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27 de mar. de 2012

Orgulho e Preconceito

Entrevistei o Lucas da Fresno essa semana para o trabalho - em uma matéria bem bacana que estamos tramando por lá - e lembrei-me desse texto, que originalmente foi escrito para o Pop to the People, em sua fase de recesso, e acabou pousando lá no Scream &Yell. É um dos meus textos favoritos, por sua capacidade de ir um pouco na contramão do que se pode dizer por aí. No final do texto, tem um clipe recente que eles gravaram para "Sentado à Beira do Caminho" - não chega nem aos pés da original, mas é interessante ver o que eles aprontaram.  

Não é segredo pra ninguém que nos últimos dez anos – pra não dizer quinze ou vinte – a Internet mudou a maneira como a música é produzida hoje. Mais do que isso, ela se tornou um grande ambiente de divulgação para muitos artistas. Entretanto, se avaliarmos com mais atenção, conquistar o sucesso entre os internautas é apenas conquistar um determinado nicho, composto geralmente por jovens de classe média. O “tão-falado-e-sonhado” sucesso de público, com crianças e velhinhos de todas as cores, credos e salários cantando pelas ruas os refrões de uma banda, é um passo – longo – que vai um pouco além dos arquivos mp3 e das rádios especializadas. O Fresno, talvez o melhor exemplo brasileiro que soube aproveitar o espaço virtual para trazer os holofotes para si mesmo, agora procura superar esse novo desafio – e também o preconceito de muitos ouvintes – em seu novo disco, Revanche

17 de mar. de 2012

Um Ogro Verde e Nojento Pra Chamar de Seu

Como as coisas andam bem corridas por aqui, mais uma vez fico devendo um texto novo grandão pra vocês. Mas, ainda daquela leva do fundo do baú, achei esse texto bacaninha sobre a saga Shrek, que fiz para a revista Cinéfilos, da Jornalismo Júnior, empresa junior da ECA. Saí da revista em 2010, mas vale ler o que o pessoal tem escrito por lá!

Estamos em junho de 2001 e os estúdios Disney acabam de passar por uma de suas melhores décadas na história, com filmes como A Bela e A Fera, O Rei Leão e Mulan - sem falar no estrondoso sucesso de sua parceira 3D, a Pixar. Eis que então surge um ogro verde, viscoso e nojento disposto a acabar com esse monopólio - e, ainda por cima, preparado para satirizar todos os contos de fada que fizeram a história do simpático camundongo. Hey, Shrek!

20 de fev. de 2012

Boa Parte de Mim Vai Embora

Cinco anos passam rápido. Se essa frase de efeito costuma valer bem para uma pessoa, que dirá para uma banda, ainda mais nos dias de hoje? Boa Parte de Mim Vai Embora, o segundo trabalho da Vanguart, chega aos ouvintes exatamente cinco anos depois da banda causar frisson no cenário independente, através de hits como “Semáforo” e “Cachaça”, destaques de um grande disco, autointitulado, lançado pelos mato-grossenses em 2007. Eles obviamente não foram os primeiros a usar o idioma folk no rock nacional, nem mesmo trouxeram o gênero de volta à tona na última década – como fizeram lá fora, só para citar alguns nomes, Wilco, Ryan Adams e Iron & Wine. Mas, de alguma maneira, acabaram se tornando responsáveis por uma mexida na cena brasileira, fazendo que, de uma hora outra, parecesse plausível e possível fazer música calcada em voz e violão – Mallu Magalhães e sua “Vanguart” que o digam.

12 de ago. de 2011

Vida de Solteiro

Escrevi sobre esse filme anos atrás, no Anúncio de Refrigerante, um dos muitos blogs que já tive e ficaram perdidos pela internet. A versão que segue é uma revisão daquele texto antigo, então não estranhe se o que vem abaixo lhe parecer familiar.

Quando se é solteiro, é comum que os amigos sejam as pessoas com quem mais convivemos: companheiros de cerveja, de carteado, de shows de rock suados e barulhentos, de noites simplesmente jogando conversa fiada. Estão todos na mesma, procurando ou tentando esquecer alguém – todos têm os mesmos problemas, a diferença é que alguns escondem isso bem e outros não. Quando se é solteiro, vai-se para a noite tentando não ter qualquer preocupação e com apenas um objetivo: se dar bem, pelo menos, até a manhã seguinte.

14 de abr. de 2011

Dois Pesos, Duas Medidas

Mais um texto da série "do fundo do baú": pra quem ainda não percebeu, tratam-se de textos que escrevi antigamente e ficaram espalhados por outros projetos e sites - como o Pop To The People e o Cinéfilos. A menção ao Teenage Fanclub hoje se faz interessante pelos boatos de que os escoceses virão ao Brasil para dois shows em maio. O texto a seguir foi publicado no Pop To The People, em maio de 2010. Boa leitura!

Uma das minhas expressões preferidas a respeito de injustiças do mundo não diz respeito à fome na África, nem às guerras do Oriente Médio, muito menos à má distribuição de renda ao redor do globo, mas sim a uma banda escocesa: "Se o mundo fosse justo, Teenage Fanclub tocaria no rádio de cinco em cinco minutos”. Você, leitor, entenderia o que eu digo se escutasse Grand Prix, disco que faz 15 anos em 2010 e é um perfeito exemplar do equilíbrio que a banda consegue estabelecer entre limpeza e distorção (clique para ver o clipe de “Sparky’s Dream”) em sua sonoridade. Tal aniversário é um dos motivos da existência desse texto. O outro, antes que você me pergunte, é o lançamento de Shadows, álbum mais recente do conjunto - e que, infelizmente, não faz jus nem à frase nem à idéia de equilíbrio acima citados.

21 de mar. de 2011

Um Nerd Para A Todos Governar


Os primeiros segundos do filme, com o símbolo da Universal sendo exibido em 8-bits, não deixam mentir: Scott Pilgrim Contra o Mundo é um filme basicamente nerd. As espertas referências sobre a cultura pop, o nível de comédia baseado um bocado no nonsense e no humor herdado de histórias em quadrinhos - o que é um tanto quanto natural, já que a película é baseada numa HQ de Brian Lee O'Malley - e o visual de videogame das cenas de ação só reforçam a idéia. Mas não estamos falando aqui de um filme de nicho. Se alguém que passou sua adolescência inteira longe de ficar trancado no seu quarto com revistinhas e cartões de RPG, ainda assim será capaz de sair da sala de cinema gostando do longa-metragem.

10 de mar. de 2011

Uma Carta ao Rei

Caro Roberto Carlos,

Escrevo essas mal traçadas linhas como forma de afeição, pois sou admirador da sua música desde criança. E esta carta existe apenas por um simples e único motivo: Roberto, o senhor precisa se modernizar. Há anos seus arranjos são os mesmos, pastiches da genialidade que já se exibiu um dia. São poucos os que te dão o merecido valor. Quem é rei nunca perde a majestade, mas muitas vezes é possível chegar ao ridículo - como o imperador nu da história de Andersen. E o caminho pode ser muito mais fácil que você imagina: um bom começo é ouvir este As 15 Super Quentes que o seu antigo parceiro Lafayette gravou com uma meninada carioca que é uma brasa, mora?

22 de fev. de 2011

Colcha de Retalhos

Certa vez, o poeta Manuel Bandeira se declarou um "poeta menor", por tratar de assuntos que seriam ligados ao detalhamento, ao humilde, às coisas banais do cotidiano. Em oposição, ele estabelecia que poetas maiores seriam Camões, Gonçalves Dias, Drummond, que tinham como projeto poético engrandecer a pátria, a nação, fazer versos engajados politicamente. Entretanto, valorizando essa sua característica mais íntima, Bandeira acabou por construir uma obra "universal", de força e atemporalidade muito maior que seus dois colegas de modernismo, Mário e Oswald de Andrade. A menção a Bandeira aqui se faz necessária para se chamar a atenção para uma característica interessante reavivada nos últimos anos no cenário musical brasileiro: a da valorização de visões peculiares e individuais do mundo. É uma tendência que, apesar de não ser nova, ganha força a cada ano que passa - e pode ser muito interessante como marca artística da geração "anos 00".

11 de fev. de 2011

Melancolia e Personalidade: Grace, de Jeff Buckley

Antes de tudo, algo importante deve ser dito sobre Jeff Buckley e Grace: você nunca viu ou nunca verá algo tão parecido com ambos. Pode buscar similaridades mil com outros artistas e canções, - algo que até será feito nas próximas linhas - mas nenhum deles uniu tantos atributos em um lugar só. Dono de uma voz potentíssima, com extensão de cinco oitavas, – o normal nos humanos é de apenas duas – usou-a com toda a propriedade, encarnando vários mitos em seu próprio corpo – e utilizando-os para criar sua própria imagem lendária.