19 de nov de 2013

Rapidinhas: Nevilton, Guilherme Arantes

Sacode, Nevilton (Oi Música)

Em 2011, ao lançar seu primeiro trabalho de fôlego após anos percorrendo o país na cena independente, os paranaenses da Nevilton surpreenderam com o pop-rock inteligente no disco “De Verdade”. Duas temporadas depois, Nevilton de Alencar (voz, guitarra e composições), Tiago Lobão (baixo) e Eder Chapolla (bateria) retornam ainda melhores com “Sacode”. Financiado por meio de um edital da Oi e com produção impecável de Carlos Eduardo Miranda e Tomás Magno, o álbum elimina os poucos excessos da estreia e investe em uma sonoridade roqueira, sem deixar a brasilidade e o lirismo de lado. É o caso de “Porcelana”, uma moda de viola com guitarras nervosas e refrão poderoso (”Ouça o queixar dessa insana / vida frágil, porcelana / trincando ao tocar o chão”), da balançada faixa-título, que soa como um Queens of the Stone Age de férias na praia, ou de “Noite Alta”, pop-rock cativante com vocal de inflexão caipira e um olho no despertador, outro na vida boa. Versátil, o trio tem potencial para atrair entusiastas de todas as faixas etárias. O moleque que acabou de comprar a primeira guitarra provavelmente vai se divertir com a ramonística “Bailinho Particular” e perceber que há vida além dos Black Keys com “Crônica”. Por outro lado, o tiozão barrigudo fã de Creedence se emocionará com a fofura de “Friozinho”, e ficará nostálgico com a dançante “Satisfação”, carregada pelo baixo portentoso de Lobão. Seja qual for a sua idade, fica aqui o conselho: desligue o celular, coloque “Sacode” para tocar e deixe a vida soprar no coração.

Preço em média: R$ 29
Nota: 9

Condição Humana (Sobre o Tempo), Guilherme Arantes (Tratore)

Pode parecer mentira, mas já houve um tempo no qual o Brasil brigava com a inflação, a Playboy exibia coelhinhas com pelos pubianos e Guilherme Arantes era rei nas paradas de sucesso. Se, a julgar pelos dois primeiros, 2013 parece ser o ano perfeito para o revival daqueles dias, a terceira condição pode ser satisfeita com a existência de “Condição Humana”, primeiro disco de inéditas de Guilherme em quase uma década. Lançado pelo selo do próprio artista e distribuído pela Tratore, o álbum não deixa de lado o romantismo que fez sua fama. “Tudo que eu só fiz por você” e “Oceano de Amor”, por exemplo, entrariam facilmente na trilha de qualquer novela global. Entretanto, os anos de retiro na Bahia e o esquecimento do mercado deixaram marcas em Guilherme, que volta crítico aos holofotes, tentando entender a velhice (“Olhar Estrangeiro”) e disparando contra aqueles que o abandonaram (“Onde Estava Você”, com a participação de Edgard Scandurra e um coral “indie” do circuito SESC-Baixo Augusta que inclui nomes como Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Tiê, Marcelo Jeneci e Adriano Cintra, entre outros). O melhor momento do disco, porém, é o balanço ingênuo, mas sincero, das mudanças do país nos últimos 30 anos, na boa “Moldura do Quadro Roubado”, com belas guitarras de Luiz Sérgio Carlini. Seja como for, o saldo é positivo: “Condição Humana” pode não ser o comeback que Guilherme Arantes merece, mas é o que ele precisa agora.

Nota: 8
Preço em média: R$ 25 (nacional)

Originalmente publicado no Scream & Yell, em setembro e maio de 2013, respectivamente. 

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