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31 de mar. de 2014

7 Shows Para Ver no Lolla '14

Não há como negar, mesmo com todas as atrações ruins que tem pela frente: o Lollapalooza, que rola nesse fim de semana, é um dos momentos que eu mais tô esperando nesse primeiro semestre. Primeiro, pela tradicional reunião de amigos de todas as partes do Brasil, em botecagens pré e pós-festival, mas também dividindo filas, chuvas e refrões durante os shows. Segundo, porque, apesar do que Vandré disse ("a vida não se resume a festivais"), sempre é muito bacana juntar um monte de gente fina, elegante e sincera (e outros nem tanto) pra ver uma meia dúzia de shows bons e falar mal dos shows ruins. 

Terceiro, e não menos importante... os shows. E é deles que eu falo aqui neste texto: batuquei com a cabeça e achei que valia a pena escrever sobre os shows que eu mais tô esperando pra ver no Autódromo de Interlagos. Escolhi sete, tanto pelo número cabalístico quanto pelo conforto ideal de não ficar se atropelando. Vamos a eles. 

8 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Uma temporada bastante plural, na qual cabe funk, rock, rap (embora o rap brasileiro há muito já tenha expandido suas fronteiras), MPB, retornos de heróis do mainstream (Guilherme Arantes) e do independente e um punhado de segundos discos (Apanhador Só, Nevilton, Selton, Marcelo Jeneci, Bárbara Eugênia) que mostra que a canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 25 melhores músicas nacionais de 2013, um retrato sonoro de um ano que, espera-se, o Brasil não esquecerá. 

1º - "Despirocar", Apanhador Só

Primeiro single do disco mais importante de 2013 no Brasil, "Despirocar" é a música do ano não só por representar iconicamente a evolução lírica e musical de uma das bandas mais interessantes de sua geração - isso já seria o bastante para um grupo que teve uma estreia empolgante ao misturar Pavement, Tom Zé, Los Hermanos e sucata para falar de relacionamentos com olhar de iniciante. Mas, lançada no final de maio, "Despirocar" representa o Brasil de 2013. Espécie de "Construção" adaptada ao País do século XXI, no qual a mão de obra da construção civil agora tem sua força de trabalho (sub)empregada em um setor terciário inflado. No lugar de "amar daquela vez como se fosse a última", o eu-lírico da canção vive correndo, acotovelando-se no transporte público deficitário, alimenta-se mal (seja na "fila do buffet" ou "engolindo um biscoito") e trabalha até às últimas, chegando em casa cansado para ouvir "o William Bonner que me afaga me contando uma fábula sobre algo que ocorreu". Entretanto, se na obra de Chico Buarque o fim último de seu personagem era a morte, aqui a saída é a loucura, o 'não se submeter ao sistema', ou o 'que se foda tudo isso'. Comparações à parte (são trabalhos de grandeza poética e urgências diferentes), "Despirocar" traz em seu cerne, identificada e transformada em versos, a energia do descontentamento que, na visão externa deste escritor, pode ter auxiliado a levar milhões de brasileiros às ruas no mês de junho, no movimento popular mais importante do país em anos. É por representações como essa que a Música se tornou uma peça tão vital para entender a sociedade contemporânea - pelo menos, é nisso que o Pergunte ao Pop acredita. Se não for assim, talvez seja melhor despirocar, de vez. 

Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

5 de dez. de 2012

Catadão de Entrevistas 3

Em mais uma entressafra de textos (nada como o fim do semestre da faculdade, não é mesmo?), aproveito a chance para mostrar quatro entrevistas bem legais que fiz pro iG Jovem nos últimos tempos. Provavelmente, este deve ser o último catadão de matérias com músicos que divulgo por aqui - novidades boas e que mexerão com a estrutura desse blog devem pintar em breve, mas por agora não priemos cânico. Um passo de cada vez, por favor, seu doutor. Com vocês, Transmissor, Pollo, Fresno e Simple Plan.

Simple Plan: "Só no Brasil é que nos chamam de emos"

Além disso, três dicas: a primeira é o meu textinho curto sobre Claridão, o disco que o SILVA lançou em outubro, no Scream & Yell; a segunda é uma resenha caprichadíssima de As Vantagens de Ser Invisível feita pelo Marcelo Costa; e a terceira, um texto profissa (gírias de coxinha, um beijo) do Bruno Federowski, meu parceiro no finado Pop to the People, sobre o burburinho em cima do Frank Ocean.

7 de out. de 2012

Entrevista: SILVA

No final de agosto, conversei com o cantor Lúcio Silva, mais conhecido como SILVA, para o iG Jovem. Falarmos sobre a carreira dele até aquele momento e o disco que ele está lançando agora em outubro, Claridão. Feito na casa do cantor, o álbum contará com 12 faixas, sendo 7 delas inéditas, com produção e distribuição do Slap, selo da gravadora Som Livre dedicado a novos (e na maior parte das vezes, interessantes) artistas. 

Só para ter uma ideia, o Slap também foi responsável por Feito pra acabar, do Marcelo Jeneci, e Anormal, do Jonas Sá, um disco que pouca gente ouviu, mas que merece muita atenção por seus refrões pop bem gostosos. Mas voltemos ao SILVA: descobri o som dele há pouco tempo, depois que amigos insistiram bastante para que eu prestasse atenção no EP que o cara lançou no ano passado.



E bastaram poucas audições para que eu me apaixonasse pelas letras do cara e pelas incríveis texturas sonoras que ele usa em suas canções, misturando sintetizadores e baterias eletrônicas com arranjos de cordas e sua voz, econômica, mas muito bem postada com a mensagem que quer passar. E preste atenção em “Imergir”, uma das mais bonitas canções de desamor escritas no Brasil nos últimos, sei lá, cinco anos. 

O que publico aqui – e espero que vocês leiam - é uma versão sem cortes do que conversamos por telefone, numa ligação São Paulo-Vitória, em uma tarde modorrenta de calor por aqui. Com a palavra, SILVA.