8 de jan de 2013

ESPECIAL: As melhores cenas musicais do cinema

Você gosta de música? E de cinema? E quando as duas coisas se unem, que tal? Mágica pode acontecer, não é verdade? Pelo menos é o que eu penso: algumas das minhas cenas favoritas de toda a sétima arte só o são porque são acompanhadas de algumas das minhas músicas favoritas. Em uma conversa de bar ou no meio de um dos muitos hambúrgueres que comi em 2012 com o Vinicius Olmos e o André Bina, começamos a listar algumas de nossas favoritas, até o momento em que pensei que isso merecia sair do bar para virar algo maior.

E virou. Um colégio eleitoral de 43 jornalistas, formadores de opinião, músicos, twiteiros, os idealizadores da lista, e por que não?, amigos escolheu suas cinco cenas musicais favoritas, em ordem de preferência, e mandou pequenas justificativas sobre as escolhidas, das quais você sabe quais foram as 25 mais bem votadas daqui a pouco.

Antes de continuarmos, um esclarecimento: foram consideradas cenas que contivessem tanto músicas compostas especialmente para o filme (como a trilha de Ennio Morricone para "Cinema Paradiso"), músicas cantadas pelos personagens no filme (quem não se lembra de Tom Cruise cantando "You've Lost That Lovin' Feelin'" em "Top Gun?) ou músicas que aparecem por sobre a ação da cena (a homenagem de Tarantino a Van Gogh em "Cães de Aluguel" é um exemplo).

A bem da verdade, depois de apurados todos os votos (quevocê pode conferir tanto em uma planilha quanto em uma lista corrida, comdireito a todas as justificativas), cheguei à conclusão que esse é o tipo de lista que é muito pessoal. Foram nada menos que 138 cenas diferentes, e não foram poucos os votantes que mandaram listas com cinco filmes votados apenas por eles.

Mais algumas estatísticas: a cena mais antiga da lista é de um filme de 1942 (e chegou ao top25), enquanto a mais nova é de 2012, e ocupou o primeiro lugar de um dos votantes. Duas músicas ("Heroes, de David Bowie, e "Singin' in the Rain", de Gene Kelly) foram citadas para duas cenas diferentes, apenas 19 diretores e 16 artistas foram lembrados pelo menos duas vezes. Além disso, 14 longas-metragem foram votados pelo menos duas vezes, sendo "Alta Fidelidade" o recordista de menções, com 4 cenas diferentes.

Mas chega de números. É hora de conhecer quais são as 25 maiores cenas musicais da história do cinema. Que rufem os tambores... 

AS 25 MELHORES CENAS MUSICAIS DO CINEMA

1º - “Tiny Dancer”, em “Quase Famosos”
38 pontos, 11 votos

"“Quase Famosos”, dirigido por Cameron Crowe, é um filme sobre rock, sobre diferentes tipos de relações e, acima de tudo, um filme sobre sonhos. E todas essas questões envolvem momentos antagônicos: amizade e raiva, paixão e desavença. Em um desses momentos de raiva e desavença, os integrantes e envolvidos com a banda Stillwater se entregam aos versos da linda “Tiny Dancer”. É quase um momento de redenção embalado por Elton John. Ela é minha passagem musical preferida por um motivo: fico imaginando se na vida real também fosse assim. Se naqueles momentos chatos que todo mundo passa, de repente começasse a tocar “Tiny Dancer” ao fundo com aquela melodia cristalina e perfeita. A arte faria a vida mais bonita. Ou o contrário. Hold me closer tiny dancer..." -  Lafaiete Junior, Veia Urbana

"Com cada coisa devidamente colocada em seu lugar, como gosto, senso crítico, razão, emoção... devo dizer que Quase Famosos é um dos filmes que mais gosto na vida. Poderia enumerar pelo menos umas 5 cenas antológicas do longa, mas a do ônibus é bastante simbólica. Quando a crise entre os integrantes da banda Stillwater parece estar em seu ponto mais agudo, Tiny Dancer, de Elton John, começa a tocar dentro do ônibus e vai contagiando um por um, restabelecendo a harmonia na turnê. Piegas? Pode até ser, mas a situação é conduzida de forma tão cuidadosa pelo diretor Cameron Crowe (e por que não, por Elton John?) que nada parece forçado ou excessivamente sentimental. A situação se desenvolve tão levemente que é quase impossível não terminar a sequência com um sorriso no rosto (e com vontade de ouvir a música duzentas vezes seguidas).". - Eduardo Martinez, A Ilha dos Mendigos/TV Tem


32 pontos, 10 votos

"Não dá pra escapar dessa aqui. Tudo funciona perfeitamente nessa cena, desde a enorme coordenação da multidão de figurantes, passando pelas coreografias e pequenos detalhes inseridos. Vi "Curtindo..." aos 15 anos no cinema, junto com meus colegas de colégio. O personagem que imortalizou Matthew Broderick ainda é o máximo em termos de ser cool e adolescente ao mesmo tempo. Este filme também me fez mergulhar nos discos dos Beatles. Ainda sou capaz de ver e rever hoje, aos 42 anos". - Carlos Eduardo Lima, Rolling Stone



28 pontos, 11 votos
"O balé da violência cinematográfica, mesmo artifício que Bressane usava em 1969. Acho que a grande sacada dessa cena foi a diegese do rádio e da saída pela porta sem som durante a tortura". - Manoel Magalhães, Harmada






25 pontos, 7 votos

"O dedilhado de guitarra começa exatamente quando o primeiro prédio explode, na cena final. Enquanto assiste ao colapso do sistema financeiro, arquitetado por si mesmo em uma trama mirabolante e completamente insana, Edward Norton pega na mão de uma Helena Bonham Carter assustada ao extremo e tenta a acalmar. "Você me conheceu em uma época muito estranha da minha vida", diz ele, enquanto o cenário apocalíptico passa diante de seus olhos pela janela de um alto prédio. Provavelmente o melhor final de filme da história". - Tiago Agostini, Terra

18 pontos, 4 votos

"Único filme em que saí do cinema direto para uma loja, curioso pela trilha sonora – nunca tinha ouvido falar de Aimee Mann. Gosto muito de "One", "Save Me", "Driving Sideways" e as outras músicas dela, mas o elenco parar e cantar "Wise Up", como num musical, pra mim é tão impactante quanto a chuva de sapos".  - Marco Tomazzoni, Revista da GOL

17,5 pontos, 4 votos

"Após anos ouvindo dezenas de versões de "As Time Goes By" nas mãos de boa parte das lendas do jazz, a música que sai dos dedos de Sam não chama atenção a distância: o swing do pianista é rígido, sua voz soa exagerada e até mesmo os arranjos que contam com a presença de cordas têm um tom apelativo. E é por isso que toda vez que eu me emociono ao ouvir o standard no clássico da história cinematográfica, o sentimento é acompanhado de culpa. Talvez seja a combinação de melodrama e nostalgia, ou talvez seja simplesmente a bagagem emocional que a magnum opus de Humphrey Bogart carrega, mas é difícil segurar as lágrimas quando Rick pede, após uma última demonstração de humanidade: "here’s looking at you, kid". Assim como o filme que a acompanha, "As time goes by" é lotada de clichês, e assim como “Casablanca”, é uma obra arrebatadora". - Bruno Federowski, Reuters/Artilharia Cultural

15 pontos, 4 votos

"Uma Thurman prestes a ter uma overdose fazendo uma dancinha levemente desengonçada e irresistível. Não sei a influência daquela dança, talvez algo meio sixties, meio girl group - tem os mesmos passos de "natação" que ela fez no Jack Rabbit Slims ao lado de John Travolta algumas cenas antes. Mas ela também tenta algo mais sensual e menos ensaiado, e é justamente essa improvisação que faz a cena ganhar por pontos sobre a também antológica cena com Travolta". - Elson Barbosa, Herod Layne/Sinewave

14 pontos, 6 votos

"Alex DeLarge canta "Singing in the Rain" enquanto ele e seus amigos espancam casal e estupram a mulher. Uma das cenas que sintetizam o filme. Cena reúne a ironia do personagem com o non-sense que chocou a plateia na época. Alex emana prazer cantando enquanto faz tudo o que faz. E viva Kubrick!" - Tiago Trigo, MSN

14 pontos, 5 votos

"Tarantino sobre a trilha sonora de Pulp Fiction: "it just seems like rock 'n' roll Ennio Morricone music, rock 'n' roll spaghetti Western music." Está aí outro filme que não pode ser pensado com outra trilha. De todas as cenas, vou escolher a cena da dança, só porque é muito mais clássica do que qualquer outra cena musical do Travolta". - Letícia Ribeiro Carvalho

13 pontos, 4 votos

"Estudando (cof, cof!) o fim dos 60 e começo dos 70 (pós-modernismo, etc) é possível encaixar duas pecinhas meio mágicas: Coppola e Doors. O diretor foi coleguinha do Morrison na escola de cinema da UCLA e, de alguma forma, parece homenagear o amigo e fazer o réquiem definitivo da época. Junto com Altamont, "God" do Lennon e Charles Manson, "Apocalypse Now" coloca a última pedra que faltava para velar os sixties, explicando tudo com um aulão de cinema egomaníaco e brilhante (vale buscar o documentário sobre o filme!). A escolha não podia ser mais sintomática: já em 1967, Jim Morrison, gênio da raça, avisava que a festinha toda dos 60´s ia acabar dando em merda- e, sem muita surpresa, ele iria ser um dos primeiros a abandonar o navio. "The End" é, hipnoticamente, este aviso: festejemos garotada, matemos nossos pais, criemos um novo mundo, mas vamos nos lembrar: não daremos conta de segurar esse foguete. Entrevistando Mark Farner, do Grand Funk Railroad este ano, ele garantiu que sua "I´m Your Captain" era a canção #1 do pessoal no Vietña. Não duvido. Mas a grande canção da época, da idiotia e estupidez da coisa toda seguramente foram os Doors quem fizeram e Coppola magistralmente eternizou". - Thiago Pereira, Alto Falante

10 pontos, 2 votos

"É uma das cenas mais geniais da história do cinema. Certamente, o corte seco mais genial. Vemos um grupo de macacos brigando por uma fonte de água. O embate é feito com gritos, socos no peito e demonstrações de ira. Até que um macaco descobre que um osso de um macaco morto pode ser uma arma letal. Sua tribo mata um macaco rival com uma surra de ossos e fica com a fonte de água. Em júbilo, o macaco que descobriu a arma letal, joga o osso pra cima, eufórico. Esse osso gira, gira, gira, e Kubrick, num primor de resumo da história, faz um corte seco e vemos uma nave-satélite no formato de um osso vagando lentamente pelo espaço. Do momento em que o macaco se torna “humano”, com inteligência pra “criar”, mesmo que uma arma letal, pra dar vazão à sua violência, até a nave no espaço, tudo o que está no meio é história, é conhecido, e Kubrick não precisaria mostrar. Com a nave, vemos um balé no espaço, com “Danúbio Azul”, de Richard Strauss. Somos tão avançados e modernos. Evoluímos tanto, não? Mais pra frente, veremos nossa “inteligência artificial” é como a gente, certo HAL-9000?" - Fernando Augusto Lopes, Floga-se

10 pontos, 2 votos

"Não sei se essa é a melhor junção de música e cinema, tem outras clássicas, mas acho que é a que mais me toca. “Alta Fidelidade” define uma geração apaixonada pela música, mas um pouco inadequada para a vida. Uma geração que vai envelhecendo e vê o mundo passar rápido e mudar as coisas do lugar. Nessa cena, depois de fazer um monte de merda, o personagem de John Cusack parece que finalmente vê a vida retornando aos eixos, pois reatou o verdadeiro amor e achou novas energias para fazer o que gosta. Quando o Barry de Jack Black sobe no palco, parece que tudo vai ruir e desmoronar, então ele saca um Marvin Gaye da manga e faz emocionar". - Adriano Mello Costa, Coisa Pop

9 pontos, 3 votos

"Das poucas vezes na história do cinema em que uma canção não apenas ambientou uma cena, mas foi personagem do filme. São duas sequências inconcebíveis sem esta música. Ela deu o tom do filme, abriu de forma magistral e nos ajudou a "entender" o final impactante. Aliás, ela fez parte do final impactante". - Rodrigo James, Alto Falante

9 pontos, 3 votos

"Tentei pensar rápido em um primeiro lugar, porque seria difícil escolhê-lo. Listas são complicadas, porque dói deixar outras cenas (e músicas) maravilhosas para trás. O Rei Leão leva o lugar mais alto do meu pódio por dois motivos: a identificação pessoal e o peso da música/cena. Rei Leão, aliás, tem outros dois momentos musicais que entrariam facilmente nesse Top 5: Hakuna Matata e Be Prepared. Essa segunda, a canção entonada por Scar na revelação de seu plano para assumir o reinado da selva. Estética sombria, orquestra e referências nazistas que só ajudaram a tornar Cicatriz um dos melhores vilões de todos os tempos". - Lucas Baranyi, Artilharia Cultural

15º lugar – “Love Theme”, de “Cinema Paradiso”, e “These Days”, de “Os Excêntricos Tenembaums” - 9 pontos, 2 votos
17º lugar – “Llorando”, em “Cidade dos Sonhos” - 8 pontos, 2 votos
18º lugar – “Moon River”, em “Bonequinha de Luxo” – 7,5 pontos, 2 votos
19º lugar – “Perfect Day”, em “Trainspotting” - 7 pontos, 3 votos
20º lugar – “Just Like Honey”, em “Encontros e Desencontros”; “Head Over Heels”, em “Donnie Darko”, e “Rhapsody in Blue”, em “Manhattan” - 7 pontos, 2 votos
23º lugar – “Try a Little Tenderness”, em “A Garota de Rosa-Shocking” – 6 pontos, 2 votos
24º lugar – “Bohemian Rhapsody”, em “Quanto Mais Idiota Melhor”, e “Vapor Barato”, em “Terra Estrangeira” – 5 pontos, 2 votos



OS DIRETORES













1º lugar – Quentin Tarantino: 68 pontos distribuídos em 24 votos e 7 cenas diferentes
2º lugar – John Hughes: 46 pontos distribuídos em 15 votos e 5 cenas
3º lugar – Cameron Crowe: 40 pontos, em 13 votos e 3 cenas
4º lugar – Stanley Kubrick: 34 pontos, em 11 votos e 6 cenas
5º lugar – David Fincher: 27 pontos, em 8 votos e 2 cenas
6º lugar – Stephen Frears: 21 pontos, em 5 votos e 4 cenas
7º lugar – Mike Nichols: 18 pontos, em 7 votos e 4 cenas
8º lugar – Sofia Coppola e Wes Anderson: 18 pontos, em 6 votos e 5 cenas
10º lugar – Francis Ford Coppola: 17 votos, em 6 votos e 3 cenas

OS ARTISTAS




















1º lugar - Elton John: 49 pontos, em 14 votos e 3 cenas
2º lugar – Pixies: 26 pontos, em 8 votos e 2 cenas
3º lugar - Chuck Berry: 18 pontos, em 7 votos e 2 cenas
4º lugar - Ennio Morricone: 13 pontos, em 3 votos e 2 cenas
5º lugar - David Bowie: 10 pontos, em 3 votos e 3 cenas
6º lugar - Simon & Garfunkel: 9 pontos, em 4 votos e 3 cenas
7º lugar – Queen: 9 pontos, em 3 votos e 2 cenas
8º lugar - Nino Rota, Bob Dylan: 7 pontos, em 2 votos e 2 cenas
10º lugar - Gal Costa: 6 pontos, em 3 votos e 2 cenas

(Tanto para os artistas, quanto para os diretores, foram considerados apenas para a lista aqueles que que tiveram pelo menos duas cenas citadas)

OS VOTANTES

André Bina – idealizador da lista
Andrea Barbosa – jornalista
Andressa Monteiro – Scream & Yell
Augusto Gomes – jornalista
Bruno Capelas – Pergunte ao Pop
Bruno Federowski – Artilharia Cultural/Reuters
Carlos Eduardo Lima – Rolling Stone/Sob o CEL
Enio Vermelho Jr. - jornalista
Igor Macedo – idealizador da lista
Leonardo Marques – Transmissor
Leonardo Vinhas – Scream & Yell
Marco Tomazzoni – Revista da GOL
Olavo Rocha - Lestics
Pedro Hollanda - jornalista
Rodrigo Brasil – Ultra Music
Tiago Agostini Terra/Rolling Stone
Tomaz de AlvarengaPortal Uai/O Estado de Minas
Vinicius Olmos – idealizador da lista

5 comentários:

  1. Cadê Johnny B. Goode, pô?! Nunca que essa ficaria de fora. No demais, ótima lista.

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  2. Tá excelente a lista. Dá vontade de rever tanta coisa. No meu Top Five também entram outras duas de filmes "menores", mas que gosto muito: "I Say A Little Pray for You", no Casamento de Meu Melhor Amigo e também "Sweet Caroline" no Brincando de Seduzir.

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  3. deu vontade de rever muita coisa. E confesso que queria ter sido chamado pra compor o time haha

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  4. Lista boa, mas faltou a marcante performance do personagem de Dean Stockwell, dublando "In dreams", de Roy Orbison, em Veludo Azul. :)

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  5. Faltou a Edit Piaf Non, Je Ne Regrette Rien no filme "A Origem".

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