Prosseguimos hoje com mais uma parte do Melhores 2012 do Pergunte ao Pop. Depois da etapa nacional, apresentamos agora os melhores discos internacionais de um ano que contou com retornos interessantes (Dexys, The Beach Boys, Ben Folds Five), segundos discos instigantes (Bruno Mars, Frank Ocean) e uma estreia de muito peso (Michael Kiwanuka). Entretanto, assim como em 2011 (lembre aqui), os trabalhos de maior destaque dos últimos 12 meses são de veteranos como Neil Young, Ian McCulloch e o vencedor deste ano, o Chefe. Entenda por quê (e descubra quais são os 15 melhores álbuns no link abaixo).
1º: Wrecking Ball, Bruce Springsteen
"This Land is Your Land", do cantor folk Woody Guthrie (um dos maiores artistas da Grande Depressão), já foi considerada informalmente como um hino não oficial dos Estados Unidos, por sua mensagem de união do país aliada a um ideal de igualdade (entenda pela estrofe: "As I went walking I saw a sign there/And on the sign it said "No Trespassing."/But on the other side it didn't say nothing/That side was made for you and me").
Em 2009, durante a posse de Barack Obama (em um momento bastante complicado para os EUA), Bruce Springsteen cantou "This Land is Your Land" ao lado de Pete Seeger. Três anos depois (e sem a presença do companheiro saxofonista Clarence Clemons, morto em junho de 2011), o homem de Nova Jersey é um dos poucos que se arrisca a analisar sem pudores o panorama geral de seu país, denunciando os corruptos e os culpados pela crise, sem deixar de lado o amor por seu lugar ("We Take Care of Our Own", com jeitão de rock arena, refrão arrepiante e letra inspirada em "This Land is Your Land").
Ciente do poder de fogo de uma guitarra (outra lição de Guthrie), Bruce não economiza palavras de força: em "Death to My Hometown", ele diz que "foram os ladrões gananciosos que trouxeram morte à sua terra natal", enquanto em "Easy Money" aparece o personagem que tenta se aproveitar da crise para faturar um dinheiro fácil. Na faíxa-título, Springsteen conclama os homens que tiverem culhões a trazerem para perto suas ferramentas de demolição, e avisa: "tempos ruins vêm e tempos ruins se vão, só para voltar de novo". Entretanto, nem tudo está perdido: nas duas últimas músicas de Wrecking Ball, o artista conta os feridos e os mortos, descobrindo que muitos sobreviveram ("We Are Alive") e, ao citar "People Get Ready" no meio da esperançosa "Land of Hope and Dreams", mostra que há uma luz no fim do túnel, mas para encontrá-la será necessário fé e muito trabalho pela frente. Mãos à obra, Bruce.
Leia: Resenha de Wrecking Ball por Marcelo Costa para o S&Y