10 de abr de 2013

Roteiro de Viagem: Atenas

Atenas, o único lugar do mundo onde ir para a Academia significa parar na frente do Sócrates
Ok, ok, eu sei que eu já falei sobre todas as minhas impressões, ideias e tudo mais nos diários de viagem, mas muitos amigos têm me perguntado sobre as coisas legais para fazer, de maneira que eu resolvi fazer um pequeno roteirinho de lugares e comidas que merecem a sua, a nossa, a atenção de todo mundo. Começo aqui a parada com Atenas, uma cidade que dá pra ser bem visitada e conhecida com apenas dois dias, e gastando pouco dinheiro: dá para pegar hostels bem bacanas por cerca de 15 euros a noite (vale fuçar bem no Hostelworld.com e especialmente conferir os comentários da galera) e, se seu estômago não for lá muito delicado, almoçar deliciosamente por 5 euros. Niké! (ou seja, Vitória!)

No alto da Acrópole: não há como falar de Atenas sem falar da Acrópole. Quer dizer, você pode até tentar, mas é difícil ignorá-la, uma vez que ela fica bem no centro da cidade, e é difícil não levantar o olhar para admirá-la ao menos uma vez. Local sagrado para os gregos antigos, a Acrópole contém um sem-número de construções importantes, a começar pelo Partenon, passando também pelo Erecteion (um raro templo assimétrico da arquitetura grega), pelo Teatro de Dionísio e o Odeão de Herodes Ático, um lugar até hoje usado para shows e pelo Templo de Atena Niké.

Sim, você vai se arrepiar com toda a história do lugar e vai querer tirar fotos de tudo, mas vai ficar com as pernas doendo de tanto subir e descer por ali - e se sentir recompensado quando chegar lá no alto e ter uma das vistas mais incríveis da cidade. Para aqueles que gostam de planejar os gastos, uma boa notícia: a entrada na Acrópole custa 12 euros (fuénc), mas a) há descontos para estudantes e b) a entrada na Acrópole também dá direito a ir ao Templo de Zeus Olímpico, ao Kerameikos (um cemitério de cerâmica), à Ágora Romana e ao nosso próximo ponto de parada, a Ágora. Mas antes de lá, vale a pena passar um tempo no moderníssimo Museu da Acrópole (5 euros, com entrada reduzida para estudantes), que guarda esculturas de vários períodos diferentes da Antiguidade e tem uma reconstituição bacana do Partenon que fica paralela à famosa construção. 

Ágora ou nunca: Se a Acrópole era o lugar sagrado da Atenas antiga, a Ágora era o profano. Tudo bem, lá ficava um dos principais templos da cidade (o de Hefesto, talvez o mais importante do sítio arqueológico que ali restou), mas mais importante que isso, era lá que a cidade acontecia de fato, com comércio, política e diálogos entre os cidadãos (reza a lenda que era lá que Sócrates brincava de ser a mosca na sopa da sociedade ateniense).

Andar por entre as ruínas das construções da Ágora ou simplesmente se sentar um dos bancos que lá existem e pensar na vida em um dia de sol é se transportar para um passado distante (e incrível). Mas vale o aviso: assim como a Acrópole e a maior parte dos museus e lugares históricos de Atenas, a Ágora também funciona todos os dias das 8 da manhã às 3 da tarde, então vale a pena acordar cedo, tomar um bom café da manhã e esticar o horário do almoço até o estômago não poder mais. 

Monastiraki: Leia com calma. Mo-nas-ti-ra-ki. Viu, não é tão difícil assim? Esse palavrão todo é uma das partes mais divertidas da cidade, por uma meia dúzia de razões. Primeiro: é onde fica o mercado de pulgas, e se você for um fução convicto, vai se divertir muito por lá. Segundo: lá estão as lojas de lembrancinhas baratas, perfeito para você comprar uma camiseta "This is Sparta" (mesmo que seja geograficamente errado) para aquele seu amigo metido a musculoso ou um ímã de geladeira do Partenon pra sua tia. (No dia que eu fui, dei a sorte de encontrar uma barraquinha onde uma grega falava português castiço, o que facilitou bastante as coisas).

Terceiro: ao contrário da "zona histórica", no Monastiraki você consegue sentir onde os gregos são mais gregos, seja no falatório, nos sorrisos abertos (especialmente quando você fala que é do Brasil) e no entusiasmo de viver a vida na rua (e não fechados em casa como a maioria dos europeus). Quarto: é lá que está uma das lojas de discos mais legais que eu já vi na vida, a Zacharias. Saí de lá com um Velvet Underground & Nico por 10 euros, e o Five Leaves Left de encomenda pro Vini, mas a vontade era gastar bem mais (me arrependo de ter deixado lá um Forever Changes e um Everybody Knows This is Nowhere). Quinto: é no Monastiraki que você vai encontrar restaurantes baratos, sem aquela cara de "pra turista ver", e onde eu recomendo que você dê uma parada para encher a barriga com o melhor da culinária grega. 

Melhor profissão do mundo: sim ou definitivamente sim?
Gyros e Souvlaki: E o melhor da culinária grega responde, obrigatoriamente, por duas palavrinhas mágicas: gyros e souvlaki. O gyros é o clássico churrasquinho grego vendido no centro de SP, só que feito com carne de porco ou frango de verdade (e sem suco grátis). O jeito mais comum de comê-lo é em um sanduíche, dentro do pão pita (uma espécie de pão sírio mais fofinho), com cebola roxa, tomate e um molho de alho delicioso. Alguns lugares ainda põe batata frita dentro do pão, enquanto outros põe a sugerem como acompanhamento.

Já o souvlaki é bem parecido: troque a carne meio desfiada meio em fatia do gyros por um espetinho delicioso, também de frango ou de carne de porco. Não é aquilo que a sua mãe e o seu nutricionista chamariam exatamente de saudável, mas é barato: um lanche desses custa cerca de 2,50 euros e abastece bem a maioria das pessoas; um glutão precisaria de dois, mas ficaria bem cheio. Além dessas duas belezinhas, se você quiser conhecer mais da cozinha grega, vale a pena provar o saganaki (queijo grelhado com ouzo, uma bebida típica, que resulta num prato próximo ao nosso queijo de coalho), o queijo feta e o tzatziki (iogurte com pepino batido). Arrecomendo!

Sim, tudo isso é mármore. 
Estádio Panathinaiko: Seja você um fã de esportes ou um sedentário convicto (ou as duas coisas ao mesmo tempo), o Estádio Panathinaiko é um lugar indispensável na sua visita a Atenas. Usado na Antiguidade como lugar para as competições da Festa Panatenaica, uma celebração em louvor a Palas Atena, o único estádio todo coberto de mármore do mundo se tornou um dos principais símbolos da história das Olimpíadas em 1896, quando foi restaurado para a primeira edição dos Jogos, em Atenas.

Desde então, é de lá que a tocha olímpica sempre sai, rumo às sedes da vez. Para os brasileiros, o estádio tem ainda um sabor mais especial: foi lá que aconteceu a chegada da Maratona na edição de 2004 dos Jogos Olímpicos, quando o corredor Vanderlei Cordeiro de Lima conquistou o bronze, depois de ter sido atacado por um padre irlandês no meio da prova. Mesmo se você não liga para atletas e medalhas, a vista da cidade do alto das arquibancadas do estádio é uma das mais sensacionais que há na capital grega. A visita ao Panathinaiko custa 3 euros (1,50 para estudantes e crianças), mas junto do ingresso há incluso um áudio-guia (em português da terrinha) que conta toda a história do lugar e enriquece muito o passeio. Arrepiante.

Leia mais do Pergunte ao Pop Turnê Europeia:
A praia, a arquitetura e delícia de Barcelona
O sol, a crise e o churrasquinho grego de Atenas
Os museus, as avenidas largas e a falta de charme de Madri
Os primeiros dias em Lisboa
A apresentação sublime do Sigur Rós em um campo de touros
A união tétrica de Ivan Lins e Flávio Venturini nas docas de Lisboa

Todas as fotos por Bruno Capelas

Nenhum comentário:

Postar um comentário