3 de jun de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Rock'n Roll Burger

Rua que dá nome a um dos primeiros grandes rocks compostos em solo pátrio, a Augusta é talvez o logradouro com maior concentração de hamburguerias ao longo de sua extensão, para não falar nos bares, puteiros e inferninhos que se dedicam ao ~bom e velho rock'n roll~. Dito dessa maneira, parece até natural a existência de uma casa chamada Rock'n Roll Burger no coração do Baixo Augusta, coisa de uns cem metros para baixo do Beco e do antigo Studio SP (hoje, Da Leoni Bar). Há tempos que eu vinha marcando de cravar mais esse lanche na lista do MHC, especialmente depois de saber que o cardápio era cheio de trocadilhos com nomes de artistas, bem como o grande X-Maru, de Joaçaba, que contém lanches como os Ovos Baianos, Kurt Cobacon e David Boi (saiba mais aqui).


Na última quinta-feira, antes do show dos alemães do Tusq, estive lá com a (faltam palavras) Tássia Kastner. A bem da verdade, o ambiente do Rock'n Roll Burger é a personificação de um restaurante da Kiss FM: tem lá seus momentos bons, especialmente quando engata uma boa sequência de clássicos, mas não se deixe enganar pelos garçons mais ou menos bem treinados, pelos pôsteres na parede e pelas máquinas de pinball (R$ 4 a ficha, e é óbvio que eu não joguei): em algum momento, alguém vai mandar um lado-B do Deep Purple ou um ~hino do Sabbath na fase do Dio~ e você vai pensar: "o que caralhinhos eu estou fazendo aqui?". A resposta é simples: pra comer um lanche, oras. Então, bora pro cardápio. 

A originalidade talvez não chegue aos pés da lanchonete de Santa Catarina, mas tem lá seu destaque: há uma porção de bolinhas de carne picantes chamada Great Balls of Fire, uma sobremesa chamada David Brownie e (a melhor piada de todas) um lanche vegetariano chamado INDIE BURGER (além de outro chamado Fugazi, hehe). 

Fã de Bowie, a Tássia ficou com o modesto Stardust, enquanto eu, faminto como sou, ataquei o Fat Elvis: dois hambúrgueres do blend rock'n roll (seja lá o que seja isso, né, senhor), bacon, cheddar, queijo prato, alface, tomate e... maionese, claro. Tudo isso pela bagatela de R$ 28,90, acompanhando fritas. (E uma Soda Antarctica, uma vez que a casa não trabalha como Coca-Cola. Hmpf). 

Começando pelo que é paralelo: as batatas até prometiam alguma coisa, mas chegaram frias à mesa, como se já tivessem sido fritas antes e apenas tentaram dar uma requentada. Não, Axl Rose, a gente não tá falando de você não. Já o lanche... bem, ele cumpre o que promete, especialmente por seu nome: Elvis Gordo. 

Se você já se dedicou a ouvir à obra do Rei do Rock, sabe com certeza dividir a linha entre Elvis Magro (jaquetas de couro, Havaí, suíngue, pélvis) e Elvis Gordo (terno branco e azul, fivelão de ouro, cocaína e Las Vegas). E sabe muito bem qual é a fase boa e a fase ruim - se não souber, pense que Elvis Gordo = Roberto Carlos do especial de Natal da Globo e tudo vai dar certo. Seja Elvis, seja RC, você sabe: é até legal, mas podia ser tão melhor... 

Trocando em miúdos: o Fat Elvis tem lá suas qualidades. A carne é boa, apesar de ter ponto de sal totalmente desequilibrado; o bacon merece respeito e o pão é bacaninha. Entretanto, com tanta coisa no lanche (como misturar guitarras, arranjos de cordas e backing vocals desmilinguidas), fica difícil perceber mais qualidades: os dois queijos brigam por espaço e acabam se matando; a maionese some no meio da parede de som, e a alface e o tomate fazem o papel daquele momento que é só firula no show. Muito barulho por nada, mas, ainda assim, como diriam os Stones, it's only rock'n roll, and I kinda like it. 

Nota: 2,75 fatias de bacon

20 - Fat Elvis, Rock'n Roll Burger - Augusta (2,75)

PS: Algumas críticas de hambúrguer merecem capítulos à parte. Essa, uma citação, do romance que ainda marca grandes capítulos da minha vida.

"Intervalo do nosso show. Estou sentado na beira do palco bebendo um copo de cerveja. Um senhor vem falar comigo.
- Ei, garoto!
- Oi?
- Será que vocês podem tocar Elvis?
- O Rei?
- Sim, eu e minha esposa queremos dançar Elvis.
- Elvis gordo ou Elvis magro?
- Desculpa?
- Esquece... Qual música?
- Aquela que diz “I can’t help falling in love with you”.
- Ah.. Elvis magro. Ok. A gente toca. É a minha predileta do Rei.
- É verdade?
- Sim. Amo esta música. Belíssima balada.
- Sabe, garoto, foi ao som desta música que eu e minha mulher nos beijamos pela primeira vez

(...)

O senhor vai embora, todo feliz. Antes que ele desapareça entre os outros convidados, eu grito:
- Ei!
Ele vira.
- Sim?
- Eu quero ver um beijo.
Ele faz sinal de positivo. E nós dois sorrimos".
(O Clube dos Corações Solitários, André Takeda)

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