A vida dá umas voltas engraçadas na gente: em 2011, amarguei a dor de não assistir ao show de John Fogerty -- o vocalista e principal compositor do Creedence Clearwater Revival -- em São Paulo, porque o show do Teenage Fanclub na The Week caía no mesmo dia. Cinco anos depois, enviado especial do Estadão a Las Vegas, pude fazer um pequeno acerto de contas com o passado e conferir a estreia da turnê Fortunate Son, baseada no último livro de memórias lançado pelo músico americano. O que eu vi no Venetian Theater -- teatro de um dos principais cassinos da cidade do pecado -- foi uma aula de rock'n'roll, com uma pitada de breguice que não comprometeu o resultado final.
"I had seventeen dollars in my wallet. Seventeen dollars and the fear of writing. I sat erect before the typewriter and blew on my fingers. I started to write and I wrote." (John Fante)
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13 de jan. de 2016
Fortunate Son: quatro vídeos de John Fogerty em Las Vegas
A vida dá umas voltas engraçadas na gente: em 2011, amarguei a dor de não assistir ao show de John Fogerty -- o vocalista e principal compositor do Creedence Clearwater Revival -- em São Paulo, porque o show do Teenage Fanclub na The Week caía no mesmo dia. Cinco anos depois, enviado especial do Estadão a Las Vegas, pude fazer um pequeno acerto de contas com o passado e conferir a estreia da turnê Fortunate Son, baseada no último livro de memórias lançado pelo músico americano. O que eu vi no Venetian Theater -- teatro de um dos principais cassinos da cidade do pecado -- foi uma aula de rock'n'roll, com uma pitada de breguice que não comprometeu o resultado final.
24 de jun. de 2014
O Resto é Ruído #48 - André Forastieri
Uma das mais especiais edições do O Resto É Ruído Podcast que eu participei até aqui.
Eu, Elson Barbosa, Amanda Mont'Alvão, João Vitor Medeiros e Fernando Augusto Lopes dividimos uma meia dúzia de cervejas, empanadas e pratos de peixe chileno com André Forastieri, em um papo sobre Bizz, Folha de S. Paulo, General, a "morte do rock", games e muitas teorias, risadas e bobagens.
De todo o programa, uma frase ficou na cabeça pelos últimos dias. "Steve Jobs é o John Lennon dos dias de hoje". É só uma das ótimas frases de Forastieri. Chega mais pra ouvir aqui embaixo, em um papo delicioso, que, incluso as músicas, tem quase três horas. Mas vale. Eu garanto. (Só não digo que devolvo porque não consigo devolver seu tempo, caro leitor/ouvinte).
PS: Como de costume, mandei ver "o novo pop português" na trilha do programa. Os lembrados da vez foram os rapazes do Dead Combo, com "Waiting for Nick at Rick's Café".
23 de mai. de 2014
O Pulso Ainda Pulsa
O pulso ainda pulsa - e em dose dupla. Fiz um exercício de escrita nesses últimos dias e botei uma cláusula internacional no meu currículo com a história de falar sobre o disco novo dos Titãs, Nheengatu, lançado há cerca de duas semanas através do YouTube. A primeira versão saiu em PT-BR, no Scream & Yell, com piadinhas e #vaitercopasim, e teve uma repercussão bem bacana (até agora, o texto teve 41 comentários).
Na sequência, emendei uma versão PT-PT, com contextualizações e um cheirinho de alecrim, que saiu no Bodyspace.net, do André Gomes, para mostrar aos lusos porque este disco também pode ser relevante (como cá pode ser o dos Xutos & Pontapés, ou o do Linda Martini ou o dos Deolinda...).
2014 acaba de ganhar um ingrediente para se tornar um ano ainda mais surrealista. Enquanto o País se divide entre o “não vai ter Copa” e o “vai ter Copa sim”, a polícia abusa de violência sem nem saber por onde e o estado mais rico da nação vive a ameaça de uma seca e as eleições prometem sujeira explícita, os Titãs voltam a fazer um disco que merece a sua audição, por mais improvável que isso possa soar. Depois de embalar a carreira no lixo com “Sacos Plásticos” (2009) e passar quase dois anos ganhando alguns tostões relembrando o clássico “Cabeça Dinossauro” (1986), o grupo resolve sair das cinzas artísticas e mostrar “Nheengatu”, um trabalho que não prima pela sua força poética, mas sim pela sua urgência e pela raiva.
Leia mais:
- 2011: A vida até parece uma festa: Titãs ao vivo em Santo André
- 2012: Que Não é o Que Não Pode Ser: Titãs toca Cabeça Dinossauro na Virada Cultural
5 de mar. de 2014
Folia do Rock: Audac, Supercordas & Holger
Carnaval para quem não é de carnaval: talvez essa tenha sido a proposta nada inovadora, mas ainda assim interessante que percorreu a cabeça dos curadores do SESC Pinheiros para organizar a série de shows Folia do Rock, que reuniu doze bandas independentes de rock em quatro dias diferentes para trocar pandeiro e cavaquinho por guitarras e teclados. O Pergunte ao Pop esteve no bairro mais alemão de São Paulo para conferir o primeiro dia de programação, com a novata Audac, os lisérgicos Supercordas e a porra-louquice vilamadalênica do Holger, com direito à participação do mestre João Parahyba na percussão.
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16 de fev. de 2014
Bastões de Beisebol, Samba e Rock'n Roll
"Meus ouvidos estão apitando. É uma sensação desagradável,
mas não há nada como um bom show "de rock, barulhento e suado, para lavar a alma.
João, Bel e eu estamos bebendo cerveja em um trailer de x-burger.
Ainda estou meio abobado com aquele beijo, de modo que fico meio no ar enquanto os dois conversam sobre a banda, a última da Courtney Love e o novo filme com o Harvey Keitel".
(André Takeda, Clube dos Corações Solitários)
A vida é um bocado engraçada, devo dizer. As duas últimas semanas foram um bocado didáticas nesse respeito: depois da maratona que foi a Campus Party, meu corpo falou: "aí não, campeão", e resolveu pedir uma folga. Resultado: amigdalite, ida ao hospital, uns muitos dias sem ir trabalhar, virose (é sério) e uma pequena síndrome de "oh meu Deus o que eu estou fazendo com a minha vida vendo Olimpíada de Inverno deitado nesse sofá?" Parecia que as coisas não iriam melhorar muito nos próximos meses, e que tudo o que eu andava fazendo nos últimos tempos era... simplesmente OK. Tanto desânimo quase me fez desistir de uma das coisas com a qual eu andava mais empolgado nos últimos tempos: o Concentra Mas Não Sai, bloco cervejeiro (que discute Mogwai, bebe todas e abstrai) que os amigos Marcelo Costa e Fernando Augusto Lopes idealizaram em tantas mesas de bar e finalmente saiu do papel.
Por bem, acabei indo. E mesmo com toda a chuva, foi incrível: deve existir alguma coisa não explicada pela ciência que gera muita serotonina quando você junta samba, amigos, comida e bebida boa em torno de uma mesa. Porque foi isso que foi a minha tarde de ontem, deixando as pernas doendo de tanto mexer o pé pra lá e pra cá (ou o que deveria ser sambar, risos). Da mesma maneira que juntar rock barulhento, cerveja e risadas também gera muita serotonina - no show do Nevilton na Casa do Mancha logo depois, ou na epígrafe desse textinho bobo. (Eu deveria gastar algumas linhas dizendo como o Nevilton é a melhor banda de rrrrock! brasileiro hoje, mesmo tendo perdido um integrante e se virando nos 30 para levar sua música por aí, no melhor estilo independente de ser, sem perder a ternura jamais, mas isso é algo que eu prefiro deixar para que vocês descubram ao ver um show deles). Talvez essa seja a resposta da vida: enganar em um dia ou em um fim de semana aquilo que alguns meses podem te botar pra baixo. Ou, como diria o mestre Tony Parsons: "fique perto das coisas que você ama, e leve um bastão de beisebol para o resto". É.
(A foto, mais uma vez, é das lentes incríveis da Liliane Callegari. Dá uma olhada nas fotos do bloco aqui)
Por bem, acabei indo. E mesmo com toda a chuva, foi incrível: deve existir alguma coisa não explicada pela ciência que gera muita serotonina quando você junta samba, amigos, comida e bebida boa em torno de uma mesa. Porque foi isso que foi a minha tarde de ontem, deixando as pernas doendo de tanto mexer o pé pra lá e pra cá (ou o que deveria ser sambar, risos). Da mesma maneira que juntar rock barulhento, cerveja e risadas também gera muita serotonina - no show do Nevilton na Casa do Mancha logo depois, ou na epígrafe desse textinho bobo. (Eu deveria gastar algumas linhas dizendo como o Nevilton é a melhor banda de rrrrock! brasileiro hoje, mesmo tendo perdido um integrante e se virando nos 30 para levar sua música por aí, no melhor estilo independente de ser, sem perder a ternura jamais, mas isso é algo que eu prefiro deixar para que vocês descubram ao ver um show deles). Talvez essa seja a resposta da vida: enganar em um dia ou em um fim de semana aquilo que alguns meses podem te botar pra baixo. Ou, como diria o mestre Tony Parsons: "fique perto das coisas que você ama, e leve um bastão de beisebol para o resto". É.
(A foto, mais uma vez, é das lentes incríveis da Liliane Callegari. Dá uma olhada nas fotos do bloco aqui)
20 de dez. de 2013
Na Minha Opinião
Desde o lançamento do livro Eu Não Sou Cachorro
Não, um belo trabalho historiográfico e jornalístico do pesquisador Paulo
César de Araújo, em 2002, a música dita brega tem passado por uma revalorização
crescente na última década, com resgates, tributos e relançamentos buscando
conceder prestígio (às vezes em demasia) a nomes subestimados como Waldick
Soriano, Agnaldo Timóteo e Odair José. No caso desse último, esse movimento
alcançou um ponto importante na noite da última quinta-feira, quando o cantor goiano,
"o terror das empregadas", subiu ao palco do teatro do SESC Pompeia
para apresentar o show Odair José - Quatro Tons, baseado no
relançamento de seus quatro primeiros trabalhos em CD, com organização do
jornalista e produtor musical Marcus Preto.
1 de nov. de 2013
30 One-Hit-Wonders Brasileiros do Século XXI
Você com certeza já viu alguma lista parecida com essa em algum lugar, mas... afinal, este é um texto que quer juntar as pérolas pop (ou pedaços de latão) que grudaram na sua cabeça nos últimos treze anos e foram os únicos sucessos de um artista.A inspiração partiu de uma conversa no Twitter iniciada pela Ana Clara Matta, editora do Rock'n Beats, que divide comigo a brincadeira (ela cuidou da lista gringa, enquanto eu fico com a parte verde-amarela), cresceu a partir de uma postagem dela no Facebook tentando inventariar a brincadeira toda e acabou virando este especial, que você confere aqui e no Through the Frames, blog pessoal dela.
Ao contrário do que se esperava, não vamos contar historinhas, nem te fazer lembrar onde foi parar cada uma dessas bandas, muito menos porque elas fizeram sucesso ou não. Contamos com a sua memória - e claro, um pouquinho de vergonha alheia - para que essa lista funcione. Seja qual for sua idade, o melhor está por vir agora, assim que você apertar o play. É uma verdadeira salada, que vai das coletâneas de funk do DJ Marlboro ao pop-rock melacueca das trilhas sonoras de Malhação, passando por resquícios do axé, do reggae e do rap nacional. Parafraseando um dos maiores hits dessa lista, se-se-sente a mixtape que foi feita pra você.
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10 de out. de 2013
Entrevista S&Y: Bernardo Vilhena
Ele é o homem por trás de algumas das letras mais marcantes do rock nacional, como “Menina Veneno”, “Vida Louca Vida” e “Corações Psicodélicos”, mas pouca gente sabe como é sua cara ou sua voz. No momento em que um de seus maiores sucessos completa 30 anos de idade e um de seus maiores parceiros dá uma guinada à direita, mostrando para que servem seus olhos grandes, sua boca grande e confundindo antigos fãs e chapeuzinhos vermelhos, o letrista e poeta Bernardo Vilhena bate um papo franco com o Scream & Yell.
Na conversa, o carioca relembra como entrou no mundo das palavras, conta a história de como conheceu Lulu Santos, Lobão e Ritchie e participou ativamente da cena roqueira da cidade na virada dos anos 1970 para os 1980. Além disso, ele desmistifica a origem do famoso “abajur cor-de-carne” da letra de “Menina Veneno”. Trinta anos depois, Bernardo aproveita a oportunidade para falar sobre direitos autorais, a PEC da Música e o ECAD hoje em dia, além de revelar que não fala com Lobão há anos. “Há certa babaquice em tentar reescrever e modificar o passado. Ele prega uma amizade com o Cazuza e o Júlio Barroso que ele não teve. O dia que ele parar de cantar as minhas letras no show dele, eu passo a respeitá-lo de novo”.
Estou fazendo uma reportagem grande pra faculdade sobre letristas (em breve falo mais disso), e no meio do caminho, entrevistei o Bernardo Vilhena. O papo foi tão bacana que eu resolvi mandá-lo para o sempre presente Marcelo Costa e o seu Scream & Yell. O resultado da conversa você confere lá. Aliás, vale dizer: o site tá bonito pra caramba, com entrevistas bacanas sobre quadrinhos, música e a coluna-charge do grande Guss de Lucca, Os Segredos de Bernard Bertrand, o crítico cultural.
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8 de out. de 2013
Açúcar, Suor e Cerveja
O último sábado, 5, não teve uma noite comum para a Choperia do SESC Pompeia. No lugar das usuais plateias comportadas que o local costumar receber ao hospedar rodas de samba, novatas bandas independentes ou até mesmo grupos de rap, um dos mais prestigiados palcos de São Paulo foi sede de comoventes rodas de pogo, stage dives e muito, mas muita adrenalina liberada. A razão? A segunda apresentação em solo brasileiro de um dos maiores ícones do rock nas últimas três décadas, o norte-americano Bob Mould.
25 de abr. de 2013
Brilha, Brilha, Estrelinha
Era
uma vez uma banda de rock cujo nome tinha como
inspiração um supermercado de sua cidade, Memphis, nos Estados Unidos, e
que era contratada de uma gravadora responsável por grandes hinos da soul
music. Apesar de ter gravado algumas das mais belas músicas
dos anos 1970 em seu primeiro disco, atraindo aplausos de boa parte da crítica
na época, a tal banda nunca chegou ao estrelato - culpa de "problemas de
distribuição" e, posteriormente, pela falência do selo a qual pertencia.
Entretanto, mesmo escondidas pela poeira do tempo, tais canções fizeram a cabeça de muitos jovens músicos durante as duas
décadas seguintes, o que as fez ganhar sobrevida e incluir a tal banda no
"Grande Livro da História do Rock".
Essa é a história que conta Nothing Can Hurt Me, documentário que joga luz sobre a
vida e a obra do Big Star. Dirigido por Drew DeNicola e Olivia
Mori, o filme foi lançado em 2012 nos EUA, mas tem corrido o mundo em diversos festivais e serve como boa introdução aos não-iniciados no
conjunto que fez Paul Westerberg, dos Replacements, cometer
um verso como "Eu nunca viajo pra longe sem minha pequena grande
estrela".
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5 de fev. de 2013
Casa de Rock
Inaugurada no último dia 18 no SESC Belenzinho, em São Paulo, a exposição SP Rock 70 Imagem reúne fotos, capas de discos e trechos de vídeos de algumas das principais bandas da época, na qual ser roqueiro significava obrigatoriamente ter cara de bandido. Aproveitando o gancho, o Pergunte ao Pop selecionou 15 faixas obrigatórias do rock brasileiro feitas antes de 1982, ano em que "Você Soube Me Amar", da Blitz, estoura nas paradas de sucesso de todo o país e transforma o gênero criado a partir da mistura do country e do blues em algo grande por aqui. Embarque conosco nessa viagem!
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