28 de ago. de 2013

Conta Outra: seis vídeos da Apanhador Só em SP



O teatro do SESC Belenzinho recebeu, na noite do último domingo (25), um dos shows mais aguardados do ano: o lançamento do disco Antes Que Tu Conte Outra, da banda gaúcha Apanhador Só. Celebrado por este blog como o álbum nacional do ano até aqui, Antes Que Tu Conte Outra mostra uma renovação na atmosfera da banda gaúcha, que deixou o universo amoroso-sentimental-pós hermânico para embarcar em uma viagem sonora cheia de ruído, textura, desconforto e preocupação social - basta ouvir "Despirocar"  (acima) ou "Reinação", duas das melhores faixas do trabalho, para perceber isso. 

O Pergunte ao Pop esteve presente no show e traz para você seis vídeos (e um álbum de fotos) do que rolou por lá. Se você ficou curioso, pode esperar que em breve haverá mais: semana que vem, o Scream & Yell publicará uma longa entrevista que este que vos escreve e Marcelo Costa fizemos com a banda na semana que antecedeu a apresentação. Como diria a sua tia: "tá da pontinha da orelha!".


26 de ago. de 2013

Criaturas da Noite: O Terço ao vivo em SP

A noite do último sábado, 24 de agosto, era mais que propícia para um retorno honroso aos tempos em roqueiro brasileiro tinha cara de bandido - e (quase) não tocava na rádio. Pelo menos na zona leste de São Paulo, onde o grupo mineiro-carioca O Terço se reuniu no palco do teatro do SESC Belenzinho para mostrar a seus fãs um novo espetáculo, pronto para celebrar as quatro décadas de carreira do grupo: "O Terço em 3D".

23 de ago. de 2013

A nem-tão-nova onda do Bloc Party

Em tempos de "retiro espiritual" deste blog, que anda bissexto graças à readaptação deste autor em terras brasileiras, acolhemos uma colaboração do grande Victor Francisco Ferreira, que já escreveu para este espaço falando do Red Hot Chili Peppers e do show dos Pontos Negros em Lisboa. A bola da vez agora é o Bloc Party e seu novo EP, The Nextwave Sessions. Simbora! 

O que dizer sobre este EP que mal conheço e já considero pacas? Primeiramente, que ele não é para qualquer um. Como assim? Simples. Ele não é inovador, não é sensacional, não é magnífico. Não traz a sonoridade da moda, seja ela o “indie folk” dos Mumford and Sons ou o “dancefloor indie” dos Two Door Cinema Club. É simplesmente um EP do Bloc Party.

Então, se quiser saber se lhe é recomendável ouvir The Nextwave Sessions, assinale a alternativa que mais se assemelha a você: 

a) ‘AMO BLOC PARTY, O KELE É LINDO!!1! s2’; 
b) ‘Curti quase todos os discos deles’; 
c) ‘Só curto o Silent Alarm’; 
d) ‘Bloc Party? Aquela do playback no VMB?’.

Respostas: a), b) e c): Ouça. d) Pare de ler aqui e volte ao Facebook.

15 de ago. de 2013

Laranja Mecânica: Refrigerantes Bizarros, o Retorno


Começamos hoje a fase "relembrando a Europa" deste blog, com três refrigerantes que fizeram a minha passagem pela Holanda um pouco mais... esquecível (lembre o porquê aqui). As três bebidas pertencem à Fernandes, uma subsidiária da Coca-Cola nos Países Baixos. 

8 de ago. de 2013

No S&Y: Wado e o "Vazio Tropical"


Ao lançar seu sétimo disco, o melancólico Vazio Tropical, o cantor Wado vive uma situação curiosa: não se pode negar que ele seja um veterano, com mais de uma década de serviços bem prestados à música brasileira, mas, com a ajuda de Marcelo Camelo e Cícero, vê seu público se renovar. "Já sou grisalho, sabe? (risos). Mesmo assim, há lugares aonde vou nos quais sou tratado como promessa. Isso me dá uma longevidade, é legal", brinca o músico, em entrevista ao Scream & Yell.

No papo, além de contar mais sobre a produção do disco e as parcerias com MoMo e os já citados Marcelo Camelo e Cícero, Wado fala sobre a opção de gravar discos com o apoio de editais e sobre a situação dos compositores anos-00 em relação à exposição midiática: ""Eu posso ser só músico, mas eu só quero ser só músico se eu puder viver bem. Faço parte de uma geração que está muda. Eu me posiciono, faço músicas políticas, mas não tenho reverberação. Somos uma geração de compositores massacrada pelas circunstâncias de melhora do Brasil. Há prosperidade, mas há um desajuste: temos uma qualidade fantástica, e em número maior que as anteriores, mas isso não se reverte em número, não chega ao rádio". 

A íntegra do papo você confere no Scream & Yell, mais uma vez, com fotos da Liliane Callegari, do show de lançamento do disco no SESC Pompeia, no último dia 18. 

27 de jul. de 2013

De Volta Pra Casa

Já faz quase um mês que eu voltei pro Brasil, pro aconchego do lar e pra correria de São Paulo. Olhando para trás, parece que foi há muito mais tempo - alguém disse outro dia que cada mês que a gente vive parece que contém os acontecimentos de uns três anos. Filosofia de boteco, eu sei, mas faz o maior sentido do mundo se eu pensar como foram esses últimos cinco meses longe de casa. Demorei um bocado para tentar escrever sobre "a volta" porque queria esperar as coisas se acalmarem na cabeça, rever os amigos, entregar os presentes de viagem e começar a tocar o barco. Ledo engano - afinal, o mundo não espera a gente chegar e tentar entender o que tá acontecendo. Mãos à obra, então. 

Fazer intercâmbio nunca foi exatamente uma das minhas principais metas durante a faculdade. Tudo foi mais uma coincidência de fatores: a criação de um programa de bolsas de estudo na USP voltado só para o assunto, um amigo empolgado, a vontade de parar por seis meses e ver o mundo antes de mergulhar de vez na vida adulta. Olhando com os olhos do hoje, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.


3 de jul. de 2013

Mo Ghile Mear: Casamento de Viúva em Dublin

Duas coisinhas rápidas: sim, eu já cheguei no Brasil, mas este texto foi escrito no avião de Roma pra Lisboa. Quero ainda pousar com calma nessa cidade problemática pra poder respirar e escrever sobre a volta, de maneira que vou ficar devendo pra vocês falar de Paris, Berlim, Roma e Florença. Prometo que volto a elas fazendo roteirinhos de viagem legais, mas cheios de pessoalidade. Por agora, fiquemos com Dublin.

Sabedoria de boteco, vamos lá: toda viagem tem altos, baixos, e pontos médios- dos quais você até se lembra com carinho, mas precisa esfregar um pouco os olhos para trazer à memória. Depois do amor pela Inglaterra - ou melhor, pela garota de vestido de verão que foi Londres - e pela decepção com a Holanda, eu andava precisando de uns dias para dar uma descansada no ritmo da viagem, com menos correria e mais contemplação. Encontrei isso em Dublin, uma cidade que a princípio entrou no roteiro só por ter um show do Neil Young (e outro do Chelsea Light Moving, a banda nova do Thurston Moore) em datas que pareciam caber direitinho, e um pouco mais. Mas não muito... 

1 de jul. de 2013

Ó, Pá: Entrevista com O Martim

“Pop de rua, com um cheiro a roque e vodka de limão”. Parece uma mistura convidativa, não? Pois essa é a receita que a banda portuguesa O Martim fornece para os curiosos e intrigados com suas canções em seu site. Criação do músico Martim Torres, um baixista que tocou jazz na adolescência, acompanhou B. Fachada em alguns de seus discos e resolveu agora ocupar um lugar à frente do palco, o projeto chegou ao formato álbum no começo de 2013 com “Em Banho Maria”, um retrato da vida jovem lisboeta. Estão lá, de modo bastante descontraído, as noites de bebedeira (“Cais do Sodré”) e os dias de ressaca (“Domingo de Manhã”), sempre narradas por personagens boêmios, apaixonados e um tanto quanto azarados.

Já estou de volta à pátria-mãe (calma, ainda estou chegando, então textos sobre "como é bom voltar" ou "ai, que saudade do pastel de nata" vão aparecer daqui a algum tempo só), mas antes disso, divulgo aqui pra vocês o papo divertido regado a limonada e café que eu tive com o músico português Martim Torres, ou... O Martim, dono de "Em Banho Maria", um dos discos mais bacanas do lado de lá do Atlântico desse 2013 que já chega à metade. Além da divertida faixa-título, o trabalho também tem "Cais do Sodré", um hino a um dos meus lugares favoritos na capital portuguesa. O papo, pra variar, tá lá no Scream & Yell! 

27 de jun. de 2013

Mo Ghile Mear: Neil Young ao vivo em Dublin

Em algum momento da minha infância, lembro-me de um final de tarde que meu pai foi me buscar na escola, e, no lugar de uma rádio qualquer que nós sempre escutávamos juntos, havia um cara de voz esganiçada cantando sobre um homem velho. Meu pai berrava a letra junto com a canção, não se importando com o trânsito de São Caetano do Sul às seis e alguma coisa da tarde. Anos depois, eu fui saber que o tal cara se chamava Neil Young, que o homem velho era o "Old Man" e o disco no rádio era o Harvest,que dali em diante se tornou meu companheiro de muitas paixões perdidas edescobertas durante a adolescência.

Desde a sexta ou sétima série, o maior canadense-americano vivo me acompanha, como um mentor enigmático munido de palavras sábias, apaixonadas e solos de guitarras empolgantes. Ao mesmo tempo em que minha paixão pela obra do The Loner crescia, minha certeza de que não o veria em solo pátrio aumentava -de maneira que, assim como os estudos e a ida à terra do meu avô, assistir a um show dele se tornou um dos principais objetivos dessa viagem, cumprido bem no meio do mochilão de junho, no último dia 15, na RDS Arena, em Dublin. Mais do que o meio da viagem, entretanto, na altura aquela apresentação parecia resumir a vida ao meio - antes e depois de Neil Young.

24 de jun. de 2013

Laranja Mecânica: Rod Stewart ao vivo em Amsterdã


Após passar um bom tempo revisitando standards do repertório americano, do rock e até das canções de Natal em versões cheias de glicose para conquistar quarentões e cinquentões, Rod Stewart chegou a 2013 com seu primeiro disco autoral em doze anos, Time. Além de trazer canções inéditas de Rod the Mod, o novo trabalho ainda levou o cantor a buscar um repertório diferente do que apresentou ao vivo nos últimos anos, em uma turnê europeia que começou recentemente. No último Dia dos Namorados, essa turnê passou pelo Ziggo Dome, em Amsterdã, onde este blog teve a oportunidade de assisti-lo, torcendo para ver "Ooh La La" ou algum outro clássico dos Faces como se estivéssemos em 1973. 

A largada, porém, é feita a partir de 2013 mesmo, e empolga: "Can't Stop Me Now", segunda faixa de "Time", pode bem fazer par com os hits de Rod do final dos anos 70, e renovar o repertório das "Saudade FM" de todo o Brasil. Entretanto, alguma coisa parece fora de lugar: os muitos telões do Ziggo Dome, a quantidade excessiva de músicos de apoio (e musicistas também, trajadas com vestidos curtos para alegrar a porção masculina da plateia) e a voz do cantor, já não tão rasgada como outrora - é a velhice, fácil dizer, mas Stewart compensa a brincadeira com uma empolgação fora do comum para um senhor da sua idade (ok, Mick Jagger não conta, tá?).