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10 de jun. de 2014

Pop, Girls, Etc #08 - Lenço Enxuto

A mixtape dessa semana nasceu como perfeita justaposição à anterior; ou quase: se a da semana passada era a Menina, com cinco vozes femininas como destaque, agora é a vez dos homens falarem sozinhos. A seleção, entretanto, não responde apenas por quaisquer cantantes: são caras e canções que, de certa forma, sempre volto a ouvir em alguns momentos específicos, falando sobre o ser masculino, dando conselhos ou simplesmente cantando sobre amor. 

É o mestre Bruce Springsteen falando sobre homens pobres que querem ser ricos e ricos que querem ser reis, é John Lennon dando um toque pra segurar a barra ou Jason Pierce contando uma história sobre amor e fogo. É Helio Flanders dizendo que o que importa é o que te quebra em duas cidades ou Beto Só declamando uma linda balada sobre a questão mais contemporânea de todas: o tempo contra nós. E é a dupla Samuel Úria (autor de "Menina", que dava título à última mixtape) e Manel Cruz (vocalista dos Ornatos Violeta, presentes na primeira edição da PGE) dividindo a faixa título, "Lenço Enxuto", do último disco de Úria, lançado no ano passado. 

Pop, Girls, Etc #08 - Lenço Enxuto

Bruce Springsteen - "Badlands"
Samuel Úria & Manel Cruz - "Lenço Enxuto"
Beto Só - "O Tempo Contra Nós"
Mauro Motoki - "História Geral"
Gram Parsons - "She"
John Lennon - "Hold On"
Vanguart - "Para Abrir Os Olhos"
Rod Stewart - "Reason to Believe"
Nick Cave - "Into My Arms"
Spiritualized - "Too Late"

Ouça no Mixcloud: 



Baixe no Mediafire

Ouça as outras mixtapes Pop, Girls, Etc.
#01 - Tigres de Papel
#02 - Pelicano
#03 - Be Má Beibe
#04 - Tó-Zé
#05 - Häagen Dazs
#06 - Dê
#07 - Menina

PS: A foto da capa desta mixtape é talvez a mais recente usada até agora: tirei-a há uns dois meses, voltando pra casa depois de um fechamento em uma sexta-feira à noite. Velhinhos no metrô são uma grande paixão fotográfica deste que vos fala. 

16 de out. de 2013

Rapidinhas: Anitta, Vanguart

Anitta, Anitta (Warner)

Você já ouviu essa antes: com cara de menina brincalhona, corpo malhado e atitude entre o sacana e o girl power, uma garota sai do subúrbio do Rio direto para as paradas de sucesso, apoiada em letras provocativas e funks suavizados. Em 2002, a descrição explicaria como o Brasil inteiro ficou ba-ban-do com a loira (falsa) Kelly Key. Onze anos depois, a história se repete com Larissa Machado, que, após cirurgias plásticas, shows com o Furacão 2000 e a adoção de um pseudônimo virou Anitta, “a nova sensação do pop nacional”. Duvida? Então discuta com as 50 milhões de visualizações da canção “Show das Poderosas” no YouTube. Misto de palavra de ordem e futrica feminina de salão de beleza embalada em um arranjo potente, a faixa foi alavancada por um clipe em p&b a la Beyoncè, uma coreografia que valoriza o corpo da cantora e é o carro-chefe de sua estreia em álbum. Lançado em julho, “Anitta”, porém, passa longe de ter um exército pesado de hits, sofrendo com uma produção pouco inspirada – preste atenção na programação percussiva, repetida em todas as canções – e em instrumentações nada originais (nas fracas baladas “Zen” e “Som do Coração”). Liricamente, o disco repete Kelly Key (“Cachorro Eu Tenho em Casa”, “Fica Só Olhando”) e higieniza o discurso de Valeska e Tati Quebra Barraco, repelindo as invejosas (“Achei”) e brincando de femme fatale beirando o sexismo (“Menina Má”, “Meiga e Abusada”). Na verdade, Anitta é que nem o seu “Príncipe de Vento”: agrada aos olhos e faz sonhar, mas é só abrir a boca pra fazer cair da cama.

Preço em média: R$ 19
Nota: 4

Muito Mais Que o Amor, Vanguart (Deck)

Reconciliações não são fáceis. Muitas vezes, acontecem por linhas tortas, e não parecem fazer sentido, mas trazem compensações quando funcionam. Essa talvez seja a principal lição que se possa extrair de “Muito Mais Que o Amor”, novo álbum do Vanguart. Depois de uma estreia acachapante e uma desilusão com o mainstream que rendeu um segundo disco turbulento, que lidava com frustrações e o lado mais tempestuoso do amor, chegou a hora de passar as coisas a limpo. É o que fica claro em “Estive”, uma road song na qual Hélio Flanders conta por onde passou, e, no final, convida o ouvinte a seguir em frente: “Vamos? Vamos!”. O que se vê nas dez faixas restantes são idas e vindas de um eu-lírico que quer acreditar no amor, com declarações simples, mas certeiras (“Meu Sol”, “Sempre Que Eu Estou Lá”), embaladas por arranjos folk-rock, “pra cima”. Até mesmo quando as circunstâncias forçam a se ir à direção oposta, o resultado é muito mais colorido e ensolarado que em “Boa Parte de Mim Vai Embora”, como em “Olha Pra Mim” ou na boa balada mccartneyana “Pra Onde Eu Devo Ir”. O problema é que, depois de dois trabalhos fortes e realistas, “Muito Mais Que O Amor”, por sua veia romântica, não resiste a muitas audições seguidas, como se sua vontade de acreditar no mundo soasse ingênua perto do que a banda já mostrou antes – um paralelo musical do final de “Antes da Meia Noite”, de Richard Linklater. Assim como o romance de Jesse e Celine, esta é uma banda que já nos deu boas emoções. E ainda tem muita lenha pra queimar. É preciso mais que o amor, mas vale a pena acreditar.

Preço em média: R$ 29
Nota: 6,5



Originalmente publicado no Scream & Yell, em setembro de 2013. 

21 de mai. de 2013

O Lado A(?) da Virada Cultural: Lirinha, Mombojó, Vanguart e Apanhador Só


O Victor Francisco Ferreira conta o resto da saga dele pela Virada Cultural pra gente aqui no Pergunte ao Pop. Saiba como foram os shows de Lirinha, Mombojó, Vanguart e Apanhador Só durante o festival paulistano

Após algumas horas na Sala de Imprensa escrevendo textos sobre minha experiência erótica oriental no Cine Dom José, rumei para a rua 25 de março. Passava das duas da manhã, e no palco da famosa rua do comércio paulistano estava a banda paraibana Cabruêra, com uma apresentação agitada e hits da música brasileira, principalmente nordestina.

Enquanto o palco da Cabruêra era desmontado e a equipe do pernambucano Lirinha ajeitava os instrumentos para o próximo show, os alto falantes do palco emitiam ruídos altos e irritantes. Problema técnico que foi solucionado apenas minutos antes do início da apresentação, que começou com 45 minutos de atraso.

20 de fev. de 2012

Boa Parte de Mim Vai Embora

Cinco anos passam rápido. Se essa frase de efeito costuma valer bem para uma pessoa, que dirá para uma banda, ainda mais nos dias de hoje? Boa Parte de Mim Vai Embora, o segundo trabalho da Vanguart, chega aos ouvintes exatamente cinco anos depois da banda causar frisson no cenário independente, através de hits como “Semáforo” e “Cachaça”, destaques de um grande disco, autointitulado, lançado pelos mato-grossenses em 2007. Eles obviamente não foram os primeiros a usar o idioma folk no rock nacional, nem mesmo trouxeram o gênero de volta à tona na última década – como fizeram lá fora, só para citar alguns nomes, Wilco, Ryan Adams e Iron & Wine. Mas, de alguma maneira, acabaram se tornando responsáveis por uma mexida na cena brasileira, fazendo que, de uma hora outra, parecesse plausível e possível fazer música calcada em voz e violão – Mallu Magalhães e sua “Vanguart” que o digam.

29 de jul. de 2011

Erasmo, Vanguart, CSS

Após um longo inverno - que incluiu o lançamento de um CD/DVD ao vivo pela Universal - finalmente aparecem as primeiras pistas do que será o esperado segundo disco da Vanguart. A banda de Hélio Flanders, que em 2007 trouxe à tona o aclamado auto-intitulado álbum, lançado pela revista OutraCoisa (de Lobão), divulgou nos últimos dias "Depressa". A princípio, ao contrário do que foi anunciado por Flanders por aí em muitas entrevistas, a canção segue bem a linha do trabalho de 2007, com um pouco mais de energia e punch. Esperar pra ver.

Enquanto o Rei entrou num estado de completa letargia musical, seu amigo de fé irmão camarada Erasmo Carlos vem, nos últimos anos, fazendo um trabalho muito bacana - seu último álbum, "Rock'n Roll", de 2009, é um baita disco. Com charme - e o vigor sexual que lhe deu o título de Tremendão - aparece agora "Kamasutra", parceria dele com Arnaldo Antunes que é o primeiro single de seu próximo disco, "Sexo". Entre guitarras e cítaras, Erasmo se diverte dissertando sobre posições, com toda a classe que lhe é possuída.

Já o CSS soltou também essa semana a música de trabalho de seu vindouro álbum. "La Liberación", que é a faixa-título, traz à tona de volta o non-sense que gerou o hype todo em cima do grupo paulistano, ainda no começo da década passada. Em um espanhol digno de Miami - e não de Ciudad del Este - Lovefoxxx berra um hino ao "se joga", feito na medida pra baladas rock. Depois de umas duas ou três escutadas, a música fica na cabeça - e isso é uma melhora em relação a "Donkey" - mas ainda é pouco pra quem fez pedradas como "Off the Hook", "Music is My Hot Hot Sex" e "Superafim".