3 de abr de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Outback

Se você conhece a rede Outback, deve estar muito bem estranhando o que raios ela está fazendo nessa coluna; afinal, o forte da franquia de restaurantes australianos/americanos (metade dos pratos é à moda da Louisiana, não dá pra ficar só na terra dos Cangurus) é o trio calafrio "costela com molho barbecue" + "fritas com queijo e bacon" + "cebola frita". Certo? Pois bem: mas o Outback também tem hambúrgueres, por incrível que pareça, e durante muito tempo eu os desprezei no cardápio. Mas sabia que uma hora eles deveriam ser experimentados - se um lugar manda bem fazendo costela e batata, deve saber fazer bons hambúrgueres. Fui tirar a prova dos nove essa semana com a Giovanna Favarati (que além de ser uma mina muito daora recém-integrada ao rolê, também é garçonete do Outback Anália Franco, na Zona Leste), no Outback do Shopping Bourbon Pompéia. 


Como de costume, a brincadeira começou com o pão australiano & manteiga, espécie de couvert servido de graça (não faz sentido, mas tudo bem) para os clientes para abrir o apetite. Pão australiano, vale dizer, é aquele bem preto e doce que até parece um bolo de chocolate sem açúcar. 

Na sequência, mandamos ver no Smokehouse Burger (R$ 32,75), um verdadeiro colosso em forma de lanche: hambúrguer de 200g de carne, com molho apimentado, cebolas grelhadas, alface, tomate, queijo, maionese e bacon. Ufa. E ainda tinha fritas para acompanhar. Falemos delas primeiro: cortadas à moda belga (e não à francesa, como te ensinaram na aula de inglês da terceira série), mas com resquícios da casca, elas são um perfeito encontro entre as batatas rústicas e as fritas comuns que a gente vê por aí, com direito até a um leve toque de pimenta. Firmeza. Bem firmeza. 

Já o lanche... bem, o que dizer desse lanche que eu mal conheço e encheu minha barriga? Primeira coisa: só coma um Smokehouse Burger se você estiver com fome. Ou acompanhado para dividir: ele tem realmente uma pegada agressiva (um amigo definiu a comida do Outback certa vez como "incrível, mas feita para rasgar teu estômago"), de maneira que é recomendável rachá-lo. Mas como esse colunista não medra diante de sangue... apesar de grande, o Smokehouse é bastante manejável e mordível (isto é: não suja as mãos nem tampouco estoura sua mandíbula). 

Os ingredientes são (quase todos) de primeira linha, com destaque para a carne: embora a garçonete não tenha perguntado qual o ponto, o burger veio selado por fora e levemente rosado por dentro, embora seu ponto de sal e tempero deixassem um pouco a desejar. O queijo (processado) some no meio do contexto, assim como a maionese perde espaço para o molho Flame Burger (uma espécie de Barbecue apimentado que não acrescenta muito). Quem aparece bem, surpreendentemente, é o tomate, fazendo um bom power trio com a cebola e o bacon, ofuscados pela grande quantidade de alface (fatiada, e não em folhas, como se vê por aí). Entretanto, o Smokehouse padece de um grande problema. Falta... liga. 

Falta ao lanche aquele camisa 10 que consiga receber passes e armar grandes jogadas. O guitarrista que consegue perceber a direção da banda e levá-la para o caminho certo. Aquela conversa com uma moça simpática que te faz pular uma batida do coração.  O gosto de chapa suja que deixa tudo uniforme e mais gostoso/gorduroso. Acho que você me entende, caro leitor. "Não sou eu, é você". Ou, passando para um péssimo trocadilho: o canguru não pulou, sabe? Além disso: pagar R$ 33 para ver um canguru pular e ficar sentido que faltou alguma coisa é algo que este blog não pode perdoar. Ou seja, leitor, pode voltar pra costela e ser feliz. 

PS: Como ser gordo é uma ética de vida e não um acaso de saúde, ainda mandamos para dentro um Cinnamon Oblivion, verdadeira montanha de açúcar com sorvete, chantily, morangos, maçãs carameladas, croutons de canela, nozes e o caraio. Isso sim, faz o coração bater. Direto pra um enfarte, mas faz. 

Nota: 2,75 fatias de bacon

19 - Smokehouse Burger, Outback - Pompeia (2,75)

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