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24 de jan. de 2014

Melhores 2013: Filmes

Repito a ideia da listinha de 2012 aqui: como cinema não é o forte do Pergunte ao Pop, embora este escritor às vezes brinque de falar sobre a sétima arte, preferi listar apenas os meus longas-metragem favoritos do ano e linkar boas críticas sobre os filmes, que refletem boa parte das minhas opiniões. Duas coisas: o critério para 2013 foi a entrada em circulação comercial no Brasil (salvo o caso de Nothing Can Hurt Me, assistido em Lisboa), e a lista foi reduzida de 15 para 10 filmes por conter apenas filmes estrangeiros - por ter passado metade do ano fora e por coincidência, a safra do cinema brasileiro neste ano não me empolgou. É isso. O filme do ano, mais uma vez, é um filme que levanta a bandeira do nome deste blog, com cinema pop de altíssimo nivel.


23 de jan. de 2014

Melhores 2013: Discos Internacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - no que tange aos melhore álbuns internacionais do ano, foi o momento de ver velhos conhecidos do rock trazendo grandes trabalhos à tona, como é o caso de Bowie, Nick Cave e Paul McCartney (além do Black Sabbath, que regurgitou clichês no interessante 13). Foi também a hora de ver gente combativa baixando a guarda e encontrando beleza na melancolia e na derrota (Manic Street Preachers, Yo La Tengo). Mas foi o ano de boas estreias (American Thread e Haim são prova disso) e de uma ótima safra da música portuguesa. Não à toa, o disco que encabeça essa lista vem das vielas de Lisboa para o mundo. 

1º - Mundo Pequenino, Deolinda

No primeiro disco, eles resgataram a canção portuguesa e colocaram-na no seu devido lugar. No segundo, admiraram o exercício entre o fado e o pop e colocaram o sublime e o intangível como instrumento de amor. Em Mundo Pequenino, produzido pelo experiente Jerry Boys, o Deolinda alargou as janelas de sua existência e, escudado por percussões, ritmos e balanços, saiu de Lisboa para encarar todo o globo terrestre, em um disco que tem muito da terrinha, mas diz muito respeito aos dias de hoje em qualquer país ocidental, nas grandes canções de Pedro da Silva Martins. Há o culto ao corpo ("Doidos", uma verdadeira festa de circo), há os estrangeirismos provocados pela globalização (o boy meets girl de "Semáforo da João XXI"), há a mulher querendo seu espaço de direito ("Concordância", "Pois Foi") e o imobilismo social ("Há de Passar"). Mas no meio de tudo isso, surgem dois grandes hinos às manifestações (políticas, sociais, pessoais, amorosas ou de quaisquer ordens): a carta de amor de "Seja Agora", na qual "vai ser tão bonito descobrir que quem manda é a vontade" e o movimento de "Musiquinha", cantada com grande malícia pela musa que é Ana Bacalhau, a front-woman do grupo. É o melhor disco de 2013, em qualquer parte do mundo, e o sotaque não pode ser barreira para que a música portuguesa não chegue ao Brasil do mesmo modo que a anglo-saxônica ou qualquer outra. É o que tem de ser - e o que tem de ser tem muita força. 


Leia mais:
- Deolinda ao vivo em Lisboa, no Coliseu dos Recreios
- Entrevista com Pedro da Silva Martins para o S&Y

21 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Internacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - tanto no Brasil como lá fora. A safra da música de 2013 pode ter sido extremamente pop, mais que em anos anteriores (compare com as listas de 2012 e 2011 e confirme o que eu estou dizendo), mas isso não é demérito nenhum. Além disso, foi um ano de grandes retornos (Bowie, QOTSA, Nick Cave, Macca) e onde partes diferentes do globo terrestre apareceram com galhardia (Lisboa, Barcelona e a terra dos robôs do Daft Punk mandam um abraço).  A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 20 melhores canções internacionais de 2013. Se é pra acontecer, pois que seja agora.

1º - "Seja Agora", Deolinda

Talvez sejam razões extremamente pessoais que me levam a colocar "Seja Agora" no primeiro lugar desta lista. Afinal, é difícil separar o que foi o meu 2013 da experiência de ter morado em Portugal durante alguns meses, e de ver a vida mudar tantas vezes nesse ano (ir, voltar, começar um novo emprego, encarar o amor de frente), e nenhuma banda representou melhor tantas guinadas de maneira tão positiva quanto o Deolinda. Mas também esta é uma decisão política, por assim dizer: o mundo hoje produz música da melhor qualidade, e muitas vezes ela vem de lugares inesperados ou fora do eixo anglo-saxônico - e é o caso de Portugal (em breve, publicamos uma lista com as melhores canções lusitanas da temporada) e ainda mais do Deolinda, que no seu último disco resolveu ampliar fronteiras e abraçar um mundo cada vez mais pequenino. Como me disse Pedro da Silva Martins, em entrevista que você pode ler em um link aí abaixo, ""Seja Agora” é sobre a urgência de amar, de estarmos com alguém, de não adiarmos aquilo que desejamos por questões alheias", uma bandeira que vale para qualquer plataforma: de um novo amor a um novo País. Que 2014 consiga ser assim como foi 2013 - porque, no fim, "vai ser tão bonito descobrir que quem manda é a vontade". 

Leia mais:
Deolinda ao vivo em Lisboa, no Coliseu dos Recreios
Entrevista com Pedro da Silva Martins para o S&Y

15 de jan. de 2014

Melhores 2013: Discos Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Na segunda parte do especial de Melhores do Ano, apresentamos os grandes discos nacionais de 2013, em uma lista que mostra que o pop e o rock brasileiro parecem finalmente ter se desgarrado da influência hermânica (o que não é de todo ruim, como se verá a seguir), mostra veteranos fazendo grandes canções e traz gratas surpresas. A canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta os 15 melhores álbuns brasileiros de 2013. 

1º - Antes Que Tu Conte Outra, Apanhador Só

No primeiro texto que escrevi sobre a Apanhador Só, lá em 2010 (republicado aqui em março de 2013), eu encerrava os trabalhos dizendo que Apanhador Só, primeiro disco cheio dos rapazes, era capaz de espantar invernos e deixar ouvintes com sorrisos bobos no rosto. Três anos depois, Antes Que Tu Conte Outra transforma o sorriso bobo em sorriso amarelo - ou nervoso de raiva. No lugar da banda "bonitinha" que ecoava Tom Zé e Los Hermanos falando de relacionamentos afetivos com delicadeza e sinceridade, surge um grupo cheio de guitarras ruidosas, sucata propositada, fúria e letras com forte (con)texto social. Em doze faixas, os gaúchos disparam contra o establishment, a publicidade (mesmo quando se servem de sua linguagem, como em "Liquido Preto"), o cotidiano alienante e opressivo ("Despirocar", "Vitta, Ian, Cassales") e quem mais quiser levar porrada - não foram poucas as formas que músicas como "Por Trás", "Mordido" e "Reinação" foram utilizadas por terceiros para criticar a Fora do Eixo, o governo brasileiro ou a Copa de 2014. Antes Que Tu Conte Outra merece também o troféu de melhor disco do ano por revelar, em versos e notas (e timbres), a energia do descontentamento que pode ter levado milhões de brasileiros às ruas em 2013. Entretanto, reduzi-lo apenas ao papel de "trilha sonora das manifestações" seria pouco para um disco que, além de tudo isso, mostra o amadurecimento de uma banda que já havia feito uma das melhores estreias de sua geração. Não se precipite, leitor: nasce aqui um grande grupo.

Ouça: "Vitta, Ian, Cassales"
Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
- Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

8 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Uma temporada bastante plural, na qual cabe funk, rock, rap (embora o rap brasileiro há muito já tenha expandido suas fronteiras), MPB, retornos de heróis do mainstream (Guilherme Arantes) e do independente e um punhado de segundos discos (Apanhador Só, Nevilton, Selton, Marcelo Jeneci, Bárbara Eugênia) que mostra que a canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 25 melhores músicas nacionais de 2013, um retrato sonoro de um ano que, espera-se, o Brasil não esquecerá. 

1º - "Despirocar", Apanhador Só

Primeiro single do disco mais importante de 2013 no Brasil, "Despirocar" é a música do ano não só por representar iconicamente a evolução lírica e musical de uma das bandas mais interessantes de sua geração - isso já seria o bastante para um grupo que teve uma estreia empolgante ao misturar Pavement, Tom Zé, Los Hermanos e sucata para falar de relacionamentos com olhar de iniciante. Mas, lançada no final de maio, "Despirocar" representa o Brasil de 2013. Espécie de "Construção" adaptada ao País do século XXI, no qual a mão de obra da construção civil agora tem sua força de trabalho (sub)empregada em um setor terciário inflado. No lugar de "amar daquela vez como se fosse a última", o eu-lírico da canção vive correndo, acotovelando-se no transporte público deficitário, alimenta-se mal (seja na "fila do buffet" ou "engolindo um biscoito") e trabalha até às últimas, chegando em casa cansado para ouvir "o William Bonner que me afaga me contando uma fábula sobre algo que ocorreu". Entretanto, se na obra de Chico Buarque o fim último de seu personagem era a morte, aqui a saída é a loucura, o 'não se submeter ao sistema', ou o 'que se foda tudo isso'. Comparações à parte (são trabalhos de grandeza poética e urgências diferentes), "Despirocar" traz em seu cerne, identificada e transformada em versos, a energia do descontentamento que, na visão externa deste escritor, pode ter auxiliado a levar milhões de brasileiros às ruas no mês de junho, no movimento popular mais importante do país em anos. É por representações como essa que a Música se tornou uma peça tão vital para entender a sociedade contemporânea - pelo menos, é nisso que o Pergunte ao Pop acredita. Se não for assim, talvez seja melhor despirocar, de vez. 

Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell