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6 de mai. de 2014

Pop, Girls, Etc #05 - Häagen Dazs

Manter firme e ativa semanalmente a Pop, Girls, Etc não é uma tarefa das mais fáceis, mas tem sido uma ótima distração nesses últimos tempos — especialmente para lembrar de bandas incríveis e que deixaram saudade, como é o caso da Lasciva Lula, que empresta o nome de uma de suas melhores canções para a mixtape, "Häagen Dazs". 

(Por falar na Lasciva, seu guitarrista, guga_bruno, lançou recentemente seu segundo disco solo, Ínterim: baixe!). 

Além da Lasciva, dois lados-B graciosos de Gilberto Gil e Rolling Stones, um petardo do Cake (que me foi indicado pelo Nevilton em uma entrevista tempos atrás, "olha o baixão!") e antigas de Wado, Tom Bloch e Lestics. Chega mais e se lambuza, moça bonita. 

Pop, Girls, Etc. #05 - Häagen Dazs

Tom Bloch - "Pela Ciência"
Cake - "Satan is My Motor"
Lasciva Lula - "Häagen Dazs"
Guided by Voices - "Peep Hole"
Ruspo - "Santos"
Gilberto Gil - "Luzia Luluza"
The Rolling Stones - "Back Street Girl"
Roddy Woomble - "My Secret is My Silence"
Lestics - "Tudo é Memória"
Wado - "Vai Querer?"

Para ouvir agora:
No Mixcloud


Para baixar:
No Mediafire

Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé

PS: A foto desta capa foi tirada em Lisboa, em uma praça da Baixa-Chiado. Até onde eu lembro, era a gravação de um comercial de sorvete. Bobagens, meu bem, bobagens. 

15 de jan. de 2014

Melhores 2013: Discos Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Na segunda parte do especial de Melhores do Ano, apresentamos os grandes discos nacionais de 2013, em uma lista que mostra que o pop e o rock brasileiro parecem finalmente ter se desgarrado da influência hermânica (o que não é de todo ruim, como se verá a seguir), mostra veteranos fazendo grandes canções e traz gratas surpresas. A canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta os 15 melhores álbuns brasileiros de 2013. 

1º - Antes Que Tu Conte Outra, Apanhador Só

No primeiro texto que escrevi sobre a Apanhador Só, lá em 2010 (republicado aqui em março de 2013), eu encerrava os trabalhos dizendo que Apanhador Só, primeiro disco cheio dos rapazes, era capaz de espantar invernos e deixar ouvintes com sorrisos bobos no rosto. Três anos depois, Antes Que Tu Conte Outra transforma o sorriso bobo em sorriso amarelo - ou nervoso de raiva. No lugar da banda "bonitinha" que ecoava Tom Zé e Los Hermanos falando de relacionamentos afetivos com delicadeza e sinceridade, surge um grupo cheio de guitarras ruidosas, sucata propositada, fúria e letras com forte (con)texto social. Em doze faixas, os gaúchos disparam contra o establishment, a publicidade (mesmo quando se servem de sua linguagem, como em "Liquido Preto"), o cotidiano alienante e opressivo ("Despirocar", "Vitta, Ian, Cassales") e quem mais quiser levar porrada - não foram poucas as formas que músicas como "Por Trás", "Mordido" e "Reinação" foram utilizadas por terceiros para criticar a Fora do Eixo, o governo brasileiro ou a Copa de 2014. Antes Que Tu Conte Outra merece também o troféu de melhor disco do ano por revelar, em versos e notas (e timbres), a energia do descontentamento que pode ter levado milhões de brasileiros às ruas em 2013. Entretanto, reduzi-lo apenas ao papel de "trilha sonora das manifestações" seria pouco para um disco que, além de tudo isso, mostra o amadurecimento de uma banda que já havia feito uma das melhores estreias de sua geração. Não se precipite, leitor: nasce aqui um grande grupo.

Ouça: "Vitta, Ian, Cassales"
Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
- Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

8 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Uma temporada bastante plural, na qual cabe funk, rock, rap (embora o rap brasileiro há muito já tenha expandido suas fronteiras), MPB, retornos de heróis do mainstream (Guilherme Arantes) e do independente e um punhado de segundos discos (Apanhador Só, Nevilton, Selton, Marcelo Jeneci, Bárbara Eugênia) que mostra que a canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 25 melhores músicas nacionais de 2013, um retrato sonoro de um ano que, espera-se, o Brasil não esquecerá. 

1º - "Despirocar", Apanhador Só

Primeiro single do disco mais importante de 2013 no Brasil, "Despirocar" é a música do ano não só por representar iconicamente a evolução lírica e musical de uma das bandas mais interessantes de sua geração - isso já seria o bastante para um grupo que teve uma estreia empolgante ao misturar Pavement, Tom Zé, Los Hermanos e sucata para falar de relacionamentos com olhar de iniciante. Mas, lançada no final de maio, "Despirocar" representa o Brasil de 2013. Espécie de "Construção" adaptada ao País do século XXI, no qual a mão de obra da construção civil agora tem sua força de trabalho (sub)empregada em um setor terciário inflado. No lugar de "amar daquela vez como se fosse a última", o eu-lírico da canção vive correndo, acotovelando-se no transporte público deficitário, alimenta-se mal (seja na "fila do buffet" ou "engolindo um biscoito") e trabalha até às últimas, chegando em casa cansado para ouvir "o William Bonner que me afaga me contando uma fábula sobre algo que ocorreu". Entretanto, se na obra de Chico Buarque o fim último de seu personagem era a morte, aqui a saída é a loucura, o 'não se submeter ao sistema', ou o 'que se foda tudo isso'. Comparações à parte (são trabalhos de grandeza poética e urgências diferentes), "Despirocar" traz em seu cerne, identificada e transformada em versos, a energia do descontentamento que, na visão externa deste escritor, pode ter auxiliado a levar milhões de brasileiros às ruas no mês de junho, no movimento popular mais importante do país em anos. É por representações como essa que a Música se tornou uma peça tão vital para entender a sociedade contemporânea - pelo menos, é nisso que o Pergunte ao Pop acredita. Se não for assim, talvez seja melhor despirocar, de vez. 

Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

3 de out. de 2013

Cavalo Sem Rumo

São Paulo, 28 de setembro de 2013. No palco da Choperia do SESC Pompeia, um homem ruivo e barbudo mostra suas canções em luz parcial, quase penumbra, deixando na escuridão as 800 pessoas que esgotaram a lotação do lugar e gritam animadas ao final de cada música, mas ouvem com silêncio as palavras e os acordes. Algumas dessas pessoas esboçam gritos de "lindo!" e "gostoso!", ao que o músico responde que "fica mais bonito no escuro". Mas afinal, quem é este homem e do que ele se esconde?

Algumas coisas se esclarecem ao se dizer que o homem é Rodrigo Amarante, uma das duas cabeças pensantes da banda brasileira mais influente da última década, os Los Hermanos. A apresentação no SESC Pompeia é apenas a terceira após o lançamento, na semana anterior, de seu primeiro disco solo, Cavalo, seis anos após a separação da banda.

8 de ago. de 2013

No S&Y: Wado e o "Vazio Tropical"


Ao lançar seu sétimo disco, o melancólico Vazio Tropical, o cantor Wado vive uma situação curiosa: não se pode negar que ele seja um veterano, com mais de uma década de serviços bem prestados à música brasileira, mas, com a ajuda de Marcelo Camelo e Cícero, vê seu público se renovar. "Já sou grisalho, sabe? (risos). Mesmo assim, há lugares aonde vou nos quais sou tratado como promessa. Isso me dá uma longevidade, é legal", brinca o músico, em entrevista ao Scream & Yell.

No papo, além de contar mais sobre a produção do disco e as parcerias com MoMo e os já citados Marcelo Camelo e Cícero, Wado fala sobre a opção de gravar discos com o apoio de editais e sobre a situação dos compositores anos-00 em relação à exposição midiática: ""Eu posso ser só músico, mas eu só quero ser só músico se eu puder viver bem. Faço parte de uma geração que está muda. Eu me posiciono, faço músicas políticas, mas não tenho reverberação. Somos uma geração de compositores massacrada pelas circunstâncias de melhora do Brasil. Há prosperidade, mas há um desajuste: temos uma qualidade fantástica, e em número maior que as anteriores, mas isso não se reverte em número, não chega ao rádio". 

A íntegra do papo você confere no Scream & Yell, mais uma vez, com fotos da Liliane Callegari, do show de lançamento do disco no SESC Pompeia, no último dia 18. 

20 de mar. de 2012

Wado, Lana e o Clube da Esquina

Segunda-feira sempre é um dia corrido aqui (aula de manhã e de noite, trabalho durante a tarde), mas eu sempre faço questão de deixar uma rapidinha aqui. Hoje, dois clipes que saíram nos últimos dias e uma matéria bem bacana do Estado de Minas. Vamos lá:


Que o cantor alagoano/catarinense Wado é um dos grandes nomes do cenário independente brasileiro hoje, não há dúvidas. Mas, se você precisa ainda de algum motivo pra reforçar isso, vale dar uma olhada no clipe que ele soltou no fim de semana de "Si Próprio", parceria entre ele e Zeca Baleiro que abre seu mais recente álbum, Samba 808 - sexto colocado no melhores do ano do PaoP e segundo melhor disco na votação do Scream & Yell de 2011. Para o Scream &Yell, fiz a cobertura do show de lançamento do Samba 808 em São Paulo, e também uma entrevistinha curta antes de sair o disco.

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Queria ter tido tempo - e aproveitado o momento - pra poder falar de Lana del Rey, o hype dos hypes de 2011/12. Até que eu gostei bem do disco dela, Born to Die, que saiu em janeiro e tem uma capa bem... subúrbio sexy dos anos 60. Além da bonitaça "Video Games", e dos singles que ela lançou ano passado, ainda curti a inédita "National Anthem". Lana lançou hoje o clipe oficial de "Blue Jeans" - uma pena ela ter deixado pra trás aquela estética chic-revival-colagem dos primeiros vídeos do Youtube. Provavelmente não vou conseguir falar do disco e da repercussão dele - até porque meu chapa Bruno Federowski já o fez muito bem num texto bacana para o Scream & Yell. Federowski, além de tocar o bom (e raro) blog de jazz  Blue & Sentimental, estuda comigo na ECA e foi meu parceiro no Pop to the People.















E nesse domingo, o Estado de Minas fez uma daquelas matérias que todo jornalista sonha em fazer: eles foram atrás dos meninos que ilustraram a capa de um dos discos mais sensacionais da história da música brasileira (este que vos fala cogita que este é um daqueles álbuns pra levar pra ilha deserta). A história, que você pode ler no site do jornal, correu a Internet ontem, mas vale a pena deixar registrado. 

2 de set. de 2011

Para Fazer Sucesso

Um misto de decepção e satisfação. É assim que pode se descrever o primeiro dos dois shows que o cantor Wado fez em São Paulo nesta semana. A convite do projeto CCBB Universitário, uma parceria entre a USP e o Centro Cultural Banco do Brasil, o músico de Alagoas fez uma apresentação com cerca de uma hora de duração, gratuito, em plena Rua Maria Antonia, no coração do centro velho da capital paulista.