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19 de nov. de 2013

Rapidinhas: Nevilton, Guilherme Arantes

Sacode, Nevilton (Oi Música)

Em 2011, ao lançar seu primeiro trabalho de fôlego após anos percorrendo o país na cena independente, os paranaenses da Nevilton surpreenderam com o pop-rock inteligente no disco “De Verdade”. Duas temporadas depois, Nevilton de Alencar (voz, guitarra e composições), Tiago Lobão (baixo) e Eder Chapolla (bateria) retornam ainda melhores com “Sacode”. Financiado por meio de um edital da Oi e com produção impecável de Carlos Eduardo Miranda e Tomás Magno, o álbum elimina os poucos excessos da estreia e investe em uma sonoridade roqueira, sem deixar a brasilidade e o lirismo de lado. É o caso de “Porcelana”, uma moda de viola com guitarras nervosas e refrão poderoso (”Ouça o queixar dessa insana / vida frágil, porcelana / trincando ao tocar o chão”), da balançada faixa-título, que soa como um Queens of the Stone Age de férias na praia, ou de “Noite Alta”, pop-rock cativante com vocal de inflexão caipira e um olho no despertador, outro na vida boa. Versátil, o trio tem potencial para atrair entusiastas de todas as faixas etárias. O moleque que acabou de comprar a primeira guitarra provavelmente vai se divertir com a ramonística “Bailinho Particular” e perceber que há vida além dos Black Keys com “Crônica”. Por outro lado, o tiozão barrigudo fã de Creedence se emocionará com a fofura de “Friozinho”, e ficará nostálgico com a dançante “Satisfação”, carregada pelo baixo portentoso de Lobão. Seja qual for a sua idade, fica aqui o conselho: desligue o celular, coloque “Sacode” para tocar e deixe a vida soprar no coração.

Preço em média: R$ 29
Nota: 9

Condição Humana (Sobre o Tempo), Guilherme Arantes (Tratore)

Pode parecer mentira, mas já houve um tempo no qual o Brasil brigava com a inflação, a Playboy exibia coelhinhas com pelos pubianos e Guilherme Arantes era rei nas paradas de sucesso. Se, a julgar pelos dois primeiros, 2013 parece ser o ano perfeito para o revival daqueles dias, a terceira condição pode ser satisfeita com a existência de “Condição Humana”, primeiro disco de inéditas de Guilherme em quase uma década. Lançado pelo selo do próprio artista e distribuído pela Tratore, o álbum não deixa de lado o romantismo que fez sua fama. “Tudo que eu só fiz por você” e “Oceano de Amor”, por exemplo, entrariam facilmente na trilha de qualquer novela global. Entretanto, os anos de retiro na Bahia e o esquecimento do mercado deixaram marcas em Guilherme, que volta crítico aos holofotes, tentando entender a velhice (“Olhar Estrangeiro”) e disparando contra aqueles que o abandonaram (“Onde Estava Você”, com a participação de Edgard Scandurra e um coral “indie” do circuito SESC-Baixo Augusta que inclui nomes como Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Tiê, Marcelo Jeneci e Adriano Cintra, entre outros). O melhor momento do disco, porém, é o balanço ingênuo, mas sincero, das mudanças do país nos últimos 30 anos, na boa “Moldura do Quadro Roubado”, com belas guitarras de Luiz Sérgio Carlini. Seja como for, o saldo é positivo: “Condição Humana” pode não ser o comeback que Guilherme Arantes merece, mas é o que ele precisa agora.

Nota: 8
Preço em média: R$ 25 (nacional)

Originalmente publicado no Scream & Yell, em setembro e maio de 2013, respectivamente. 

16 de out. de 2013

Rapidinhas: Anitta, Vanguart

Anitta, Anitta (Warner)

Você já ouviu essa antes: com cara de menina brincalhona, corpo malhado e atitude entre o sacana e o girl power, uma garota sai do subúrbio do Rio direto para as paradas de sucesso, apoiada em letras provocativas e funks suavizados. Em 2002, a descrição explicaria como o Brasil inteiro ficou ba-ban-do com a loira (falsa) Kelly Key. Onze anos depois, a história se repete com Larissa Machado, que, após cirurgias plásticas, shows com o Furacão 2000 e a adoção de um pseudônimo virou Anitta, “a nova sensação do pop nacional”. Duvida? Então discuta com as 50 milhões de visualizações da canção “Show das Poderosas” no YouTube. Misto de palavra de ordem e futrica feminina de salão de beleza embalada em um arranjo potente, a faixa foi alavancada por um clipe em p&b a la Beyoncè, uma coreografia que valoriza o corpo da cantora e é o carro-chefe de sua estreia em álbum. Lançado em julho, “Anitta”, porém, passa longe de ter um exército pesado de hits, sofrendo com uma produção pouco inspirada – preste atenção na programação percussiva, repetida em todas as canções – e em instrumentações nada originais (nas fracas baladas “Zen” e “Som do Coração”). Liricamente, o disco repete Kelly Key (“Cachorro Eu Tenho em Casa”, “Fica Só Olhando”) e higieniza o discurso de Valeska e Tati Quebra Barraco, repelindo as invejosas (“Achei”) e brincando de femme fatale beirando o sexismo (“Menina Má”, “Meiga e Abusada”). Na verdade, Anitta é que nem o seu “Príncipe de Vento”: agrada aos olhos e faz sonhar, mas é só abrir a boca pra fazer cair da cama.

Preço em média: R$ 19
Nota: 4

Muito Mais Que o Amor, Vanguart (Deck)

Reconciliações não são fáceis. Muitas vezes, acontecem por linhas tortas, e não parecem fazer sentido, mas trazem compensações quando funcionam. Essa talvez seja a principal lição que se possa extrair de “Muito Mais Que o Amor”, novo álbum do Vanguart. Depois de uma estreia acachapante e uma desilusão com o mainstream que rendeu um segundo disco turbulento, que lidava com frustrações e o lado mais tempestuoso do amor, chegou a hora de passar as coisas a limpo. É o que fica claro em “Estive”, uma road song na qual Hélio Flanders conta por onde passou, e, no final, convida o ouvinte a seguir em frente: “Vamos? Vamos!”. O que se vê nas dez faixas restantes são idas e vindas de um eu-lírico que quer acreditar no amor, com declarações simples, mas certeiras (“Meu Sol”, “Sempre Que Eu Estou Lá”), embaladas por arranjos folk-rock, “pra cima”. Até mesmo quando as circunstâncias forçam a se ir à direção oposta, o resultado é muito mais colorido e ensolarado que em “Boa Parte de Mim Vai Embora”, como em “Olha Pra Mim” ou na boa balada mccartneyana “Pra Onde Eu Devo Ir”. O problema é que, depois de dois trabalhos fortes e realistas, “Muito Mais Que O Amor”, por sua veia romântica, não resiste a muitas audições seguidas, como se sua vontade de acreditar no mundo soasse ingênua perto do que a banda já mostrou antes – um paralelo musical do final de “Antes da Meia Noite”, de Richard Linklater. Assim como o romance de Jesse e Celine, esta é uma banda que já nos deu boas emoções. E ainda tem muita lenha pra queimar. É preciso mais que o amor, mas vale a pena acreditar.

Preço em média: R$ 29
Nota: 6,5



Originalmente publicado no Scream & Yell, em setembro de 2013. 

8 de mai. de 2013

31 de out. de 2012

Carly Rae Jepsen, Ben Folds Five

Carly Rae Jepsen - Kiss - 2012

Cinderela do pop de 2012, Carly Rae Jepsen, 26, foi descoberta por acidente pela fada-madrinha Justin Bieber. De férias em sua terra natal, o astro canadense ouvia uma rádio local e se encantou uma canção chamada “Call Me Maybe”. Dias depois, Justin gravou um vídeo dançando a música, que se reproduziu pela web em inúmeros virais. Foi o que bastou para que Carly Rae deixasse de ser uma semidesconhecida para se tornar famosa no mundo todo. Grudento até a medula, sustentado por um arranjo de cordas marcante (como desde “Bittersweet Symphony” ou “A Thousand Miles” não se ouvia), “Call Me Maybe” é o carro-chefe e a melhor faixa de “Kiss”, segundo disco da cantora, todo regravado após o estouro da canção. Além do reforço da internet, o sucesso de “Call Me Maybe” é explicável por seu refrão forte, que retrata uma mudança na dinâmica dos xavecos, pouco retratada até então na música pop: ainda que timidamente (e de maneira conservadora), é a garota quem toma a iniciativa de oferecer seu telefone ao rapaz. Para além do mega hit, “Kiss” é um disco bastante regulamentar para uma cantora pop ‘estreante’. Em pouco mais de 40 minutos (na edição normal: há uma edição deluxe com três faixas bônus e 56 minutos de música), Carly Rae supera um ex-namorado na pista de dança (“Tonight I’m Getting Over You”), não sabe se deve se declarar para um amigo (“Turn Me Up”), farreia muito (“Good Time”) e divide uma balada mela-cueca com o padrinho Justin Bieber (“Beautiful”). De bacana mesmo, vale prestar atenção na divertida prova de carinho de “Guitar String/Wedding Ring”, na qual a cantora sonha usar uma aliança feita com a corda de uma guitarra.

Nota: 5,5

Ben Folds Five - The Sound of the Life of the Mind - 2012

Depois de 13 anos sem gravar um disco completo, o trio norte-americano Ben Folds Five volta à ativa com “The Sound of the Life of the Mind”. Mas que não se engane o ouvinte: apesar da união renovada de Ben Folds (piano e voz), Darren Jessee (bateria) e Robert Sledge (baixo), dos corais inspirados em Beach Boys e do piano empolgado do vocalista, esse é um trabalho para dias de chuva e pessoas melancólicas. Tal noção se torna clara só ao se ler os títulos de canções como “Erase Me” (com condução que remete ao Supertramp) e “Thank You For Breaking My Heart”, por exemplo. As piores porradas, porém, vem de “On Being Frank” (”Eu tinha um sonho / mas os sonhos tinham outros planos pra mim”) e “Away When You Were Here” (”Você podia ter feito meu dia de casamento / Salvo minha juventude / Me ajudado com os meus problemas / Mas você estava longe, mesmo quando estava aqui”). “Do It Anyway”, o primeiro single, contemporiza: “Você pode colocar o seu amor e a sua confiança em jogo / É arriscado, as pessoas adoram destruir isso / Deixe-as tentar”. Entretanto, caro leitor, se a melancolia não for o seu forte, dá pra curtir “The Sound…” sem problemas. É só prestar atenção no domínio vocal de Folds na balançada “Draw a Crowd”, com seu arranjo digno de Jeff Lynne; no baixo distorcido de Sledge, que faz até esquecer a ausência das guitarras na banda; na beleza de “Sky High”, escrita pelo baterista Jessee, e no primeiro single, “Do It Anyway”. Nick Hornby, que escreveu as letras do último disco solo de Folds, “Lonely Avenue”, de 2010, aparece aqui com a bonita faixa-título. Em cerca de 45 minutos, com um disco cheio de canções pop sessentistas, Ben Folds e seus asseclas garantem o resultado numa boa – mas fica a curiosidade se vão levar o jogo para um eventual segundo tempo.

Nota: 8



(publicado originalmente no Scream & Yell)

31 de ago. de 2012

André Mendes, O Terno

André Mendes - Enfim Terra Firme - 2012

Devia ser difícil ser roqueiro na Salvador dos anos 90, dominada por ACM e pela axé music. Mas esses obstáculos não impediram André Mendes de fazer riffs inspirados com a sua banda, a Maria Bacana – dona de uma das músicas mais legais da década, “Repeat Please”. Depois do término da Maria Bacana, Mendes passou um tempo inativo, até ressurgir em 2010 com um belo disco, “Bem Vindo à Navegação”. “Enfim Terra Firme”, seu mais novo trabalho, segue a linha da estreia, com guitarras ensolaradas e letras sentimentais que ganham força com a voz sincera de André. É o que acontece, por exemplo, nas boas baladas “Breve e Leve” e “Tão Sós” (que lembram bastante a Legião Urbana de “As Quatro Estações”), ou de “A cidade que eu digo não”, na qual o cantor deixa claro que não se sente confortável dentro de Salvador. Vale ainda destacar o resgate de uma boa canção da Maria Bacana, “Fome”, e seu refrão pungente: “me conte quantas vezes você já se sentiu só?”. Para ouvir, se aquecer e abrir um sorriso.

Nota: 7,5

O Terno - 66 - 2012

“66”, disco de estreia do trio paulistano O Terno, foi lançado num show no Auditório Ibirapuera no mês de junho com certo frisson. Duas são as causas de certo alvoroço em torno da banda, formada por Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme “Peixe” (baixo) e Victor Chaves (bateria). A primeira é a faixa-título, que cita Roberto Carlos e dodecafonia para falar sobre a dificuldade de se fazer música inovadora hoje em dia – repare no órgão Hammond tocado por Marcelo Jeneci, que também aparece na bem-humorada “Zé, Assassino Compulsivo”. A outra é Maurício Pereira, dos Mulheres Negras. Pai de Tim, ele oferece ao filho cinco de suas composições, entre elas as boas (embora um tanto quanto paulistas demais) “Modão de Pinheiros” e “Quem é Quem”. Ainda que cercado por cacoetes sessentistas e perpassado por certo vício em temas como a morte e o pessimismo, “66” é um trabalho bacana, de uma banda que merece atenção em próximas temporadas.

Nota: 6,5


(Publicado originalmente no Scream & Yell)

19 de jul. de 2012

Marina Wisnik, Transmissor


Marina Wisnik - Na Rua Agora - 2012

Álbum de estreia de Marina Wisnik, Na Rua Agora aparece já cercado de dois nomes importantes. O primeiro é o do pai de Marina, José Miguel Wisnik, escritor, músico e pesquisador da canção brasileira. O outro é o de Marcelo Jeneci, que assina a produção junto a Yuri Kalil, do Cidadão Instigado. Em sua extensão, Na Rua Agora funciona bem como uma colcha de retalhos, sendo construída a partir de pequenos relatos que poderiam estar num diário (ou em uma timeline discreta no Facebook). A faixa título, “Deitada em Si”, e “Primeiro Céu” contam pedaços do cotidiano de um eu-lírico urbano-sentimental. Falando dessa maneira, parece algo supersofisticado, mas não é nada que não tenha sido visto antes. Nos últimos anos, Tiê, Tulipa e Thiago Pethit fizeram trabalhos parecidos com este – por sinal, Pethit dueta com Marina em “Dezesseis”. Na Rua Agora não é um disco incrível, mas suas canções podem aquecer vários corações nesse inverno que se anuncia.

Download em A Musicoteca 
Nota: 6,5

Transmissor - Nacional - 2011

Em seu primeiro álbum, Sociedade do Crivo Mútuo, os mineiros da Transmissor já mostravam boa mão para canções pop (faça o teste com “1º de Agosto” e perceba que ela ficará na sua cabeça por vários dias), mas soavam um pouco cansativos ao longo do disco. Felizmente, Nacional, mais recente trabalho da banda, não sofre do mesmo problema, recuperando o Clube da Esquina pela estrada do rock. Mais próximo de Lô do que de Milton, Nacional soa como a continuação de uma veia que o Skank poderia ter seguido com “Dois Rios”, mas deixou de lado não se sabe bem por que. Vale prestar atenção em versos apaixonados como “fiquei molhado pela chuva do teu não” (“Dessa Vez”, belo encontro entre McCartney e Flávio Venturini) e na beleza do refrão de “Bonina”. Aproveite ainda para assobiar e trazer o sol para o seu lado da rua com a bonita “Só Se For Domingo”, a candura de “Dois Dias” e a versão esperta feita para “Nada Será Como Antes”, de Milton e Ronaldo Bastos. Você não vai se arrepender.

Nota: 8,5





(publicado originalmente no Scream & Yell)

15 de jun. de 2012

Rapidinha: Os Pontos Negros


Os Pontos Negros - Soba Lobi - 2012

Em seu terceiro disco, os portugueses dos Pontos Negros voltam com mais peso nas guitarras e um pouco mais de raiva nas letras, depois de “Pequeno Almoço Continental”, de 2010, por cujos refrões Julian Casablancas daria um braço. Com uma formação que conta com duas guitarras, bateria e teclados, a banda tem nome inspirado nos White Stripes, mas nega a inspiração em uma das melhores músicas de 2012, “Senna”, cuja letra proclama: “Esse mundo quer ser Schumacher/Eu prefiro ser Ayrton Senna”. Ao longo do álbum, eles ainda cutucam a louvação da melancolia (“Eu + Eu = Ninguém”), chamam Dom Sebastião de “mandrião”, espelhando o momento político de Portugal (“Prolongamos o Sonho”) e contam a trágica história de uma garota que vestia uma t-shirt dos Ramones (“Gabriela”). No final, porém, eles avisam que “depois da queda vem a ascensão”. Para além do sotaque, “Soba Lobi” mostra que devíamos prestar mais atenção ao rock feito do outro lado do Atlântico.



20 de mar. de 2012

Wado, Lana e o Clube da Esquina

Segunda-feira sempre é um dia corrido aqui (aula de manhã e de noite, trabalho durante a tarde), mas eu sempre faço questão de deixar uma rapidinha aqui. Hoje, dois clipes que saíram nos últimos dias e uma matéria bem bacana do Estado de Minas. Vamos lá:


Que o cantor alagoano/catarinense Wado é um dos grandes nomes do cenário independente brasileiro hoje, não há dúvidas. Mas, se você precisa ainda de algum motivo pra reforçar isso, vale dar uma olhada no clipe que ele soltou no fim de semana de "Si Próprio", parceria entre ele e Zeca Baleiro que abre seu mais recente álbum, Samba 808 - sexto colocado no melhores do ano do PaoP e segundo melhor disco na votação do Scream & Yell de 2011. Para o Scream &Yell, fiz a cobertura do show de lançamento do Samba 808 em São Paulo, e também uma entrevistinha curta antes de sair o disco.

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Queria ter tido tempo - e aproveitado o momento - pra poder falar de Lana del Rey, o hype dos hypes de 2011/12. Até que eu gostei bem do disco dela, Born to Die, que saiu em janeiro e tem uma capa bem... subúrbio sexy dos anos 60. Além da bonitaça "Video Games", e dos singles que ela lançou ano passado, ainda curti a inédita "National Anthem". Lana lançou hoje o clipe oficial de "Blue Jeans" - uma pena ela ter deixado pra trás aquela estética chic-revival-colagem dos primeiros vídeos do Youtube. Provavelmente não vou conseguir falar do disco e da repercussão dele - até porque meu chapa Bruno Federowski já o fez muito bem num texto bacana para o Scream & Yell. Federowski, além de tocar o bom (e raro) blog de jazz  Blue & Sentimental, estuda comigo na ECA e foi meu parceiro no Pop to the People.















E nesse domingo, o Estado de Minas fez uma daquelas matérias que todo jornalista sonha em fazer: eles foram atrás dos meninos que ilustraram a capa de um dos discos mais sensacionais da história da música brasileira (este que vos fala cogita que este é um daqueles álbuns pra levar pra ilha deserta). A história, que você pode ler no site do jornal, correu a Internet ontem, mas vale a pena deixar registrado. 

14 de mar. de 2012

Spektor Strikes Again

E a boa da semana (que eu só consegui parar pra ouvir agora, dada a correria que se instaurou por aqui) é a música nova da Regina Spektor. Minha musa adolescente (Begin to Hope foi um disco marcante de um ano difícil, e até hoje é um dos favoritos da casa, como vocês vão ver) lançou uma música nova, "All The Rowboats", que deve dar uma pista do seu disco novo, What We Saw from the Cheap Seats. Confira aí:



Até onde eu consegui interpretar, nada de muito novo em termos de sonoridade - o que não é algo exatamente mau. Vale torcer para que esse disco (que tem um nome bacanudo) não se deixe levar pelo problema que afetou Far: a variedade de produtores e de registros sonoros - vale citar, entretanto, a lindeza de "Dance Anthem of the 80's", talvez hoje a minha música favorita da russinha. Como bônus, pra não fazer um post mequetrefe, deixo pra vocês um textinho que escrevi lá em 2006 sobre o Begin to Hope, que na época considerei o disco do ano. Note a minha implicância com os Strokes - eu demorei mais uns dois anos pra realmente gostar dos caras, e talvez alguma ~evolução~ escrevendo.

"A primeira vez que ouvi Regina Spektor eu estava cansado tanto fisicamente quanto psicologicamente e a sua voz aguda foi um remédio para tudo isso. Canções pop simples, que falem da vida de qualquer um (que músico não tem a ambição de escrevê-las?) são o ingrediente principal disso. A primeira metade do disco se dedica a elas, como "Better"(cuja guitarra é tocada por Nick Valensi, dos Strokes - ok , eles são ruins , mas a guitarra é boa), "Fidelity", "Samson", "Hotel Song" e "On The Radio" (cujo tema é uma ocasião que a protagonista ouviu duas vezes "November Rain" porque o DJ da rádio tinha dormido. Incrível). A segunda metade é mais "alternativa , por assim dizer, com "Apres Moi", "Edit", a acelerada "That Time" e "Lady", que remete a Billie Holiday. Disco do ano!".

Pra quem tiver a curiosidade - ou quiser correr o risco de ler mais sobre isso, dá uma olhada no Pop Para o Povo, blog que mantive entre 2006 e 2008.

6 de mar. de 2012

Smiths, Decemberists, Stones

Três coisinhas curtas, pra não deixar a segunda feira passar em branco.


The Smiths: aquecendo as turbinas para o show do Morrissey no domingo (devo falar mais disso durante a semana), pintou hoje na minha frente essa versão puro 8-bit de "This Charming Man". (obrigado, Lê). É meio arcaica precária, mas vale a curiosidade.

The Decemberists: a Rolling Stone americana divulgou hoje uma prévia do disco ao vivo que a banda de Colin Meloy vai lançar dia 13, We All Raise Our Voices to the Air. Duplo, o álbum promete cobrir toda a carreira do grupo, gravado a partir dos shows da turnê do excelente The King's Dead. Ouvi um par de músicas e confesso que o disco promete.

Stones: erhm, não tem nada demais. Mas uma das minhas tarefas de férias era começar a ouvir Stones com o devido rigor que eles merecem. Ultimamente ando viciado na dupla de discos Between the Buttons e Flowers. Por hoje, fiquem com a delícia que é "Backstreet Girl"

11 de set. de 2011

Rapidinhas: Pélico

Que Isso Fique Entre Nós, do cantor paulistano Pélico, é um disco curioso ao unir a sofisticação e a dor elegante da música brasileira pré-bossa nova - vale ver a versão feita pelo músico para "No Rancho Fundo" - com o brega de rádio AM dos anos 70, resultando em um dos trabalhos mais admiráveis de 2011.

A maioria de suas dezesseis faixas são canções de (des)amor, com pessoas em busca de redenção ("Vamo Tentá", com um refrão poderosíssimo), lidando com segredos ("Que Isso Fique Entre Nós") e imperfeições ("Não Éramos Tão Assim"), sentindo saudades ("Levarei") e se perdendo entre pecados e perdões ("Recado"), resultando num painel sentimental tocante.

O único porém, entretanto, é a extensão do álbum, de maneira que uma pérola passa desapercebida no final do disco: a bonita balada "O Menino", com a cara dos souls que Antonio Marcos compunha para Roberto Carlos lá no início dos anos 70, e ao menos um verso pra ficar guardado: "A inocência é um barco que nunca volta ao cais".

PS: Pra quem quiser conferir o som do artista, ele faz no dia 30, às 21 horas, no SESC Ipiranga, uma apresentação do disco, com a participação de Filipe Catto.

22 de ago. de 2011

Driving Music, Gui Amabis

Driving Music - Comic Sans

Toda vez que eu ouço falar de uma banda nova brasileira que canta em inglês, eu sempre torço o nariz - algo que eu já abordei um pouco aqui. Mas quando se tratou do trabalho de Fábio Andrade, sob o nome da Driving Music, algo diferente aconteceu. Comic Sans (disponível para download no link acima), lançado pelo selo carioca midsummer madness em 2011, é um bonito álbum, filho bastardo de discos como Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, e Either Or, do finado Elliott Smith. Pelo menos é o que dá pra sentir em músicas como "Orange Fruit Comes" e "Aphasic Singalong", enquanto "Settle" tem uma condução típica do Manic Street Preachers. O destaque do disco, porém, fica para a facilmente cantarolável "Watching the Wind".

Gui Amabis - Memórias Luso Africanas

O título de Memórias Luso-Africanas pode trazer ao ouvinte alguma ideia de álbum conceitual viajante por motivos particulares e emocionais de Gui Amabis. Não deixa de ser verdade, mas é muito mais uma boa coleção de canções que o produtor fez sozinho, contando com a participação de três nomes em alta rotação na cena indie paulistana: CéU, Criolo e Tulipa Ruiz. Tulipa se apega ao seu padrão romântico-idealista nas fofas "Sal e Amor" e "Ao Mar", enquanto CéU põe à prova todo seu charme em "Swell", uma faixa com cheiro e gosto de maresia. Já Criolo faz bonito na canção "Para Mulatu", que traz consigo algo do passado negro, "toda a beleza dos tambores", como diria o próprio cantor. Vale a pena conferir.

7 de ago. de 2011

Fountains of Wayne, Miles Kane

Pra quem não viu ainda: lá no Scream&Yell saíram dois textos meus recentemente. Um é uma análise sobre a série Harry Potter, e o outro é uma entrevista que eu fiz em maio com o Giancarlo Rufatto, quando a Hotel Avenida ainda existia e veio a São Paulo para dividir o palco com o Lestics. Enfim, tá esperando o quê pra ir lá ler?

Fountains of Wayne - Sky Full of Holes

Adam Schlesinger, um hitmaker à moda antiga, está de volta com sua banda Fountains of Wayne. Pra quem não se lembra - ou não sabe - o baixista Schlesinger é o responsável por duas pepitas pop de filmes musicais dos últimos tempos: "That Thing You Do" (The Wonders) e "Way Back into Love" (Letra & Música). Além disso, junto com seu parceiro Chris Collingwood, compôs "Stacy's Mom", música que catapultou a carreira do FoW para as paradas de sucesso. Em "Sky Full of Holes", não há nenhuma canção que tenha o mesmo punch radiofônico que "Stacy's" tinha. Entretanto, trata-se sem dúvida de um bonito trabalho, pontuado por um power pop delicioso, feito pra ser escutado em estradas com vento na cara. Entre os destaques, a faixa de abertura "The Summer Place", a ensolarada balada "A Dip In the Ocean" e a romântica "A Road Song". A certa altura desta última, o FoW canta: "I've been writing you a road song/It's a cliché, but hey/That doesn't make it so wrong". Às vezes a música pop é só isso mesmo - e tudo bem.

Miles Kane - Colour of the Trap

Colour of the Trap, primeiro disco solo do inglês Miles Kane, tem sido recebido pela crítica inglesa e americana com muito alarde e interesse. Não é para tanto, mas seria injusto dizer que o álbum não merece a sua atenção, caro leitor. O trabalho de Miles pertence inegavelmente aos anos 2000, com caracteres do rock elegante e urgente que aparece, por exemplo, na obra dos Arctic Monkeys - de quem Kane é bem próximo. Entretanto, passeios por sonoridades perdidas durante os anos 60 e 70 dão um colorido todo especial às canções que compõe este Colour of the Trap. Vale a pena dar uma escutada no clima "soul de branco" de "Rearrange", no bonito refrão de "Counting Down The Days", e no charme de "Take The Night From Me". Noel Gallagher, do Oasis, faz backing vocals em "My Fantasy", a faixa mais bacana do álbum.

5 de ago. de 2011

Colin Meloy & Seus Covers

Não, o título do post não é o nome de uma nova banda à moda da Jovem Guarda. Colin Meloy, pra quem não sabe, é o vocalista dos The Decemberists, banda responsável por um dos discos mais bonitos - e surpreendentes do ano até agora. Não escrevi ainda sobre ele aqui, e acho que depois desse artigo enorme - mas que vale muito a pena ler - do Marcelo Costa, no Scream & Yell, não tenho muito mais a acrescentar.

Entretanto, qual não é a minha surpresa em descobrir que além de ter um baita trabalho autoral, o cara - seja com os Decemberists, seja solo - ainda tem um bom gosto e uma capacidade muito bacana de fazer covers geniais. No começo do ano, já tinha aparecido uma versão da banda americana para "Cuyahoga", petardo de 1986 do R.E.M.


Além deste, dá pra prestar atenção em uma boa coleção, que vai desde Sam Cooke ("Cupid") e The Band ("The Weight", ao vivo no Festival de Newport) até Morrissey ("Everyday is Like Sunday") e Leonard Cohen ("Hey, That's No Way to Say Goodbye"). Enjoy ;P

29 de jul. de 2011

Erasmo, Vanguart, CSS

Após um longo inverno - que incluiu o lançamento de um CD/DVD ao vivo pela Universal - finalmente aparecem as primeiras pistas do que será o esperado segundo disco da Vanguart. A banda de Hélio Flanders, que em 2007 trouxe à tona o aclamado auto-intitulado álbum, lançado pela revista OutraCoisa (de Lobão), divulgou nos últimos dias "Depressa". A princípio, ao contrário do que foi anunciado por Flanders por aí em muitas entrevistas, a canção segue bem a linha do trabalho de 2007, com um pouco mais de energia e punch. Esperar pra ver.

Enquanto o Rei entrou num estado de completa letargia musical, seu amigo de fé irmão camarada Erasmo Carlos vem, nos últimos anos, fazendo um trabalho muito bacana - seu último álbum, "Rock'n Roll", de 2009, é um baita disco. Com charme - e o vigor sexual que lhe deu o título de Tremendão - aparece agora "Kamasutra", parceria dele com Arnaldo Antunes que é o primeiro single de seu próximo disco, "Sexo". Entre guitarras e cítaras, Erasmo se diverte dissertando sobre posições, com toda a classe que lhe é possuída.

Já o CSS soltou também essa semana a música de trabalho de seu vindouro álbum. "La Liberación", que é a faixa-título, traz à tona de volta o non-sense que gerou o hype todo em cima do grupo paulistano, ainda no começo da década passada. Em um espanhol digno de Miami - e não de Ciudad del Este - Lovefoxxx berra um hino ao "se joga", feito na medida pra baladas rock. Depois de umas duas ou três escutadas, a música fica na cabeça - e isso é uma melhora em relação a "Donkey" - mas ainda é pouco pra quem fez pedradas como "Off the Hook", "Music is My Hot Hot Sex" e "Superafim".

14 de jul. de 2011

Bidê ou Balde, Cícero

Bidê ou Balde - Adeus, Segunda-Feira Triste

Senhores, a Bidê ou Balde está de volta. Em Adeus, Segunda-Feira Triste - título inspirado na obra de Kurt Vonnegut -, a banda gaúcha traz à tona com força total a ternura e a cafajestagem que permearam os dois primeiros discos da banda. É o que dá pra sentir na sacana "Madonna", que lista em seu refrão os célebres amantes da cantora americana, ou na fofa "(Não Existe Lugar) Mais Longe Que o Japão". "Me Deixa Desafinar", por sua vez, é mais uma das canções irresistíveis e metalinguísticas que a Bidê faz. Ao final, ainda sobra espaço para a mensagem de "Tudo é Preza": nela, apaixonadamente, Carlinhos Carneiro canta que quer "que as canções modernas sejam sempre cheias das palavras certas". Em tempo: além de tudo isso, a banda ainda tem feitos shows históricos por onde tem passado, levando quem os assiste de volta para 2002, 2003. Imperdível.

Cícero - Canções de Apartamento

Primeiro disco solo de Cícero, vocalista da finada banda carioca Alice, Canções de Apartamento passeia por um universo lírico e delicado, que ficou perdido em algum lugar da vida contemporânea. É um convite a adentrar o mundo solitário de um apartamento de 25m², com direito a certas imperfeições que só um som ambiente pode dar, como ele explica no release que acompanha o álbum. Musicalmente, Cícero trafega entre o folk, o rock e a MPB, lembrando ao msmo tempo Caetano Veloso - citado na idílica "Vagalumes Cegos" ("vamos ver um filme/ter dois filhos/Ir ao parque/discutir Caetano/planejar bobagens") - Wilco, Beirut e o Los Hermanos dos últimos discos. As letras do disco acompanham a tônica das melodias, versando sobre relacionamentos ("Açúcar ou Adoçante?"), solidão ("João e o Pé de Feijão") e planos para o futuro. Vale a pena ainda prestar atenção nas referências a Tom Jobim ("Pelo Interfone") e Braguinha ("Laiá laiá").

14 de jun. de 2011

Lady Gaga, Fleet Foxes

Antes de tudo: poucos textos por aqui, eu sei - é final de semestre e tudo fica mais difícil, e ainda tem as colaborações com o Scream & Yell. Se você não sabe do que eu estou falando, veja aqui meu texto sobre o Cultura Inglesa Festival, que teve shows de Cachorro Grande, Miles Kane e Gang of Four. É isso. Procuraremos voltar com a carga normal de textos em breve.


Lady Gaga - Born This Way

Em um disco marcado pelo hedonismo e pela ausência de novidades musicais, Lady Gaga prova que, em sua persona artística, o que cada vez menos importa é a música. Em sua maioria, as canções exibem aquilo que todo mundo já previa que pudesse acontecer: letras fáceis e fúteis, sem o mesmo apelo do disco anterior, mas apelativas até à medula. A sonoridade muito eletrônica e artificial que permeia Born This Way - o álbum - chega até a irritar. Como consolo, resta a faixa título, um bom single, que guarda em sua essência as características de uma boa canção pra pista - mas que, ao contrário do que pensou Elton John, não chega nem aos pés de virar um hino como "I Will Survive" ou outros petardos do gênero. Cabe só esperar o que é que Gaga aprontará em seus clipes e shows - e reduzir o volume a zero.

Fleet Foxes - Helplessness Blues

Helplessness Blues, segundo trabalho dos americanos do Fleet Foxes, vai um pouco além do auto-intitulado primeiro trabalho do grupo. Se em Fleet Foxes o modelo era quase que estritamente "folk medieval", aqui eles se aproximam da música urbana de Simon & Garfunkel - especialmente no que diz respeito a arranjos vocais - , da aura de Elliott Smith e do tom mais místico de Nick Drake, mas sem deixar o passado de lado. Vale a pena prestar atenção na faixa-título, em "Sim Sala Bim", e na grande viagem de "The Shrine/An Argument".

24 de abr. de 2011

Art Brut, Marcelo Camelo

Art Brut - Brilliant! Tragic!

Às vezes, certas bandas precisam de maturidade. Outras sofrem problemas quando evoluem musicalmente um pouco que seja. A banda de Eddie Argos e cia. é um exemplo típico do segundo caso. A estréia, Bang Bang Rock'n Roll, contava com deliciosas e urgentes faixas como "Moving to LA", "Formed a Band" e "My Little Brother" - petardos que dificilmente passavam dos três minutos. Aqui, entretanto, fica de lado a porradaria sonora pra faixas mais trabalhadas musicalmente - o que, para o Art Brut, significa tédio. A ironia de Argos ainda continua afiada, com boas frases aqui e ali, mas ao final de suas dez longas faixas, a sensação que fica é de tempo perdido.

Marcelo Camelo - Toque Dela

Talvez um problema que muitos artistas sofram ultimamente é com a fusão de gêneros - e a consequente rotulação por que passam. Poucos casos são mais emblemáticos que o de Marcelo Camelo. Ele - e sua antiga banda - transita por aquele espaço entre o rock e a música brasileira "tradicional", sem definir de fato em qual oceano navega. Entretanto, é possível perceber que desde Los Hermanos, o disco de 99, até o recente Toque Dela, seu trabalho vem sendo "acustificado" e "MPBizado". Isso se percebe tanto nos arranjos das músicas - poucos deles tem a pegada roqueira de outrota, e muitos nem utilizam guitarras - quanto em algumas referências - "Pretinha" é clara menção aos Novos Baianos, "Despedida" remete à clássica "Marinheiro Só", de Caetano Veloso. É um bonito disco - mas pra quem não quer simplesmente uma memória dos tempos dos hermanos. O destaque fica para "Três Dias", parceria entre Camelo e o quadrinista André Dahmer, e sua bonita atmosfera: "Se tiver insônia, sonha/se faltar a paz/Minas Gerais".

7 de abr. de 2011

The Vaccines, James Blake

The Vaccines - What Did You Expect from the Vaccines?

O título, irônico e talvez autodepreciativo, deixa entrever o hype (sabe se lá de onde surgido) que envolveu o lançamento deste What Did You Expect From the Vaccines?. Em um disco rápido, a banda inglesa, se não faz bonito, também não chega a decepcionar. Mostram-se influências de Strokes e Libertines aqui ("A Lack of Understanding", "Wreckin' Bar (Ra Ra Ra)", "Post Break Up Sex"), embaladas em uma atmosfera lo-fi, sujinha, querendo brincar com a clássica referência do Jesus & Mary Chain. O melhor momento do álbum fica por conta da chupação de "I Should Have Known Better" (ou de sua versão brasileira "Menina Linda") no refrão de "Blow It Up". Rock rápido e esquecível, à moda dos anos 00 e de 90% dos hypes feitos por aí.


James Blake - James Blake

Ao escutar pelas primeiras vezes o disco de estreia do inglês James Blake, a sensação que fica é de que os "blips" e "blops" que o cantor utiliza em suas músicas servem apenas para tornar a audição irritante. Entretanto, passada uma primeira fase de acostumar-se com os elementos eletrônicos, nuances cada vez mais interessantes do trabalho de Blake se mostram. É de se destacar a sua bela voz (que se assemelha, por exemplo, à do cantor andrógino Antony), a boa aplicação do Auto Tune em algumas faixas e o clima romântico-soturno-sentimental-confessional que ele entrega a petardos como "Unluck", "Limit to Your Love" (cover da cantora canadense Feist) e a belíssima "Wilhelm's Scream". Discão, especialmente pra quem não gosta de eletrônica, como este que vos escreve, começar a gostar.

14 de mar. de 2011

The Strokes, The Pains of Being Pure at Heart

The Strokes - Angles


É difícil dizer o que causa mais frustração a respeito do disco novo dos Strokes, Angles: a demora no lançamento (lá se vão cinco anos desde First Impressions of Earth), a qualidade dos trabalhos solos executados desde então (só pra citar dois: o Nickel Eye de Nikolai Frature merece respeito, e o Little Joy de Fabrizio Moretti fez a alegria da galera), ou a influência new wave oitentista que abrange todo o álbum. "Under Cover of Darkness", o primeiro single, até que valia a pena. Não é o que acontece com os synths mal colocados de "You're So Right" ou a batida tétrica de "Games". Dez anos após o influente Is This It?, os novaiorquinos cometem um disco que é o Kid Abelha dos indies: música ruim e ignorável que no máximo pode embalar jantares sem incomodar.

The Pains of Being Pure at Heart - Belong

A banda com um dos nomes mais bacanas dos últimos tempos continua em seu segundo disco o cruzamento entre a sonoridade noise do Stone Roses e a melancolia feliz - se é que isso é possível - do The Cure, e ainda com um pezinho no lo fi. Quer provas disso? A bateria que conduz "Anne with a E" emula durante toda a música o clássico punch de "Be My Baby"/"Just Like Honey"; o teclado de "My Terrible Friend" passaria muito fácil em qualquer B-side de The Head in the Door e boa parte do climão de "Girl of 1000 Dreams" parece ser culpa do pessoal do Guided By Voices. Vale a escutada.