18 de mar de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Nico Hamburgueria

Às vezes, entrar em uma hamburgueria é fazer uma viagem cósmica: no The Rockets (péssimo hambúrguer, ótimo ambiente), a passagem é só de ida para os anos 50; no grande Seu Oswaldo, parece que alguma coisa se perdeu no meio dos anos 70 como um boteco com balcões e banquinhos. Ali mesmo, no Ipiranga, existe outra boa hamburgueria que também propõe um passeio aos seus clientes: a Nico Hamburgueria (na Rua Cisplatina, 31), do mesmo dono da pizzaria Sala Vip, do Bar do Nico e da cantina Nico Pasta & Basta. Toda decorada com brinquedos, relíquias de antiquário e miniaturas, a casa conquista o visitante à primeira vista por seu caráter todo charmoso. Mas charme não é suficiente para encher a barriga, então mãos (haha) à obra. 

Já fazia algum tempo que eu queria ir até a casa no Ipiranga, mas só consegui juntar o útil (esta coluna) ao agradável (um bom rolê) na companhia do honorável Guilherme 'Zóide' Bottino, ipiranguista de quatro costados, na semana passada. Para abrir os trabalhos, pedimos Guaraná (não tinha Coca, porque a casa pertence ao grupo que só trabalha com Ambev, ó azar) e uma porção de Onion Rings (R$ 11,00), que vinha acompanhada de molho rosé. 

Pelo preço e pela graça do acompanhamento (parecia até que eu tava brincando de casinha com a minha irmã mais nova, hehe), uma bela pedida - especialmente porque a porção reserva a justa medida entre casca e cebola, quentinha, crocante e sem perder o ponto. Na sequência, uma parada para o cardápio que segue o clima lúdico da casa: além dos lanches montáveis (isso é, você escolhe pão, carne, queijo e acompanhamentos), a Nico Hamburgueria ainda oferece uma meia dúzia de opções "da casa" com nomes criativos como Chapolin Colorado (hambúrguer empanado, queijo, molho pomodoro e rúcula), Snoopy (x-picanha com manteiga aviação) e muitos outros.  Embalado pelo clima malemolente da cebola caramelizada do Vinil Burger, mandei ver num Cebolinha (R$ 23,90): hambúrguer de picanha, queijo cheddar e cebola caramelizada no pão australiano (aquele meio marrom, que servem de entrada no Outback, manja?). 

Confesso que, à primeira vista, tudo que eu pensei quando o Cebolinha (uma cópia grã-fina do Cheddar McMelt, como pode notar o leitor) chegou na mesa foi: "vai da tudo elado, vou mela a mão inteila". Trocadilhos horríveis (e a turma da Mônica) à parte, a verdade é que não se sujar com o lanche é um pequeno desafio, ainda que tudo venha muito bem selado. Na primeira mordida, a sensação é boa, embora um pouco estranha: o pão adocicado e a cebola mais puxada para o azedo que para o doce roubam um bocado do sabor da carne, embora essa não seja uma batalha muito difícil para a picanha. Além disso, é fácil perceber em duas ou três beliscadas que o cheddar é de alta qualidade, diluído para ter um sabor menos forte (ainda bem) e consistência mais pastosa. 

Ao longo do Cebolinha, a sensação de "tem algo faltando aqui" cresce: não porque os acompanhamentos não são de primeira, mas porque a carne deixa um gostinho de quero mais; talvez um pouco de sal ou de alho resolvessem a parada para o clube dos meninos, mas quem vence no fim das contas é o pão e a cebola - algo que poderia passar batido em um lanche mais barato, mas o preço também atrapalha um bocado na avaliação. (Na última mordida, como sugestão do Zóide, ainda provei uma colher de molho rosé por cima de tudo, o que deu outro gosto ao Cebolinha. Mas isso já seria sair fora do combinado proposto pela casa). É uma pena, porque, assim como os planos infalíveis do menino que 'tloca' os eles pelos erres, foi apenas um pequeno detalhe que deixou o Cebolinha longe da vitória e pertinho de uma coelhada. (Entretanto, como a gente é brasileiro e não desiste nunca, vale a nota: em breve desejamos regressar ao Nico para conhecer outra 'historinha divertida'). 

Nota: 3,5 fatias de bacon

10 - Cebolinha, Nico Hamburgueria - Ipiranga (3,5)
15 - X-Maionese, Toninho & Freitas - Clínicas (3)

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