"Eu estava tentando escrever a canção pop definitiva. Basicamente, tentando copiar os Pixies. Tenho que admitir. Quando os ouvi pela primeira vez, fiquei de tal maneira ligado a eles que achava que devia estar naquela banda - ou pelo menos em uma banda cover deles. Em 'Smells Like Teen Spirit', usamos sua dinâmica, sendo leve e calmo e depois alto e pesado". As frases de Kurt Cobain, em uma entrevista de 1994 à revista americana Rolling Stone, explicando o método de composição da faixa de abertura de Nevermind talvez tenham sido a melhor definição sobre as canções que os Pixies faziam, além de ter em apresentado a banda para um monte de gente. Mas seria inglório resumir o grupo de Frank Black, Kim Deal, David Lovering e Joey Santiago apenas a essa citação - seu mérito na história do rock é maior do que muita gente pode supor.
Criado em 1986, em Boston, Massachusetts ("please!", como eles mesmo diriam em "U-Mass"), o Pixies pode ser considerado um dos principais pilares do efervescente rock americano dos anos 80, ao lado de bandas como R.E.M, Husker Du, Black Flag e Sonic Youth, responsáveis por boa parte da energia que fez o rock ressurgir a partir de 1991, em uma época onde Michael Jackson, Madonna e Axl Rose imperavam.
Com letras surrealistas, riffs de guitarra dementes, ritmos de bateria mais insanos que um trem desgovernado e toda a delícia pop do baixo de Kim Deal fazendo a cama para a dinâmica LOUDquietLOUD, o quarteto marcou época com discos como Surfer Rosa, Doolittle e Trompe Le Monde, mas teve fim abrupto em 1993, quando Frank Black terminou com a banda enquanto falava a uma revista, saiu em carreira solo, deixando Deal livre para cantar com a irmã Kelly nos Breeders e David Lovering solto à sua própria sorte com truques de mágica. Ainda nos anos 1990, a banda conquistou uma nova geração de fãs graças a David Fincher e o seu Clube da Luta - "Where's My Mind" encerra um dos filmes mais icônicos daquela década, em uma cena que levou o quarto lugar na votação das "melhores cenas musicais de todos os tempos".
A história da banda parecia ter novo final feliz em 2004, quando o Coachella fez um ataque a seus cofres para financiar a reunião da banda, que se estendeu até o início de 2013, quando Kim Deal deixou o grupo. Foi tempo para duas passagens pelo Brasil (uma em 2004, no Curitiba Pop Festival, e a outra em 2010, no finado SWU). Eu era muito pirralho para a primeira, mas estive lá enfrentando o frio e o transporte para ver a banda em Itu, em um dos shows mais marcantes da minha vida (mesmo que Frank Black pareça um boneco de corda em cima do palco, sendo também o único rockstar a usar moletom na história da humanidade). Agora, em abril, a banda volta ao País como uma das principais atrações do Lollapalooza, com a argentina Paz Lenchantin (QOTSA, A Perfect Circle) substituindo a Mrs. John Murphy. E volta com um novo disco: Indie Cindy, a ser lançado em abril, reúne as faixas de três EPs gravados pela banda recentemente entre o meio de 2013 e o começo de 2014, chamados honestamente de EP1, EP2 e EP3.
Como já fez com Blur, Bruce Springsteen, R.E.M. e cinema, o Pergunte ao Pop aproveita a ocasião para unir amigos, jornalistas, músicos, críticos de música, "tuiteros" e gente que sabe o que ouve para escolher as melhores músicas do quarteto - incluindo um de seus integrantes, o baterista David Lovering, recentemente entrevistado pelo amigo João Vitor Medeiros.
O critério é mesmo de sempre: cada um escolheu suas cinco favoritas, que receberam pontuação equivalente (5 pontos para o 1º lugar, 4 para o segundo...). São 50 votantes, 45 músicas citadas de todas as fases da banda (da estreia com Surfer Rosa até os três recentes EPs que o grupo trouxe ao mundo), incluindo covers e lados-B espertíssimos. A seguir, você confere as 25 canções mais bem votadas (todas elas precisaram de ao menos duas menções para estar nessa lista, que pode ser conferida por aqui), junto com justificativas sobre cada música, e a lista dos votantes. Ao final da lista, uma playlist do Grooveshark com as 25 músicas acompanha a leitura deste texto.
O critério é mesmo de sempre: cada um escolheu suas cinco favoritas, que receberam pontuação equivalente (5 pontos para o 1º lugar, 4 para o segundo...). São 50 votantes, 45 músicas citadas de todas as fases da banda (da estreia com Surfer Rosa até os três recentes EPs que o grupo trouxe ao mundo), incluindo covers e lados-B espertíssimos. A seguir, você confere as 25 canções mais bem votadas (todas elas precisaram de ao menos duas menções para estar nessa lista, que pode ser conferida por aqui), junto com justificativas sobre cada música, e a lista dos votantes. Ao final da lista, uma playlist do Grooveshark com as 25 músicas acompanha a leitura deste texto.
Uuuuh... STOP!










