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2 de fev. de 2015

O Resto é Ruído #60 - Pablo Miyazawa

2015 começou cheio de boas novidades: uma delas é a minha volta para O Resto é Ruído, podcast criado pelos amigos Elson Barbosa e Fernando Augusto Lopes, e que conta ainda com Amanda Mont'Alvão e João Vitor Medeiros. Na edição #60, batemos um papo com o grande Pablo Miyazawa, falando sobre games, entretenimento, jornalismo e Rolling Stone, em uma conversa de quase duas horas de duração. Na trilha sonora, escolhi a boa (e grande faixa) "Ou Não", uma parceria da Apanhador Só com a cantora gaúcha Gisele de Santi. Clica aí embaixo pra ouvir. 



13 de abr. de 2014

Lollapalooza 2014 ou Geraldo Vandré Estava Errado

Foram dois dias de festival, mas pareceu muito mais: no ano em que o País promete entrar em situação de caos com Copa e eleições, o Lollapalooza ofereceu a seus 140 mil espectadores alguns momentos de paz. É preciso dizer, mais uma vez: os R$ 540 pagos por quem quis ir aos dois dias de festival, sem contar as taxas de inconveniência, podem ser considerados abusivos em um País cujo salário mínimo é de R$ 724 — um dado que precisa ser levado em conta na discussão sobre a efetividade do Brasil ter entrado de fato na rota de shows internacionais. (em tempo: a versão americana do Lollapalooza, em agosto, tem três dias e custará R$ 500; admirado pela crítica, o espanhol Primavera Sound, em maio, tem três dias de festival e programação extra que se estende por uma semana por R$ 594). 

Entretanto, é preciso se ressaltar que, em 2014, este Lollapalooza se pôs alguns degraus acima de seus concorrentes nacionais, tanto pela qualidade do evento (pouquíssimas filas, boa comida, localização e organização inteligente - a volta para casa no domingo, mesmo com grande parte do público saindo junto, não foi caótica) quanto pela escalação competente, que mesclou veteranos com nomes populares e novidades com alguns dos melhores shows em atividade hoje em dia no mundo, criando um modelo que tem tudo para se sustentar com sucesso pelos próximos anos. Como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”. Mas bem que poderia.

Meu relato sobre o Lollapalooza 2014 acaba desse jeito - mas a aventura dos dois dias em Interlagos, com shows que vão ficar pra sempre no coração (e outros para serem eternamente citados na lista de "o que caralhos eu estava fazendo ali mesmo?) saiu no Scream & Yell na semana passada (e eu só tive tempo de parar para divulgá-lo por aqui agora). Além do meu texto, o post tem as lindas fotos da Liliane Callegari, como essa daí de cima, e uma votação com mais 14 jornalistas escolhendo os melhores shows do festival. Que venha 2015. 

31 de mar. de 2014

7 Shows Para Ver no Lolla '14

Não há como negar, mesmo com todas as atrações ruins que tem pela frente: o Lollapalooza, que rola nesse fim de semana, é um dos momentos que eu mais tô esperando nesse primeiro semestre. Primeiro, pela tradicional reunião de amigos de todas as partes do Brasil, em botecagens pré e pós-festival, mas também dividindo filas, chuvas e refrões durante os shows. Segundo, porque, apesar do que Vandré disse ("a vida não se resume a festivais"), sempre é muito bacana juntar um monte de gente fina, elegante e sincera (e outros nem tanto) pra ver uma meia dúzia de shows bons e falar mal dos shows ruins. 

Terceiro, e não menos importante... os shows. E é deles que eu falo aqui neste texto: batuquei com a cabeça e achei que valia a pena escrever sobre os shows que eu mais tô esperando pra ver no Autódromo de Interlagos. Escolhi sete, tanto pelo número cabalístico quanto pelo conforto ideal de não ficar se atropelando. Vamos a eles. 

11 de mar. de 2014

Lolla 2014: Programação

O Lolla 2014 está chegando. Enquanto o Pergunte ao Pop prepara um especial bacana do jeito que vocês conhecem e gostam, a organização do festival divulgou hoje os horários das apresentações nos dias 5 e 6 de abril. 

Confesso que a organização dos shows me surpreendeu - quase nada que eu quero ver ficou encavalado, à exceção dos cinco minutos (apenas) de diferença entre o show do Vampire Weekend e dos Pixies (solução, óbvio, é perder o comecinho da nova formação da turma de Frank Black). Abaixo, a minha programação para o festival - asteriscos indicam aquele famoso... "é o que eu programei, mas cerveja e um bom hambúrguer podem me fazer esquecer esse show" ou "mais cinco minutinhos na cama, vai?".


Sábado - 5 de abril

12h05 - Vespas Mandarinas*
13h10 - SILVA
15h30 - Café Tacvba
18h30 - Lorde
19h55 - NIN
21h30 - Disclosure*

Domingo - 6 de abril

12h15 - Apanhador Só
13h30 - Raimundos*
14h20 - Johnny Marr
16h30 - Vampire Weekend
17h35 - Pixies
18h55 - Soundgarden*
20h30 - Arcade Fire

15 de jan. de 2014

Melhores 2013: Discos Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Na segunda parte do especial de Melhores do Ano, apresentamos os grandes discos nacionais de 2013, em uma lista que mostra que o pop e o rock brasileiro parecem finalmente ter se desgarrado da influência hermânica (o que não é de todo ruim, como se verá a seguir), mostra veteranos fazendo grandes canções e traz gratas surpresas. A canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta os 15 melhores álbuns brasileiros de 2013. 

1º - Antes Que Tu Conte Outra, Apanhador Só

No primeiro texto que escrevi sobre a Apanhador Só, lá em 2010 (republicado aqui em março de 2013), eu encerrava os trabalhos dizendo que Apanhador Só, primeiro disco cheio dos rapazes, era capaz de espantar invernos e deixar ouvintes com sorrisos bobos no rosto. Três anos depois, Antes Que Tu Conte Outra transforma o sorriso bobo em sorriso amarelo - ou nervoso de raiva. No lugar da banda "bonitinha" que ecoava Tom Zé e Los Hermanos falando de relacionamentos afetivos com delicadeza e sinceridade, surge um grupo cheio de guitarras ruidosas, sucata propositada, fúria e letras com forte (con)texto social. Em doze faixas, os gaúchos disparam contra o establishment, a publicidade (mesmo quando se servem de sua linguagem, como em "Liquido Preto"), o cotidiano alienante e opressivo ("Despirocar", "Vitta, Ian, Cassales") e quem mais quiser levar porrada - não foram poucas as formas que músicas como "Por Trás", "Mordido" e "Reinação" foram utilizadas por terceiros para criticar a Fora do Eixo, o governo brasileiro ou a Copa de 2014. Antes Que Tu Conte Outra merece também o troféu de melhor disco do ano por revelar, em versos e notas (e timbres), a energia do descontentamento que pode ter levado milhões de brasileiros às ruas em 2013. Entretanto, reduzi-lo apenas ao papel de "trilha sonora das manifestações" seria pouco para um disco que, além de tudo isso, mostra o amadurecimento de uma banda que já havia feito uma das melhores estreias de sua geração. Não se precipite, leitor: nasce aqui um grande grupo.

Ouça: "Vitta, Ian, Cassales"
Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
- Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

8 de jan. de 2014

Melhores 2013: Músicas Nacionais

2013 foi um ano difícil. Complexo. Longo. Mas talvez por tudo isso, um ano interessantíssimo - especialmente para a safra nacional de música, talvez a melhor desde que este escritor começou a acompanhar com afinco profissional e coração de amador a cena brasileira. Uma temporada bastante plural, na qual cabe funk, rock, rap (embora o rap brasileiro há muito já tenha expandido suas fronteiras), MPB, retornos de heróis do mainstream (Guilherme Arantes) e do independente e um punhado de segundos discos (Apanhador Só, Nevilton, Selton, Marcelo Jeneci, Bárbara Eugênia) que mostra que a canção brasileira pulsa, e muito bem viva. A seguir, o Pergunte ao Pop apresenta as 25 melhores músicas nacionais de 2013, um retrato sonoro de um ano que, espera-se, o Brasil não esquecerá. 

1º - "Despirocar", Apanhador Só

Primeiro single do disco mais importante de 2013 no Brasil, "Despirocar" é a música do ano não só por representar iconicamente a evolução lírica e musical de uma das bandas mais interessantes de sua geração - isso já seria o bastante para um grupo que teve uma estreia empolgante ao misturar Pavement, Tom Zé, Los Hermanos e sucata para falar de relacionamentos com olhar de iniciante. Mas, lançada no final de maio, "Despirocar" representa o Brasil de 2013. Espécie de "Construção" adaptada ao País do século XXI, no qual a mão de obra da construção civil agora tem sua força de trabalho (sub)empregada em um setor terciário inflado. No lugar de "amar daquela vez como se fosse a última", o eu-lírico da canção vive correndo, acotovelando-se no transporte público deficitário, alimenta-se mal (seja na "fila do buffet" ou "engolindo um biscoito") e trabalha até às últimas, chegando em casa cansado para ouvir "o William Bonner que me afaga me contando uma fábula sobre algo que ocorreu". Entretanto, se na obra de Chico Buarque o fim último de seu personagem era a morte, aqui a saída é a loucura, o 'não se submeter ao sistema', ou o 'que se foda tudo isso'. Comparações à parte (são trabalhos de grandeza poética e urgências diferentes), "Despirocar" traz em seu cerne, identificada e transformada em versos, a energia do descontentamento que, na visão externa deste escritor, pode ter auxiliado a levar milhões de brasileiros às ruas no mês de junho, no movimento popular mais importante do país em anos. É por representações como essa que a Música se tornou uma peça tão vital para entender a sociedade contemporânea - pelo menos, é nisso que o Pergunte ao Pop acredita. Se não for assim, talvez seja melhor despirocar, de vez. 

Leia mais: 
Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP
Entrevistão com a Apanhador Só no Scream & Yell

23 de dez. de 2013

A Música Entre Aplausos e Curtidas

Quando a internet começou a se popularizar, no começo dos anos 2000, abriu-se uma nova e empolgante perspectiva para os artistas: a de alcançar milhões de novos fãs de maneira fácil, simples e barata, dispensando apoio e dinheiro de grandes gravadoras. As mesmas ferramentas e canais, no entanto, estão acessíveis a todos. A vitrine ficou maior, mas a disputa por espaço também, sendo assim cada vez mais difícil ser ouvido em meio a tantas vozes, músicas e plataformas.

O DJ e produtor Waldo Squash, da Gang do Eletro, que tem seu álbum Treme incluído entre os destaques de 2013, disse que a internet facilitou muito “o aprendizado e compartilhamento de conhecimento entre artistas”, mas a parte de divulgação é “complicada”.

Diante dessa situação, artistas e seus representantes têm que dedicar boa parte do seu tempo cuidando de estratégias para chamar a atenção na rede. “Um dos dramas da minha vida é não poder me dedicar só à música, e ficar menos preocupado com divulgar o trabalho”, diz Alexandre Kumpinski, vocalista da Apanhador Só, apesar de preferir a independência a se submeter a uma gravadora. A banda gravou seu álbum Antes Que Tu Conte Outra com R$ 60 mil levantados por financiamento coletivo, realizado com a colaboração de 1.300 fãs.

Em um trabalho coletivo meu e do grande Camilo Rocha, meu editor no Link, fechamos o ano para balanço com a matéria que me deu mais tesão de fazer desde que eu cheguei ao Estadão, falando sobre as maneiras que os músicos usam (ou não) para divulgar seu trabalho na internet, com a ilustre participação dos Móveis Coloniais de Acaju, o Boss in Drama, a Gang do Eletro, o DJ Guerrinha, do Dorgas, o MC Guime e a Apanhador Só, além da produtora Pamela Leme. Sem falar em quão legal é ter um enorme cavalo estampando as páginas de um caderno de tecnologia. 

Além da matéria principal, eu e o Camilo fazemos uma pequena retrô de campanhas de lançamento legais na sub, repercutindo os casos de Daft Punk, Boards of Canada e Beyoncé.

PS: Essa matéria foi escrita, da minha parte, ao som de Deolinda, Sigur Rós e Felipe Cordeiro. Achei que era uma curiosidade bacana que cês gostariam de saber. 

3 de set. de 2013

No S&Y: Entrevistão com a Apanhador Só

Na semana que antecedeu o show de lançamento de “Antes Que Tu Conte Outra” na capital paulista, o Scream & Yell recebeu Alexandre, Felipe, o baixista Fernão Agra e o baterista André ‘Foca’ Zinelli para um papo regado a cerveja, tubaína e amendoim. Além de falar do novo álbum, o grupo fez sérias críticas à publicidade, mostrou-se decepcionado com Tom Zé após a polêmica da Coca-Cola, discorreu sobre o Fora do Eixo e apontou a expansão do jabá como “culpado” da realidade musical brasileira dos dias de hoje, ecoando a entrevista de Wado ao site no mês de agosto, além de escolher discos que representam a cara da banda (você confere as respostas nas fotos que ilustram a conversa). 

 Entretanto, mais que isso, a entrevista a seguir revela uma banda inquieta, criativa, e, acima de tudo, com vontade de arriscar para fazer as coisas acontecerem, levando à risca o significado da palavra independência. “Preferimos colocar o facão no mato a pegar a rodovia pavimentada e pagar um pedágio filho da puta”, diz Felipe. “Somos quatro pessoas dispostas a chafurdar para conseguir fazer com que música dê certo nas nossas vidas”, completa Alexandre. 

Na entrevista mais longa da minha carreira jornalística até aqui, participei de uma conversa foda com os rapazes da Apanhador Só e o Marcelo Costa. A transcrição dessa brincadeira foi um suadouro, mas o resultado, pelo menos para mim, valeu muito a pena. Respira fundo, não se precipite com o tamanho do papo e siga em frente - ou melhor, no link para o Scream & Yell. As fotos, mais uma vez deslumbrantes, são da primeira dama do site, Liliane Callegari. 

Leia mais: 
- Seis vídeos do show de lançamento de Antes Que Tu Conte Outra em SP

28 de ago. de 2013

Conta Outra: seis vídeos da Apanhador Só em SP



O teatro do SESC Belenzinho recebeu, na noite do último domingo (25), um dos shows mais aguardados do ano: o lançamento do disco Antes Que Tu Conte Outra, da banda gaúcha Apanhador Só. Celebrado por este blog como o álbum nacional do ano até aqui, Antes Que Tu Conte Outra mostra uma renovação na atmosfera da banda gaúcha, que deixou o universo amoroso-sentimental-pós hermânico para embarcar em uma viagem sonora cheia de ruído, textura, desconforto e preocupação social - basta ouvir "Despirocar"  (acima) ou "Reinação", duas das melhores faixas do trabalho, para perceber isso. 

O Pergunte ao Pop esteve presente no show e traz para você seis vídeos (e um álbum de fotos) do que rolou por lá. Se você ficou curioso, pode esperar que em breve haverá mais: semana que vem, o Scream & Yell publicará uma longa entrevista que este que vos escreve e Marcelo Costa fizemos com a banda na semana que antecedeu a apresentação. Como diria a sua tia: "tá da pontinha da orelha!".


21 de mai. de 2013

O Lado A(?) da Virada Cultural: Lirinha, Mombojó, Vanguart e Apanhador Só


O Victor Francisco Ferreira conta o resto da saga dele pela Virada Cultural pra gente aqui no Pergunte ao Pop. Saiba como foram os shows de Lirinha, Mombojó, Vanguart e Apanhador Só durante o festival paulistano

Após algumas horas na Sala de Imprensa escrevendo textos sobre minha experiência erótica oriental no Cine Dom José, rumei para a rua 25 de março. Passava das duas da manhã, e no palco da famosa rua do comércio paulistano estava a banda paraibana Cabruêra, com uma apresentação agitada e hits da música brasileira, principalmente nordestina.

Enquanto o palco da Cabruêra era desmontado e a equipe do pernambucano Lirinha ajeitava os instrumentos para o próximo show, os alto falantes do palco emitiam ruídos altos e irritantes. Problema técnico que foi solucionado apenas minutos antes do início da apresentação, que começou com 45 minutos de atraso.

5 de mar. de 2013

O Mundo com Olhos de Iniciante

A tarde ensolarada e fria que faz hoje em Lisboa me fez lembrar das músicas e desse texto que escrevi em 2010 sobre a estreia homônima da Apanhador Só, para o antigo Pop to the People. Uma das mais instigantes de sua geração, a banda gaúcha promete disco novo para abril/maio, em uma sequência muito aguardada pelo dono deste espaço. Enquanto seu lobo não vem, é tempo de reescutar Apanhador Só. 

Um jeito interessante de pensar no auto-intitulado e recém-lançado disco da Apanhador Só é imaginar contrastes: em plena rua Augusta, indies de calças xadrezes e óculos de borda grossa (sem lentes de grau, obviamente, só pra manter o hype) dançam frevos e sambinhas regados a guitarras e teclados. Ou ainda: o encontro de Stephen Malkmus e Rivers Cuomo com Paulinho da Viola e Luiz Gonzaga em pleno domingo à tarde de sol para uma jam session. Porém, essas duas descrições soam incompletas: a elas falta o lirismo peculiar de quem é “marinheiro de primeira viagem”, que se encontra em todas as faixas de Apanhador Só.

18 de jan. de 2013

Melhores 2012: Músicas Nacionais

Se 2011 foi o ano do rap e do sambinha-indie, com faixas de Wado, Criolo e Cícero entre os principais destaques daquela temporada, 2012 é bastante eclético, na visão do Pergunte ao Pop. Verdadeira salada musical, a lista de melhores músicas nacionais dos últimos 365 dias reúne nomes díspares como Caetano Veloso, Rafael Castro (os dois últimos com duas citações cada), MC Bola, Roberto Carlos, Jair Naves, B Negão & Os Seletores de Frequência e o grupo capixaba Merda. Sim. Merda. Entretanto, assim como na lista de discos, a vitória ficou nas mãos de Tulipa Ruiz. (Ao final, todas as músicas citadas nesse post para quem quiser ouvir de uma vez só em uma playlist do Grooveshark). 

1º:"Dois Cafés", Tulipa Ruiz e Lulu Santos

Arquitetado após uma troca rápida de e-mails, o dueto entre Tulipa Ruiz e Lulu Santos é um ponto alto do segundo disco da cantora, Tudo Tanto. De charme irresistivelmente pop tramado pelas voz grave de Lulu e a doçura de Tulipa, "Dois Cafés" é uma crônica/crítica perfeita dos dias que correm, falando sobre os problemas de quem chega agora ou já encara há algum tempo a vida adulta: "Ter ou não ter/O tempo todo livre pra você/O banco, o asfalto, a moto, a britadeira/Fumaça de carro invade a casa inteira/Algum jeito leve você vai ter que dar". Além disso, é uma letra sobre as escolhas que se faz nessa fase da vida: será que é preciso mesmo "priorizar/se comportar/ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar" para ficar "bem melhor/menos mal/mais normal"?. A própria música responde:" é o tempo que vai dizer", mas uma certeza fica: ao menos em 2012, não houve uma canção tão certeira quanto essa.

25 de jul. de 2012

Catadão de Entrevistas

Falei pouco do meu trabalho por aqui até hoje. Depois de um tempo falando de ciência e pesquisas acadêmicas na Agência USP de Notícias, comecei a trabalhar no iG Jovem em março - e tô lá desde então, dividindo minha atenção entre esportes radicais, Justin Bieber e pautas de comportamento como "como é o beijo ideal para eles e para elas".

De vez em quando, rolam umas entrevistas de música bem legais - aproveito o buraco de textos novos (várias ideias saindo do forno) para fazer um selecionado de algumas das minhas entrevistas favoritas com cantores e bandas brasileiros nos últimos tempos. (Se alguém tiver alguma sugestão bacana de entrevista, sinta-se à vontade) Espero que vocês gostem.







31 de jan. de 2012

Paraquedas


Uma opinião um tanto quanto... megalômana, acho: a Apanhador Só é hoje uma das cinco melhores bandas "novas" (critério pessoal: menos de três discos cheios no currículo) do Brasil - não me perguntem quais são as outras quatro. E cada show que eu vejo dos caras a coisa fica melhor - foi o que rolou hoje no SESC Carmo, no centro de São Paulo, pertinho da Catedral da Sé.

Nada de muito novo pra quem já viu um show deles: uma banda com punch, muito punch, com destaque para a bela exibição do baterista Martin Estevez - preste atenção, se você for a um show dos caras, quando eles tocam "Jesus, o Padeiro e o Coveiro" - e pelo menos uma meia dúzia de música totalmente assobiáveis e grudentas, no melhor sentido da palavra. É difícil resistir aos refrões de "Nescafé", "Prédio", "Um Rei e o Zé" e "Maria Augusta", só pra citar quatro.

Ao repertório da melhor estreia de 2010 para este autor, que compôs a base da apresentação de hoje, juntaram-se duas canções ainda não gravadas oficialmente: "Torcicolo", já conhecida de outros carnavais, e "Paraquedas", que eu ainda não tinha visto (e foi tocada em poucas ocasiões em São Paulo). Filmei essa segunda com a minha pobre Cybershot sem recursos, mais a título de registro: o resultado cês podem ver aqui mesmo.



As duas, juntas, mantém a mesma pegada da estreia, mas há alguma coisa de diferente no clima das canções - um pouco mais desesperançosas, talvez?

A única pena do show, talvez, foi ter sido num lugar "sentado", e não de pé. No bis, todo mundo se levantou e a energia foi outra: além da já citada "Prédio", a banda apresentou sua cover bacanuda pra "Menina, Amanhã de Manhã", de Tom Zé.  Depois do show, troquei uma ideia com Alexandre Kumpinski, vocalista e guitarrista da banda. As novidades? 

"Devemos gravar dois singles pra 2012, e dependendo de como rolar, começamos as gravações pro próximo disco cheio ainda nesse ano. A idéia é usar crowdfunding, e o mais provável é sair no comecinho de 2013", disse ele. Na minha modesta opinião, talvez seja tempo demais - mas enquanto isso, vamos ouvindo o que vem por aí.

PS: Tirei umas poucas fotos do show, coloquei lá no Flickr. Pra quem tiver a curiosidade...

5 de jun. de 2011

Cara ou Coroa?

No último mês que passou, a Apanhador Só, banda de Porto Alegre que lançou um dos álbuns mais interessantes do ano passado, fez uma série de apresentações na cidade de São Paulo. Divulgando seu mais recente trabalho, o disco Acústico-Sucateiro, de 2011, o conjunto gaúcho se alternou entre exibições desplugadas - com direito a utilização percussiva de instrumentos como roda de bicicleta, molho de chaves e ralador de queijo - e shows elétricos, com sua formação "convencional" - ou seja, baixo, bateria e guitarras, pilotados respectivamente por Fernão Agra, Martin Esteves, Felipe Zancanaro e Alexandre Kumpinski (que também canta). Tal dinâmica permite ao grupo mostrar duas facetas de seu trabalho, como se, ao definir qual é o formato deles, seus shows se transformassem em uma partida de cara-ou-coroa.

3 de mai. de 2011

Brincando de Fazer Música

Uma das melhores estreias do ano passado foi a da banda gaúcha Apanhador Só, em seu disco homônimo. Trafegando com elegância entre o indie rock dos anos 90 e a música brasileira, o grupo fez um belo trabalho brincando com doses de poesia à moda de Manuel Bandeira e Mário Quintana. Em 2011, eles retornam com Acústico Sucateiro, conjunto de canções boladas para ser distribuída pela internet ou em uma fita K7 - o sabor de nostalgia, obviamente, é por conta da casa. Ao regravar suas boas canções do primeiro disco, a banda não faz feio - e vai além com algumas ideias que propôs anteriormente.