21 de set de 2012

ESPECIAL: As 20 melhores músicas do R.E.M.

"Um homem sábio disse certa vez que a grande virtude na arte de ir a uma festa é saber quando é hora de partir". Há exato um ano, foi com essa frase que o cantor Michael Stipe explicou o fim de sua banda, o R.E.M. Em 32 anos de carreira, o grupo de Stipe, do baixista Mike Mills, do guitarrista Peter Buck e do baterista Bill Berry (que deixou a banda em 1997) gravou 15 álbuns de estúdio e mais de 200 músicas.

Mas, ouvindo a discografia toda da banda, parece muito mais que isso: eles foram uma das primeiras bandas independentes norte-americanas a romper a barreira do underground, pavimentando o caminho para Kurt Cobain e seu Nevermind; souberam como poucos utilizar a linguagem do videoclipe para veicular suas ideias, têm um dos vocalistas mais versáteis e um dos guitarristas mais inspirados da história do rock, além de criar canções marcantes, enérgicas, sentimentais, melancólicas e impactantes - tudo isso ao mesmo tempo, se for possível.

Ou, para simplificar, talvez bastasse dizer que "estamos diante de uma das três melhores bandas de rock do mundo em atividade nos últimos 20 anos (escolha as outras duas)".

Para celebrar a banda e relembrar a data de término do grupo americano, o Pergunte ao Pop reuniu jornalistas e críticos de música para escolherem as melhores canções do R.E.M. Foram 21 votantes, de diversos cantos do Brasil, que votaram nas suas cinco canções favoritas: a cada uma delas foi dada uma pontuação (5 para a 1ª colocada, 4 para a 2ª e assim por diante), e dessa pontuação geramos o ranking que você lê abaixo. Além disso, os votantes também escreveram depoimentos, justificativas ou pequenas historinhas sobre as suas músicas preferidas - e são esses textos que, de certa maneira, servem como explicação para a escolha dessas (e não de outras) faixas do R.E.M nessa lista. 

42 canções de 14 dos 15 discos (só Reckoning, de 1984, ficou zerado) foram citadas pelo Colégio Eleitoral do Pergunte ao Pop. As 20 primeiras colocadas, você conhece a partir de agora, abaixo. Para quem ficou curioso sobre a lista inteira - e quais foram os votos e as justificativas de todos os votantes, disponibilizamos a íntegra dos votos aqui. Ao final de tudo, você confere a lista dos votantes. Se você ainda não mergulhou na obra do R.E.M., acreditamos que essa é uma boa oportunidade para começar. Se você é fã da banda, feche os olhos e sonhe com a gente.

AS 20 MELHORES MÚSICAS DO R.E.M.

1º – It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine) – 40 pontos

“A minha música mais amada da banda é uma das poucas que consigo cantarolar sem ficar down em mim. "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)" berra ironia e desbunde. Sim, continuamos descrentes, mas não precisamos ficar tristinhos. É o fim do mundo, fim da linha, "locking in, uniforming, book burning, blood letting". Um porre na hora do naufrágio sempre soou como a melhor solução”. – Juliana Simon, iG

“Ouvi essa música aos 16 anos. Imagina o efeito que essa letra canto-falada e esse instrumental country-punk tiveram em mim. Como se não bastasse, o clipe com a casa destruída, o menino e o cachorro se divertindo em meio aos escombros. Aquilo era diferente de tudo e não espantava, pelo contrário, me fez pesquisar em revistas quem era Lenny Bruce e todas as citações que a preciosa letra de Michael Stipe contém. Essa música foi o início do mundo como o conheci por muito tempo. Faz parte da vida” - Carlos Eduardo Lima, Sob o CEL


"Até tentei fugir do óbvio, bancar o “espertão” e colocar no topo da lista algum labo-b obscuro que seria “a grande pérola” (ainda) a ser descoberta na carreira do R.E.M.. Mas não deu. Seria muita hipocrisia da minha parte não dar a primeira colocação para "Losing My Religion". Os versos atormentados e a melodia forte e marcante ainda funcionam, assim como o bandolim, que acabou se tornando uma espécie de marca registrada da música. Não a toa, é o maior sucesso da banda até hoje. Foi a segunda música do R.E.M. que ouvi na vida (a primeira foi "Shiny Happy People"). Quando me posicionei no videocassete e comecei a gravar o clipe que passava na MTV meu pai logo alertou: “Essa é a melhor deles”. E muitos anos depois, ouvindo calmamente e acompanhando a letra, devo dizer: ainda emociona!” – Eduardo Martinez, A Ilha dos Mendigos


"Lembro da primeira vez que ouvi “Man on the moon”: foi pelo rádio em algum dia no final de 1999 (provavelmente por causa do lançamento do filme O Mundo de Andy, que eu não sabia da existência até uns anos depois). Fiquei parado na sala de casa entregue à canção, que é perfeita. Só isso. Talvez esse momento explique o motivo dela ser minha música favorita do R.E.M. Rolou encanto mesmo. E dez anos depois (final de 2009), eu trabalhando na equipe de programação musical da extinta rádio Oi FM, pude programar pela primeira vez “Man on the moon” para tocar na grade em alguma noite. Cheguei em casa, liguei o rádio e fiquei esperando ela aparecer. Rolou uma emoção pensando se alguém iria se encantar com ela do mesmo jeito que eu me encantei no passado. Tem momentos bobos nessa vida que fazem uma diferença danada. Só isso". – Lafaiete Junior, Veia Urbana


"O que há para não gostar nessa música? O arranjo é puro Beach Boys da fase Pet Sounds, com o coro crescendo na hora certa. O que mais chama atenção, na verdade, é a letra simples, a forma como a imagem de um casal na cama é construída com sutilezas, a maneira pouco usual de dizer "eu te amo", a leveza com que michael stipe recita os versos como se realmente ninasse alguem - e quem nunca quis ninar alguém especial? -, os detalhes minuciosos das conversas telefônicas, o objetivo simples de apenas arrancar um sorriso. Em uma entrevista, stipe contou que começou a compor a música no meio de um congestionamento e quando escreveu a frase "i found a way to make you smile" pensou: "esta é a coisa mais linda do mundo". Qualquer pessoa que já tenha recebido um sorriso honesto da pessoa amada concordará com o cantor". – Tiago Agostini, Terra/Rolling Stone


"A canção mais infantil da banda – e provavelmente uma das mais infantis da história da música pop desde “Yellow Submarine”. Mas tem um valor sentimental enorme pois foi meu primeiro contato com a música do R.E.M. 1991, MTV havia chegado a pouco tempo no Brasil e o clipe dela passava ad nauseam na programação. A banda tocando na frente de um painel super colorido, Kate Pierson lindona na flor da idade, Michael Stipe com um boné amarelo duvidoso com a aba virada para trás, e um fim cheio de gente feliz e brilhante. Era um troço bem duvidoso, admito. Talvez por isso tenha me atraído tanto na época. E outra, eu tinha apenas 11 anos. O fim da inocência é um grande álibi, certo?" – Leonardo Dias Pereira, Urbanaque


"Usada em 1995, na Inglaterra, como campanha contra o suicídio e relançada no início de 2010 em homenagem às vítimas dos terremotos no Haiti, a canção me remete uma espécie de hino que depõe a favor da vida, da esperança e da auto superação, composta de maneira tão bela e singela tanto na letra quanto na melodia. Considero também o videoclipe muito delicado e sensível quando expõe legendas de pensamentos de indivíduos presos no que parece ser um dia muito quente, difícil, em uma estrada engarrafada, traduzindo um sentimento de dor, inutilidade, indiferença e invisibilidade, que nós um dia (ou diversos deles) já passamos e conseguimos sobreviver". - Andressa Monteiro, Scream & Yell. 


"Curioso eu colocar na minha lista uma música do Lifes Rich Pageant, um disco que demorei pra gostar. Não sei ao certo, mas ele me parecia estranho. Hoje, olhando para trás, não consigo entender o porque. "Fall On Me" ainda causou em mim um efeito curioso: uma sensação constante de deja vu, como se eu já a conhecesse antes mesmo de ouvi-la. Pode ser que alguma audição desapercebida tenha ficado no meu inconsciente. Talvez eu a tenha ouvido no rádio, em uma loja de discos. O que importa é que ela nunca saiu da minha cabeça". – Rodrigo James, Alto Falante 


"Uma melodia serena e triste. Uma letra introspectiva sobre partidas e pequenas coisas que se deixam para trás. A longa faixa - mais de sete minutos, algo não muito comum na discografia da banda - impressiona. Mas a maior ousadia não está na duração, e sim no efeito de guitarra em loop lembrando uma sirene cobrindo todo o arranjo de uma forma desconcertantemente genial. É intrigante - qual a razão de se estragar uma faixa tão perfeita? É uma forma de provocação, um protesto avant-garde? Uma aproximação ao experimentalismo? Não importa. É esse efeito de sirene que simboliza a genialidade da banda em transpor pequenos limites". – Elson Barbosa, Sinewave

9º – Nightswimming – 10 pontos*

"Quando vi o R.E.M., ao vivo em 2008, em São Paulo, eu não era tão fã da banda quanto sou hoje. E talvez por isso não tenha prestado atenção em "Nightswimming", passando a música toda conversando com um dos meus melhores amigos. Ironicamente, meses depois me tornei um ouvinte maníaco do Automatic for the People, e "Nightswimming" foi a canção tema de uma viagem inesquecível adolescente que fiz com alguns amigos (incluindo o parceiro de conversa) para a praia, no verão de 2009 - quando passávamos os dias dormindo e as noites conversando no mar. Depois disso, toda vez que ouço essa música, fico arrepiado da cabeça aos pés, os olhos embargam e eu tenho que disfarçar um cisco no olho. (Nos meus sonhos delirantes, quero um dia ainda escrever um romance sobre a adolescência. Título ele já tem: "Nadar à Noite"). - Bruno Capelas, Pergunte ao Pop


"Tem uma ponte que marca mais que o refrão, uma letra com imagens tão tipicamente Stipeanas (“I’m pushing na elephant up the stairs / I’m tossing up punchlines that were never there”) que nem o próprio Stipe conseguiria fazer melhor e uma combinação rara entre empolgação e melancolia. É R.E.M. “at their most beautiful”". – Leonardo Vinhas, Scream & Yell

11º – Electrolite – 9 pontos
12º – E-Bow The Letter/What’s the Frequency, Kenneth? – 8 pontos
14º – Country Feedback – 7 pontos*
15º - The One I Love/Radio Free Europe/Drive – 7 pontos*
18º – Überlin – 6 pontos*
19º – Talk About the Passion – 6 pontos*
20º – The Sidewinder Sleeps Tonite – 6 pontos*

*definido pelo critério de desempate: a vantagem fica com a música com as melhores colocações (P.ex., um primeiro lugar vale mais que um segundo e um quarto).

OS VOTANTES

Adriano Mello Costa – @coisapop - Coisa Pop
Andressa Monteiro - @monteiroac – Scream & Yell
Bruno Capelas – @noacapelas - Pergunte ao Pop/iG Jovem
Carlos Eduardo Lima – Sob O CEL/Atemporal
Eduardo Martinez – @eduardoapm - A Ilha dos Mendigos
Elson Barbosa – @elson - Sinewave/Scream & Yell
Fernando Augusto Lopes – @flogase - Floga-se
Jéssica Figueiredo – @jessicambf - RockinPress
Jorge Wagner – @jotadablio -  Scream & Yell/Organizador do tributo indie ao Raça Negra
Juliana Simon – @jusimon - iG
Ismael Machado – Diário do Pará
Lafaiete Junior – @lafaietejunior - Veia Urbana
Leonardo Dias Pereira – @leodiaspereira - Urbanaque/Rolling Stone
Leonardo Vinhas – Scream & Yell
Marcelo Costa – @screamyell - Scream & Yell
Marcelo Urânia – @marcelourania - Estranho Caminho
Marco Tomazzoni – @marcot_ - iG
Omar Godoy – @godoyomar - O Último a Sair
Rodrigo James – @rodrigojames - Alto Falante
Tiago Agostini – @tiagoagostini - Terra/Rolling Stone
Tomaz de Alvarenga – @tomazalvarenga - Portal Uai

5 comentários:

  1. the sidewinder sleeps tonite? huahuahuahuahauhauahua. a música que não deixou o automatic for the people ser um álbum perfeito...

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  2. The One I Love em 15º? Essa lista é uma furada.

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  3. Pessoal, boa tarde! Estou procurando há muito tempo um show do REM em que o Michael canta com uma saia... Help me, pleaseeee! Bjss

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