28 de mar de 2013

Para-Lá-Tim-Bum: Barcelona, parte 2


Hoje é a minha quinta noite em Barcelona, mas daqui a pouco vai ser a primeira vez que vou deitar a cabeça  no travesseiro sorrindo de orelha a orelha por estar nessa cidade. Até a tarde de hoje, a ficha não tinha caído. Eu já tinha andado bons pedaços da capital da Catalunha, desde as ruas ricas da Gràcia até as vielinhas do El Born e do Bairro Gótico, e nenhuma delas tinha sido capaz de explicar porque boa parte dos amigos que já vieram pra cá só pensam em voltar de novo.

Manchego, um 4,25 fatias de bacon legítimo
Não que eu não tenha ficado impressionado com algumas coisas bacanas que vi até agora. Além de Gaudí e do Barça, o vitral do Palau de Música Catalá e as fitinhas do Senhor do Bonfim de Rivane Neuenschwander na exposição da CaixaForum (um espaço que, assim como seu homônimo de Madri, recebe exposições de arte contemporânea de altíssima categoria) me fizeram rir e chorar que nem criança besta. Merecem destaque também as instalações do MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona) e do CCCB (Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona), duas construções modernas que foram povoadas por... skatistas. Mas faltava aquele algo a mais.

As coisas começaram a mudar na noite de ontem, quando saí de um jejum de quase dois meses de bons hambúrgueres depois de visitar o Kiosko Burger - dica dada pelo Marcelo Costa e referendada pela Luana Bandeira. Depois de um dia inteiro andando (que é uma das coisas mais legais de se fazer em qualquer viagem, diga-se), sentei no balcão da lanchonete e pedi um Manchego (200 gr de carne, alface, tomate, queijo manchego e a melhor cebola caramelizada que você pode comer na vida), acompanhado de batatas fritas cortadas à mão (na melhor tradição da vovó) e uma Coca (sempre). A conta fechou em 11 euros, capaz de deixar metade das hamburguerias de São Paulo para trás, e criando uma amante para o Sujinho ter muitos ciúmes aqui de Barcelona. Mas ainda faltava alguma coisa. 

Tanto clichê...
A ficha só caiu quando eu resolvi aproveitar o sol e os 25ºC da tarde de hoje e trocar uma visita à La Pedreda por um rolê na praia - começando em Bogadell e terminando no Port Vell. Ok, eu sei que no Brasil tem mil e uma praias mais bonitas, mas a questão não é essa. Ver a galera andando no calçadão, levando os filhos pra fazer castelos de areia ou simplesmente curtindo um pouco de sal, céu e sol, aproveitando um pouquinho de mar como se fosse um pedaço do paraíso me fez entender melhor a graça de Barcelona. Não é simplesmente ter uma praia bonita, mas sim saber como usá-la do jeito mais bacana o possível (e fazendo ela uma coisa tão legal quanto um estádio lotado de azul e grená ou um arquiteto maluco que gostava de colar azulejos).

Em um espaço de mais ou menos quatro horas, entre molhar os pés no Mediterrâneo e tirar a areia que entrou nos sapatos, eu passei de achar Barcelona só uma cidade legal para colocá-la naquela séria lista de cidades que eu poderia morar um dia. 

Além de São Paulo, esse amor difícil e complicado que poucos entendem e menos ainda admitem, a lista tem BH (a garota bonita e que cozinha bem) e um terceiro lugar com uma boa briga entre Atenas e Lisboa (mesmo sabendo que as duas precisam de uma levantada no astral). Devo dizer que isso não é pouco - e espero que os dois dias que me restam aqui na Catalunha sejam tão incríveis quanto o vento na cara e a areia nos pés de hoje mais cedo. Vale!

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