10 de set de 2013

ESPECIAL: As 20 melhores músicas de Bruce Springsteen

Começo esse especial do Pergunte ao Pop com uma confissão: durante muito tempo, eu achei que Bruce Springsteen tinha cara de frentista. Acho que era culpa da capa do Born in the USA, aquela clássica na qual ele está de costas com um boné nas mãos, em uma foto tirada por Annie Leibovitz, e dos inúmeros videoclipes que passaram pela minha frente quando eu era pequeno, no qual o Chefe exibia músculos, jaquetas jeans e camisetas agarradas. Foi preciso um bom tempo e a insistência de muitos amigos (dois deles, André Bina e Vinicius Olmos, me ajudaram mais uma vez a pensar e formatar esse texto) para que eu prestasse a devida atenção à obra de Bruce - um cara muito subestimado no Brasil, por sinal, mas que é um herói não só em seu país, mas também em boa parte da Europa.

Foto por Marcelo Costa, ao vivo em Trieste
Foi com a vontade de conhecer mais sobre Springsteen que essa lista foi elaborada - me ajudar a descobrir mais sobre ele, mas também ajudar o ouvinte iniciante que não sabe por onde começar a desbravar uma discografia que tem quase vinte discos de estúdio, e inúmeros petardos ao vivo.

Aproveitando a segunda passagem do Chefe pelo Brasil (a primeira, em 1988, teve apenas um show curto em São Paulo, em uma turnê coletiva com Peter Gabriel e Sting), tomei a liberdade de convidar amigos, jornalistas e palpiteiros para tentar escolhermos, juntos, as melhores músicas de sua vasta carreira. Para quem não sabe, o líder da E Street Band faz dois shows no país em setembro: no dia 18, no Espaço das Américas, em SP, e três dias depois, encerra a penúltima noite de Rock in Rio, após shows de John Mayer e Skank.

Não foi uma tarefa fácil. Mais uma vez, pedi aos votantes que escolhessem suas cinco canções favoritas do autor, em ordem de preferência, acompanhadas de um textinho que justificasse a escolha do primeiro lugar. A pontuação foi dada em ordem decrescente, com 5 pontos para o primeiro lugar, 4 para o segundo e assim por diante.

Muitos reclamaram do pecado de não conseguir colocar 5 canções em uma lista - teve até gente que disse não conseguir fazer um top 5 dentro de um disco. Houve aqueles que definiram critérios: "uma nova, uma antigona, um lado-B, um sucesso e a primeira música que eu ouvi do cara". Outros foram totalmente pessoais, e, curiosamente, teve até um votante que fez uma lista bastante instigante. Por não gostar de Bruce como cantor, ele elencou cinco releituras da obra do cara por outros artistas. Para você descobrir quem é, além de conferir todos os votos e textos que tornam este especial ainda mais saboroso, basta clicar aqui.

Ao todo, 53 canções foram citadas pelo Colégio Eleitoral Pergunte ao Pop (que você conhece no fim desta postagem). Dessas, 23 tiveram mais de um voto - e as 20 primeiras colocadas compõe a lista a seguir - se você quiser ir escutando as canções enquanto lê o texto, o amigo Fabio Carbone editou uma playlist no Spotify (e inclui uma favorita pessoal, "Glory Days", que não fez o top20). Para quem não mergulhou na obra do Chefe, repito o convite de começar agora. Para quem já é fã há muito tempo, faça o que o protagonista de "Thunder Road" sugere a Mary, entre neste carro, pulling out here to win.

AS 20 MELHORES MÚSICAS DE BRUCE SPRINGSTEEN


""Born To Run” sempre me pareceu uma crônica musical perfeita. E universal: tendo como cenário o sonho americano do ponto de vista dos jovens, a faixa é identificável com outras dezenas de lugares ao redor do mundo. Ou todo o resto do mundo. E isso talvez faça com que ela seja um auxílio atemporal para poder respirar, encher o peito de ar e seguir em frente com os planos de fuga que todo mundo deveria ter. Ainda na escola, um velho bibliotecário me disse que “todo jovem é, por essência, perdido na vida. Em qualquer lugar do mundo. E a juventude não está nos números, mas na inquietação que existe dentro do peito”, algo assim. E desde a primeira vez que ouvi “Born To Run”, lembrei dessa afirmação, traduzida por Bruce Springsteen em música. Ou então o tal senhor que a traduziu em uma frase forte para que jovens desesperadamente inquietos não se sentissem tão desgraçados diante do mundo, do sonho americano, dos sonhos impostos, dos sonhos alheios. Ainda há tempo para fugir…" (Lafaiete Junior, Veia Urbana)


"Ninguém canta os Estados Unidos e sua classe trabalhadora como Bruce Springsteen. Nenhuma música encapsula o sonho americano como "Thunder Road". Da primeira nota na harmônica ao grito de liberdade do último verso, The Boss constrói uma das letras mais imágeticas possíveis, até chegar ao que um amigo já definiu como "o mais triunfante dos riffs triunfantes". Em qualquer versão - a original completa, apenas ao piano, no violão -, é impossível se cansar de "Thunder Road": toda vez que ouço, repito pelo menos mais duas vezes na sequência. Nem sempre Mary embarca, mas, sozinho ou acompanhado, sempre imagino o narrador da canção com um cigarro no canto esquerdo, a roupa da formatura da noite anterior amassada no corpo, a gravata no banco de trás, uma garrafa de bourbon quase vazia entre o motorista e o banco do passageiro, a janela do carro aberta rumo ao horizonte, onde o sol nasce. Conforme o instrumental chega ao fade off, o carro vai ficando mais distante, o futuro inteiro à frente. O que mais pode se pedir?" (Tiago Agostini, MSN/Rolling Stone)


"No início dos anos 1980 o jogo ainda era uma atividade legalizada em Atlantic City, uma das cidades mais pobres de New Jersey. Grandes cassinos foram construídos ao longo da década, rapidamente se tornando pontos turísticos que constrastavam com a pobreza da cidade (que, consequentemente, também era um paraíso para o crime organizado). A primeira linha da canção (They blew up the Chicken Man in Philly last night) foi escrita a partir de um artigo de jornal que contava a história de Phill Testa (o “chicken man”), o segundo grande mafioso da região (o primeiro era Angelo Bruno). Após o assassinato de Bruno, Testa foi morto por uma bomba colocada em sua varanda. O mandante foi Nicky Scarfo, que passou a controlar os criminosos da Filadélfia e o esquema dos jogos nos cassinos. Um dos momentos mais sombrios e soturnos da carreira do mestre Springsteen." (Raul Ramone, Move That Jukebox)


"Os fãs mais ardorosos de Bruce vão me xingar, mas vê-lo fazendo canções pra filmes acabou me oferecendo uma aura de respeitabilidade que não enxergava nele antes. Embora "Filadélfia" pareça hoje um filme cheio de clichês, isso foi o tempo que nos fez perceber, porque à época, ainda com o furacão do medo e preconceito da AIDS sendo sentido, ele se mostrou muito tocante. E se mostra ainda mais tocante com essa impressionante interpretação de Bruce. Foi a música que me fez perder o preconceito que eu tinha com a obra dele, a porta de entrada, mesmo que eu ainda não me empolgue tanto quanto deveria." (Fernando Augusto Lopes, Floga-se)


"Porque Patti Smith já havia imprimido uma emoção ímpar para esta música (seu maior sucesso) e Bruce soube dar sua versão, bastante particular. E porque tem o verso "because the night belongs to lovers / because the night belongs to us". Só por isso". (Rodrigo James, Alto Falante)"





"É uma musiquinha descaradamente pop, sem o tom épico tantas vezes associado ao melhor da obra do cara, mas é a minha favorita. É a melhor faixa do meu álbum preferido dele, The River" (Marco Barbosa, Telhado de Vidro)






"Eu era criança quando vi o Bruce Springsteen pela primeira vez na tevê. Não lembro se foi no clipe de “We Are the World” ou “Born in the USA”. Mas o fato é que, durante anos, a imagem do boss que ficou na minha cabeça foi a de um roqueiro de arena, de um artista totalmente pop (e meio bronco). Só fui conhecer o lado mais “profundo” da obra dele bem depois, já adulto, comprando os primeiros LPs nos sebos e prestando atenção em cada trabalho novo. Ainda assim, quando o assunto é Springsteen, minha memória afetiva imediatamente acessa o repertório radiofônico do sujeito – especialmente, “Dancing in the Dark”, uma daquelas músicas que vão tocar para sempre nas FMs". (Omar Godoy, O Último a Sair)


"A influência do tecnopop vigente na época contribuiu na sonoridade pop rock do disco sem prejudicar a pegada encorpada da E Street Band, e 15 milhões de norte-americanos foram às lojas atrás do álbum. O cinismo afiado de "Born in the USA", que questiona o tratamento do governo para com os veteranos do Vietnã, passou batido por muitos, que, focados no refrão, tomaram a canção como um elogio à vida norte-americana (“Sob a sombra da penitenciaria / Ou perto das chamas de gás da refinaria / Estou há 10 anos sem rumo / Nada para fazer, nenhum lugar para ir: Nascido nos Estados Unidos”, provoca Bruce)." (Marcelo Costa, Scream & Yell)


"A gaita, o clima lo-fi e intimista, a cadência. Tudo isso faz com que a faixa que abre e dá nome ao meu disco preferido de Springsteen seja a minha nº 1 entre todas as suas músicas. Impossível não se arrepiar nos momentos em que a gaita toma de assalto o lugar da voz". (João Vitor Medeiros, Catárticos)





"Meu disco preferido. Escolhi "Darkness On The Edge Of Town" por ser a primeira música desse álbum que escutei na vida, lá no noroeste fluminense de uma Itaperuna da primeira metade dos anos 90, dentro da fitinha que o funcionário da loja de discos gravava em troca da minha mesada semanal. Até hoje não sei a razão da escolha do amigo que criava as mixtapes, mas sinto que é um dever repassar a indicação." (Manoel Magalhães, Harmada)

20 º - The Rising  e Something in the Night – 6 pontos (2 votos)*

*definido pelo critério de desempate: a vantagem fica com a música com maior número de votos, e, caso persista o empate, com as melhores colocações (P.ex., um primeiro lugar e um quinto lugar valem mais que um segundo e um quarto).

OS 28 VOTANTES:

Adriano Costa - @coisapop – Coisa Pop 
Anderson Oliveira - @mundodeandy – Revista SOM 
André Bina – idealizador da lista 
Bruno Capelas - @noacapelas – Pergunte ao Pop/O Estado de S. Paulo 
Carlos Eduardo Lima – Monkeybuzz/Rolling Stone 
Eduardo Martinez - @eduardoapm – TV Tem/A Ilha dos Mendigos
Fábio Bridges - @fabiobridges – Pequenos Clássicos Perdidos
Fernando Augusto Lopes - @flogase – Floga-se/O Resto é Ruído 
Giancarlo Rufatto - @rufatto – 50 Discos para Cecília/músico 
João Vitor Medeiros - @indiedadepre – Indie da Deprê/Catárticos 
Lafaiete Jr. - @veiaurbana – Veia Urbana
Leonardo Vinhas - @leovinhas – Scream & Yell 
Lorena Calabria - @lorenacalabria – jornalista 
Luiza Aloi - @luli_aloi – Lizt Blog/Rock’n Beats 
Manoel Magalhães - @chelseanights - Harmada 
Marcelo Costa - @screamyell – Scream & Yell 
Marco Barbosa - @bartbarbosa – Telhado de Vidro 
Maurício Angelo - @mgangelo – Movin’ Up 
Omar Godoy - @ogrunhido – O Último a Sair 
Otaner La Cumbuca - @lacumbuca – La Cumbuca 
Pedro Hollanda - @phollanda – Tall Buildings Shake 
Pedro Salgado - @woorman – Scream & Yell 
Raul Ramone - @raulramone – Move That Jukebox 
Rodrigo James - @rodrigojames – Alto Falante
Thiago Pereira - @thiagopereira27 – O Tempo/Alto Falante 
Tiago Agostini - @tiagoagostini – MSN/Rolling Stone 
Tomaz de Alvarenga - @tomazalvarenga – Correio Braziliense 
Vinicius Olmos – idealizador da lista

Antes do fim, uma última dica: se você gostar da brincadeira, recomendo a leitura da discografia comentada que o chapa Marcelo Costa (outro incentivador incondicional da apreciação de Bruce) escreveu para o seu Scream & Yell

3 comentários:

  1. Because the Night em 5o? Acho que esse sistema de top5 com pontuação traz umas distorções que não representam bem. E não foi só o Bina e o Vini que te falaram de Bruce (nem de Californication e umas outras coisas...)

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  2. Tirando 1, 8 e 9, as outras falam coisas pouco relevantes e tocantes sobre as músicas, as letras, o impacto que essas músicas provocaram na pessoa. Valeu a intenção, mas acho que está longe de ser uma chave de entrada para a obra de Bruce.

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    1. Sou fá do Bruce há mais de 20 anos, detonei uma fita cassete no meu fusca de tanto ouvir, Born in the usa. Lamento não estar na lista musicas como I on fire, no surrender, my city in ruins, glroy days, e a melhor de todas land and hope and dreans.

      julio cesar landi - jclandin@gmail.com

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