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24 de mar. de 2014

ESPECIAL: As 25 melhores músicas dos Pixies

"Eu estava tentando escrever a canção pop definitiva. Basicamente, tentando copiar os Pixies. Tenho que admitir. Quando os ouvi pela primeira vez, fiquei de tal maneira ligado a eles que achava que devia estar naquela banda - ou pelo menos em uma banda cover deles. Em 'Smells Like Teen Spirit', usamos sua dinâmica, sendo leve e calmo e depois alto e pesado". As frases de Kurt Cobain, em uma entrevista de 1994 à revista americana Rolling Stone, explicando o método de composição da faixa de abertura de Nevermind talvez tenham sido a melhor definição sobre as canções que os Pixies faziam, além de ter em apresentado a banda para um monte de gente. Mas seria inglório resumir o grupo de Frank Black, Kim Deal, David Lovering e Joey Santiago apenas a essa citação - seu mérito na história do rock é maior do que muita gente pode supor. 

Criado em 1986, em Boston, Massachusetts ("please!", como eles mesmo diriam em "U-Mass"), o Pixies pode ser considerado um dos principais pilares do efervescente rock americano dos anos 80, ao lado de bandas como R.E.M, Husker Du, Black Flag e Sonic Youth, responsáveis por boa parte da energia que fez o rock ressurgir a partir de 1991, em uma época onde Michael Jackson, Madonna e Axl Rose imperavam. 

Com letras surrealistas, riffs de guitarra dementes, ritmos de bateria mais insanos que um trem desgovernado e toda a delícia pop do baixo de Kim Deal fazendo a cama para a dinâmica LOUDquietLOUD, o quarteto marcou época com discos como Surfer Rosa, Doolittle e Trompe Le Monde, mas teve fim abrupto em 1993, quando Frank Black terminou com a banda enquanto falava a uma revista, saiu em carreira solo, deixando Deal livre para cantar com a irmã Kelly nos Breeders e David Lovering solto à sua própria sorte com truques de mágica. Ainda nos anos 1990, a banda conquistou uma nova geração de fãs graças a David Fincher e o seu Clube da Luta - "Where's My Mind" encerra um dos filmes mais icônicos daquela década, em uma cena que levou o quarto lugar na votação das "melhores cenas musicais de todos os tempos". 

A história da banda parecia ter novo final feliz em 2004, quando o Coachella fez um ataque a seus cofres para financiar a reunião da banda, que se estendeu até o início de 2013, quando Kim Deal deixou o grupo. Foi tempo para duas passagens pelo Brasil (uma em 2004, no Curitiba Pop Festival, e a outra em 2010, no finado SWU). Eu era muito pirralho para a primeira, mas estive lá enfrentando o frio e o transporte para ver a banda em Itu, em um dos shows mais marcantes da minha vida (mesmo que Frank Black pareça um boneco de corda em cima do palco, sendo também o único rockstar a usar moletom na história da humanidade). Agora, em abril, a banda volta ao País como uma das principais atrações do Lollapalooza, com a argentina Paz Lenchantin (QOTSA, A Perfect Circle) substituindo a Mrs. John Murphy. E volta com um novo disco: Indie Cindy, a ser lançado em abril, reúne as faixas de três EPs gravados pela banda recentemente entre o meio de 2013 e o começo de 2014, chamados honestamente de EP1, EP2 EP3.

Como já fez com Blur, Bruce Springsteen, R.E.M. e cinema, o Pergunte ao Pop aproveita a ocasião para unir amigos, jornalistas, músicos, críticos de música, "tuiteros" e gente que sabe o que ouve para escolher as melhores músicas do quarteto - incluindo um de seus integrantes, o baterista David Lovering, recentemente entrevistado pelo amigo João Vitor Medeiros.

O critério é mesmo de sempre: cada um escolheu suas cinco favoritas, que receberam pontuação equivalente (5 pontos para o 1º lugar, 4 para o segundo...). São 50 votantes, 45 músicas citadas de todas as fases da banda (da estreia com Surfer Rosa até os três recentes EPs que o grupo trouxe ao mundo), incluindo covers e lados-B espertíssimos. A seguir, você confere as 25 canções mais bem votadas (todas elas precisaram de ao menos duas menções para estar nessa lista, que pode ser conferida por aqui), junto com justificativas sobre cada música, e a lista dos votantes. Ao final da lista, uma playlist do Grooveshark com as 25 músicas acompanha a leitura deste texto. 

Uuuuh... STOP!

21 de ago. de 2012

Embarque nessse Carrossel...

No fim de junho, escrevi (junto com o Leandro Carabet) para um jornal da faculdade, o Claro!, uma matéria sobre o revival dos anos 90 que começa a rolar em várias áreas da cultura. Acho que vale dividi-la com vocês. 


Se você leu as duas últimas páginas com saudade [a página anterior, no caso, era um infográfico cheio de memorabilia dos anos 90] e queria que aquelas coisas legais dos anos 90 voltassem, pode ficar tranquilo, pois alguns dos seus desejos foram realizados. Calma, calma, nós não pegamos uma máquina do tempo de volta a 1991. O que acontece, na verdade, é que hoje se pode ver, em alguns setores da cultura nacional (e internacional), algo que parece um retorno a vinte anos atrás.

O sertanejo, gênero que fez muito sucesso naquela década com Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano, hoje está mais forte do que nunca. Na televisão, o SBT investe num remake de “Carrossel” e obtém bons índices de audiência. E na noite paulistana começam a pipocar festas que têm como ideal relembrar os bons tempos dos anos 90 - seja tocando lados B do grunge e do britpop ou fazendo todo mundo dançar na boquinha da garrafa.

12 de ago. de 2011

Vida de Solteiro

Escrevi sobre esse filme anos atrás, no Anúncio de Refrigerante, um dos muitos blogs que já tive e ficaram perdidos pela internet. A versão que segue é uma revisão daquele texto antigo, então não estranhe se o que vem abaixo lhe parecer familiar.

Quando se é solteiro, é comum que os amigos sejam as pessoas com quem mais convivemos: companheiros de cerveja, de carteado, de shows de rock suados e barulhentos, de noites simplesmente jogando conversa fiada. Estão todos na mesma, procurando ou tentando esquecer alguém – todos têm os mesmos problemas, a diferença é que alguns escondem isso bem e outros não. Quando se é solteiro, vai-se para a noite tentando não ter qualquer preocupação e com apenas um objetivo: se dar bem, pelo menos, até a manhã seguinte.

15 de mai. de 2011

Rock'n Roll dos Céus - Teenage Fanclub em SP

Ao longo de sua carreira de mais de vinte anos, o Teenage Fanclub nunca chegou a atingir o topo das paradas e ser um sucesso de público, mas definitivamente conquistou o coração de poucos mas ardorosos fãs. Quando os hoje tiozinhos Norman Blake, Gerard Love e Raymond McGinley entraram no palco da The Week, na última quarta-feira, pelo Whisky Festival, talvez fosse possível dizer que já o faziam com o jogo ganho. O que, no entanto, não significa que não tenham feito um show sem energia ou economizaram esforços - quem ali esteve com certeza presenciou um momento histórico.

28 de abr. de 2011

Um Farol de Sinceridade

Dave Grohl é um bom sujeito. É difícil negar isso ao ver sua entrega quando canta ou exibe seus belos riffs de guitarra de maneira muito sincera. E essa possivelmente é a maior força de Wasting Light, o mais novo trabalho de sua principal banda, o Foo Fighters, e que pode ser ouvido no link a seguir. Wasting Light, é, sim, como tem sido dito por aí, um retorno à sonoridades mais básicas da banda, e talvez também seu disco mais pesado musicalmente falando. Entretanto, o elemento mais importante do álbum é a paixão: em uma época onde poucas canções soam honestas, as onze que compõe esse novo conjunto funcionam como um alento, um farol em meio a um oceano de superficialidade.

14 de abr. de 2011

Dois Pesos, Duas Medidas

Mais um texto da série "do fundo do baú": pra quem ainda não percebeu, tratam-se de textos que escrevi antigamente e ficaram espalhados por outros projetos e sites - como o Pop To The People e o Cinéfilos. A menção ao Teenage Fanclub hoje se faz interessante pelos boatos de que os escoceses virão ao Brasil para dois shows em maio. O texto a seguir foi publicado no Pop To The People, em maio de 2010. Boa leitura!

Uma das minhas expressões preferidas a respeito de injustiças do mundo não diz respeito à fome na África, nem às guerras do Oriente Médio, muito menos à má distribuição de renda ao redor do globo, mas sim a uma banda escocesa: "Se o mundo fosse justo, Teenage Fanclub tocaria no rádio de cinco em cinco minutos”. Você, leitor, entenderia o que eu digo se escutasse Grand Prix, disco que faz 15 anos em 2010 e é um perfeito exemplar do equilíbrio que a banda consegue estabelecer entre limpeza e distorção (clique para ver o clipe de “Sparky’s Dream”) em sua sonoridade. Tal aniversário é um dos motivos da existência desse texto. O outro, antes que você me pergunte, é o lançamento de Shadows, álbum mais recente do conjunto - e que, infelizmente, não faz jus nem à frase nem à idéia de equilíbrio acima citados.

2 de abr. de 2011

Geração X ou Geração Y?

Um dos mais famosos "conceitos" a respeito do rock'n roll é que, a cada década, sons de 20 anos antes são revisitados a todo o momento: talvez isso tenha começado nos anos 80 brincando com o arsenal lisérgico dos anos 60 (quem aí se lembra do Echo & The Bunnymen fazendo covers de Doors - "People Are Strange"- e Beatles - "All You Need is Love"?). Essa ideia de revisita ficou evidente no grandioso revival que os anos 80 sofreram na década passada, no qual a maioria das bandas que se prezavam - e mais algumas que nem tanto - chupinhavam sem dó riffs e frases musicais de New Order, Gang of Four, Joy Division, Smiths e companhia limitada. Todo esse blábláblá é só pra dizer que a ideia da "viagem no tempo de 20 anos" continua presente nos anos 2010. O álbum de estreia dos londrinos do Yuck, autointitulado, é uma perfeita jornada por muitos dos moldes do rock alternativo dos anos 90.

2 de mar. de 2011

O Nosso Work é Playá: 15 anos sem Mamonas


Atenção, “Creuzebek”, diga rápido: o que vem à sua cabeça quando se fala em Mamonas Assassinas? Uma resposta plausível seria lembrar-se de uma banda que se vestia de presidiário e de Chapolin nos programas dominicais da televisão, dos muitos trocadilhos e da maneira absurda e irracional como aconteceu sua morte, em março de 1996. Pois agora olhe bem o calendário: sim, exatamente, faz 15 anos que Dinho & Cia. faleceram em um desastre de avião na Serra da Cantareira. Feito um cometa, a ascensão e a queda da banda ainda assombram por sua rapidez e pela maneira como atingiu não só determinados ouvintes, mas a todo o país, em todas as faixas etárias.

11 de fev. de 2011

Melancolia e Personalidade: Grace, de Jeff Buckley

Antes de tudo, algo importante deve ser dito sobre Jeff Buckley e Grace: você nunca viu ou nunca verá algo tão parecido com ambos. Pode buscar similaridades mil com outros artistas e canções, - algo que até será feito nas próximas linhas - mas nenhum deles uniu tantos atributos em um lugar só. Dono de uma voz potentíssima, com extensão de cinco oitavas, – o normal nos humanos é de apenas duas – usou-a com toda a propriedade, encarnando vários mitos em seu próprio corpo – e utilizando-os para criar sua própria imagem lendária.