8 de mai de 2014

Melhor Hambúrguer da Cidade: Z-Deli Sanduíches

Uma coisa que muita gente sempre me pergunta quando eu falo sobre hambúrgueres por aí é: "mas e os hambúrgueres gourmet?". Como lidar quando querem enfiar cogumelos, queijos especiais, shitake, foie gras e outros mil quetais no meio de uma coisa tão simples quanto a combinação entre carne moída e amassada, pão e queijo? A princípio — e para um amante da chapa suja como eu —, o conceito gourmet é totalmente descabido em uma comida que nasceu na rua e para sempre vai carregar consigo esse sabor (assim como o "samba é negro demais no coração", já dizia o mestre Vinicius de Moraes). Entretanto, não vale a pena radicalizar. Não antes da primeira mordida, pelo menos. Ainda mais quando se fala de uma grande (o adjetivo vem antes da análise, mas será justificado) casa como o Z-Deli Sanduíches, filial de uma casa de comida judaica que roubou os holofotes de sua matriz. 

Um salão apertado que só na rua Haddock Lobo, para o lado dos Jardins (se você é um usuário de Bilhete Único, prepare seus joelhos para a volta até o metrô), o Z-Deli se consagrou recentemente em diversas votações de "melhor hambúrguer da cidade" com sua proposta ousada de lanches sofisticados. Ingredientes como queijo camembert, foie gras, pimentas jalepeño e cheddar inglês pululam entre as opções do cardápio da casa, que não tem nenhum derivado de porco em seu cardápio (respeitando as raízes judaicas. No bacon for you!), e ainda oferece lanches com ~carnes~ como pastrami e salmão defumado. 

Estive lá há uma ou duas semanas, na companhia da querida Tássia Kastner, em uma noite qualquer de meio de semana. Entretanto, isso não impediu que nós esperássemos por algum tempo (coisa de uns 20 minutos, embora a conta da hora seja um tanto imprecisa) do lado de fora para um lugar no balcão da casa (que pode ser considerada uma precursora do "menos é mais" em que apostam boas revelações como o Vinil e o Na Garagem). A parte boa é que dá para ir ~abrindo os trabalhos~ ainda na fila, com cervejas da Brooklyn Brewery. 

Finalmente no balcão, pedimos uma porção de batatas fritas "da casa" (R$ 12,00), com casca e temperadas com sal, alho e muito, mas MUITO alecrim. A porção vem acompanhada de um pote de maionese (puxada na salsinha e no alho, embora faltasse um pouco de acidez) à parte, totalmente ~de grátis~, o que lhe dá um sabor ainda mais especial, ainda que nem precisasse com tanto tempero. Dá pra dizer fácil que a porção do Z-Deli é uma das melhores da cidade, tanto por seu tamanho quanto por seu esmero, ficando próxima de concorrentes de peso como a do Sujinho, a da Lanchonete da Cidade e a do Na Garagem. 

Mas vamos ao que todo mundo estava esperando: o lanche. A Tássia foi de Manhattan (hambúrguer, cheddar inglês, picles, cebola roxa e tomate, R$ 25), enquanto eu ataquei de Louis Burger (hambúrguer, queijo "da casa", cebola queimada em um pão abriochado; a receita original vinha em um pão de forma, mas pfffff...; R$ 25). Você vai dizer: "é, mas você pediu uma combinação básica", enquanto eu lhe respondo: saber fazer o básico é o primeiro ponto para que um lanche afrescalhado possa ser considerado um bom lanche. Afinal, o gourmet pode ser justificado de maneira simples: se ao morder, ele fizer tanto sentido quanto um lanche tradicional, tá valendo. E no caso do Louis Burger, a simplicidade compensa. 

O ponto alto da brincadeira é, como não poderia deixar de ser, a carne. Um "bife" alto e grelhado, ela chega ao prato rosada por dentro e selada por fora, deixando um pouco de seu suco escorrendo pelo lanche (o que é ótimo, vale reforçar). O pão é bom, e colabora para o saldo final, embora seja um pouquinho doce, fato compensado pelo queijo, que, além de dar liga ao lanche, também contribui com seu sabor salgado (o Instituto DataNoa afirma que seja um parente do queijo do reino, embora os estudos até agora tenham sido inconclusivos).

Quem deixa ligeiramente a desejar é a cebola, que poderia ter gosto mais acentuado. Outra nota importante: em uma mordida rápida, testamos o lanche com o acompanhamento da maionese (aquela que veio junto com a batata), e o resultado agregou valor ao prato — entretanto, o Melhor Hambúrguer da Cidade não é o DJ Avan e não se baseia em "Se...". No saldo geral da noite, um belo hambúrguer, digno de figurar entre os melhores da metrópole desvairada, perdendo pontos na nota por seu preço elevado — afinal, gourmet que é gourmet pode não deixar a barriga feliz, mas adora fazer do bolso um lugar mais vazio. Felizmente, aqui o estômago também sai pulando de alegria.

Nota: 4,25 fatias de bacon

28 - #1, The Rockets - Jardim Paulista (1,5)
28 - Taipas 4, Hamburgueria São Caetano - São Caetano (1,5)
30 - X-Maionese, Hamburgueria São Caetano - São Caetano (1)

PS: Com a marca de 30 hambúrgueres, tomei a liberdade de reavaliar a pontuação de alguns lanches. Afinal, o paladar evolui, cozinheiros mudam, mas a busca por grandes lanches muda. Um asterisco será incluso nos lanches que tiveram sua nota alterada a partir daqui. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário