - e que uma oportuna conversa nesta semana me fez relembrar. Apesar da minha crueza como jornalista (risos), ainda gosto bastante dele. Fica como curiosidade.
No último dia 18/01, no Sesc Consolação, em São Paulo, o cantor Thiago Pethit apresentou, dentro da série de shows “Ingressos Esgotados”, um espetáculo baseado nas canções de Lou Reed. A idéia do projeto era proporcionar ao público uma nova chance de assistir ao repertório de artistas internacionais que passaram pela cidade no ano passado, desta vez em releituras de novos artistas – nos dias seguintes, Juliana R cantou Paul McCartney e a banda Moxine mostrou músicas de Beyoncè. Entretanto, mais do que um simples show de covers, a apresentação de Pethit permite uma reflexão sobre a sua própria carreira – há uma diferença razoável entre a arte que ele faz, a que ele pensa fazer, e a do novaiorquino a qual ele interpretava naquela noite.

O lançamento de seu álbum “Berlim, Texas”, em 2010, fez de Pethit um queridinho da mídia paulistana – uma busca rápida por seu nome no Google trará, em sua primeira página, resultados como “Confirmado: cabelo de Thiago Pethit está na moda”. O cantor, em seu site, alega que o disco se trata de uma viagem entre “as noites frias dos cabarés esfumaçados da Alemanha pré-nazista e os dias ensolarados – e regados a uísque cowboy – dos saloons texanos”. No show, o cantor, acompanhado de uma formação que incluía tanto guitarra, baixo e bateria quanto violino, flauta e saxofone, não só cantou grandes clássicos de Lou Reed como também incluiu algumas canções de sua lavra.

6 de fev. de 2015

Entrevista S&Y: Paulo Henrique Fontenelle e "Cássia Eller"

"Muita gente só conhecia a Cássia Eller pelo que via na TV e nos shows, com a imagem da mulher que cospe e mostra os peitos em um show. Quem for ver o filme vai conhecer outra Cássia: amiga, irmã e mãe de família", explica o cineasta Paulo Henrique Fontenelle, que começou a conceber o filme em 2010. 

Segundo ele, a faísca para a realização do documentário foi a ausência de trabalhos sobre a artista. "Estava em casa ouvindo um disco dela e queria saber mais sobre sua história. Tirando uma biografia fora de catálogo, não havia nada: nenhum filme, nenhum documentário", diz Fontenelle, que demorou quatro anos para realizar o projeto, baseado em cerca de 40 entrevistas e com mais de 400 horas de imagens de arquivo. "Cada fita que a gente conseguia encontrar parecia um Santo Graal", brinca.

Não é a primeira vez, porém, que Fontenelle se depara com um biografado de trajetória polêmica e sensível: sua estreia em longas-metragem foi com “Loki”, de 2008, que contava a história do mutante Arnaldo Baptista de forma delicada. Feito em parceria com o Canal Brasil, o filme acabou promovendo uma revitalização da obra de Arnaldo, com novas edições de seus discos e a volta do artista aos palcos. É graças a “Loki” que o cineasta conseguiu a autorização da família de Cássia Eller para fazer seu filme.

“A Eugênia [companheira de Cássia durante 15 anos] tinha uma resistência ao projeto, mas como ela e o Chicão [filho da cantora] tinham gostado do ‘Loki’, eles aceitaram conversar comigo”, conta o diretor. “Ela só me pediu para que mostrasse tudo da Cássia: as drogas, os casos amorosos, mas também o lado família e companheiro”, completa o diretor, que também realizou “Dossiê Jango” em 2013 – uma espécie de filme denúncia sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente João Goulart.

Bati um papo com o Paulo Henrique Fontenelle um pouco antes da estreia do "Cássia Eller". A íntegra da conversa está no Scream & Yell, e contém não só perguntas sobre a cantora de "Malandragem", mas também detalhes da carreira do documentarista e de "Loki", seu primeiro longa-metragem, além de um top 5 documentários musicais. 

27 de jan. de 2015

Pavões, John & Yoko e MTV

Tô lá no Scream & Yell falando de três livros bacaninhas de música: "MTV, Bota Essa Porra Pra Funcionar", um memorial do diretor de programação Zico Góes; uma boa história da relação entre John & Yoko em "John Lennon, Yoko Ono e eu", do jornalista americano Jonathan Cott, da Rolling Stone; e o estudo do André Barcinski sobre a música brasileira dos anos 1970 no ótimo "Pavões Misteriosos". Chega mais.

20 de jan. de 2015

Melhores do Ano do Scream & Yell

É sempre assim, todo ano, pelo menos desde 2004: existem as listas de fim de ano, e existe a Lista das Listas - a do Scream & Yell, que junta um sem-número de jornalistas, críticos musicais e "gente do meio" para escolher os melhores discos, músicas, shows, filmes e livros do ano. Leio a lista desde 2005 - o primeiro em que li ativamente sobre a cena independente musical brasileira, mas isso é assunto para outra hora - e sou humildemente um dos votantes dela desde 2010, quando a comecei a colaborar com o site do Marcelo Costa. 

Minhas listas pessoais já foram publicadas aqui no Pergunte, mas caso você queira ver meus votos no S&Y, chega mais. Além de mim, mais 113 votantes, de diferentes tipos de imprensa e de todas as regiões do País (além do amigo Pedro Salgado, de Portugal), participaram da brincadeira. É bacana observar listas específicas, ou fazer diversos recortes, para não falar na interpretação de como anda a ~cena~ no Brasil atualmente. Uma curiosidade bacana, por exemplo: dos 25 discos do ano nacionais, 12 foram disponibilizados via download gratuito, enquanto apenas 2 pertencem a uma gravadora major, a Som Livre. 

Apesar de não ter cravado algumas coisas - Pelicano, meu disco favorito do ano, passou longe da lista, por exemplo - gostei bastante do resultado final. Mas chega de blá-blá-blá: vai lá no Scream & Yell e confere essa grande obsessão flemingniana.

PS: A foto que abre este post (e é maravilhosa) é da Liliane Callegari, a melhor fotógrafa de shows do Brasil (e primeira-dama do Scream & Yell). Ela abriu esses dias uma fanpage no Facebook - e, se eu fosse você, não deixava de ir lá curtir. 

26 de dez. de 2014

Retrospectiva 2014: Podcast Confraria Scream & Yell

Ainda estou em dúvida se este foi um podcast para rever a cultura pop na última volta que este planeta deu em torno do Sol ou se foi uma formação de quadrilha generalizada em uma tarde de sábado calorosamente paulistana. De qualquer maneira, é sempre bom rever os amigos, falar bobagens, defender os Titãs (hehe), xingar o Black Keys e, acima de tudo, gravar um podcast com essas feras aí em cima. Da esquerda para direita: Marco 'Bart' Barbosa, eu, Marco Tomazzoni, Marcelo Costa e Renato Beolchi (em pé); Tiago Agostini e Tiago Trigo (agachados). 

Na última quinzena de dezembro, nos reunimos para fazer mais uma edição da Confraria Scream & Yell, podcast que já teve vida na Radio Levis e na OiFM, e alçou voo solo nesta última radiopatrulha. Se você quer ouvir, chega mais - tem duas partes, não confunda :)




25 de set. de 2014

Meu Pé, Meu Querido Pé



Ele é o homem por trás do ratinho que toma banho e ensaboa seu pé, seu querido pé, do passarinho que pergunta que som é esse, e da bicharada fazendo o vocal para um rock rural no “Cocoricó”. Você pode nem saber como é a cara dele, mas já ouviu sua voz em aberturas de programas infantis e propagandas de shampoo — e provavelmente já até cantou alguma de suas músicas no chuveiro, caso tenha algo entre os 10 e os 30 anos hoje em dia.

Seu nome é Hélio Ziskind, um senhor paulistano com 59 anos de idade e mais de 40 anos de bons serviços prestados à música popular brasileira – a maior parte deles fazendo canções para crianças, dentro e fora da TV Cultura, participando de produções como Glub Glub, Cocoricó, X-Tudo e Castelo Rá Tim Bum ou cantando em seus discos solo. Sua carreira musical, no entanto, começa em 1974, junto aos ex-colegas de colégio Paulo e Luiz Tatit. Com eles, Ziskind formaria o Rumo, um dos principais pilares da Vanguarda Paulistana. 


Na entrevista a seguir, Ziskind fala para o Scream & Yell sobre como criou as aberturas de programas que marcaram gerações de crianças na TV Cultura, conta mais sobre os anos de Rumo e de ECA-USP (ele é formado em Composição pela universidade, apesar de se dizer filiado à música popular) e comenta a situação atual da emissora que o catapultou para o sucesso, além de discutir rótulos, publicidade, a diferença entre música erudita e música popular e seus próprios planos para o futuro – no momento, ele trabalha em uma versão musicada d’O Patinho Feio de Hans Christian Andersen, mas com uma pegada “meio Pink Floyd”. Desculpe o gracejo, caro leitor, mas vamos lá: patinho feio, “que som será esse?”.

Em agosto, bati um papo com um dos meus heróis de infância para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade - em breve, falo mais dele por aqui. Aproveitei a íntegra da entrevista - que foi bem bacana - para o Scream & Yell, que continua sendo (como o Rio de Janeiro) um espaço lindo para falar de música e cultura brasileira. Quer saber como essa história continua? Chega mais

5 de set. de 2014

Alô, Alô, Planeta Terra Chamando



“Alô, alô! Planeta Terra chamando. Planeta Terra chamando! Essa é mais uma viagem do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, falando diretamente do Mundo da Lua… onde tudo pode acontecer!”. Se você cresceu no começo dos anos 90, certamente deve se lembrar dessa frase – e de muitas outras aventuras – de Lucas Silva e Silva, o garoto de 10 anos que, junto de seu gravador, vivia histórias incríveis no mundo da imaginação em “Mundo da Lua”, seriado da TV Cultura que estreou em 1991. Assim como, muito provavelmente, já viu o mesmo rapaz, anos depois, perguntar qual era a senha para entrar no “Castelo Rá Tim Bum”, ouvindo o famoso “Klift, Kloft, Stil, a porta se abriu” do porteiro de lata.

O nome dele, entretanto, não é Lucas, nem Pedro, mas sim Luciano Amaral, um cara que já conta com trinta anos de carreira (e 35 de vida) na televisão, mas que entrou no mundo da telinha meio que por acaso, fazendo propagandas como a do Vick Vaporub. Ainda criança, Luciano teve a oportunidade rara de contracenar com nomes como Antônio Fagundes e Gianfrancesco Guarnieri, sendo o protagonista de “Mundo da Lua”. Para ele, entretanto, atuar era uma brincadeira. “Eu não via muita TV quando era criança, não sabia quem eram eles. Para mim, aqueles adultos estavam ali para brincar comigo. Um brincava que era o meu avô, o outro brincava que era meu pai, uma dizia que era minha mãe, e eu deixava (risos)”, conta Luciano, que, na pele de Lucas, pode realizar “sonhos de qualquer menino de 10 anos, como fazer o Brasil ganhar a Copa do Mundo ou ir para a Lua”.



Na entrevista a seguir, Luciano conta histórias de “Castelo Rá Tim Bum” e de “Mundo da Lua”, fala sobre como é viver com o legado de dois personagens que são “primos” de todo espectador que os acompanhou, relembra trabalhos como o “Turma da Cultura”, um dos primeiros programas brasileiros a usar email para participação do público, e discute a situação atual da TV brasileira para jovens e crianças.

Além das memórias de TV, o ator e hoje apresentador da PlayTV também fala sobre games – assunto no qual foi pioneiro no País e com o qual trabalha há mais de uma década. “As coisas melhoraram bastante nos últimos dez anos. Para quem produz games, tudo se barateou — as ferramentas de produção custam menos, a distribuição pode ser feita pela internet. Mesmo assim, o cara que produz um jogo no Brasil é um herói”, avalia Luciano, que ainda vê o setor prejudicado por políticas atrasadas. “Jogo é arte, mas vai explicar isso para quem manda, que acha que videogame é coisa de criança e taxa importação como se fosse brinquedo? Quem cresceu jogando sabe da importância dos games, mas existe uma barreira de gerações. Apesar de tudo isso, o nosso mercado já é grande, e tem poder de compra. O cenário é promissor”, diz ele. Aperta o start e deixa Luca… Luciano falar.

Veterano do jornalismo de games e personagem de dois programas que toda criança que cresceu nos anos 90 gostaria de ter sido, Luciano Amaral é um cara legal. Pelo menos foi o que deixou transparecer na conversa que a gente teve por quase duas horas em uma manhã de julho no estúdio da PlayTV, na Lapa, em São Paulo. O tema da conversa foi motivado pelo meu TCC, mas, como sempre, extrapolamos essa fronteira. O resultado você confere no Scream & Yell. 

20 de jul. de 2014

MIS prepara mostra Legião Urbana para 2016

Na abertura da exposição do Castelo Rá-Tim-Bum no MIS, bati um papo com o curador André Sturm sobre os planos futuros do museu. Acabou gerando esse 'furo' de reportagem, publicado em julho no Scream & Yell. 

O MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo está preparando uma exposição sobre o cantor Renato Russo e a Legião Urbana para 2016. É o que disse na última terça-feira, 15/07, André Sturm, diretor executivo da instituição, durante entrevista exclusiva na abertura da exposição sobre o programa infantil Castelo Rá-Tim Bum.

“Temos uma conversa caminhando bem para fazer uma exposição sobre o Renato Russo em 2016″, disse Sturm. Segundo o diretor executivo do MIS, o filho do cantor, Giuliano Manfredini, abriu as portas do apartamento de Renato para os técnicos do museu.

“É impressionante: o Renato é um cara que guardava tudo. Vamos fazer uma parceria para restaurar materiais, fotos, diários, e a partir disso vamos construir uma exposição sobre o Renato, e lógico, sobre a Legião Urbana para daqui a dois anos”, completou o diretor executivo, que, à frente do MIS, tem sido o responsável por uma guinada mais pop na programação do museu: nos últimos dois anos, a instituição paulista recebeu mostras de nomes como os cineastas Georges Meliés e Stanley Kubrick e o cantor David Bowie.


26 de jun. de 2014

Entre Caracas e Paramaribo

O que uma banda deve fazer quando um de seus principais integrantes tem de deixar o barco? No caso dos paulistanos dos Lestics, a melhor opção parece simplesmente ter seguido em frente. Depois de ver Umberto Serpieri, tecladista e membro fundador do grupo, deixar a cidade de São Paulo, o agora trio Lestics (Olavo Rocha, letras e voz; Marcelo Patu, baixo e violões; Marcos Xuxa, bateria) volta à tona com um de seus melhores trabalhos, o temático “Seis” (download gratuito no site oficial).

Lançado em maio, “Seis” (o sexto trabalho do grupo, na ativa desde 2007, traz apenas seis canções) mostra uma expansão na sonoridade da banda: dos flertes acústicos com o folk, o Lestics agora se impõe com arranjos elaborados, com a presença de cordas, sanfonas e metais (vale prestar atenção no marcante trombone de Bocato em “Entre Caracas e Paramaribo”, que abre o disco). Apesar de ter poucas faixas, o grupo não encara “Seis” como um álbum. “É um disco fechado, com começo, meio e fim. Hoje em dia, as pessoas tendem a ouvir só as primeiras faixas de um disco. Se ele for curto, cada música tem mais chance de receber atenção”, diz Olavo Rocha ao Scream & Yell, em entrevista por email.

Na entrevista a seguir, Olavo fala sobre a produção e as inspirações para a realização de “Seis”, retrato também de uma banda que já não pode mais ser chamada de iniciante, mas, que, como a maior parte dos bons grupos musicais do País, não consegue se sustentar com suas canções, apesar de sua dedicação para isso. “A banda não é um hobby, é um trabalho. Para ganhar dinheiro e bancar o trabalho com a música, tenho outro trabalho. A banda é um trabalho com o sentido de produzir alguma coisa, uma ideia complicada de se assimilar quando se enxerga o capitalismo como uma força da natureza (não é)”, comenta o vocalista. “Costumo dizer que não vivo da música, mas sim para a música”. Com a palavra, Lestics.

Bati um papo por email com um dos meus letristas favoritos da atual geração do pop brasileiro, o Olavo Rocha, dos Lestics. "Seis", o disco que os paulistanos lançaram há coisa de um mês, é uma das coisas mais bonitas que eu ouvi nesse ano, e mostra uma nova fase na banda após a saída do Umberto Serpieri, que criou a banda com o Olavo lá em 2007. O resultado da entrevista, com ideias bacanas sobre música caipira, arranjos, streaming e o capitalismo, você pode ler no Scream & Yell.

23 de mai. de 2014

O Pulso Ainda Pulsa

O pulso ainda pulsa - e em dose dupla. Fiz um exercício de escrita nesses últimos dias e botei uma cláusula internacional no meu currículo com a história de falar sobre o disco novo dos Titãs, Nheengatu, lançado há cerca de duas semanas através do YouTube. A primeira versão saiu em PT-BR, no Scream & Yell, com piadinhas e #vaitercopasim, e teve uma repercussão bem bacana (até agora, o texto teve 41 comentários). 

Na sequência, emendei uma versão PT-PT, com contextualizações e um cheirinho de alecrim, que saiu no Bodyspace.net, do André Gomes, para mostrar aos lusos porque este disco também pode ser relevante (como cá pode ser o dos Xutos & Pontapés, ou o do Linda Martini ou o dos Deolinda...). 

2014 acaba de ganhar um ingrediente para se tornar um ano ainda mais surrealista. Enquanto o País se divide entre o “não vai ter Copa” e o “vai ter Copa sim”, a polícia abusa de violência sem nem saber por onde e o estado mais rico da nação vive a ameaça de uma seca e as eleições prometem sujeira explícita, os Titãs voltam a fazer um disco que merece a sua audição, por mais improvável que isso possa soar. Depois de embalar a carreira no lixo com “Sacos Plásticos” (2009) e passar quase dois anos ganhando alguns tostões relembrando o clássico “Cabeça Dinossauro” (1986), o grupo resolve sair das cinzas artísticas e mostrar “Nheengatu”, um trabalho que não prima pela sua força poética, mas sim pela sua urgência e pela raiva.



Leia mais:
- 2011: A vida até parece uma festa: Titãs ao vivo em Santo André
- 2012: Que Não é o Que Não Pode Ser: Titãs toca Cabeça Dinossauro na Virada Cultural

7 de mai. de 2014

Estado de Prata


Se você é ligado em música boa e mora em São Paulo (ou cercanias), você precisa prestar atenção no Prata da Casa, projeto do SESC Pompeia que já dura 15 anos e teve nova fase iniciada nessa primeira terça-feira de maio. Em 2014, o programa terá curadoria do parceiro Marcelo Costa, editor do Scream & Yell, e a largada foi dada com uma bela apresentação do cantor Bruno Souto, com participação do guitarrista Nevilton (da... Nevilton, olha só).

Souto é vocalista da Volver há mais de uma década, mas se destacou no ano passado com seu disco solo, "Estado de Nuvem". Particularmente, eu não havia gostado do trabalho, muito decalcado das canções setentistas de Roberto Carlos (especialmente em seus momentos mais despudorados) e outros cantautores com gostinho de rádio AM. Entretanto, ao vivo tudo funcionou de maneira diferente.

13 de abr. de 2014

Lollapalooza 2014 ou Geraldo Vandré Estava Errado

Foram dois dias de festival, mas pareceu muito mais: no ano em que o País promete entrar em situação de caos com Copa e eleições, o Lollapalooza ofereceu a seus 140 mil espectadores alguns momentos de paz. É preciso dizer, mais uma vez: os R$ 540 pagos por quem quis ir aos dois dias de festival, sem contar as taxas de inconveniência, podem ser considerados abusivos em um País cujo salário mínimo é de R$ 724 — um dado que precisa ser levado em conta na discussão sobre a efetividade do Brasil ter entrado de fato na rota de shows internacionais. (em tempo: a versão americana do Lollapalooza, em agosto, tem três dias e custará R$ 500; admirado pela crítica, o espanhol Primavera Sound, em maio, tem três dias de festival e programação extra que se estende por uma semana por R$ 594). 

Entretanto, é preciso se ressaltar que, em 2014, este Lollapalooza se pôs alguns degraus acima de seus concorrentes nacionais, tanto pela qualidade do evento (pouquíssimas filas, boa comida, localização e organização inteligente - a volta para casa no domingo, mesmo com grande parte do público saindo junto, não foi caótica) quanto pela escalação competente, que mesclou veteranos com nomes populares e novidades com alguns dos melhores shows em atividade hoje em dia no mundo, criando um modelo que tem tudo para se sustentar com sucesso pelos próximos anos. Como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”. Mas bem que poderia.

Meu relato sobre o Lollapalooza 2014 acaba desse jeito - mas a aventura dos dois dias em Interlagos, com shows que vão ficar pra sempre no coração (e outros para serem eternamente citados na lista de "o que caralhos eu estava fazendo ali mesmo?) saiu no Scream & Yell na semana passada (e eu só tive tempo de parar para divulgá-lo por aqui agora). Além do meu texto, o post tem as lindas fotos da Liliane Callegari, como essa daí de cima, e uma votação com mais 14 jornalistas escolhendo os melhores shows do festival. Que venha 2015. 

11 de mar. de 2014

3 Perguntas: Jair Naves, Will Prestes, Boogarins


Muita coisa rolando ao mesmo tempo, e nessas eu nem tive tempo de comentar sobre três entrevistinhas curtas (mas bem legais) que eu fiz nos últimos tempos para o Scream & Yell. A ideia sobre as três é bastante simples: um entrevistado, um fato maior e três perguntas básicas para ele, jogo rápido para o leitor ter informação e o jornalista não se sentir mal por não conseguir dedicar tempo a coisas bacanudas. Nessa vez, falei com Jair Naves, Will Prestes e Boogarins, cada um por motivos diferentes. 

A entrevista com o Jair reflete a turnê do primeiro disco solo dele e a campanha de crowdfunding para financiar o segundo trabalho do rapaz, que é um dos melhores compositores da sua geração. Já o papo com o Will, conhecido por suas letras divertidas e riffs chicletudos com a Wonkavision, fala sobre seu novo projeto, o WAHGEE, que bebe do folk e do country com canções para cantar com a mão no coração. Os Boogarins já são uma conversa antiga, de dezembro do ano passado, refletindo sobre o hype e a influência sessentista dos goianos. Lê aí. :)

4 de fev. de 2014

O Resto... é Ruído

2014 começou cheio de coisas bacanas - e uma delas é que a partir da edição #39, faço parte do time fixo do O Resto É Ruído Podcast, ao lado do Elson Barbosa, do Fernando Augusto Lopes, do Marcelo Costa e da Amanda Mont'Alvão, tomando conta da sexta cadeira do programa - que de vez em quando conta também com o Filipe Albuquerque, integrante original da brincadeira que se mudou pra Curitiba e ainda conta com espaço cativo no RéR. 

Meu primeiro programa teve a participação do Vitor Brauer, guitarrista da Lupe de Lupe, e foi bem bacana, com discussões sobre a cena mineira, listas de fim de ano, "Show das Poderosas" e muito mais -  incluindo "Febril", uma das músicas mais fodas do disco incrível que a banda tuga Linda Martini lançou em 2013, Turbo Lento. Ouve aí, peffoal, e mais uma vez, agradeço aos novos companheiros pelo convite. "Bora!". Quem quiser ouvir, ouve aqui! Se for pra baixar, você pode baixar aqui! (usando o link anterior). 

13 de jan. de 2014

Confissões & Assassinos

Fazemos uma pequena pausa nas listas de Melhores de 2013 (a de discos nacionais chega logo menos, preste atenção) para divulgar dois textos bacaninhas que este escritor publicou em outras páginas nos últimos dias. Vamos lá: 

Exibida originalmente em 1994 pela TV Cultura, a série Confissões de Adolescente marcou época nos anos 1990 ao contar, em formato de crônica, a história de uma família da zona sul carioca formada por um pai viúvo e quatro irmãs na terrível idade da adolescência, além de ter marcado as primeiras aparições televisivas de Deborah Secco e Leandra Leal. Baseada em uma peça original da atriz Maria Mariana (filha do diretor Domingos de Oliveira), que na TV fazia a mais velha das garotas, a série ganha adaptação cinematográfica no começo deste 2014 pelas mãos da GloboFilmes, do diretor Daniel Filho (que participou da série há vinte anos) e do roteirista Matheus Souza (Apenas O Fim). 




Um game que vira livro que vira história em quadrinhos e vai virar filme. Poderia ser um verso de Drummond sobre a indústria do entretenimento, mas é apenas o caminho do sucesso de uma das maiores franquias do mundo dos videogames nos dias de hoje: Assassin’s Creed. Criada em 2007, a saga é um fenômeno de vendas: são 60 milhões de jogos divididos em dez episódios, 200 mil exemplares de histórias em quadrinhos e 2,7 milhões de livros – com 1,4 milhões de exemplares vendidos apenas no Brasil, onde o livro é publicado pela editora Record.