30 de set de 2011

Surpresa Numa Noite de Quinta

Assim como a maioria das pessoas, costumo ir a shows quando conheço bem e admiro a obra do artista que se apresentará - o que costuma ser uma garantia de que não vou "perder meu tempo" e deixar de fazer outras coisas importantes vendo aquele espetáculo. Entretanto, uma experiência muito bacana de ser feita é justamente a oposta: embarcar numa apresentação sabendo nada ou muito pouco a respeito do que vai acontecer ali na frente. Foi exatamente o que fiz ontem, no Centro Cultural São Paulo, palco da primeira apresentação da turnê que a banda alemã Tusq fará pelo Brasil nos próximos dias, em parceria com o grupo Eletrofan.
Logo no começo, a ideia me pareceu bastante arriscada e insegura - apesar do show ser de graça, perdi algum tempo pensando "O que é que eu estou fazendo aqui mesmo?" Pelo menos era melhor do que ficar em casa vendo o Rock in Rir, pensava eu. Em uma apresentação curta, de pouco mais de 40 minutos, o Eletrofan abusou de clichês e dos efeitos eletrônicos, em um som que gravitava entre o Muse de Matt Bellamy e o New Order. Falta algo no som da banda de Araraquara, interior de São Paulo - ou talvez sobre a pose exagerada e a tentativa de chamar a atenção. As más línguas diriam que é castigo por citar "Telephone", de Lady Gaga, e "Eleanor Rigby", dos Beatles, em um espaço de tempo tão curto. Mas, como tudo é primeira impressão, talvez o espaço tenha sido inadequado: a sala Adoniran Barbosa, com seu formato de arena e dois andares, pouco se parece com uma pista de dança, e talvez nada fizesse mais sentido para o Eletrofan do que a frase de Gaga: "I've got my head and my heart on the dancefloor". A noite parecia perdida. Parecia.
Após 15 minutos de intervalo, o Tusq transformou a noite em uma agradável surpresa. As canções dos alemães têm em si uma força dramática bonita, realçada pelas camas feitas pelos sintetizador Korg ou pela sanfona tocada pelo vocalista Uli. Era fácil perceber a descontração dos integrantes no palco, como se estivessem tocando na garagem de casa para uma plateia privilegiada - num clima parecido com o que a banda curitibana Nevilton tem em seus shows. Era olhar o baterista Holger, vestido com uma camiseta dos Gremlins e fazendo intervenções engraçadas a toda hora, para compreender isso.
Talvez pelo fato do "desconhecido", o show tenha demorado a engatar para mim - só fui realmente curti-lo na sua segunda metade. Mas foi o suficiente para ser capaz de vibrar com a penúltima-última canção do show, a bela "Fortune". É difícil não lembrar de "This is the Day", do The The, ao ouvir a sanfona que abre a música, que versa sobre aquela velha situação de sair de uma cidade pequena para ganhar a vida: "We come, we go, we'll make a fortune". Mais: foi mais que suficiente para fazer não só a mim, mas toda a plateia levantar e chamar pelo bis, que o Tusq, preocupado com o horário, atendeu e mostrou a nova "Junior" - que não está em Patience Camp, álbum lançado pelos germânicos no ano passado.
As duas bandas fazem, na próxima semana, uma turnê pelo Brasil adentro, passando pelo interior de São Paulo (Araraquara, São Carlos), Rio de Janeiro e pelo Paraná (Curitiba e Maringá). A agenda pode ser conferida no site do Scream & Yell, que, junto com o Urbanaque, organiza show no dia 5, no Beco 203, em São Paulo. Sei que soa como uma sugestão de boteco, mas se eu fosse você, não perderia a chance de ir.
Todas as fotos por Bruno Capelas

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