17 de mar de 2013

Para-Lá-Tim-Bum: Madri, parte 4



O último dia de Madri foi um dia dedicado à contemplação e à bateção de perna, em um ritmo bastante calmo - uma vez que ninguém mais aguentava ver museus pela frente. Saímos andando a esmo pela cidade depois de deixar as malas no hostel e pegamos a Gran Vía rumo à Plaza de España - também conhecida como aquela do Dom Quixote, onde eu fiz questão de tirar uma foto homenageando... Cartola. 

O mundo é um moinho
Adiante, para além de Sancho Pança e do homem sobre o Rocinante, o Templo de Debod: um santuário egípcio doado ao governo espanhol (?) pela ajuda com o salvamento e a recuperação de um conjunto de templos da Núbia (??) colocado no meio de um parque em Madri. Não deixa de ser interessante (especialmente porque tem uma das melhores vistas da cidade), mas logo de saída senti que estava em um lugar feito para inglês ver - afinal, se eu quero ver um templo egípicio, não era mais fácil eu logo desembarcar no Cairo?

Deixando o mau humor de lado, continuamos andando para tentar achar o Palácio Real (fica aqui um desafio para os fotógrafos amadores: tente colocá-lo por inteiro numa foto. Eu fui incapaz) e o Mercado de San Miguel (um misto do Mercadão Municipal de SP com o Mercado Central de BH, só que ainda mais embelezado pra turistas). No meio do caminho, depois de passar mais de uma hora perambulando nos jardins do palácio (e relembrando nos fones de ouvido o show do Josh Rouse e escutando com muita atenção o estrondoso disco novo do Nevilton, Sacode), aprendi uma lei madrilenha: você só encontra um lugar quando para de procurar por ele.

Um almoço rápido e fast food (não tentar fazer seu estômago compensar seu bolso vazio é outra lição aprendida nessa viagem) e me separei do pessoal para encontrar uma amiga (oi Rê <3) na Gran Vía. Enquanto ela não chegava, fiz o que um homem tem de fazer: comprei uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola e um El País (fácil fácil um dos melhores jornais do mundo hoje em dia, especialmente na área de cultura).

Juntos, eu e ela descemos mais uma vez o Paseo del Prado (uma puta rua firmeza, se eu não deixei isso claro antes), para depois reencontrarmos Carlitos, Carol e Bia e o pessoal de Lisboa pruma última botecagem no Ria de la Cerdera (perto da estação Palos de la Frontera). Repetindo: se botecagem é boa em qualquer lugar do mundo, na Espanha ele é melhor ainda, porque beber significa comida de graça, e comida de graça na Espanha significa jamón e batatas bravas. <3
Esses dois já aprenderam a fina arte da levitação

Uma ou duas horas depois, já no avião, entre um texto da revista do El País e um cochilo, tentei chegar a uma conclusão sobre Madri. A bem da verdade, devo dizer que apesar dos museus incríveis, das calles e dos paseos cheios de árvores secas, da companhia dos amigos e das comidas altamente engordativas, não fiquei 100% confortável em nenhum momento na capital espanhola - talvez por culpa do cansaço, talvez porque eu estava com a cabeça na lua em boa parte da viagem.

Nada disso importa: a impressão que ficou é que Madri, apesar de tudo, tem certa aspereza que repele. Insistindo em um clichê (o de comparar cidades a mulheres), a terra do rei Juan Carlos é como uma garota bonita, mas de nariz empinado, que pode até gostar das mesmas coisas que você, mas que vai sempre te manter a uns dois metros de distância na hora de conversar (especialmente quando ela perceber que você não fala a língua dela e está se enrolando em um portunhol capaz de orgulhar a Shakira na Pizzaria do Faustão). 
Força, garotinho!

PS: Eventualmente, toda garota assim tem uma amiga que pode ser tão bonita e mais legal que ela. É o que eu descubro na semana que vem, em Barcelona. Assim que eu levá-la para tomar um sorvete eu conto para vocês como foi, ok?

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