5 de mar de 2014

Folia do Rock: Audac, Supercordas & Holger



Carnaval para quem não é de carnaval: talvez essa tenha sido a proposta nada inovadora, mas ainda assim interessante que percorreu a cabeça dos curadores do SESC Pinheiros para organizar a série de shows Folia do Rock, que reuniu doze bandas independentes de rock em quatro dias diferentes para trocar pandeiro e cavaquinho por guitarras e teclados. O Pergunte ao Pop esteve no bairro mais alemão de São Paulo para conferir o primeiro dia de programação, com a novata Audac, os lisérgicos Supercordas e a porra-louquice vilamadalênica do Holger, com direito à participação do mestre João Parahyba na percussão.

Mostrando em São Paulo pela primeira vez o seu álbum de estréia homônimo, os curitibanos da Audac não fizeram feio, mas também não conseguiram esquentar o palco do teatro Paulo Autran, investindo em uma sonoridade gélida e espacial que mescla teclados saídos diretos de um disco do Duran Duran ou do Ultravox com guitarras barulhentas e viajantes ao estilo do Tame Impala. Produzidos por Gordon Raphael (o mesmo cara que tirou a microfonia de Is This It?, hoje já um clássico dos Strokes) em estúdio, faltou aos iniciantes conseguir afastamento o suficiente para transformar o espetáculo em uma viagem sonora de verdade - embora, deva-se dizer, seja elogiável a postura da banda em palco nesse sentido, com pouquíssimas palavras além de "obrigado". Ainda assim, vale prestar atenção nos próximos momentos da banda, graças a uma canção inspirada como "Brian May Coin", que remete aos últimos trabalhos de Cat Power e Anna Calvi, duas cantoras que parecem ser referência para a voz de Débora Salomão, a bela presença no palco (e na imagem ao lado desse texto). 

Na sequência, o Supercordas fez o mundo parecer um gigante cogumelo sem direito a bad trip. Se em disco a banda soa por psicodélica demais graças às letras viajadas de Pedro Bonifrate, ao vivo tudo parece fazer mais sentido, com o calor das guitarras envolvendo o público. Em um repertório que passeou pelos dois discos do grupo até aqui - com destaque para a execução das bonitas "3000 Folhas", que valeu ao grupo o rótulo de frog rock em 2006 - os melhores momentos ficaram mesmo nas mãos das duas novas faixas que o grupo deve lançar neste 2014 falando sobre, nas palavras de Bonifrate, "o momento desse país onírico que é o Brasil". O Pergunte ao Pop registrou uma delas - "Sobre Amor e Pedras" - e você pode ouvi-la logo abaixo. 

Para fechar a tampa, o Holger repetiu a palavra de ordem do show do Supercordas - ainda que suas propostas sonoras pouco colidam, o grupo paulistano que começou imitando Pavement e está cada vez mais parecido um cruzamento de Beto Barbosa e Luiz Caldas com Vampire Weekend também se mostra mais interessante ao vivo que em estúdio. 



Afinal, o Holger faz música para - adolescentes - dançar, sendo talvez o primeiro caso de boy band surgida direto da Vila Madalena para o circuito Baixo Augusta. Foi bonito ver a beira do palco ocupada por jovens moças sacudindo como se não houvesse amanhã, em uma empolgação que não se via em muitos blocos de carnaval pela cidade, especialmente embaladas pela percussão delirante de João Parahyba (Trio Mocotó), convidado especial desse show. Ao vivo, o grupo também consegue dar a impressão de que não se leva a sério - bom - embora seu público pareça compensar tal fato por demais - ruim. Por enquanto, parece que o liquidificador sonoro da banda ainda está funcionando e não conseguiu concentrar todos seus ingredientes em uma coisa só. Pode ser interessante prestar atenção quando isso acontecer.



Fotos e vídeos por Bruno Capelas

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